Pornografia e Violência nas Comunicações Sociais

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Pornografia e violência nas comunicações sociais é um documento publicado por um dos dicastérios da Santa Sé, o Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais, em 7 de maio de 1989, XXIII dia Mundial das Comunicações Sociais, subscrito pelo Arcebispo John Patrick Foley, Titular de Neapolis in Proconsulari, na qualidade de Presidente do Pontifício Conselho e pelo Bispo Pierfranco Pastore, Titular de Forontoniana, então Secretário do organismo e vai divido em quatro partes.

Introdução[editar | editar código-fonte]

Inicialmente o documento afirma que nos últimos anos, houve uma revolução mundial no modo de perceber os valores, na maneira de pensar e agir e que a comunicação social teve um papel importante nessa transformação, pois introduziu e refletiu novas atitudes e estilos.

Afirma que algumas mudanças foram positivas. A imprensa foi a consciência da dignidade própria e de todo ser humano. Em um mundo dividido por conflitos cresce a convicção de uma interdependência e, por conseqüência, a necessidade de uma solidariedade moral.

Porém verificou-se, de acordo com o documento, também aspectos negativos, como a violação da dignidade humana e dos ideais e valores cristãos. Assim os meios de comunicação social contribuem de maneira positiva e negativa. Um dos problemas alarmantes destes anos é a crescente difusão da pornografia e a generalização da violência, conclui.

Segundo aquele organismo da Cúria Romana, a pornografia e a exaltação da violência são velhas realidades da condição humana, que evidencia o lado torpe do homem decaído pelo pecado. A propagação da pornografia e da violência pela comunicação moderna, as tornou acessíveis ao grande público. Assim, problema que era restrito ao âmbito dos países ricos, agora atinge os valores morais das nações em desenvolvimento.

Entende que ao mesmo tempo que a comunicação social pode ser instrumento de unidade e compreensão mútua, pode ser veículo de uma visão deformadora. O documento tem o intuito de ilustrar os efeitos mais graves da pornografia e da violência sobre o indivíduo e a sociedade, bem como assinalar as principais causas do problema. Por último, busca indicar os passos necessários, a todos de alguma forma envolvida na comunicação social, ativa ou passivamente, para aplicar o remédio necessário.

Efeitos da pornografia e da violência[editar | editar código-fonte]

A experiência confirma os estudo realizados no mundo sobre os efeitos negativos da pornografia e da violência nos meios de comunicação. Neste contexto, por pornografia, é entendida a violação do direito a privacidade do corpo humano em sua natureza masculina e feminina, violação que reduz a pessoa humana em um objeto anônimo, destinado a má utilização, com intenção de obter gratificação concupiscente.

Já a violência pode ser entendida como a apresentação destinada a excitar os instintos humanos para atos contrários a dignidade da pessoa humana, e que descreve a força física intensa exercida de maneira ofensiva e passional.

A freqüente exposição de crianças à violência, nas comunicações sociais, pode ser perturbadora, pois não destingem claramente fantasia da realidade. Num estágio mais avançado, a violência sádica pode condicionar as pessoas impressionáveis, sobretudo jovens, que chegam a considerá-la norma e digna de ser imitada.

Considera que pode existir uma vinculação entre pornografia e "violência sádica". Uma certa pornografia, já é violenta em seu conteúdo e expressão. Os que consomem esse material, correm o risco de introduzi-lo ao seu próprio comportamento, perdendo o respeito para com os demais. Uma vinculação assim, tem particulares implicações para as pessoas afetadas por certas enfermidades mentais.

Também a chamada "pornografia leve" pode paralisar progressivamente a sensibilidade. Eliminando gradativamente o sentido moral, até o ponto tornar os indivíduos indiferentes aos direitos e á dignidade alheia. A pornografia como a droga cria dependência e move à busca de matéria mais excitante e perverso. A probabilidade de adotar comportamentos anti-sociais, crescerá, a medida em que esse processo prosseguir.

Na pior das hipóteses, a pornografia pode atuar como agente de reforço e incitação, em agressões sexuais graves e perigosas, tais como abuso sexual de menores, seqüestro e assassinato e teria como uma das conseqüências fundamentais o menosprezo dos indivíduos, ao considera-los como objetos. Suprime a ternura e a compaixão, para deixar espaço`a indiferença e até à brutalidade.

Causa do problema[editar | editar código-fonte]

O documento aponta como sendo um dos motivos da difusão da pornografia e da violência sádica nos meios de comunicação, a propagação de uma moral permissiva, baseada na busca da satisfação individual a todo custo. A negação moral da esperança ajunta-se a isso, que acaba por fazer do prazer a única fonte de felicidade.

Um número de causas mais imediatas contribuiriam, posteriormente, para a escalada da pornografia e violência nos media.

  • Falsos argumentos libertários. Para alguns, a liberdade de expressão exige uma tolerância para com a pornografia, mesmo a preço da sanidade moral dos jovens e do direito a intimidade. Outros, erroneamente, afirmam que o melhor meio para combater a pornografia consiste em legalizá-la. Às vezes, esses argumentos são propostos por grupos minoritários que não representam os critérios morais da maioria e que se esquecem de que a cada direito corresponde uma responsabilidade. O direito a liberdade de expressão não é absoluto, afirma.
  • A ausência de leis preparadas ou a sua não aplicação, para a proteção do bem comum, em particular, da moralidade dos jovens.
  • Confusão e apatia por parte de muitos, que se consideram, erroneamente, alheios a essa problemática.

Resposta ao problema[editar | editar código-fonte]

O documento entende que o legítimo direito de liberdade de expressão e o intercâmbio livre de informação deve ser protegido. Ao mesmo tempo, considera que deve-se salvaguardar o direito dos indivíduos, das famílias e da sociedade à vida privada, à decência pública e à proteção dos valores essenciais da vida.

Aponta como setores que têm responsabilidade nesta matéria os profissionais da comunicação, pais, educadores, juventude, público em geral, autoridades públicas, igreja e grupos religiosos.

Aos profissionais da comunicação recomenda, com insistência, unirem-se para a elaboração e aplicação de códigos de ética em matéria de comunicação social e de publicidade inspirados no bem comum e orietados para o desenvolvimento integral do homem.

Aos pais é pedido que passem uma educação a favor de uma sexualidade humana sadia, baseada no respeito à dignidade da pessoa como filho de Deus, na virtude da castidade e na prática da autodisciplina. A vida familiar equilibrada, constituirá a escola ideal de formação para os sadios valores morais.

Aos educadores, principais colaboradores dos pais na formação moral dos jovens, é recomendado promover e inculcar os valores éticos e sociais, para garantir a unidade e o sadio desenvolvimento da família e da sociedade. Considera que os programas de maior valor são aqueles que formam os jovens para uma atitude crítica e para uma capacidade de discernimento no uso dos meios de comunicação social.

Quanto aos jovens pede que assumam suas responsabilidades naquilo que reclama capacidade de decisão moral, assim como na escolha de seus divertimentos.

Segundo o documento o público deve também fazer ouvir sua voz. Os cidadãos têm a tarefa de expressar individual e coletivamente seu ponto de vista diante dos produtores, interesses comerciais e autoridades civis. Um diálogo continuado entre comunicadores e representantes do público para, torna-se urgente, para que os comunicadores estejam a par das exigências reais e dos interesses dos usuários.

Aos representantes dos três poderes do Estado é pedido que dêm uma resposta ao problema da pornografia e da violência sádica difundidas pelos meios de comunicação. As leis e os agentes das leis têm o dever sagrado de proteger o bem comum, especialmente o que concerne a juventude e aos membros mais vulneráveis da comunidade.

Quanto à Igreja é a responsável pelo ensinamento claro da fé e, como conseqüência disso, da objetiva verdade moral, incluída a verdade referente à moral sexual. Deve ser muitas vezes um sinal de contradição.

Termina o documento dizendo que a chamada "ética da gratificação" se opõe a realização plena da pessoa humana. A educação para a vida familiar e a inserção responsável na vida social exigem a formação para a castidade e para a autodisciplina. A pornografia e a violência ofuscam a imagem divina em cada pessoa humana, debilitam o matrimônio e a vida familiar, trazendo graves danos aos indivíduos.

Avalia que uma atitude de censura da Igreja, diante desses meios, não é suficiente ou apropriado. Pelo contrário, a Igreja deve empenhar-se num diálogo contínuo com os comunicadores consciente de sua responsabilidade. Deve incentiva-los e sustentá-los em sua missão , onde for possível e desejável.

O documento é dirigido às famílias para que exprimam suas preocupações, e aos pastores da Igreja, para convidá-los a uma reflexão, e para animar a todos a seguir uma advertência de São Paulo: “Não te deixes vencer pelo mal, mas vence o mal pelo bem”.

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