Poesia concreta

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Pierre Garnier, poema espacialista Pik bou (1966), "aparentado" posterior do concretismo internacional

Poesia concreta é um tipo de poesia vanguardista, de caráter experimental, basicamente visual, que procura estruturar o texto poético escrito a partir do espaço do seu suporte, sendo ele a página de um livro ou não, buscando a superação do verso como unidade rítmico-formal. Surgiu na década de 1950 no Brasil e na Suíça, tendo sido primeiramente nomeada, tal qual a conhecemos, por Augusto de Campos na revista Noigandres de número 2, de 1955, publicada por um grupo de poetas homônimo à revista e que produziam uma poesia afins. Também é chamada de (ou confundida com) Poesia visual em algumas partes do mundo.

O poema concreto é um objeto em e por si mesmo, não um intérprete de objetos exteriores e/ou sensações mais ou menos subjetivas. seu material: a palavra (som, forma visual, carga semântica) . seu problema: um problema de funções- relações desse material. fatores de proximidade e semelhança, psicologia de gestalt. ritmo: força relacional. o poema concreto, usando o sistema fonético (dígitos) e uma sintaxe analógica, cria uma àrea lingüística específica - "verbivocovisual"- que participa das vantagens da comunicação não-verbal, sem abdicar das virtualidades da palavra, com o poema concreto ocorre o fenômeno da metacomunicação: coincidência e simultaneidade da comunicação verbal e não-verbal, com a nota de que se trata de uma comunicação de formas, de uma estrutura-conteúdo, não da usual comunicação de mensagens. a poesia concreta visa ao mínimo múltiplo comum da linguagem, daí a sua tendência à substantivação e à verbificação : "a moeda concreta da fala" (sapir). daí suas afinidades com as chamadas "línguas isolantes"( chinês) : "quanto menos gramática exterior possui a língua chinesa, tanto mais gramática interior lhe é inerente ( humboldt via cassirer) . o chinês oferece um exemplo de sintaxe puramente relacional baseada exclusivamente na ordem das palavras ( ver fenollosa, sapir e cassirer).

Características da poesia concreta[editar | editar código-fonte]

A poesia concreta é uma vanguarda no sentido de arte que busca a “ruptura”, dado por Octavio Paz[1] .

Expressas em grande parte no seu manifesto paulista de 1958 (Plano-piloto para poesia concreta), e de maneira mais clara, o que levou à grande adesão de outros poetas do mundo inteiro a este grupo, incluindo o boliviano-suíço Gomringer (considerado por muitos europeus o principal e único expoente deste movimento), aparentemente, a poesia concreta opera por duas distinções básicas: a paranomásia e a disposição espacial dos vocábulos, frases ou caracteres. Operando por paranomásia e não abandonando o uso da palavra, a poesia concreta não será definida exclusivamente como uma poesia visual.

No "Plano-piloto", considera-se como seus precursores, pela ordem de referência no manifesto [2] , Ezra Pound, Apollinaire, Eisenstein, Mallarmé, James Joyce, e.e. cummings, futuristas, dadaístas, Oswald de Andrade, João Cabral de Mello Neto, Webern e seus seguidores, Mondrian, Max Bill, a Geração de Orpheu e outros modernistas e a arte concreta em geral.

Em tom radical, o manifesto declara o fim do verso como unidade rítmico-formal do poema, que passa a reconhecer o espaço como agente estrutural, deixando de desenvolver-se de maneira meramente temporal e linear, intentando a simultaneidade da comunicação não-verbal:

“o poema concreto, usando o sistema fonético (dígitos) e uma sintaxe analógica, cria uma área lingüística específica - "verbivocovisual"- que participa das vantagens da comunicação não-verbal, sem abdicar das virtualidades da palavra”

Buscam os poetas concretos, nas palavras do grupo paulista, chegar à “estrutura-conteúdo”, veiculando uma mensagem de forma não-usual. A própria estrutura do poema comunicará, complementando ou sendo complementada pelo sentido desenvolvido no texto.

Importante referência o manifesto faz sobre a “renúncia à disputa do absoluto”, considerando os seus poemas como uma obra de arte “perene”, contextualizada na era da informação rápida, tal qual um anúncio publicitário, que tende a ser esquecido, substituído por outros.

Não há lugar na poesia concreta, segundo seu manifesto para “expressão, subjetividade e hedonismo”. Os poemas devem ser um “poema-produto” que seguirá a fórmula inicial da poesia de Maiakovski, transformar o poema em equação ou “criar problemas exatos e resolvê-los em termos de linguagem sensível”.

Em adendo, posto em 1961, a poesia concreta paulista assume sua postura revolucionária, citando o mesmo poeta russo: "sem forma revolucionária não há arte revolucionária"[3] .

Legado[editar | editar código-fonte]

Além de ter gerado um movimento internacional com repercussões até os dias de hoje, o concretismo poético gerou correntes neo-concretistas e pós-concretistas no Brasil, onde teve mais força[4] , como as do poeta Ferreira Gullar, considerado por muitos como o maior poeta vivo do Brasil, o poema/processo, a poesia-práxis e a essência da poesia reduzida de Paulo Leminski, gerando polêmicas acirradas com alguns dos representantes destas correntes, bem como com outros poetas de expressão internacional como Bruno Tolentino.

Além disso, os poetas de São Paulo, principalmente Augusto e Haroldo de Campos, produziram vasta e indiscutível obra nos campos da teoria literária (muito relacionada em seus pontos de vista aos da poesia concreta) e da tradução (utilizada com fins de crítica, conforme preceitos de Ezra Pound).

Também influenciou uma significativa parcela de novos poetas brasileiros até o início do século XXI, bem como a obra de renomados poetas do antigo modernismo, tal como Cassiano Ricardo e Murilo Mendes, parecendo ser o verdadeiro “ser ou não ser” da poesia brasileira pós-concretismo no Brasil a questão de deixar-se ou não influenciar pela teoria (ou prática) da poesia concreta ou de seus principais articuladores[5] .

Nomes não citados no artigo[editar | editar código-fonte]

Alguns poetas importantes para o desenvolvimento da poesia concreta no Brasil e que não foram citados neste artigo são:

Referências

Ver também[editar | editar código-fonte]

Books-aj.svg aj ashton 01.png A Wikipédia possui o
Portal de Literatura

Ligações externas[editar | editar código-fonte]