Pixote, a Lei do Mais Fraco

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Pixote, a Lei do Mais Fraco
 Brasil
1980 • cor • 128 min 
Direção Hector Babenco
Roteiro Hector Babenco
Jorge Durán
Elenco Fernando Ramos da Silva
Marília Pêra
Jardel Filho
Rubens de Falco
Elke Maravilha
Gênero drama
Idioma português
Página no IMDb (em inglês)

Pixote, a lei do mais fraco é um filme brasileiro de 1980,[1] do gênero drama, dirigido por Hector Babenco.

Diversos críticos estrangeiros elegeram Pixote como um dos dez melhores filmes do ano.

Sinopse[editar | editar código-fonte]

Neste filme, Hector Babenco construiu um dos mais cruéis retratos da realidade nas ruas de São Paulo, onde crianças têm sua inocência retirada ao entrarem em contato com um mundo de crimes, prostituição e violência.

Depois de uma ronda policial, crianças de rua - incluindo Pixote - são enviados para um reformatório de delinquentes juvenis (FEBEM). A prisão é uma escola infernal onde Pixote cheira cola como fuga emocional para as constantes ameaças de abuso e estupro.

Logo fica claro que os jovens criminosos são apenas joguetes para os sádicos guardas da Febem e para seu diretor.

Quando um menino morre por abuso físico por parte dos guardas, estes procuram jogar a culpa do assassinato em outro menino, o amante de Lilica (Jorge Julião), um garoto homossexual. Convenientemente, o amante de Lilica também "morre", com a ajuda dos guardas.

Logo depois, Pixote, Chico (Zenildo Santos), Lilica e seu novo amante Dito (Gilberto Moura) encontram uma oportunidade de fugir da prisão. Primeiro eles permanecer no apartamento de Cristal (Tony Tornado), um ex-amante de Lilica, mas quando surgem tensões entre eles e Cristal, o grupo vai para o Rio para fazerem uma negociação de cocaína com uma stripper conhecida de Cristal. Chegando lá, porém, eles acabam sendo passados para trás pela stripper (Elke Maravilha), que acaba matando Chico e sendo esfaqueada por Pixote, o que se torna o primeiro assassinato cometido pelo menino.

Eles encontram Sueli (Marília Pêra), uma prostituta abandonada pelo seu cafetão, e que acabara de fazer um aborto clandestino. Juntam-se a ela para roubar os clientes da prostituta durante os seus programas, mas o clima começa a ficar tenso quando Dito e Sueli ficam atraídos um pelo outro, causando profundo ciúme em Lilica, que acaba abandonando o grupo quando presencia Dito e Sueli fazendo sexo. O esquema de roubo acaba dando errado quando um americano que vai fazer um programa com Sueli reage inesperadamente quando Dito anuncia que vai assaltá-lo (porque aparentemente ele não entende Português), e os dois se atracam. Pixote, ao tentar acertar o americano, erra e acaba acertando e matando Dito, para desespero de Sueli. O americano também é morto por Pixote.

Desolados, Pixote e Sueli estão agora sozinhos no mundo. O menino tenta buscar o carinho de Sueli, procurando nela a figura de uma mãe, mas ela o rejeita e o manda embora. Ele então se vai e é visto andando por uma linha ferroviária, de pistola na mão, se afastando até ir desaparecendo na distância.

O ator Fernando Ramos da Silva, que interpreta o personagem-título, tempo depois do êxito do filme, voltou à sua vida de sempre, vivendo num ambiente de total miséria. Chegou a tentar seguir a carreira de ator, ingressando na Rede Globo com a ajuda do escritor José Louzeiro, porém, foi demitido por ser incapaz de decorar os textos, já que era semi-alfabetizado. Devido à influência dos irmãos, retornou à criminalidade, sendo assassinado por policiais em 1987.

A rápida trajetória de Fernando foi contada pelo diretor José Joffily, em seu filme Quem Matou Pixote?.

Elenco[editar | editar código-fonte]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

O filme foi concebido em estilo de documentário, fortemente influenciado pelo neo-realismo italiano, no qual tomam parte do elenco vários atores amadores com vidas muito semelhantes às dos personagens do filme.

Locais de filmagem[editar | editar código-fonte]

Pixote foi filmado em bairros de São Paulo e do Rio de Janeiro.

Distribuição[editar | editar código-fonte]

Nos Estados Unidos, o filme foi apresentado pela primeira vez no New York New Directors / New Films Festival em 05 de maio de 1981. Depois foi exibido em circuito limitado nos Estados Unidos em 11 de setembro de 1981.

O filme foi exibido em vários festivais de cinema, incluindo: San Sebastián International Film Festival(Espanha), Festival de Cinema de Toronto (Canadá), Festival Internacional de Cinema de Locarno (Suiça), entre outros.

Recepção crítica[editar | editar código-fonte]

O crítico de cinema Roger Ebert, do Chicago Sun-Times, considera o filme um clássico, e escreveu: "Pixote predomina neste trabalho Babenco, que mostra um olhar áspero de uma vida que nenhum ser humano deveria ser obrigado a levar. E o que os olhos de Fernando Ramos da Silva, o jovem ator condenado, nos mostra não é para nos machucar, nem para nos acusar, assim como não mostra arrependimento - mostra apenas a aceitação de uma realidade diária desolada. "

A crítica Pauline Kael ficou impressionada com o filme pela sua qualidade como documentário da vida real com uma dose de realismo poético. Ela escreveu, "As imagens de Babenco são realistas, mas o seu ponto de vista é chocantemente lírico. Escritores sul-americanos como Gabriel Garcia Marquez, parecem ter um perfeito e poético controle da loucura, e Babenco também tem este dom. Artistas Sul-americanos tem que tê-lo, para poderem expressar a textura da loucura cotidiana. "

Vincent Canby, crítico de cinema do The New York Times, gostou da atuação neo-realista e da direção do drama, e escreveu: "Pixote, terceiro longa-metragem de Hector Babenco, diretor brasileiro nascido na Argentina, é um ótimo filme, intransigentemente cruel, sobre os meninos de rua de São Paulo, em particular sobre Pixote - que, de acordo com o programa, traduz-se aproximadamente como "Peewee"... As performances dos atores são boas demais para serem verdade, mas o Sr. da Silva e a Sra. Pêra são explêndidos. Pixote não é para os fracos de estômago. Muitos dos detalhes são difíceis de serem deglutidos, mas o filme não é explora, nem é pretensioso. O Sr. Babenco nos mostra o fundo do poço, e como ele é um artista, ele nos faz acreditar nisto e em que todas as possibilidades foram perdidas. "

A avaliação do site Rotten Tomatoes informa que 100% dos críticos deram ao filme uma avaliação positiva, baseada em oito avaliações.

Principais prêmios e indicações[editar | editar código-fonte]

Globo de Ouro 1982 (EUA)

  • Indicado na categoria de melhor filme estrangeiro.

Festival de Locarno 1981 (Suíça)

  • O diretor Babenco recebeu o Leopardo de Prata.

Festival de San Sebastian 1981 (Espanha)

  • Recebeu o Prêmio OCIC.

Prêmio NYFCC 1981 (New York Film Critics Circle Awards, EUA)

  • Venceu na categoria de melhor filme estrangeiro.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Pixote: A Lei do Mais Fraco Cinemateca Brasileira. Página visitada em 26 de abril de 2014.