Porto (São Mateus)

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Casario do Porto de São Mateus.jpg
Zona São Mateus Sede
Fonte: Não disponível

O Porto é um bairro localizado na cidade de São Mateus, estado do Espírito Santo. Seu nome deriva do cais encontrado as margens do Rio Cricaré, que teve grande importância no desenvolvimento econômico da região do Cricaré, sendo o principal porto negreiro do Brasil Colônia.

História[editar | editar código-fonte]

O desenvolvimento econômico de São Mateus no Século XIX teve como sustentáculo o trabalho escravo do negro, que era comercializado nun largo existente à beira do Rio São Mateus. Foi nele que foi apreendido o último carregamento clandestino na costa brasileira em 1856, quando foi aprisionado por uma escuna norte-americana na barra de São Mateus com 350 africanos.

Os primeiros sobrados no cais do porto foram construídos no Século XIX, antes ali só existia um terreiro para depósito de mercadorias que eram importadas e exportadas. De 1840 a 1870 foram sendo construídos imponentes sobrados de mirantes, pátios internos, cobertos com telha canal e gradil de ferro trabalhado, símbolo do poderio econômico da elite de então.

Mesmo com a introdução do café, da cana de açúcar, entre outros produtos de consumo, São Mateus manteve durante muito tempo a sua primeira fonte de renda: o comércio de farinha de mandioca. Nos meados do século XIX, mesmo o café já estando espalhado por todo sul do estado, São Mateus ainda exportava farinha para o Rio de Janeiro, para a Bahia e para Minas Gerais.

A inexistência de outras vias de escoamento aumentou o movimento do porto, especialmente após a autorização da navegação regula, em 13 de julho de 1860.

Para cobrir gastos com a construção do cais de concreto e outras melhorias no cais do porto, em 1864 foi criado um imposto de 1% sobre todas as exportações.

O Porto de São Mateus tornou-se parada obrigatória da Companhia Espírito Santo e Caravelas. Navios do Lloyd Brasileiro, como o Mayrink, o Vitória Miranda e o Jordão & Cia aportavam em São Mateus com uma regularidade quinzenal.

Comércio Negreiro no Porto[editar | editar código-fonte]

A chegada ao Porto era festivamente aguardada pela população, principalmente pelos compradores, na expectativa de escolherem as “melhores peças”.

Ainda a bordo do navio a carga era preparada, ou seja, homens e mulheres azeitados, os ferimentos e tumores cobertos com ferrugem e pólvora. Em caso de infecção intestinal, o ânus era preenchido com estopa. Devidamente desembarcados, os negros acorrentados em fila indiana eram tangidos até o mercado. Ali eram examinados pela sua compleição física e até mesmo pela origem tribal.

O comércio negreiro apresentava-se como um excelente negócio, havendo, inclusive, empresas que se ocupavam apenas com esse ramo.

Ver Também[editar | editar código-fonte]


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