Ponte de D. Maria Pia

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Ponte D. Maria Pia
Arquitetura e construção
Design Théophile Seyrig
Início da construção 1876
Término da construção 1877
Data de abertura 1877
Data de encerramento 1991
Comprimento total 352 metros
Altura 61 metros
Geografia
Via Linha do Norte
Cruza Rio Douro
Localização Porto/Vila Nova de Gaia, Portugal

A Ponte de D. Maria Pia, também designada por Ponte Maria Pia, é uma infraestrutura ferroviária sobre o Rio Douro que liga as cidades do Porto e Vila Nova de Gaia, no norte de Portugal.

Descrição[editar | editar código-fonte]

Esta ponte, de metal, apresenta um tabuleiro com 352 metros de extensão; o arco sob o tabuleiro, de forma biarticulada,[1] tem 160 metros de corda e 42,60 metros de flecha.[2] A altura, a partir do nível das águas, é de 61 metros.[3]

História[editar | editar código-fonte]

Ponte Maria Pia - gravura de 1877.

Esta ponte, assim chamada em honra de Maria Pia de Saboia, é uma obra de grande beleza arquitectónica, projectada pelo Eng.º Théophile Seyrig e edificada, entre 5 de Janeiro de 1876[4] e 4 de Novembro de 1877,[5] pela empresa Eiffel Constructions Métalliques. Foi a primeira ponte ferroviária a unir as duas margens do rio Douro.

Estiveram em permanência 150 operários a trabalhar, tendo-se utilizado 1.600 toneladas de ferro. Tendo em consideração as dimensões da largura do rio e das escarpas envolventes, foi o maior vão construído até essa data, aplicando-se métodos revolucionários para a época.

A inauguração deu-se a 4 de Novembro de 1877[2] por d. Luís I de Portugal e D. Maria Pia; a cerimónia teve a presença da Banda de Música da Cidade de Espinho.

A construção da ponte em tempo recorde, aliada à dificuldade da transposição do enorme vão, concedeu a Eiffel a fama que procurava desde 1866, altura em que fundou a sua empresa com o engenheiro Théophile Seyrig. Eiffel, para acompanhar os trabalhos de construção da ponte, instalou-se em Barcelos entre 1875 e 1877.

Gustave Eiffel publicou na "Revista de Obras Públicas e Minas" uma análise pormenorizada da construção, onde incluiu quer os projectos, quer o cálculo dos vários componentes da ponte. Adoptando o mesmo modelo, realizou o Viaduto de Garabit (1880-1884) com 165 metros de vão, a estrutura da Estátua da Liberdade (1884-1886) e a Torre Eiffel (1889).

Fases de construção[editar | editar código-fonte]

Distinções[editar | editar código-fonte]

  • Em 1982 foi classificada Monumento Nacional pelo IGESPAR.[6]
  • Em 1990 foi classificada pela American Society of Engineering (ASCE) como Internacional Historic Civil Engineering Landmark.[7]

Actualidade e futuro[editar | editar código-fonte]

No último quartel do século XX tornou-se evidente que a velha ponte já não respondia de forma satisfatória às necessidades. Dotada de uma só linha, obrigava à passagem de uma composição de cada vez, a uma velocidade que não podia ultrapassar os 20 km/h e com cargas limitadas. No entanto, a ponte esteve em serviço durante 114 anos, como parte da Linha do Norte, até à entrada em serviço da Ponte de S. João em 1991.

As restrições de velocidade de tráfego que não permitiam ultrapassar a velocidade de 20 km/h e o facto de apenas possuir via única ditaram o seu fim com infraestrutura ferroviária.[7] Em 1991 foi substituída pela Ponte de São João, ficando ao abandono até 2009, quando se procedeu a várias obras de preservação, ficando no entanto sem uso até à actualidade. Dos vários projectos que foram sendo apontados para a sua re-utilização, nenhum foi concretizado e a Refer já tentou livrar-se dos encargos de manutenção continuando as autarquias de Vila Nova de Gaia e do Porto a também não pretender tal encargo.[8]

Em setembro de 2013, a ponte D. Maria Pia foi considerada pelo jornal The Guardian como uma das 10 mais belas do mundo[9] .

2 arquitectos propuseram transladar a ponte D. Maria Pia ao centro da cidade do Porto e transformá-la numa obra de arte. A ideia foi proposta num concurso de ideias para reabilitar a baixa do Porto mas não ganhou[10]

Referências

  1. José Pedro Duarte (Julho 2008). Rio Douro: Muito mais do que turismo Mundo Português. Página visitada em 27 de Fevereiro de 2010.
  2. a b Santos, 1989:329
  3. As Pontes do Porto Conhecer o Porto (2008). Página visitada em 27 de Fevereiro de 2010.
  4. Cronologia Comboios de Portugal. Página visitada em 27 de Fevereiro de 2010.
  5. Medalha Ponte D. Maria Pia Irmãos Carvalho Coleccionismo. Página visitada em 27 de Fevereiro de 2010.
  6. Ponte de D. Maria Pia Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico. Página visitada em 5 de setembro de 2012.
  7. a b Isabel Sereno (1995). Ponte D. Maria Pia / Ponte Ferroviária D. Maria Pia IHRU/SIPA. Página visitada em 5 de setembro de 2012.
  8. Ninguém quer ser responsável pela ponte Maria Pia Diário de Notícias (Portugal) (12 de outubro de 2011). Página visitada em 5 de setembro de 2012.
  9. The 10 best bridges.
  10. Portuguese architects want to relocate porto's maria pia bridge.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Santos, José Coelho dos. O Palácio de Cristal e a Arquitectura de Ferro no Porto em Meados do Século XIX. Porto: Fundação Eng. António de Almeida, 1989. 387 pp.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Ponte de D. Maria Pia
Ícone de esboço Este artigo sobre Património, integrado no Projecto Grande Porto é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.