Podrão

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Ambulante equivalente a podrão em Nova York, EUA.

Um podrão é um termo da gíria carioca para um tipo específico de cachorro-quente feito em carrocinhas de vendedores ambulantes que, além do convencional pão e salsicha com catchup, mostarda e maionese, é recheado com uma série de ingredientes adicionais que variam de batata palha, queijo parmesão ralado, grãos de milho, ervilha e azeitona até ovos de codorna. Alguns chegam a substituir a salsicha por lingüiça de carne suína. Embora recente (final da década de 1990), a guloseima virou em pouco tempo um hábito incorporado à cultura do Rio de Janeiro, comum principalmente nas proximidades de casas noturnas, cinemas e outros espaços freqüentados por jovens.

O termo, aumentativo de "podre", deriva da má reputação de alguns destes vendedores, que usariam ingredientes de procedência pouco confiável e às vezes fora da validade. Além disso, as condições de higiene dos ambulantes nem sempre são submetidas à fiscalização da Vigilância Sanitária e em certos casos podem de fato disseminar doenças ou causar problemas digestivos. Outros vendedores, por outro lado, aprimoraram seus produtos e cultivaram fama localizada, como o caso do Oliveira, que chegou a expandir o negócio pela região metropolitana em sistema de franquia.

Acredita-se que a cultura dos "podrões" teria começado no bairro boêmio da Lapa, no centro do Rio de Janeiro. Um dos mais famosos na cidade é o cachorro-quente vendido na barraca "Tio da Larica", na qual todo o acompanhamento é servido por self-service.

Mas o que poucos sabem é a mais provável origem desse nome. Em meados dos anos 80, na praia vermelha, logo após o muro da UniRio, ficava uma barraca de cachorro quente que era um tanto quanto diferente. Era de um tamanho bem maior que o que costumava degustar na cidade do Rio de Janeiro. Era de costume descer dos shows do Morro da Urca, saborear esse cachorro quente, pegar seu carro ou moto, fazer o retorno na praia vermelha e gritar bem alto ao passar na frente da barraca: "CACHORRO PODREEEEE". O inusitado era que todos que comiam lá faziam isso. Era um tanto gostoso e divertido, comer e gritar depois de degustar o melhor cachorro quente da cidade. Daí surgiu o termo PODRÃO.

O "podrão" carioca é paralelo (embora não-relacionado) ao fenômeno dos danger dogs que surgiram no México em pontos de fronteira com os EUA alguns anos antes e se popularizaram como opção barata de refeição influenciada pela culinária estadunidense. O danger dog mexicano é feito com fatias de bacon e tiras de cebola enroladas na salsicha, junto com um molho chili (picante). Em Tijuana, existe ainda o dog dog ou Tijuana bacon dog, variedade em que a salsicha é grelhada. O hábito de consumo da guloseima já cruzou a fronteira dos EUA e hoje é popular em cidades do sul da Califónia, como Los Angeles. Na costa leste dos EUA, existe a variedade batizada como New Jersey breakfast dog, com salsicha frita em óleo e servida com ovos mexidos.

Assim como no México e na Califórnia, a cultura do "podrão" do Rio de Janeiro está associada aos hábitos noturnos da população jovem, especialmente freqüentadores de bares acometidos por súbita sensação de fome após consumirem bebidas alcoólicas e maconha. Tal sensação, na gíria, é apelidada de larica (em inglês, munchies).

Por meio do cinema e da televisão produzidos no Rio de Janeiro, o hábito do "podrão" tem sido exportado para outras regiões do Brasil e do exterior. Em casos raros, o termo é também aplicado a outras variedades de sanduíches e salgados vendidos por ambulantes, como hambúrgueres, o churrasco grego (variedade de kebab vendida em São Paulo) e o X-tudo do Rio Grande do Sul. Também em São Paulo, é hábito colocar queijo cheddar e purê de batata nos podrões.

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