Portalegre (Rio Grande do Norte)

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Município de Portalegre
"Paraíso Serrano"
Bandeira de Portalegre
Brasão de Portalegre
Bandeira Brasão
Hino
Aniversário 8 de dezembro
Fundação 1761
Gentílico portalegrense
Prefeito(a) Manoel de Freitas Neto (PMDB)
(2013–2016)
Localização
Localização de Portalegre
Localização de Portalegre no Rio Grande do Norte
Portalegre está localizado em: Brasil
Portalegre
Localização de Portalegre no Brasil
06° 01' 26" S 37° 59' 16" O06° 01' 26" S 37° 59' 16" O
Unidade federativa  Rio Grande do Norte
Mesorregião Oeste Potiguar IBGE/2008[1]
Microrregião Pau dos Ferros IBGE/2008[1]
Municípios limítrofes Norte: Taboleiro Grande e Riacho da Cruz; Sul: Serrinha dos Pintos; Leste: Viçosa e Martins; e Oeste: Francisco Dantas.
Distância até a capital 366 km[2]
Características geográficas
Área 110,052 km² [3]
População 7 297 hab. IBGE/2010[4]
Densidade 66,31 hab./km²
Altitude 650 m
Clima serrano
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,621 médio PNUD/2010[5]
PIB R$ 25 602,398 mil IBGE/2008[6]
PIB per capita R$ 3 628,46 IBGE/2008[6]
Página oficial

Portalegre é um município no estado do Rio Grande do Norte (Brasil), localizado no Polo Serrano da Mesorregião do Oeste Potiguar, microrregião de Pau dos Ferros. O município possui, de acordo com a estimativa realizada pelo IBGE no ano 2009, uma população de 7 082[7] habitantes e tem uma área territorial de 110 km².

Etimologia[editar | editar código-fonte]

O topônimo Portalegre é uma alusão a cidade de Portalegre, situada na região do Alentejo, em Portugal. Sua denominação original era Regente e desde 1833, Portalegre.[8]

História[editar | editar código-fonte]

A história da região onde Portalegre situa-se mescla a influência entre os nativos das terras, os índios Paiacu, Tarairiu,[9] portugueses e a expansão da carne do charque.[10]

No final do Século XVII foi registrado o surgimento de Portalegre através do avanço de currais de gado, durante o ciclo econômico da carne do charque, que se estendiam até a várzea do rio Açu/Apodi. O Capitão-mor Manoel Nogueira Ferreira ergueu a primeira fazenda do município pela necessidade de procurar paz e tranquilidade, subindo então para a serra. A terra foi demarcada com um toro de madeira (dormentes).

Daí o primeiro nome da vila ser considerado Serra dos Dormentes. No ano de 1740 a vila teve seus fundadores, os irmãos portugueses Clemente Gomes d'Amorim e Carlos Vidal Borromeu, casado com Margarida de Freitas, filha do Capitão-mor Manoel Ferreira.[11] Em 1752, Dona Margarida de Freitas adoeceu. Ela e seu marido fizeram votos de cura a Nossa Senhora de Santana, construindo uma capela em homenagem à santa pela graça alcançada. O segundo nome de Portalegre veio através dessa devoção, passando a se chamar Serra de Santana.[11]

Depois do abandono das terras devido a morte famílias fundadoras, as estiagens, conflitos entre posseiros e as revoltas índigenas,[11] os irmãos portugueses receberem do governo as concessões da terra, já faziam benfeitorias e, como não havia Títulos ou Cartas de Doação, o Capitão-mor Francisco Martins arrendava as terras pertencentes a Portugal. Por isso, a mudança do nome para Serra do Regente (da Regência).

No dia 12 de junho de 1761, a pedido do governador de Pernambuco, o juiz de Recife, Dr. Miguel Caldas Caldeira de Pina Castelo Branco, foi enviado à vila para demarcar a terra para os índios Paiacu que viviam na ribeira do Apodi.[11] Em 1762, os Paiacu, aldeados na Missão Paiacu(hoje Pacajus- Ceará) vieram acrescentar-se comunidade índigena.[12] Este fato causou conflitos entres os índios e os moradores da vila.

A presença dos índios está registrada no documento datado de 3 de novembro de 1825, que fala da prisão e fuzilamento dos índios na vila de Portalegre. Os índios Luíza Cantofa e João do Pêga, incentivadores da revolta indígena contra os moradores da vila, conseguiram escapar. Mais tarde, quando dormia a sesta debaixo de frondoso cajueiro, Cantofa foi despertada pelo povo, abriu um pequeno oratório e começou a rezar o ofício à Nossa Senhora. Quando um dos brancos cravou em seu peito um punhal, a velha Cantofa caiu lavada de sangue, sua neta Jandy caiu também, desmaiada à seus pés. Os brancos se retiraram sem ferir à Jandy. No dia seguinte a índia Cantofa foi sepultada no mesmo lugar de sua morte, nas proximidades da Fonte da Bica. Segundo os antigos, por muito tempo tal lugar foi considerado assombrado. Não se soube mais do paradeiro de Jandy.[13]

A fundação oficial da vila de Portalegre aconteceu no dia 8 de dezembro do 1761, em virtude da Carta-Régia de 1755 e Alvará-Régio, também de 1755. Segundo Luís da Câmara Cascudo, Portalegre foi a terceira vila a ser fundada no Rio Grande do Norte, sendo antecedida de Nova Extremoz do Norte (região que atualmente pertence a Ceará-Mirim), e da vila Nova Arês.

Portalegre foi destaque na Revolução de 1817, lutando contra o poder imperial. Por esse motivo, é considerada a capital revolucionária do Oeste Potiguar.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Portalegre tinha uma área inicial de 5.000 km², que englobava toda a Microrregião Serrana do Rio Grande do Norte. A partir de 1963, no entanto, começou a ser desmembrada e deu origem aos municípios de Francisco Dantas, Riacho da Cruz, Viçosa, São Francisco do Oeste e Rodolfo Fernandes, sendo sua área reduzida a 110 km².

A vegetação, na área montanhosa, com altitude média de 650m, é bastante diversificada e a caatinga arbustiva predomina. As espécies mais encontradas são oiticica, pau-d'arco, angico e outras árvores de grande porte. Também registra-se ampla variação climática.

Clima[editar | editar código-fonte]

Portalegre possui clima tropical chuvoso (do tipo As na classificação climática de Köppen-Geiger), com temperatura média anual de 23,2 ºC e precipitação pluviométrica de aproximadamente 1 100 milímetros (mm) por ano, concentrados entre os meses de fevereiro a maio. Dezembro é o mês mais quente do ano, com temperatura média de 24,3 °C, enquanto junho é o mais frio, com média de 21,9 °C. O mês mais seco é outubro, com média pluviométrica de apenas cinco milímetros, e março é o mais chuvoso com média de 281 mm.[14] O tempo aproximado de insolação é de 2 700 horas anuais, e a umidade relativa do ar de 66 %.[15]

Segundo dados da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (EMPARN), desde 1993 o maior acumulado de chuva observado em Portalegre foi de 156 mm em 29 de dezembro de 2001.[16] Outros grandes acumulados foram 143,3 mm em 23 de janeiro de 2009,[17] 128 mm nos dias 21 de fevereiro de 2009[17] e 5 de janeiro de 2002,[18] 125,1 mm em 30 de março de 2008,[19] 120 mm em 7 de abril de 1995,[20] 117,8 mm em 29 de janeiro de 2004,[21] 107,7 mm em 15 de maio de 2009,[17] 106,6 mm em 17 de maio de 2011,[22] 106 mm nos dias 19 de março de 2014[23] e 7 de maio de 2000,[24] 105,1 mm em 27 de agosto de 2009,[17] 104,1 mm em 24 de março de 2008,[19] 103 mm em 20 de março de 2006[25] e 100 mm em janeiro de 1998, nos dias 1º e 20 daquele mês.[26] Em janeiro de 2004 foi registrado o maior volume de chuva em um mês, de 719,9 mm.[27]

Nuvola apps kweather.svg Dados climatológicos para Portalegre Weather-rain-thunderstorm.svg
Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Ano
Temperatura máxima média (°C) 29,2 28,4 27,4 27,1 26,6 26,7 27,2 28,1 29,2 29,7 29,9 29,7 28,3
Temperatura média (°C) 24,1 23,7 23,1 22,9 22,3 21,9 22 22,4 23,4 23,8 24,2 24,3 23,2
Temperatura mínima média (°C) 19 19 18,9 18,7 18,1 17,2 16,8 16,8 17,6 18 18,6 18,9 18,1
Chuva (mm) 93 158 281 270 127 67 42 8 6 5 10 27 1 094
Fonte: Climate Data.[14]

Economia[editar | editar código-fonte]

Economicamente, Portalegre sobrevive dos setores primário e secundário. A redução do território prejudicou o desenvolvimento da pecuária, já que as terras apropriadas para a criação de gado passaram a pertencer a outros municípios, ficando apenas uma área montanhosa. Mas, do pouco que restou, a serra apresenta uma planície propícia para a agricultura, mesmo sendo considerada pequena a produção agrícola de subsistência, com ênfase para mandioca, feijão e milho. Em segundo plano, estão as frutas.

Atualmente, o caju vem se destacando na fruticultura do município. Em 2002, segundo dados do IBGE, foram colhidos 2.150 hectares de caju, que possibilitam a produção doméstica de doce, e a comercialização da castanha, hoje o quarto produto na pauta de exportações do Rio Grande do Norte. Na zona rural, plantações de bananeiras, cajueiros, goiabeiras e outras árvores frutíferas ajudam na subsistência da população.

Infraestrutura[editar | editar código-fonte]

Educação[editar | editar código-fonte]

A maioria dos estudantes de Portalegre frequenta o Ensino Fundamental. De acordo com o IBGE, no ano de 2003, foram matriculados 278 alunos no Ensino Pré-Escolar; 1.491 no Ensino Fundamental e no Ensino Médio, 364 alunos. Conforme a Secretaria Municipal de Educação, há sete escolas de Ensino Fundamental na zona rural e duas escolas de Ensino Fundamental na zona urbana.

Saúde[editar | editar código-fonte]

A população conta com um hospital-maternidade na cidade, além de um centro de saúde. Na zona rural, são seis postos de saúde, sendo oferecidos, no total, um médico, duas enfermeiras e onze auxiliares de enfermagem.

Turismo[editar | editar código-fonte]

Portalegre tem grande influência sobre o turismo na zona serrana potiguar. Com temperatura média de 20 ℃, a cidade dá um belo convite para conhecermos as suas belezas naturais e desfrutar de um clima fresco e agradável.

Pontos Turísticos de Portalegre
  • Terminal Turístico da Bica,[28]
  • Cachoeira do Pinga[29]
  • Mirante Boa Vista[30]
  • Catedral de Portalegre
  • Torres de Portalegre

Referências

  1. a b Divisão Territorial do Brasil Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
  2. FEMURN. Distâncias dos Municípios do Rio Grande do Norte a Natal-RN. Página visitada em 31 de outubro de 2010.
  3. IBGE (10 out. 2002). Área territorial oficial Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Página visitada em 5 dez. 2010.
  4. Censo Populacional 2010 Censo Populacional 2010. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (29 de novembro de 2010). Página visitada em 11 de dezembro de 2010.
  5. Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2010). Página visitada em 04 de setembro de 2013.
  6. a b Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Página visitada em 11 dez. 2010.
  7. Estimativas da população para 1º de julho de 2009 (PDF) Estimativas de População. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (29 out. 2010). Página visitada em 16 de agosto de 2009.
  8. Página do IBGE - Portalegre. Visitada em 8 de agosto de 2011.
  9. Sebok. Lou, Atlases published in the Netherlands in the rare atlas collection. Compiled and edited by Lou Seboek. National Map Collection (Canada), Ottawa. 1974
  10. Sentimentos lusos em Portalegre. Tribuna do Norte, 10/10/2004. Página visitada em 08/08/2011; arquivo do site portalegre.rn.gov.br.
  11. a b c d Página do IBGE.
  12. Página do IBGE - Pacajus. Visitada em 8 de agosto de 2011.
  13. ftp.ufrn.br/pub/biblioteca/ext/bdtd/GloriaCOM.pdf
  14. a b Clima: Portalegre Climate Data. Página visitada em 23 de julho de 2014. Cópia arquivada em 23 de julho de 2014.
  15. PORTALEGRE Instituto de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (2008). Página visitada em 23 de julho de 2014. Cópia arquivada em 23 de julho de 2014.
  16. Ocorrência de Chuvas (mm) - 2001 - Posto: PORTALEGRE (PARTICULAR) Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (2001). Página visitada em 23 de julho de 2014. Cópia arquivada em 23 de julho de 2014.
  17. a b c d Ocorrência de Chuvas (mm) - 2009 - Posto: PORTALEGRE (PARTICULAR) Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (2009). Página visitada em 23 de julho de 2014. Cópia arquivada em 23 de julho de 2014.
  18. Ocorrência de Chuvas (mm) - 2002 - Posto: PORTALEGRE (PARTICULAR) Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (2002). Página visitada em 23 de julho de 2014. Cópia arquivada em 23 de julho de 2014.
  19. a b Ocorrência de Chuvas (mm) - 2008 - Posto: PORTALEGRE (PARTICULAR) Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (2008). Página visitada em 23 de julho de 2014. Cópia arquivada em 23 de julho de 2014.
  20. Ocorrência de Chuvas (mm) - 1995 - Posto: PORTALEGRE (PARTICULAR) Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (1995). Página visitada em 23 de julho de 2014. Cópia arquivada em 23 de julho de 2014.
  21. Ocorrência de Chuvas (mm) - 2004 - Posto: PORTALEGRE (PARTICULAR) Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (2004). Página visitada em 23 de julho de 2014. Cópia arquivada em 23 de julho de 2014.
  22. Ocorrência de Chuvas (mm) - 2011 - Posto: PORTALEGRE (PARTICULAR) Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (2011). Página visitada em 23 de julho de 2014. Cópia arquivada em 23 de julho de 2014.
  23. Ocorrência de Chuvas (mm) - 2014 - Posto: PORTALEGRE (PARTICULAR) Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (2014). Página visitada em 23 de julho de 2014.
  24. Ocorrência de Chuvas (mm) - 2000 - Posto: PORTALEGRE (PARTICULAR) Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (2000). Página visitada em 23 de julho de 2014. Cópia arquivada em 23 de julho de 2014.
  25. Ocorrência de Chuvas (mm) - 2006 - Posto: PORTALEGRE (PARTICULAR) Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (2006). Página visitada em 23 de julho de 2014. Cópia arquivada em 23 de julho de 2014.
  26. Ocorrência de Chuvas (mm) - 1998 - Posto: PORTALEGRE (PARTICULAR) Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (1998). Página visitada em 23 de julho de 2014. Cópia arquivada em 23 de julho de 2014.
  27. Análise de precipitação acumulada por mês - Ano: 2004 - Posto: Portalegre (particular) Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (2004). Página visitada em 23 de julho de 2014. Cópia arquivada em 23 de julho de 2014.
  28. Portalegre/RN - Terminal Turístico da Bica - flickr
  29. Portalegre/RN - Cachoeira do Pinga - flickr
  30. Portalegre/RN - Mirante da Boa Vista - flickr

Ligações externas[editar | editar código-fonte]