Poupança

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Portal
A Wikipédia possui o
Portal da economia.

Poupança ou aforro, em Economia, é a parcela da renda – de pessoas, empresas ou instituições superavitárias – que não é gasta no período em que é recebida, e, por consequência, é guardada para ser usada num momento futuro.

Existe confusão entre poupança e poupança financeira, que é um tipo de investimento financeiro, em conta poupança, com baixo risco e baixo rendimento[1] , geralmente garantido pelo governo até um determinado valor, através do Fundo Garantidor de Crédito[2] , independentemente de qual casa bancária é a sua depositária. Entretanto, poupança do ponto de vista econômico é o acúmulo de capital para investimento. Os recursos investidos pelos poupadores nas contas poupança, geralmente tem destinação para investimentos em infra-estrutura habitacional.

Modelos psicológicos da poupança[editar | editar código-fonte]

Keynes (1936) – Defendia que o consumo tendia a aumentar com o aumento dos ganhos, todavia não se elevam em proporção desses ganhos. A poupança depende dos ganhos familiares, quanto maior forem os ganhos maior será a poupança. Segundo Keynes as pessoas com elevados ganhos tendem a ter elevadas poupanças. A Poupança dependia da boa vontade ou capacidade de cada individuo para poupar


Katona (1974) – Procurou explicar as contingências do comportamento de poupança. Segundo Katona para explicar o fenômeno da Poupança é necessário ter em conta fatores como a idade, o agregado familiar, estabilidade financeira, situação profissional etc. A poupança depende por isso da interação entre personalidade do sujeito e o ambiente económico. Katona identificou três tipos de poupança:

1. Contratual

2. Discricionária

3. Residual

Segundo o autor o modelo individual é transponível para o colectivo.


Vanh Veldhoven e Groenland (1993) – Baseados no modelo de Katona acrescentam a existência de variáveis socioeconômicas nos comportamentos de poupança, como :

1. Clima econômico – crescimento, inflação, taxa de interesse, taxa de desemprego

2. Informação econômica – média

3. Contexto econômico pessoal – patrimônio, lucros

4. Contexto institucional – sistema bancário e fiscal

A motivação para poupar consiste na precaução, na riqueza, compras futuras, investimentos e projetos para os filhos. Sendo sobre as despesas fundamentais, como as de alimentação que as pessoas tendem a realizar mais economias.

Poupança e as crianças[editar | editar código-fonte]

Van Raaij (1986) realizou vários estudos sobre os comportamentos de poupança e de consumo nas crianças. Tendo em conta várias variáveis como:

  • o modo como é apresentada a poupança às crianças;
  • as informações que contribuem para a construção das suas representações de poupança;
  • o papel dos pais;
  • a publicidade;
  • o papel dos pares.

Os estudos revelaram o papel fundamental dos pais e da publicidade no incentivo à abertura de contas bancárias e à representação que as crianças têm sobre a poupança. Defendia que papel dos pais assentava na preocupação de dar um futuro melhor aos filhos, e o incentivo à poupança era considerado um hábito muito positivo. Baseado no modelo de aprendizagem social, Van Raaij defende que a criança poupa porque é um comportamento socialmente correcto, sendo por conseguinte, recompensada relativamente aos seus objectivos.

Poupança esquecida das famílias[editar | editar código-fonte]

Com a abertura do mercado de crédito aos consumidores em Portugal, multiplicaram-se as formas de concepção de crédito, por parte das Instituições financeiras, cada vez mais competitivas num mercado cada vez mais transacionável e inovador, o que permitiu o desenvolvimento de instabilidade financeira, por parte das famílias, que se tornaram em alvos fáceis de endividamento.

Ao mesmo tempo que o crédito permite às famílias, dispor de um capital que não próprio imediatamente, também significa que se está a criar uma penhora futura, sem que, muitas vezes as próprias famílias, se apercebam disso. Também significa para as famílias, a possibilidade de poder usufruir de bens e serviços que numa determinada situação da vida façam sentido, sem que para isso se considere um possível endividamento futuro, dado o esforço acrescido de gestão financeira.

A necessidade crescente de poupança por parte das familias, com a questão do sobreendividamento está cada vez mais distante, dada a dificuldade acrescida em cumprir com os compromissos, que muitas vezes surgem associados a créditos, como por exemplo, o caso do Crédito Habitação.

Situação da poupança no Brasil[editar | editar código-fonte]

No Brasil, as contas de poupança, que também são chamadas de "cadernetas de poupança", são historicamente[3] destinadas a pequenos depositantes e investidores financeiros. Geralmente não concedia uma remuneração atraente aos depositantes em função do uso de um redutor calculado sobre os juros. Mas quando havia uma tendência de redução da taxa SELIC (indicador das taxas de juros), a poupança se tornava um investimento muito atraente, pois é isenta de imposto de renda e imposto sobre operações financeiras até cinquenta mil reais (em julho/2009[4] ). A Caixa Econômica Federal é o maior depositário e incentivador desse tipo de investimento, havendo ganhado pelo quinto ano consecutivo o prêmio Top of Mind no segmento poupança[5] .

A partir de 4 de maio de 2012 a poupança no Brasil passou a seguir a taxa Selic, sempre quando esta estiver igual ou inferior a 8,5%. Assim a remuneração será de 70% da Selic mais a taxa referencial.[6]

Porém, em 2013 o rendimento da poupança ficou abaixo da inflação; o redimento da caderneta ficou em 5,67% e do IPCA em 5,91%.[7]

Conta poupança[editar | editar código-fonte]

A conta poupança é um tipo de conta bancária, de baixo risco e de rendimento pré-fixado de 0,5% ao mês mais a correção da TR - Taxa Referencial, garantida pelo FGC - Fundo Garantidor de Crédito até o valor de R$ 250.000,00 por conta, independente de qual banco é a sua depositária.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Barracho, Carlos. Lições de psicologia Económica. Instituto Piaget. Lisboa. 2001

Referências

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ícone de esboço Este artigo sobre economia é um esboço relacionado ao Projeto Ciências Sociais. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.