Plantio direto

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O plantio direto é um sistema diferenciado de manejo do solo, visando diminuir o impacto da agricultura e das máquinas agrícolas (tratores, arados, etc) sobre o mesmo.[1]

A utilização do plantio direto no lugar dos métodos convencionais tem aumentado significativamente nos últimos anos.[2] Nele a palha e os demais restos vegetais de outras culturas são mantidos na superfície do solo, garantindo cobertura e proteção do mesmo contra processos danosos, tais como a erosão. O solo só é manipulado no momento do plantio, quando é aberto um sulco onde são depositadas sementes e fertilizantes. Não existe, além do supracitado, nenhum método de preparo do solo. O mais importante controle que se dá nesse modo de cultivo é o das plantas daninhas, através do manejo integrado de pragas, doenças em geral e plantas infestantes. Também é muito importante para o sucesso do sistema que seja utilizado a rotação de culturas.

Benefícios[editar | editar código-fonte]

O plantio direto traz diversos benefícios que irão diminuir os custos de produção e o impacto ambiental, tais como a maior retenção de água no solo, facilidade de infiltração da água no solo, motivando a redução da erosão e perda de nutrientes por arrasto para as partes mais baixas do terreno, evita assoreamento de rios, enriquece o solo por manter matéria orgânica na superfície do solo por mais tempo, menor compactação do solo, economia de combustíveis e menor número de operações. Incluindo aí a aração e a gradagem, resultando em um menor uso dos tratores e um consequente menor desgaste.

Os benefícios do plantio direto são maiores em locais mais quentes, tropicais ou subtropicais, diminuindo em locais com clima mais definido, seco e frio, onde os restos culturais demoram mais a se decompor. A atividade biológica dos microrganismos presentes no solo também varia em função da temperatura.

Implementos[editar | editar código-fonte]

No sistema de plantio direto, se utilizam implementos próprios para o uso do mesmo, diferentes do cultivo convencional.

A semeadeira é diferenciada, contendo discos para cortar a palhada que recobre o solo, também existindo um disco que irá auxiliar o depósito de adubo e sementes no sulco do plantio. Já a colhedeira possui um picador de palhada, que irá auxiliar o direcionamento do fluxo de palha. Esse picador é diferenciado, pois através de um conjunto especializado de facas de aço que giram em alta velocidade, pica a palhada de tal modo que irá produzir uma camada morta própria para o plantio direto.

Para melhorar a cobertura do solo com a palhada (aumentando sua área superficial específica em contato com o solo), pode-se utilizar de um rolo-faca. Este implemento também é útil para os que desejam realizar plantio direto sem uso de herbicidas, em substituição dos mesmos, pois ao rolar sobre as plantas de cobertura, ele esmaga seus colmos facilitando a morte das mesmas.

O Sistema de Plantio Direto (SPD) tem a sua fundamentação baseada na conservação de uma cobertura morta na superfície do solo e tem sido uma das melhores alternativas para a manutenção da sustentabilidade dos recursos naturais na utilização agrícola dos solos. Ao se adotar o SPD, perdem-se menos solo, água e nutrientes por erosão em relação ao sistema de cultivo convencional. Em média, o SPD reduz em 75% as perdas de solo e em 20% as de água. Por ser um sistema de cultivo com grande benefício ambiental, o SPD pode ser considerado como a contribuição mais importante que a agricultura está realizando em termos de preservação ambiental. A palhada sobre a superfície do solo é a razão de grande parte dos benefícios do SPD. Desta forma, podemos dizer que o sucesso do SPD depende de uma boa cobertura do solo. A época mais adequada para a formação da palhada, técnica e economicamente depende da região onde se pretende implantar o SPD. O ideal é que as plantas de cobertura do solo sejam semeadas logo após a cultura de verão, ou ainda, durante a cultura de verão, em consórcio. Em algumas situações, como veremos mais adiante, não há a necessidade de semeadura anualmente, como é o caso de algumas forragens que persistem de um ano para o outro, por exemplo, as gramíneas do gênero Brachiaria. Em função das condições climáticas, é importante que o produtor faça um bom manejo da sua cultura de inverno para que possa alcançar uma boa cobertura do solo e que esta permaneça por mais tempo na superfície do solo. Dentre as opções de manejo da cultura de inverno, pode-se destacar o uso de herbicidas dessecantes, uso de rolo-faca, trituradores e até o uso de grade niveladora. A colheita de sementes também deve ser vista como uma boa opção econômica para o produtor. A técnica mais adequada vai depender da cultura e das condições climáticas regionais.


Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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