Porto

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Porto
Brasão de Porto Bandeira de Porto
Brasão Bandeira
Porto montage.PNG
Do topo para a esquerda: Torre dos Clérigos; Palácio da Bolsa; Avenida dos Aliados; Igreja de São Francisco; Sé do Porto; Câmara Municipal do Porto; Ribeira (Porto)
Localização de Porto
Gentílico portuense, tripeiro (informal)
Área 41,42 km²
População 237 591 hab. (2011)
Densidade populacional 5 736,14 hab./km²
N.º de freguesias 7
Presidente da
Câmara Municipal
Rui Moreira (Independente, apoiado pelo CDS-PP)
Mandato 2013-2017
Fundação do município
(ou foral)
1123
Região (NUTS II) Norte
Sub-região (NUTS III) Grande Porto
Distrito Porto
Antiga província Douro Litoral
Orago Nossa Senhora de Vandoma e São Pantaleão de Nicomédia
Feriado municipal 24 de Junho (S. João)
Código postal 4xxx-xxx Porto
Sítio oficial www.cm-porto.pt
Municípios de Portugal Flag of Portugal.svg

O Porto OTE é uma cidade portuguesa, capital do distrito homónimo, situada no noroeste de Portugal e pertencente à região Norte e sub-região do Grande Porto.

É sede de um município com 41,42 km² de área,[1] tendo uma população de 237 591 habitantes (2011[2] ) dentro dos seus limites administrativos, subdividido em sete freguesias.[3] A cidade metrópole, constituída pelos municípios adjacentes que formam entre si um único aglomerado urbano, conta com cerca de 2 100 000 habitantes,[2] o que a torna a maior do noroeste peninsular. A cidade é considerada uma cidade global gama[4] .

É a sede e capital da Área Metropolitana do Porto, presidida, na atualidade, por Hermínio Loureiro[5] , que é uma grande área metropolitana portuguesa que agrupa 17 municípios com 2 494 741 habitantes em 2 089 km² de área e que tem uma densidade populacional próxima de 1098 hab/km², o que torna a cidade a 13ª área urbana mais populosa da União Europeia, sendo, portanto, a segunda maior zona urbana portuguesa, a seguir a Lisboa. Corresponde à área abrangida pelo Grande Porto e pela sub-região nortenha do Entre Douro e Vouga. O Porto e a Área Metropolitana do Porto constituem o núcleo estrutural da Região Norte[6] , que tem uma área de 21 278 km² (24% do Continente) e uma população de 3 689 609 habitantes (Censos de 2011),[7] correspondendo a 37% de Portugal Continental e a 35% do Estado-nação português, sendo, portanto, a região mais populosa e de maior dimensão do país e a região onde se situam a maioria das pequenas e médias empresas, sendo também a que mais contribui para as exportações nacionais, sendo a única região que exporta mais do que importa. A Região Norte produz 40% do valor acrescentado do país e tem 50% do emprego industrial, tendo uma taxa de cobertura das importações pelas exportações de 129%, contra a média nacional de 74%.[8] Esta região é servida por duas importantes infra-estruturas: o Porto de Leixões, que representa 25% do comércio internacional português e movimenta cerca de 14 milhões de toneladas de mercadorias por ano, e o Aeroporto Francisco Sá Carneiro, que é o melhor aeroporto de Portugal em termos de espaço na aerogare. Em termos de movimentos aéreos de carga e de passageiros, é o segundo maior de Portugal, tendo sido galardoado como o melhor do mundo na categoria de aeroportos até 5 milhões de passageiros e, em 2014, como o terceiro melhor aeroporto europeu [9] .

O Porto é a cidade mais importante da altamente industrializada zona litoral da Região Norte, onde se localizam grande parte dos mais importantes grupos económicos do país, tais como a Altri, o Grupo Amorim/Corticeira Amorim, o Banco BPI, a BIAL, a EFACEC, a Frulact, a Lactogal, o Millennium BCP, a Porto Editora, a Sonae, a Unicer ou o Grupo RAR. A Associação Empresarial de Portugal está sediada no Porto.

A cidade do Porto é conhecida como a Cidade Invicta e como a Capital do Norte. Tem uma velha ligação socio-económica à Inglaterra[10] e é a cidade onde vive a maior comunidade britânica em Portugal [11] , sendo mesmo considerada a cidade portuguesa com o temperamento mais «centro-europeu» [12] e onde se encontram as raízes judaicas mais antigas e consistentes dos portugueses [13] , através de uma herança «marrana» milenar [14] , onde melhor se pode verificar, em Portugal, o velho adágio centro-europeu da ética protestante que recupera o espírito de 'nação' judaico e que gerou o livre jogo do capitalismo e da economia de mercado: "Stadtluft macht frei" ("O ar da cidade liberta")[15] . É a cidade que deu o nome a Portugal – desde muito cedo (c. 200 a.C.), quando se designava de Portus Cale, vindo mais tarde a tornar-se a capital do Condado Portucalense, de onde se formou Portugal e de onde, mais tarde, se construiu o Império Português, visto que foi construído, maioritariamente, por pessoas da Região Norte. É ainda uma cidade conhecida mundialmente pelo seu vinho, pelas suas pontes e arquitectura contemporânea e antiga, o seu centro histórico, classificado como Património Mundial pela UNESCO, pela qualidade dos seus restaurantes e pela sua gastronomia, pela sua principal equipa de futebol, o Futebol Clube do Porto, bem como pela sua principal universidade pública: a Universidade do Porto, colocada entre as 200 melhores a nível mundial e entre as 100 melhores universidades da Europa [16] . O Porto é o local onde se formalizou a criação de um consórcio pioneiro em Portugal: o Consórcio das Universidades do Norte (UniNORTE), antecessor da futura Universidade do Norte, que corresponde à fusão entre a Universidade do Porto, a Universidade do Minho e a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, que originará uma das maiores universidades do Mundo [17] .

Em 2012 e 2014, a cidade do Porto foi eleita "Melhor Destino Europeu", distinção atribuída anualmente pela European Consumers Choice.[18] Em 2013, foi eleita o "Melhor Destino de férias na Europa" pela Lonely Planet. Também no ano de 2014, a revista Business Destinations, que organiza anualmente os Bussiness Destinations Travel Awards, considerou que a Alfândega do Porto é o melhor espaço para “reuniões e conferências” da Europa, elegendo este centro de congressos pela sua qualidade e inserção urbana.[19]

História[editar | editar código-fonte]

Tem origem num povoado pré-romano. Na época romana designava-se Cale ou Portus Cale, sendo a origem do nome de Portugal. No ano de 868, Vímara Peres, fundador da terra portugalense, teve uma importante contribuição na conquista do território aos Mouros, restaurando assim a cidade de Portucale.

Em 1111, D. Teresa, mãe do futuro primeiro rei de Portugal, concedeu ao bispo D. Hugo o couto do Porto. Das armas da cidade faz parte a imagem de Nossa Senhora. Daí o facto de o Porto ser também conhecido por "cidade da Virgem", epítetos a que se devem juntar os de "Antiga, Mui Nobre, Sempre Leal e Invicta", que lhe foram sendo atribuídos ao longo dos séculos e na sequência de feitos valorosos dos seus habitantes, e que foram ratificados por decreto de D. Maria II de Portugal.

Foi dentro dos seus muros que se efectuou o casamento do rei D. João I com a princesa inglesa D. Filipa de Lencastre. A cidade orgulha-se de ter sido o berço do infante D. Henrique, o navegador.

Devido aos sacrifícios que fizeram para apoiar a preparação da armada que partiu, em 1415, para a conquista de Ceuta, tendo a população do Porto oferecido aos expedicionários toda a carne disponível, ficando apenas com as tripas para a alimentação, tendo com elas confeccionado um prato saboroso que hoje é menu obrigatório em qualquer restaurante. Os naturais do Porto ganharam a alcunha de "tripeiros", uma expressão mais carinhosa que pejorativa. É também esta a razão pela qual o prato tradicional da cidade ainda é, hoje em dia, as "Tripas à moda do Porto". Existe uma confraria especialmente dedicada a este prato típico.

Desempenhou um papel fundamental na defesa dos ideais do liberalismo nas batalhas do século XIX. Aliás, a coragem com que suportou o cerco das tropas miguelistas durante a guerra civil de 1832-34 e os feitos valerosos cometidos pelos seus habitantes — o famoso Cerco do Porto — valeram-lhe mesmo a atribuição, pela rainha D. Maria II, do título — único entre as demais cidades de Portugal — de Invicta Cidade do Porto (ainda hoje presente no listel das suas armas), donde o epíteto com que é frequentemente mencionada por antonomásia - a «Invicta». Alberga numa das suas muitas igrejas - a da Lapa - o coração de D. Pedro IV de Portugal, que o ofereceu à população da cidade em homenagem ao contributo dado pelos seus habitantes à causa liberal.

Foi feito Oficial da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito a 26 de Abril de 1919.[20]

Geografia[editar | editar código-fonte]

Clima[editar | editar código-fonte]

A cidade do Porto tem um clima mediterrânico do tipo Csb de acordo com a classificação climática de Köppen-Geiger.[22] [23] No Inverno as temperaturas variam entre os 5 °C e os 14 °C raramente descendo abaixo dos 0 °C. Durante esta estação períodos chuvosos alternam com dias mais frios e de céu limpo. No Verão as temperaturas variam entre os 15 °C e os 25 °C podendo ocasionalmente atingir ou mesmo ultrapassar os 35 °C nos meses de Julho ou Agosto. Temperaturas estivais acima dos 30°C são raras devido à proximidade do oceano, contudo verificam-se quando o vento sopra do quadrante leste. Devido à sua situação geográfica, períodos mais frescos e com precipitação podem ser comuns durante o Verão em anos mais húmidos.[24] [25] A baixa amplitude térmica deve-se à proximidade do oceano e presença da corrente quente do Golfo.

Política[editar | editar código-fonte]

Cidades geminadas[editar | editar código-fonte]

Freguesias[editar | editar código-fonte]

Freguesias do concelho do Porto.

O concelho do Porto está dividido em 7 freguesias:[3]

Economia[editar | editar código-fonte]

Edifício de Souto Moura e escultura de Ângelo de Sousa na Avenida da Boavista, uma avenida de serviços.

As relações económicas entre a cidade do Porto e o vale do Douro estão bem documentadas desde a Idade Média. Nozes, frutos secos e azeite sustentaram um próspero comércio entre o Porto e a região. Do Porto, estes produtos eram exportados para mercados externos no Velho e no Novo Mundo. No entanto, o grande impulso ao desenvolvimento das relações comerciais inter-regionais veio da agro-indústria do Vinho do Porto. Esta actividade desenvolveu decididamente a relação de complementaridade entre o grande centro urbano do litoral e esta região de enorme potencial agrícola, particularmente vocacionada para a produção de vinhos fortificados de grande qualidade.

O desenvolvimento do Porto esteve sempre intimamente ligado com a margem sul do Douro, Vila Nova de Gaia, até 1834 parte integrante do seu termo, onde se estabeleceram as caves para envelhecimento dos vinhos finos do Alto Douro.

O Porto sempre rivalizou com Lisboa ao nível económico. A abastada classe de industriais da região criou, logo em meados do século XIX, a poderosa Associação Industrial Portuense, hoje Associação Empresarial de Portugal. A antiga Bolsa do Porto foi transformada na maior Bolsa de Derivados de Portugal, tendo-se fundido com a Bolsa de Lisboa criando a Bolsa de Valores de Lisboa e Porto. Em 2002, a BVLP acabou por se integrar na Euronext, em conjunto com bolsas da Bélgica, França, Países Baixos e Reino Unido. O edifício que albergou durante muito tempo a bolsa, o Palácio da Bolsa, sede da Associação Comercial do Porto, é hoje uma das principais atracções turísticas da cidade. O Porto e a região Norte constituem a região onde se situam a maioria das pequenas e médias empresas e onde se situam as regiões agrícolas mais produtivas e também a que mais contribui para as exportações nacionais, sendo a única região que exporta mais do que importa.[47]

Um cálice do vinho ao qual a cidade emprestou o nome.

O Porto é sede do Jornal de Notícias, um dos diários de maior tiragem a nível nacional, e da Porto Editora, a maior empresa editora do país, conhecida pelos seus dicionários e livros escolares.

No Porto cruzam-se várias estradas e linhas de caminho-de-ferro que também contribuíram para tornar a cidade o principal centro comercial de toda a região nortenha. Apesar da progressiva terciarização do centro, a actividade industrial continua com grande relevância, laborando na sua cintura industrial fábricas de têxteis, calçado, metalomecânica, cerâmica, móveis, ourivesaria e outras actividades fabris, algumas ainda a nível artesanal.

Sendo a cidade mais importante da altamente industrializada zona do litoral norte de Portugal, muitos das mais importantes grupos económicos do país de diversos sectores – tais como a Altri, o grupo Amorim, o Banco BPI, a Bial, a EFACEC, a Frulact, a Lactogal, o Millennium BCP, a Porto Editora, a Sonae, a Unicer, o Azeite Serrata e a RAR – têm a sua sede social na cidade do Porto ou na Grande Área Metropolitana do Porto.

Turismo[editar | editar código-fonte]

Centro histórico do Porto

Como pontos turísticos, destacam-se a Torre dos Clérigos, da autoria de Nasoni, e a Fundação de Serralves, um museu de arte contemporânea. O Centro Histórico é Património da Humanidade, classificado pela UNESCO. A Foz é outra zona altamente turística, por muitos considerada a mais bela zona da cidade, onde se pode desfrutar da beleza do Oceano Atlântico conjugada com um belíssimo e romântico passeio marítimo.

Torre dos Clérigos

Foi capital europeia da cultura em 2001 (Porto 2001) e acolheu vários jogos do Campeonato Europeu de Futebol de 2004, nomeadamente o jogo de abertura.

Ainda, em evidência, está o Mercado do Bolhão, um símbolo arquitectónico de comércio tradicional, onde se encontram as famosas vendedeiras do Mercado, características da cidade. Está prevista a intervenção do Arquitecto Joaquim Massena para o restauro e reabilitação no Mercado do Bolhão, dotando-o de infra-estruturas de salubridade para o comércio de frescos, bem como a inclusão de novas funcionalidades, mantendo toda a estrutura Patrimonial.

O conjunto histórico classificado pela UNESCO, é um dos pontos turísticos mais visitados da cidade do Porto, onde se podem encontrar diversos pontos de comércio, praças e edifícios históricos, que estão na origem da cidade, como a Sé Catedral.

Hoje em dia, a cidade do Porto recebe mais de um milhão de turistas por ano,[48] tendo-se tornado numa das cidades mais visitadas da Europa. Em 2013, o Porto foi eleito pela Lonely Planet como o melhor dos 10 destinos de férias de eleição na Europa.[49]

Infraestrutura[editar | editar código-fonte]

Transportes[editar | editar código-fonte]

Autocarro dos STCP para o Bolhão, no Castelo do Queijo.
Metro do Porto na estação da Trindade.

O transporte público na cidade do Porto remota ao ano de 1872, altura em que a Companhia Carril Americano do Porto foi pioneira ao iniciar a sua exploração em Portugal. Um ano depois é criada a Companhia Carris de Ferro do Porto. A fusão das duas empresas dará origem à Sociedade de Transportes Colectivos do Porto (STCP) que toma a actual designação em 1946. A STCP tem a seu cargo a exploração dos autocarros e as linhas de eléctrico que resistiram da época de ouro destes transportes, estando hoje troços em reabilitação na baixa portuense.

A exploração da rede de metropolitano é efectuada pela empresa do Metro do Porto que ao todo possuiu 68 estações distribuídas por 60,0 km de linhas comerciais em via dupla, com 8 km da rede enterrada, dispostas pela metrópole do Porto, tornando-se assim na maior rede metropolitana de transporte público de massas em Portugal. O Funicular dos Guindais, operado pela Metro do Porto, é um caminho de ferro numa escarpa que liga, de forma rápida, a zona da Batalha à Avenida Gustavo Eiffel, na Ribeira. A cidade dispõe ainda de uma rede ferroviária suburbana explorada pela CP: linhas de Aveiro, Braga, Guimarães e Penafiel ou Caíde.

O Aeroporto Internacional Francisco Sá Carneiro (OPO), depois de radicalmente reconstruído, depressa se tornou no segundo aeroporto português com maior tráfego aéreo e com zona de influência que se alastra pelo o noroeste da Península Ibérica, sendo hoje um aeroporto funcional e de arquitectura contemporânea com capacidade para receber até 16 milhões de passageiros por ano, considerado por diversas entidades internacionais como o melhor da Europa na sua categoria.

Outros pontos de destaque são o aumento do Porto de Leixões, situado no concelho vizinho de Matosinhos, que duplicará a possibilidade de carga, e trará vários cruzeiros de luxo ao Porto, ou mesmo os estudos científicos realizados na cidade que já deram cartas na história da Ciência Mundial.

Pontes[editar | editar código-fonte]

A necessidade de haver uma travessia permanente entre as duas margens do Douro para circulação de pessoas e mercadorias, levou à construção da Ponte das Barcas em 1806, anteriormente a travessia do rio fazia-se com recursos a barcos, jangadas, barcaças ou batelões. A ponte era constituída por 20 barcas ligadas por cabos de aço e que podia abrir em duas partes para dar passagem ao tráfego fluvial. O aumento do tráfego exigiu a construção de uma ponte permanente o que levou à construção da Ponte pênsil em 1843, desmantelada anos mais tarde após a abertura da Ponte Luís I em 1886, a ponte mais antiga da cidade que permanece em actividade. Com os seus dois tabuleiros - o inferior e o superior - servia primitivamente como ligação rodoviária entre as zonas baixa e alta de Vila Nova de Gaia e do Porto e, de uma forma mais geral, entre o norte e o sul do país, durante largas décadas. A partir da segunda metade do século XX, no entanto, começou a revelar-se insuficiente para assegurar o trânsito automóvel entre as duas margens, tendo sido substituída por outras pontes e após adaptação o tabuleiro superior passou a ser utilizado pelo Metro do Porto.

Ponte Maria Pia, em primeiro plano. Por trás, a Ponte do Infante.

A Ponte Maria Pia, construída entre Janeiro de 1876 e 4 de Novembro de 1877 pela empresa de Gustave Eiffel, foi a primeira ponte ferroviária a unir as duas margens do Douro. Dotada de uma só linha, o que obrigava à passagem de uma composição de cada vez, a uma velocidade que não podia ultrapassar os 20 km/h e com cargas limitadas, no último quartel do século XX tornou-se evidente que a ponte já não respondia de forma satisfatória às necessidades. O que levou a que fosse desactivada e substituída pela Ponte de São João em 1991.

A Ponte da Arrábida tinha à data da construção o maior arco do mundo em betão armado, e constitui o tramo final da auto-estrada A1 que liga Lisboa ao Porto. Inicialmente a ponte tinha duas vias de trânsito com 8 m cada, separadas por uma via sobrelevada de 2 m de largura; duas pistas para ciclistas de 1,70 m cada e dois passeios marginais de 1,50 m de largura, também sobrelevados. Mais tarde, foram acrescentadas uma via de trânsito em cada sentido, construídas à custa da eliminação das pistas para ciclistas e da redução do separador central. Apesar da construção da Ponte do Freixo, mais a montante, a Ponte de Arrábida continua a ser a principal ligação entre a cidade do Porto e a margem sul do Douro.

Das pontes que ligam o Porto a Vila Nova de Gaia, a Ponte do Freixo é a que está mais a montante do rio. Foi construída na tentativa de minimizar os congestionamentos ao trânsito automóvel vividos nas Pontes da Arrábida e de Dom Luís, particularmente notórios desde finais da década de 1980. Trata-se, na verdade, de duas pontes construídas lado a lado e afastadas 10 cm uma da outra. É uma ponte rodoviária com oito vias de trânsito (quatro em cada sentido).

A Ponte do Infante, baptizada em honra do portuense Infante D. Henrique, é a mais recente que liga Porto e Gaia. Foi construída para substituir o tabuleiro superior da Ponte Dom Luís, entretanto convertida para uso da "Linha Amarela" (Hospital de São João/Santo Ovídio) do Metro do Porto. Foi construída pouco a montante da Ponte de Dom Luís, em plena zona histórica, ligando o bairro das Fontainhas (Porto) à Serra do Pilar (Vila Nova de Gaia).

Educação[editar | editar código-fonte]

Escolas[editar | editar código-fonte]

Escola Secundária Infante D. Henrique.

A cidade do Porto possui diversas escolas e jardins de infância, públicas e privadas, de ensino primário, básico e secundário, como a Escola Secundária Alexandre Herculano. Na área do Grande Porto existem escolas internacionais como a British Council Porto.

Ensino Superior[editar | editar código-fonte]

Reitoria da Universidade do Porto.

No Porto situa-se a Universidade do Porto. Também existem outras universidades como a Universidade Católica Portuguesa, a Universidade Lusíada do Porto, a Universidade Fernando Pessoa, a Universidade Portucalense, a Universidade Lusófona do Porto e o Instituto Politécnico do Porto.

Bibliotecas[editar | editar código-fonte]
Hospital de Santo António.

O Porto tem duas bibliotecas municipais. A Biblioteca Pública Municipal do Porto, onde se pode encontrar, entre outros, os livros, as revistas e os jornais editados em Portugal e onde estão os conteúdos com acesso restrito. A Biblioteca Municipal Almeida Garrett é uma biblioteca moderna, projeto do arquiteto José Manuel Soares, de leitura pública onde os documentos têm livre acesso.

Saúde[editar | editar código-fonte]

Na cidade do Porto existem vários hospitais (quer públicos quer privados), clínicas e centros de saúde. Alguns dos hospitais públicos do Porto estão organizados num Centro Hospitalar, o Centro Hospitalar do Porto. Os hospitais incluídos neste Centro Hospitalar são o Hospital de Santo António, o Hospital Maria Pia e a Maternidade Júlio Dinis. Para além destes, ainda há o Hospital de São João e o IPO. Um dos hospitais privados do Porto é o Hospital da Boavista.

Cultura[editar | editar código-fonte]

Pix.gif Centro Histórico de Porto *
Welterbe.svg
Património Mundial da UNESCO

Ribeira do porto.jpg
Porto visto de Vila Nova de Gaia.
País  Portugal
Critérios iv
Referência 755
Região** Europa
Histórico de inscrição
Inscrição 1996  (20ª sessão)
* Nome como inscrito na lista do Património Mundial.
** Região, segundo a classificação pela UNESCO.
Vista do Exterior da Casa da Música, um dos símbolos da cidade.
Sinagoga Kadoorie, a maior da Península Ibérica.

A cidade do Porto possui diversos espaços culturais de referência na região e a nível nacional.

Entre os diversos museus da cidade, destaca-se o Museu de Arte Contemporânea, um dos museus mais visitados do país, onde obras de arte de vários artistas contemporâneos são, também, expostas, ao lado da flora típica da região norte de Portugal no envolvente Parque de Serralves. A Casa do Infante, datada do século XIII e onde terá nascido o Infante D. Henrique, é atualmente museu medieval da cidade e arquivo distrital. Outras casas museu incluem a Casa-Museu Fernando de Castro, a Casa-Museu Guerra Junqueiro, Casa-Museu Marta Ortigão Sampaio e a Casa-Oficina António Carneiro.

Inserido no edifício da Alfândega Nova, o Museu de Transportes e Comunicações tem como objectivo mostrar a história dos transportes e meios de comunicação. O Museu do Carro Eléctrico, instalado na antiga central termo eléctrica de Massarelos, dispõe de uma colecção carros eléctricos e atrelados que circulavam pela cidade. Anualmente, organiza um desfile de carros eléctricos do museu pelas ruas da cidade, entre Massarelos e o Passeio Alegre.

Na cidade encontra-se a maior Sinagoga da Península Ibérica e uma das maiores da Europa – a Sinagoga Kadoorie, edificada em 1938. Nela pode conhecer-se a história e religião Judaicas, tomar contacto com importantes objectos históricos e documentos assim como saber mais sobre a Comunidade Judaica do Porto ao longo dos séculos até aos dias de hoje.

O Museu Nacional de Soares dos Reis, criado em 1833 por D. Pedro IV, inclui grande parte da obra do escultor. No Porto existem diversos museus temáticos, de referir: o Museu do Vinho do Porto, Museu da Indústria, Museu de História Natural, Museu do Papel Moeda, Gabinete de Numismática, Museu de Arte Sacra, Museu da Misericórdia, Museu Nacional da Imprensa, Jornais e Artes Gráficas, Centro Português de Fotografia, Museu Romântico da Quinta da Macieirinha, Museu Militar do Porto, Museu Nacional de Literatura e o Castelo do Queijo, célebre pelo seu miradouro, é onde se realizam várias exposições temporárias. O Porto acolhe ainda as fundações de António de Almeida, António Cupertino de Miranda, Ilídio Pinho e Guerra Junqueiro e Mesquita Carvalho.

Os auditórios culturais da cidade são na sua grande maioria construções do séculos XIX e XX. A construção mais arrojada e relevante dos últimos anos é a Casa da Música, uma obra de arquitetura que foi concebida para o evento Capital Europeia da Cultura 2001, da autoria do arquitecto Rem Koolhaas e aclamada internacionalmente. O Teatro Rivoli, o Teatro Nacional São João e o Teatro Sá da Bandeira são importantes salas de espetáculos, de relevo histórico e arquitectónico, localizados na Baixa do Porto. Na baixa da cidade localizam-se ainda outros auditórios, como o Coliseu do Porto e o Cine-Teatro Batalha, histórica sala de cinema da cidade a que está ligada a expressão local "vai no Batalha!". Outros teatros incluem o Teatro do Campo Alegre e o Teatro Helena Sá e Costa, este último é palco dos talentos em formação na Escola de Música e Artes do Espectáculo do Porto.

Entretenimento[editar | editar código-fonte]

A cidade conta com mais de 10 mil eventos anuais, desde concertos, passando por teatros, exposições ou mesmo festas com disc jockeys famosos numa das várias discotecas e bares da cidade.

Contudo, o maior evento de diversão continua a ser o São João do Porto, de 23 para 24 de Junho, quando milhares de pessoas invadem as ruas da cidade. Neste evento são de destacar as sardinhadas, os manjericos com as respectivas quadras sanjoaninas, o alho-porro, as marteladas e os bailaricos de freguesia.

Gastronomia[editar | editar código-fonte]

Francesinha, um prato típico da cidade do Porto.
Estádio do Bessa, casa do clube Boavista.

Vários pratos da tradicional culinária portuguesa tiveram origem na cidade do Porto. O prato típico por excelência da cidade são as Tripas à moda do Porto, prato histórico e que remonta à altura dos descobrimentos portugueses, e que pode ser encontrado em muitos dos restaurantes da cidade. O Bacalhau à Gomes de Sá é outro prato típico nascido no Porto e popular em Portugal. A francesinha é, da culinária recente, o prato mais famoso, e consiste numa sanduíche recheada com várias carnes (normalmente carne de vaca, linguiça, salsicha fresca e fiambre) e coberta com queijo e um molho especial (molho de francesinha).

A bebida que tem o nome da cidade é o vinho do Porto, é produzido na região vitivinícola do Alto Douro (a mais antiga região demarcada do mundo). O vinho do Porto é exportado internacionalmente a partir das caves que se situam na margem esquerda do rio Douro, em Vila Nova de Gaia.

Desporto[editar | editar código-fonte]

Por influência das famílias inglesas que exploravam o negócio do vinho do Porto, as primeiras partidas de futebol em Portugal realizaram-se na cidade do Porto.

O Porto conta com grandes clubes desportivos, sendo os principais o Futebol Clube do Porto e o Boavista Futebol Clube. Existem ainda numerosos clubes de menor dimensão, mas com função social de grande relevo. Uma grande perda para a cidade foi o desaparecimento do Sport Comércio e Salgueiros (da zona de Paranhos) devido a problemas financeiros.

O Estádio do Dragão, da autoria do Arq. Manuel Salgado, é a casa do Futebol Clube do Porto. O estádio já esteve diversas vezes em revistas internacionais de arquitectura, onde fora fortemente elogiado.[carece de fontes?]

A nível individual, a personalidade desportiva mais famosa natural da cidade Porto é a atleta Rosa Mota, vencedora da medalha de ouro da maratona nos Jogos Olímpicos de Seul e de bronze nos Jogos Olímpicos de Los Angeles.

Na cidade organizam-se muitos eventos desportivos das mais variadas modalidades. De referir a Maratona do Porto em atletismo, as corridas históricas do Circuito da Boavista e as Red Bull Air Races. Ainda em desportos alternativos a cidade do Porto destaca-se por acolher várias provas internacionais dos mais variados desportos, como por exemplo hipismo. Neste desporto, em particular, há mesmo uma candidatura para uma qualificativa da taça do mundo de hipismo no Porto.[50]

Na Boavista situa-se o Circuito Urbano da Boavista que é realizado de dois em dois anos. O Circuito costuma contar com uma média de 115 mil espectadores, integrando várias categorias, mas a mais esperada é o WTCC, devido ao homem da casa Tiago Monteiro que já foi piloto de Fórmula 1.

O Circuito Urbano da Boavista támbem já recebeu a Fórmula 1 em 1958 e 1960, tendo como vencedores Jack Brabham (em 1960) pela Cooper-Climax e Stirling Moss (em 1958) pela Vanwall.

Panorama do interior do Estádio do Dragão, utilizado pelo FC Porto.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Outros projetos Wikimedia também contêm material sobre este tema:
Wikcionário Definições no Wikcionário
Commons Imagens e media no Commons

Referências

  1. Instituto Geográfico Português, Carta Administrativa Oficial de Portugal (CAOP), versão 2013 (ficheiro Excel zipado). Acedido a 28/11/2013.
  2. a b INE (2012) – "Censos 2011 (Dados Definitivos)", "Quadros de apuramento por freguesia" (tabelas anexas ao documento: separador "Q101_NORTE"). Acedido a 27/07/2013.
  3. a b Diário da República, Reorganização administrativa do território das freguesias, Lei n.º 11-A/2013, de 28 de janeiro, Anexo I. Acedido a 19/07/2013.
  4. GaWC Research Network (13 de Abril de 2010). The World According to GaWC 2008 (O Mundo Segundo a GaWC 2008) www.lboro.ac.uk. Visitado em 5 de Maio de 2010.
  5. Hermínio Loureiro promete "novo ciclo" na Área Metropolitana do Porto Público (29 de outubro de 2013).
  6. Região Norte de Portugal, onde a Grande Área Metropolitana do Porto se insere
  7. Instituto Nacional de Estatística. População residente (N.º) por Local de residência, Sexo; Decenal (2011). Visitado em 1 de setembro de 2011.
  8. A defesa do Norte Expresso (27 de fevereiro de 2012).
  9. O Aeroporto Francisco Sá Carneiro foi distinguido, pelo ACI-Airports Council International, como o terceiro melhor aeroporto europeu
  10. Os Ingleses e o Porto
  11. E agora Porto?
  12. São João
  13. O Hotel da Música, no Porto, está preparado para receber turismo judaico, sob a coordenação do rabino Daniel Litvak, cuja supervisão é reconhecida pelo Grão Rabinato de Israel e por grandes entidades de cashrut a nível mundial.
  14. Sinagoga descoberta no Porto
  15. Comunidade Judaica - Porto
  16. Apresentação da Universidade do Porto.
  17. A futura Universidade do Norte.
  18. Distinção - Porto eleito melhor destino europeu para 2014. Notícias ao Minuto noticiasaominuto.com (13 de fevereiro de 2014). Visitado em 13 de fevereiro de 2014.
  19. Edifício da Alfândega do Porto considerado o “melhor centro de conferências” da Europa
  20. http://www.ordens.presidencia.pt/
  21. Normais Climatológicas do Porto (1971-2000) Instituto de Meteorologia, IP Portugal.
  22. Instituto de Meteorologia (1961-1990). Clima de Portugal Continental Instituto de Meteorologia > Área Educativa > Clima em Portugal. Visitado em 8 de Maio de 2010.
  23. HESS - Abstract - Updated world map of the Köppen-Geiger climate classification www.hydrol-earth-syst-sci.net. Visitado em 16 de Agosto de 2009.
  24. Visit Portugal - Clima www.visitportugal.com. Visitado em 16 de Agosto de 2009.
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  28. O Porto em Bristol: cidade inglesa homenageia a Invicta através da atribuição de topónimo C.M. Porto. Visitado em 28 de Julho de 2010.
  29. Geminações e Protocolos de Cooperação - Bristol (1984) C.M. Porto. Visitado em 28 de Julho de 2010.
  30. Geminações e Protocolos de Cooperação - Duruelo de la Sierra (1989) C.M. Porto. Visitado em 28 de Julho de 2010.
  31. Geminações e Protocolos de Cooperação - Jena (1984) C.M. Porto. Visitado em 28 de Julho de 2010.
  32. Delegação de Liège recebida na Câmara C.M. Porto. Visitado em 28 de Julho de 2010.
  33. Geminações e Protocolos de Cooperação - Liège (1977) C.M. Porto. Visitado em 28 de Julho de 2010.
  34. Geminações e Protocolos de Cooperação - Léon (2001) C.M. Porto. Visitado em 28 de Julho de 2010.
  35. Geminações e Protocolos de Cooperação - Vigo (1986) C.M. Porto. Visitado em 28 de Julho de 2010.
  36. Geminações e Protocolos de Cooperação - Recife (1981) C.M. Porto. Visitado em 28 de Julho de 2010.
  37. Câmara Municipal de Belo Horizonte. Lei n° 4.574, de 15 de outubro de 1986. Visitado em 29 de dezembro de 2008.
  38. Geminações e Protocolos de Cooperação - Beira (1989) C.M. Porto. Visitado em 28 de Julho de 2010.
  39. Geminações e Protocolos de Cooperação - Luanda (1999) C.M. Porto. Visitado em 28 de Julho de 2010.
  40. Geminações e Protocolos de Cooperação - Mindelo (1992) C.M. Porto. Visitado em 28 de Julho de 2010.
  41. Geminações e Protocolos de Cooperação - Neves (1987) C.M. Porto. Visitado em 28 de Julho de 2010.
  42. Geminações e Protocolos de Cooperação - Ndola (1978) C.M. Porto. Visitado em 28 de Julho de 2010.
  43. Geminações e Protocolos de Cooperação - Macau (1997) C.M. Porto. Visitado em 28 de Julho de 2010.
  44. Cidades Geminadas Embaixada de Portugal. Visitado em 28 de Julho de 2010.
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  46. Geminações e Protocolos de Cooperação - Xangai (1995) C.M. Porto. Visitado em 28 de Julho de 2010.
  47. Norte exporta mais do que importa Jornal de Notícias (22 de março de 2012).
  48. Pelouro do Conhecimento e Coesão Social. In: Selecor - Artes Gráficas, Lda. Plano Municipal de Cultura do Porto. 1ª ed. Porto: Câmara Municipal do Porto, Maio de 2013. ISBN 978-972-9147-81-4 Visitado em 18 de Novembro de 2013.
  49. Lonely Planet - Porto eleito o melhor destino de férias na Europa Económico (18 de junho de 2013). Visitado em 19 de junho de 2013.
  50. CSI Porto 'tenta' Taça do Mundo

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