Guiana Francesa

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Guyane
Guiana Francesa
Flag of French Guiana.svg
French Guyana SVG.png
Bandeira[1] Brasão de armas
Hino nacional: A Marselhesa
Gentílico: guianense

Localização da Guiana Francesa

Localização da Guiana Francesa na França
Capital Caiena
4°93'N 52°33'W
Cidade mais populosa Caiena
Língua oficial francês
Governo Região e departamento ultramarino da República Francesa
 - Presidentes Rodolphe Alexandre (UMP, região)
Alain Tien-Liong (MDES, departamento)
 - Departamento ultramarino 19 de março de 1946 
Área  
 - Total 83 846 km² 
 - Água (%) 2
População  
 - Estimativa de 2009 221 500 hab. 
 - Censo 2005 190 842 hab. 
PIB (base PPC)
 - Total US$  2,207 bilhões (2003)[2]  
 - Per capita US$  12.165 (2003)[2]  
IDH (2005) 0,862 (43.º) – elevado
Moeda Euro (EUR)
Fuso horário -3
Clima Equatorial
Cód. Internet .gf
Cód. telef. +594 (telefones fixos), +694 (telefones celulares)
Website governamental http://www.guyane.pref.gouv.fr (Préfecture)
http://www.cr-guyane.fr (Conselho regional)
http://www.cg973.fr (Conselho geral)

Mapa da Guiana Francesa

A Guiana Francesa (em francês: Guyane française, oficialmente apenas Guyane) é um departamento ultramarino da França (département d'outre-mer, em francês) na costa atlântica da América do Sul (e, como tal, é o principal território da União Europeia no continente). Ocupa uma superfície com cerca de 91 000 km2, limitada ao norte pelo Oceano Atlântico, a leste e a sul pelo Brasil (estado do Amapá) e a oeste pelo Suriname (junto à fronteira com departamento da França está a cidade de Saint-Laurent-du-Maroni). Sua capital e principal cidade é Caiena (Cayenne). O idioma oficial é o francês, mas também fala-se o dialeto taki-taki, das comunidades negras, várias línguas ameríndias e as das minorias imigradas. A religião católica predomina.

História[editar | editar código-fonte]

Mapa das guianas dentro do Reino da Granada.

Colônia francesa até 1947, desde então a Guiana Francesa é um departamento ultramarino francês. Como parte integral da República Francesa, a Guiana Francesa é representada no Senado e na Assembleia Nacional da França, seus cidadãos participam das eleições para presidente da República Francesa. Como parcela do território francês tanto quanto as partes da República Francesa localizadas no continente europeu, a Guiana Francesa é considerada parte da União Europeia, e a moeda local é o Euro.

Vicente Yáñez Pinzón foi o primeiro explorador da costa das Guianas, em 1500. Iludidos pela mítica cidade do ouro (Eldorado), numerosos aventureiros buscaram inutilmente fortuna na região. Comerciantes franceses abriram um centro comercial em Sinnamary, em 1624, e outro em Caiena, fundada em 1637.

Depois, Caiena foi tomada pelos holandeses que, expulsos em 1664, voltaram a assentar-se em 1676. O Tratado de Breda, de 1667, legitimou a posse do território pela França, e o Tratado de Utrecht fixou as fronteiras com o Brasil em 1713. Os jesuítas foram expulsos em 1762, o que provocou a dispersão dos índios que viviam nas missões. Na expedição colonizadora de Kourou (de 1763 a 1765), morreram cerca de 14 000 pessoas, a maioria europeus. A revolução francesa pouco repercutiu na colônia, onde a escravidão foi abolida em 1794 e restabelecida em 1802. Em 1809, a Guiana, a começar por Caiena, foi ocupada pela tropas luso-brasileiras, e devolvida em 1817.

A abolição definitiva da escravatura, em 1848, arruinou as plantações, situação agravada com o descobrimento de jazidas de ouro em 1855, pois a escassa mão-de-obra abandonou a agricultura. Entre 1852 e 1939, mais de setenta mil franceses foram deportados e confinados nas penitenciárias. De 1852 a 1858, os presos deportados da França eram transportados para as ilhas da salvação (Saint Joseph, Royale e do Diabo) e para os campos de trabalho forçado em Kourou e outros espalhados pelo território. O presídio de Saint Laurent du Maroni estabeleceu-se em 1858.O problema dos limites com o Brasil foi resolvido definitivamente quando o barão do Rio Branco provou que "o rio de Vicente Pinzón", delimitador da fronteira, era o Oiapoque.

Quanto à questão do Amapá, foi solucionada em 1900 por laudo arbitral do presidente do Conselho Federal da Suíça. Com isso, terminaram as investidas francesas na fronteira. Uma experiência colonizadora positiva foi empreendida entre 1827 e 1846, em Mana, pela madre Anne-Marie Javouhey, que criou uma comunidade para a educação cristã de escravos libertados. Os habitantes tornaram-se cidadãos franceses em 1848 e desde 1887 têm representação na assembleia. Em 1946, a Guiana tornou-se departamento da França.

Há presença francesa na região desde pelo menos 1644. No entanto, entre 1809 e 1817, esteve anexada ao Brasil (até 1815, vice-reino de Portugal, após essa data, Reino Unido de Portugal e Algarves). De 1852 a 1945 prisioneiros comuns e políticos eram deportados da França continental para a então colônia, e em especial para a Ilha do Diabo. Muitos deles viriam a morrer de doenças tropicais. Entre os prisioneiros célebres que por aí passaram estão Alfred Dreyfus e Louise Michel. O livro Papillon, de Henri Charrière, mais tarde adaptado em filme, retratou o cotidiano de condenados e o tratamento brutal ao qual eram submetidos.

Economia[editar | editar código-fonte]

A economia da Guiana Francesa é baseada principalmente na pesca e na extração mineral, principalmente aurífera. O departamento registra notável imigração ilegal, principalmente de brasileiros, haitianos, surinameses, atraídos pela possibilidade de obter renda em Euros.

Na segunda metade do século XX, a Guiana Francesa desenvolveu uma economia florescente, estimulada pela atividade no centro espacial de Kourou, conhecida por hospedar a base de lançamento de foguetes e satélites da Agência Espacial Europeia (ESA). O aluguel da base de lançamento rende dividendos à administração local.

O Centro Espacial de Kourou, construído a partir de 1968 pela Agência Espacial Europeia, contribuiu decisivamente para o desenvolvimento econômico da Guiana Francesa, não só por gerar empregos, mas também por introduzir tecnologia de ponta e informática à região. O sistema de transportes concentra-se no litoral. Há um aeroporto internacional em Rochambeau, perto de Caiena.

O programa denominado Plan Vert (Plano Verde) objetiva desenvolver a agricultura, a pecuária e a exploração florestal, e se baseia na imigração de colonos franceses. A pesca, principalmente de camarões, cresceu a partir de meados do século XX. As exportações incluem açúcar, mandioca, coco, banana, rum e madeira. A Guiana Francesa explora seus recursos minerais, sobretudo ouro e bauxita.

Demografia[editar | editar código-fonte]

Evolução demográfica entre 1961 e 2003.

Sua população é de cerca de 200 000 habitantes (Dados de 2006). A idade média não passa dos 58 anos.

A maioria da população é constituída pelos crioulos ou mulatos, como resultado da contínua mestiçagem dos grupos procedentes da Europa, da Ásia e África, assim como de outras partes da América do Sul. Os índios, reduzidos a pequenas tribos, vivem na costa (caribes, aruaques e palicurs) e no interior (wayanas, oiampis e emérilons). Nas proximidades do Rio Maroni, descendentes de escravos foragidos no século XVIII conservaram seu modo de vida africano.

Evolução demográfica
1790
estimativa
1839
estimativa
1857
estimativa
1891
estimativa
1946
censo
1954
censo
1961
censo
1967
censo
1974
censo
1982
censo
1990
censo
1999
censo
2006
estimado
14.520 20.940 25.561 33.500 25.499 27.863 33.505 44.392 55.125 73.022 114.678 157.213 202.000
Número de habitantes segundo os censos e estimativas.

Cidades mais populosas[editar | editar código-fonte]

Geografia[editar | editar código-fonte]

Selva na Guiana Francesa.

A Guiana francesa está situada ao norte da América do Sul, sua extensão territorial é de 89.150 km² (dos quais 12.500 km² são a Guiana propriamente dita, o restante forma o território interno de Inini). Esse departamento delimita ao norte com o oceano Atlântico, ao sul e ao leste com o Brasil e a oeste com o Suriname. O perímetro de suas fronteiras soma 1.183 km e sua faixa litorânea mede 378 km.

A Guiana Francesa é uma região plana com poucas colinas, a máxima altitude ocorre em Bellevue de Inini e é de 851 metros. O relevo eleva-se desde a faixa costeira até as terras altas do sul, passando por uma planície de transição (situada no centro do departamento), onde se combinam os granitos do escudo guianês (ou maciço das Guianas) e os depósitos fluviais. No extremo sul, estão localizadas as cadeias montanhosas Eureupogcigne e Oroye.

Os rios são de escassa longitude, bastante caudalosos, de vital importância para chegar ao interior do departamento e desembocam no oceano Atlântico. Os rios mais importantes são: Mana, Sinnamary, Approuague e Oiapoque.

O clima é tropical, portanto, bastante chuvoso, quente e úmido na grande maior parte do ano. Os furacões que são gerados no oceano atlântico dificilmente chegam à Guiana Francesa. A temperatura média daquele país é de 27 °C e as precipitações superam os 3.000 mm anuais. Um dia típico na floresta da Guiana Francesa é muito quente durante o dia e chuvoso no final da tarde.

A flora é característica da floresta tropical, quer dizer, extremamente diversificada e densa (como acontece no Brasil). A maior parte do departamento (mais de 90% da superfície) está coberta por uma floresta tropical densa que fica ainda mais impenetrável na proximidade dos rios. Calcula-se que existam na floresta equatorial mais de 60.00 espécies de árvores (algumas delas centenárias como o ébano), com alturas que podem ultrapassar os 80 m.

Os manguezais cobrem grande parte do litoral e, por tratar-se de um ecossistema extremamente frágil, o ecoturismo tem se desenvolvido lenta e planejadamente na região costeira. Existem quatro tipos diferentes de manguezais no departamento, dentre os quais o vermelho e o branco. Atrás do mangue, a planície litorânea alberga a palmeira tucum, seus frutos permitem a elaboração de caldo tradicionalmente consumido na época do Natal.

Na fauna da Guiana Francesa é possível encontrar enormes variedades de peixes, aves, répteis, insetos e mamíferos, dentre os quais podemos destacar a onça-pintada, araras e papagaios, serpentes, antas, tatus, jacarés e macacos.

Clima[editar | editar código-fonte]

Tem clima equatorial de montanha (clima que se caracteriza por sua maior facilidade de percepção das estações, diferenciando-se assim do clima equatorial comum). A temperatura tem uma variação pequena, chegando a 303.15K (30ºC) e 298.15K (25ºC) no verão e no inverno respectivamente. A Chuva ocorre nesse território durante todo o ano (mais frequentemente no verão), mas diferentemente do clima equatorial comum, que tem em média 3 100 mm/ano, com esse clima equatorial de montanha, vê-se apenas 1 200 mm/ano (um volume bem menor).

Divisões administrativas[editar | editar código-fonte]

Divisão comunal.

A Guiana é ao mesmo tempo uma região e um departamento francês de ultramar cuja prefeitura tem sede em Caiena.

A Guiana Francesa é dividida em dois arrondissements (de Caiena e Saint-Laurent-du-Maroni), dezesseis cantões e 22 comunas.

Bandeira[editar | editar código-fonte]

Em 29 de janeiro de 2010 foi aprovada a bandeira atual da Guiana Francesa.[1]

Referências

  1. a b [1]
  2. a b [2]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Commons
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