Planescape: Torment

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Planescape: Torment
Desenvolvedora Black Isle Studios
Publicadora(s) Interplay
Designer Chris Avellone
e outros[1]
Motor Infinity Engine
Plataforma(s) Microsoft Windows
Data(s) de lançamento 12 de Dezembro de 1999
Gênero(s) Role playing game
Modos de jogo Single player
Classificação Inadequado para menores de 13 anos i ESRB (América do Norte)
Inadequado para menores de 15 anos i OFLCA (Austrália)
Permitido para maiores de 11 anos, especialmente a faixa de 11-14 anos ELSPA (Reino Unido)
Mídia CD-ROM
Requisitos mínimos
  • 4X CD-ROM drive
  • 650MB de espaço disponível em disco
Controles Rato, Teclado
Hardware
Versão 1.1

Planescape: Torment é um RPG para o Microsoft Windows desenvolvido pela Black Isle Studios, e lançado em 12 de Dezembro de 1999 pela Interplay Entertainment. A acção desenvolve-se no universo Planescape, um cenário de fantasia de Advanced Dungeons & Dragons. O jogo utiliza uma versão modificada do Infinity Engine, também usado em Baldur's Gate, um jogo desenvolvido pela BioWare.

O foco de Planescape: Torment é o seu enredo, sendo dada menos importância ao combate do que o habitual na maioria dos RPGs da época. No jogo, o protagonista é um imortal que viveu muitas vidas, mas esqueceu tudo, incluindo o seu nome, pelo que lhe é dado o nome de Nameless One (literalmente aquele que não tem nome). O enredo desenvolve-se à volta da viagem do protagonista pela cidade de Sygil e por outros planos de existência, em busca das memórias da sua vida passada. Várias personagens podem-se juntar ao Nameless One durante a viagem, a maioria das quais já o encontraram nalguma vida passada.

O jogo não atingiu grande sucesso comercial, mas recebeu inúmeras criticas positivas, e tornou-se um jogo de culto, sendo elogiado pelos diálogos imersivos, pela sua localização obscura e pela identidade da personagem principal, que se afasta das características normais dos protagonistas de RPGs. Foi considerado por muitos jornalistas da área dos videojogos como sendo o melhor RPG de 1999, continuando a ser alvo de atenção muito após o seu lançamento.

Jogabilidade[editar | editar código-fonte]

Planescape: Torment usa o Infinity Engine, desenvolvido pela BioWare, que representa o mundo em duas dimensões, duma perspectiva isométrica[2] [3] As regras do jogo são baseadas em Advanced Dungeons & Dragons.[4] Os jogadores assumem o papel do Nameless One, um imortal que procura descobrir a razão para a sua incapacidade de morrer.[5] O jogador interage com o cenário (pinturas) clicando no chão para se mover ou em personagens ou objectos para interagir com os mesmos.[6] Itens e feitiços podem ser usados através de hotkeys, quick slots ou um menu circular.[7] Como alternativa às armaduras, podem-se usar tatuagens mágicas, aplicadas ao Nameless One e a outras personagens para melhorar as suas habilidades.[8]

Antes de começar a jogar, o jogador deve criar a sua personagem.[7] [9] O Nameless One começa o jogo como um guerreiro (fighter no original), mas o jogador pode alterar a sua classe para ladrão ou feiticeiro. Depois de ter mudado de classe, o jogador pode sempre voltar à classe original. Esta mudança é feita através de tutores, espalhados pelo jogo.[6] O jogador pode recrutar companheiros de aventura durante jogo, dentre um total de 7 disponíveis. Contudo, apenas cinco podem acompanhar o jogador. É frequente o diálogo entre os companheiros, ocorrendo aleatoriamente ou durante uma conversa com um NPC.[10]

Em Planescape: Torment, a resolução de problemas passa frequentemente pelo diálogo, e não pelo combate, e muitas das situações violentas podem ser resolvidas ou evitadas através do diálogo.[10] Uma análise ao jogo menciona que se as respostas certas fora seleccionadas, o jogador só raramente terá necessidade de recorrer à violência.[11] O Nameless One possui um jornal que ajuda os jogadores a lembrarem-se das numerosas tarefas e enredos opcionais.[4] A morte da personagem principal não acarreta penalidade alguma, renascendo a mesma noutro local.[12]

Em AD&D o Alinhamento determina a perspectiva ética e moral de uma personagem em dois eixos independentes: bem vs. mal e ordem vs. caos, sendo uma propriedade estática escolhida pelo jogador no início do jogo. Em Planescape: Torment a personagem começa invariavelmente o jogo como verdadeiramente neutral, ou seja, nem boa nem má, nem ordenada nem caótica. Durante o curso do jogo esta propriedade vai sofrendo mudanças baseadas no comportamento da personagem.[2] [13] Os NPCs respondem à personagem principal de maneira diferente consoante o seu alinhamento.[4] Uma análisa da NextGen indicou que o jogo agrada quer a jogadores que procuram ser bondosos e ordeiros, quer àqueles que apenas querem matar tudo e todos.[14]

História[editar | editar código-fonte]

Localização[editar | editar código-fonte]

O enredo do jogo decorre no “multiverso” Planescape, criado para o jogo de interpretação AD&D.[5] Este “multiverso” está dividido em múltiplos planos, cada qual com uma variedade de criaturas a habitá-lo e propriedades mágicas distintas.[15] Num artigo publicado no jornal da especialidade ‘’Gamestudies’’, Diane Carr descreveu este “multiverso” como sendo “um espectáculo psicadélico, uma longa história, um jardim zoológico e uma sala repleta curiosidades” e as suas criaturas como sendo “grotescas mas não assustadoras”.[4] Planescape: Torment foi o primeiro jogo localizado no universo Planescape.

A primeira parte do jogo localiza-se na cidade de Sigil, no cimo de uma espiral infinitamente grande colocada no centro do multiverso, servindo de ligação entre os planos graças a sua enorme rede de portais mágicos. A cidade é supervisionada pela poderosa Senhora da Dor (Lady of Pain no original). Diversas facções controlam as várias funções da cidade, cada uma possuindo a sua própria ideologia e perspectiva do mundo. Cada uma das facções procura alargar a sua influência e controlo sobre a cidade. O Nameless One pode-se juntar a várias destas facções durante o jogo. O desenrolar da história acaba por afastar o Nameless One da cidade, levando-o a visitar outros planos de existência, tais como Baator e Carceri. No curso destas viagens, o passado da personagem vai-se tornando mais claro.

Desenvolvimento[editar | editar código-fonte]

Em 1997, os designers do jogo produziram um documento de 47 páginas, que continha as premissas e a sua visão do jogo, que foi usado para apresentar a ideia a gestão da Interplay.[16] Inicialmente o jogo seria chamado Last Rites,[17] e era descrito como de fantasia "avant-garde", para o destinguir dos jogos do género alta fantasia. Este documento também continha a arte conceptual das personagens e áreas do jogo.

O objectivo dos criadores do jogo sempre foi desafiar as convenções de um role-playing game tradicional: o jogo não apresenta dragões, elfos, goblins e outras raças comuns nos universos de fantasia; apenas existem três tipos de espadas; os ratos encontrados no jogo podem ser bastante difíceis de derrotar; e os mortos vivos mostram-se mais simpáticos do que alguns humanos.[18]

Chris Avellone em Manilla, 2009


Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Planescape: Torment – Créditos Allgame. Página visitada em 19 de Março de 2009. Cópia arquivada em 7 de Agosto de 2009.
  2. a b Kasavin, Greg (21 de Dezembro de 1999). Planescape: Torment for PC Review (em inglês) GameSpot. Página visitada em 27 de Fevereiro de 2009. Cópia arquivada em 7 de Agosto de 2009.
  3. Williams, Derek. Planescape: Torment Overview Allgame. Página visitada em 27 de Fevereiro de 2009. Cópia arquivada em 7 de Agosto de 2009.
  4. a b c d Carr, Diane. (Maio de 2003). "Play Dead: Genre and Effect in Silent Hill and Planescape: Torment". Game Studies 3 (1). ISSN 1604-7982.
  5. a b Turner, Jay (24 de Novembro de 2000). Review: Planescape: Torment GamePro. Página visitada em 27 de Fevereiro de 2009. Cópia arquivada em 7 de Agosto de 2009.
  6. a b Norton, Matt. Manual de Instruções: Planescape: Torment. Irvine, California: Interplay, 1999. Página visitada em 17 de MArço de 2009.
  7. a b Loijens, Joost (22 de Janeiro de 2000). Planescape: Torment Review (página 2) GameSpy. Página visitada em 27 de Fevereiro de 2009. Cópia arquivada em 7 de Agosto de 2009.
  8. Schiesel, Seth. "A Universe Where Ideas Can Trump Actions", The New York Times, 27 de Abril de 2000.
  9. Wolf, Michael. (Março de 2000). "Planescape: Torment review". PC Gamer US 7 (3): 82–83. Brisbane, California: Imagine Media. ISSN 1080-4471.
  10. a b Loijens, Joost (22 de Janeiro de 2000). Planescape: Torment Review GameSpy. Página visitada em 27 de Fevereiro de 2009. Cópia arquivada em 7 de Agosto de 2009.
  11. Gladstone, Darren; Nikki Douglas. (Março de 2000). "Ungrateful Dead: A Long, Strange Tip Through the Afterlife in Planescape: Torment". incite PC Gaming: 110–112.
  12. Purchese, Rob (15 de Janeiro de 2000). Planescape: Torment Review Eurogamer. Página visitada em 27 de Fevereiro de 2009. Cópia arquivada em 7 de Agosto de 2009.
  13. Dahlen, Chris (23 de Agosto de 2005). Planescape: Torment The Escapist. Página visitada em 4 de Março de 2009. Cópia arquivada em 7 de Agosto de 2009.
  14. Wolf, Michael. (Março de 2000). "Planescape: Torment: Scarred and dead but still kickin' butt". NextGen: 110–112.
  15. Planescape: Torment Review IGN (17 de Dezembro de 1999). Cópia arquivada em 7 de Agosto de 1999.
  16. Beekers, Thomas "Brother None" (30 de Julho de 2007). Tales of Torment, Part 1 RPGWatch. Página visitada em 6 de Março de 2009. Cópia arquivada em 7 de Agosto de 2009.
  17. Last Rites team (12 de Julho de 2007). Planescape CRPG: Last Rites Product Review Packet RPGWatch. Página visitada em 6 de Março de 2009. Cópia arquivada em 7 de Agosto de 2009.
  18. Aihoshi, Richard "Jonric" (21 de Setembro de 1998). Planescape: Torment Interview RPG Vault. IGN. Página visitada em 13 de Maio de 2009. Cópia arquivada em 7 de Agosto de 2009.