Ponte de São João
| Ponte de São João | |
|---|---|
| Via | Linha do Norte |
| Cruza | Rio Douro |
| Localização | Porto, Portugal |
| Mantida por | Rede Ferroviária Nacional |
| Design | Edgar Cardoso |
| Comprimento total | 1140 metros |
| Término da construção | 1991 |
| Data de abertura | 24 de Junho de 1991 |
| Coordenadas | |
A Ponte de São João é uma infra-estrutura ferroviária que liga Vila Nova de Gaia ao Porto, sobre o Rio Douro, em Portugal.
Índice |
Caracterização[editar]
Ao contrário das outras pontes construídas até à data, a Ponte de São João não é em arco, mas em pórtico múltiplo contínuo, de pilares verticais, com três vãos, dois laterais, de 125 metros, e um central, com 250 metros de comprimento, apoiados em dois pilares no leito do rio; a estrutura principal, constituída pela ponte em si, junto com os viadutos de acesso, apresenta, no total, 1140 metros de comprimento.1 É constituída por uma só peça contínua, de grandes dimensões, construída em betão armado e pré-esforçado; os viadutos de acesso foram ligados de forma monolítica à ponte em si, formando, assim, uma continuidade natural.1 Terminam em encontros de betão armado, de grandes dimensões, em ambas as margens, apresentando 62 e 48 metros de comprimento, respectivamente, nas margens direita e esquerda.1
A ponte principal apresenta uma super-estrutura formada por uma viga-caixão de secção trapezoidal, bicelular, com uma altura que varia desde os 4 metros, nos viadutos, até aos 14 metros, nas secções sobre os pilares do rio, com 7 metros a meio do vão central; ambas as vias férreas assentam de forma directa na laje superior da viga-caixão, sendo a plataforma entre as linhas e as vigas nas bordas e no centro da ponte revestida de betão poroso, que serve como mecanismo de travagem em caso de descarrilamento.1 As fundações os pilares apresentam características distintas, variando de acordo com as cotas e os diferentes tipos de terrenos aonde se encontram.1 Destacam-se as fundações dos dois pilares principais, nas quais, devido às excepcionais grandezas a sustentar, foram instaladas, em cada uma, 130 micro-estacas de betão armado, formadas por 5 varões de aço A 500 NR com 50 milímetros de diâmetro e com 12 milímetros de extensão, que foram cravadas no fundo do rio, de natureza rochosa.1
Projectada pelo engenheiro Edgar Cardoso, a sua construção foi efectuada pelo consórcio FERDOURO-ACE, formado pelas empresas Sociedade de Construções Soares da Costa, Teixeira Duarte, e OPCA, Obras Públicas e Cimento Armado, S. A., e fiscalizada pela Bratex-Agrupamento para Consultaria e Gestão de Projectos, ACE; é propriedade da Rede Ferroviária Nacional.1
História[editar]
Planeamento, construção e inauguração[editar]
Já em 1934, a companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses planeara construir uma segunda ponte sobre o Rio Douro, junto ao Porto, o que seria parte de um projecto de uma ligação ferroviária alternativa à Linha do Norte, unindo as regiões a norte do Rio Douro ao centro do país.2
A Ponte de São João foi construída com o propósito de fornecer uma ligação ferroviária alternativa à Ponte Maria Pia, que, devido ao facto ser de via única, não conseguia escoar eficazmente o intenso tráfego ferroviário de e para o Porto, gerando estrangulamentos de tráfego.3 Assim, em 1966, a companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses planeou a duplicação da via entre as Estações Ferroviárias de General Torres e Porto-Campanhã, sendo a travessia do Rio Douro realizada por uma ponte de via dupla de traça semelhante à Ponte da Arrábida.3 Desta forma, o anteprojecto da Ponte foi entregue ao engenheiro Edgar Cardoso.4
Devido aos elevados custos da obra, estimados em 120 milhões de escudos, a companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses teve de optar por esperar que o III Plano de Fomento, que seria realizado entre 1968 e 1973, disponibilizasse os fundos necessários a este projecto, ou esperar que algum empreiteiro aceitasse a obra, apenas recebendo o pagamento na altura do III Plano de Fomento.3
Fazendo jus ao seu nome, a ponte foi inaugurada no dia de São João, em 24 de Junho de 1991.4 5
Século XXI[editar]
Projecta-se que os serviços de alta velocidade circulem por esta ponte, nas deslocações de e para a a Estação Ferroviária de Porto-Campanhã, terminal da ligação ferroviária de alta velocidade; para permitir a passagem das composições deste tipo, serão necessárias modificações nas vias.6
Ver também[editar]
Referências
- ↑ a b c d e f g 100 Obras de Arquitectura Civil no Século XX, 2000:110, 111
- ↑ (Fevereiro de 1934) "Os Caminhos de Ferro na Organização Nacional dos Transportes e do Turismo". Gazeta dos Caminhos de Ferro 47 (1107): 75.
- ↑ a b c (Junho de 1966) "A Nova Ponte Sobre o Rio Douro". Gazeta dos Caminhos de Ferro (1883): 125, 126.
- ↑ a b As Pontes que ligam Porto e Vila Nova de Gaia [ligação inativa]. Conhecer o Porto (2008). Página visitada em 28 de Fevereiro de 2010.
- ↑ Os Caminhos de Ferro Portugueses 1856-2006, 2006:189
- ↑ Governo com poucas novidades no projecto do TGV português. Associação de Empresas de Construção e Obras Públicas. Página visitada em 28 de Fevereiro de 2010.
Bibliografia[editar]
- 100 Obras de Arquitectura Civil no Século XX. Lisboa: Ordem dos Engenheiros, 2000. 286 p. ISBN 972-97231-7-6
- Os Caminhos de Ferro Portugueses 1856-2006. [S.l.]: CP-Comboios de Portugal e Público-Comunicação Social S. A., 2006. 238 p. ISBN 989-619-078-X
Ligações externas[editar]