Povo que lavas no rio

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Amália Rodrigues, a primeira a interpretar Povo que lavas no rio.

Povo que lavas no rio é uma canção portuguesa, um fado, com letra do poeta Pedro Homem de Mello, interpretada originalmente por Amália Rodrigues com música de Joaquim Campos.

Depois da proibição do Fado de Peniche na rádio por ser considerado, pelo regime ditatorial em vigor na época, um hino aos presos de Peniche, após a gravação e o lançamento nas rádios, Povo que lavas no rio ganhou dimensão política.

Talvez devido a esse mesmo facto, as opiniões quanto à interpretação da letra de Pedro Homem de Mello, poeta português de excelência, divergem em absoluto: enquanto alguns críticos creem que o poema imortalizado por Amália Rodrigues seja um depoimento de amor ao povo português o qual, ainda segundo esta linha de pensamento, enfrentava uma situação de grande pobreza no tempo da ditadura salazarista, considerando o país da época como sendo rural e economicamente pouco desenvolvido face à industrialização europeia, outras correntes tendem a ver nas suas estrofes uma lírica de cariz fortemente ligado à homossexualidade masculina, acentuada pelos contornos de incursões às tabernas populares, onde o narrador teria procurado os seus parceiros, e visto recusadas as suas investidas ou, mais ainda, qualquer envolvimento sentimental mais profundo.

Daí as referências ao povo, neste caso portuense, que teria inevitavelmente tecido comentários aos seus devaneios, e dificultado a sua vida, ao beijo inconspícuo da partilha do mesmo copo, simbolizando o beijo em público que era, nessa época mais conservadora, absolutamente interdito aos homossexuais e, acima de tudo, a confissão lírica, ao afirmar que teria dormido com eles na cama, e enlameado por ter mantido este tipo de vida proibída. O autor, Pedro Homem de Mello, era ele próprio homossexual, e ter-se-ia assumido, não só através deste poema, mas também junto da comunidade que lhe era mais próxima, na Cidade do Porto, onde viveu, tendo sido assíduo frequentador do Café Rialto, em Sá da Bandeira.

Independentemente da divergência na interpretação da obra, a sua versão musicada em forma de fado, tornou-se no ex-libris do género em Portugal, e a música que mais reconhece a intérprete original.

Índice

[editar] Versões

Com o avançar dos tempos, e ainda antes do falecimento de Amália, surgem novas versões como a de António Variações, que tinha Amália como um dos seus maiores ídolos e cantou este tema no seu disco Anjo da Guarda na forma de uma homenagem,[1] e depois a de Dulce Pontes. Em 2004, a canção integra o alinhamento do DVD Live in London de Mariza, que alcança a platina em Portugal.

Já em 2007, integra a banda sonora do início da novela Duas Caras, da TV Globo, tema de Sérgio Viotti, cujo personagem se suicidou ao som desta música.

[editar] Outros intérpretes

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