Povos isolados

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Índios isolados encontrados em uma região remota do estado brasileiro do Acre em 2009.

Povos não-contactados, também chamados de povos isolados ou tribos perdidas, são comunidades as quais vivem ou viveram, por escolha (pessoas vivendo em isolamento voluntário) ou por circunstâncias, sem contato significante com a civilização globalizada. Poucos povos têm permanecido totalmente sem contato com a civilização global. Ativistas dos direitos indígenas pedem para tais grupos serem deixados isolados, indicando que irá interferir com seu direito de auto-determinação. A maioria dos povos isolados estão localizados em áreas de floresta densa na América do Sul e na Nova Guiné, havendo ainda alguns grupos que vivem nas Ilhas Andamão, na Índia. A descoberta da existência desses povos acontece mais frequentemente por causa de encontros infrequentes e às vezes violentos com tribos vizinhas e por filmagens aéreas. Tribos isoladas podem ter baixa imunidade a doenças comuns que podem matar de 50% a 80% de suas populações após o contato. [1] [2]

História[editar | editar código-fonte]

Tribos não-contactadas são de muito interesse na sociedade desenvolvida, a ideia de operadores de turismo de oferecer passeios em procura de povos não-contactados é controversa.[3] Um documentário da BBC documentou, em 2006, uma operadora turística controversa especializada em passeios escoltados para "descoberta" de povos não-contactados na Papua Ocidental.[4]

Oceania[editar | editar código-fonte]

Homem da tribo Korowai, contactada pela primeira vez na Nova Guiné na década de 1970.

Nova Guiné[editar | editar código-fonte]

Grandes áreas da Nova Guiné ainda estão por ser exploradas por cientistas e antropólogos devido à densa floresta equatorial e ao terreno montanhoso da ilha. As províncias indonésias de Papua e Papua Ocidental, localizadas na ilha da Nova Guiné, são lar de um número estimado de 44 grupos tribais ainda não-contactados.[5] Há relatos de grupos isolados que se encontram localizados nas ilhas do leste da Indonésia.

América do Sul[editar | editar código-fonte]

Bolívia[editar | editar código-fonte]

Mapa indicando a presença de grupos isolados da tribo dos Ayoreo entre o noroeste do Paraguai e o sudeste da Bolívia.

Estima-se que a Bolívia tenha cerca de 20 famílias isoladas[6] . Alguns dos povos isolados confirmados são: Ayoreo (no Parque nacional Kaa Iya), Mbya-Yuki (Terra Yuki e rio Usurinta) e os Yurakaré (em Santa Cruz e Beni).

Brasil[editar | editar código-fonte]

Índios isolados encontrados em uma região remota do estado brasileiro do Acre em 2009.

Em 18 de Janeiro de 2007, a FUNAI relatou ter confirmado a presença de 67 tribos não-contactadas no Brasil (com 32 confirmadas [7] ), mais do que foi relatado em 2005.[8] [9] Com este aumento, o Brasil ultrapassou a ilha da Nova Guiné (dividida entre Indonésia e Papua-Nova Guiné) como região com maior número de tribos não-contactadas (entretanto, números da Papua-Nova Guiné não estão disponíveis). Grupos indígenas no Brasil, em especial as tribos isoladas, são frequentemente envolvidas em conflitos e estão ameaçadas por desmatamentos, por invasões e pelo descaso governamental. [10]

O Brasil é o país que possui o maior número de povos não-contactados em todo o mundo. As Terras Indígenas brasileiras que são reservadas exclusivamente para tribos isoladas, são as seguintes:


As demais Terras Indígenas onde existe a presença de índios isolados, são as seguintes:

Índios isolados encontrados no estado brasileiro do Acre em 2009.
Nome do grupo indígena População de índios isolados (estimada) Localização dos índios isolados Comentários
Apiaká superior a 100 Mato Grosso – Entre o baixo Juruena e o baixo Teles Pires
  • Tupi-Guarani.
  • Grupo isolado do povo Apiaká.
  • Foram massacrados a muito tempo atrás.
Apurinã superior a 50 Amazonas – Alto rio Sepatini Aruaques (Arawak).
Aruá no máximo 75 indivíduos Rondônia
Avá-Canoeiro cerca de 30 indivíduos Estão localizados em três áreas nos estados de Goiás, do Tocantins e de Minas Gerais.
  1. Na Terra Indígena Avá-Canoeiro e nas serras localizadas entre o Rio Preto e o Rio Bagagem (na região do município de Colinas do Sul), no norte de Goiás.
  2. No interior da Mata do Mamão, localizada na Ilha do Bananal, no estado do Tocantins.
  3. Nas serras localizadas próximas ao Rio Urucuia e ao Rio Carinhanha, no noroeste de Minas Gerais.
  • Tupi-Guarani.
  • Pequenos grupos formados por caçadores-coletores que se deslocam com bastante frequência.
  • São popularmente conhecidos pelo apelido Cara-Preta.
  • Índios hostis.
Guajá 120 (já contados entre o grupo contactado) Maranhão – Espalhados por toda a região oeste do estado
  • Tupi-Guarani.
  • Pequenos grupos formados por caçadores-coletores que se deslocam com bastante frequência (mesmo depois do contato).
  • Eles possuem a sua própria terra indígena, mas também costumam se locomover por várias outras reservas da região.
Ingarune cerca de 100 indivíduos Norte do ParáRio Cuminapanema e Rio Paru do Oeste (errôneamente registrado nos mapas oficiais como Rio Paru de Oeste)
  • Karib.
  • São relacionados aos Kachuyana.
  • Existência confirmada pelos Poturuyar (Tupi-Guaranis recentemente contactados). Eles vivem na terra indígena dos Poturuyar.
Kanibo (Mayo) de 120 a 150 indivíduos Rio Quixito, Bacia do Rio Javari, Amazonas Provavelmente Panos.
  • Diversos contatos oficiais mal-sucedidos.
  • Contatos ocasionais com madeireiros.
Kaniwa (Korubo) 300 9 malocas entre o baixo Rio Ituí e o baixo Rio Itacuaí, no Amazonas Panos.
  • Contatos ocasionais.
  • Índios hostis.
Karafawyana e outras tribos Caribes isoladas. de 400 a 500 indivíduos Quatro áreas localizadas no estado de Roraima e no norte do Pará.
  1. Nascente do Rio Jatapu.
  2. Rio Urucurina, tributário do Rio Mapuera.
  3. Rio Kafuini, tributário do Rio Trombetas.
  4. Alto rio Turuna, tributário do Rio Trombetas.
Principalmente Caribes.
  1. Subgrupo Parukoto-Charuma, do grupo dos Caribes (ou Karib).
  2. São relacionados aos Waiwai.
  3. Alguns indivíduos visitam as comunidades do grupo dos Waiwai, sem avisar as autoridades. Esta é a maneira com a qual eles conseguem obter as suas ferramentas de metal.
  4. Vivem (em parte) na Terra Indígena Trombetas/Mapuera
Karitiana de 50 a 100 indivíduos Alto Rio Candeias, Rondônia. Tupi-Arikém. Identificados pelo pequeno grupo que já foi contactado.
Katawixi 50 Alto Rio Muquim, tributário do Rio Purus, Amazonas. Língua isolada. Apenas uma comunidade já foi localizada.
Kayapó do Rio Liberdade superior a 100 Baixo Rio Liberdade, no norte do Mato Grosso. Macro-jê. Identificados por outros Kayapós, com os quais eles são hostis.
Kayapó-Pu'ro 100 Baixo Rio Curuá, no sul do Pará. Kayapó. Este grupo se separou dos Mekragnoti desde 1940. Estão localizados fora da Terra Indígena Kayapó.
Kayapó-Pituiaro 200 Rio Mururé, no sul do Pará. Kayapó. Este grupo se separou dos Kuben-kranken desde 1950. Estão parcialmente localizados fora da Terra Indígena Kayapó.
Kayapó-Kararaô cerca de 50 indivíduos Baixo Rio Guajará, no sul do Pará. Kayapó. Este grupo se separou dos demais Kararaôs (já contactados). As lutas fazem parte das tradições dos Kayapó-Kararaô.
Kozicky número desconhecido de indivídos Rio Curuçá, Amazonas. Kayapó. Pequeno grupo de índios hostis. Ocasionalmente conhecidos por entrarem em contato com a sociedade moderna.
Kulina número desconhecido de indivíduos Rio Curuçá, tributário do rio Javari, Amazonas. Arawan. Pequenas comunidades isoladas pertencentes ao grande grupo dos Kulina.
Maku (Nadeb) cerca de 100 indivíduos Bacias dos rios Uneiuxi e Urubaxi, no Amazonas. Língua isolada. Membros isolados de grupos de Maku (Nadebes) que já foram contactados. São caçadores-coletores.
Mamaindé de 50 a 100 indivíduos Alto Rio Corumbiara, Rondônia. Língua isolada. Grupo isolado de Nambikwaras. Uma zona com restrição de acesso foi instalada no local, mas depois foi cancelada devido à pressão feita por pessoas da região. Foram recentemente massacrados.
Hi-Merimã 1.500 Médio Rio Piranha e Rio Riozinho (tributário do Rio Cuniuá), Bacia do Rio Purus, Amazonas. Arawan. A área foi recentemente declarada como protegida.
Mayoruna de 200 a 300 indivíduos Três áreas no estado do Amazonas:
  1. Rio Batã (um dos formadores do Rio Javari, juntamente com o Rio Jaquirana).
  2. Rio Pardo.
  3. Entre o rio Pardo e o médio Rio Javari.
Pano. Pequenas comunidades isoladas do grande grupo dos Mayoruna.
Miqueleno (Cujubi) ? Alto Rio São Miguel, Rondônia Língua isolada da família Chapakura. Área invadida por madeireiros. Foram recentemente massacrados.
Nereyana cerca de 100 indivíduos Rio Panama, cabeceiras do rio Paru do Oeste, no norte do Pará. Karib. Talvez mais estreitamente relacionados com os Kachuyana, do que com os Tiriyó.
Pacaás Novos
  • (2) Subgrupo Oromawin
cerca de 150 indivíduos Serra dos Pacaás Novos, Rondônia. Língua isolada da família Chapakura. Grupos isolados pertencentes ao grande grupo dos Pacaás Novos. Estão incluídos na Terra Indígena Uru-Eu-Wau-Wau.
  • (2) Habitam uma área próxima a uma das terras indígenas dos Pacaás Novos.
Supergrupo Papavo, que inclui os seguintes grupos:
  1. Mashco/Harakmbet
  2. Culina
  3. Amahuaca
  4. Yawanahua
superior a 400 Acre (Espalhados por um grande e único território) Muitas comunidades isoladas pertencem a quatro grupos distintos. As lutas fazem parte das suas tradições. Contatos hostis e recíprocos com os Kampa, sendo que os Papavo costumam praticar saques nas aldeias dos Kampa. Com os Kulina, os Papavo mantêm uma relação pacífica. Os Papavo também costumam realizar pilhagens em acampamentos de madeireiros.
Pariuaia superior a 100 Rio Bararati, tributário do Baixo Rio Juruena, Amazonas. Provavelmente Tupi–Kawahib, Tupi–Guarani. Eles tem recusado todas as tentativas de contato desde 1930.
Piriutiti de 100 a 200 indivíduos Rio Curiaú, Amazonas. São relacionados aos Waimiri-Atroari (Karib). Alguns vivem dentro da Terra Indígena Waimiri-Atroari, enquanto que outros vivem fora dos limites da reserva.
Sateré número desconhecido de indivíduos Rio Parauari, tributário do Rio Maués-Açu, Amazonas. Tupi. Comunidades que se separaram dos Sateré-Mawé há muito tempo atrás.
Tupi–Kawahib (Piripicura) de 200 a 300 indivíduos Entre o Rio Madeirinha e o Rio Roosevelt, no norte do Mato Grosso. Tupi–Guarani. Uma zona com restrição de acesso foi criada recentemente para eles.
Uru-Eu-Wau-Wau 300 Serra dos Pacaás Novos, Rondônia. Tupi–Guarani. Restam mais de três grupos isolados da etnia na área. Vários encontros hostis com garimpeiros e com madeireiros. Todos os três grupos estão localizados dentro da vasta Terra Indígena Uru-Eu-Wau-Wau.
Wayãpi (Yawãpi) de 100 a 150 indivíduos Alto Rio Ipitinga, entre o Rio Jari e o Rio Paru do Leste no norte do Pará. Tupi–Guarani. Grupo que antigamente se separou dos Wayãpi do sul.
Yakarawakta de 20 a 30 indivíduos Entre o Rio Aripuanã e o Rio Juruena, no norte do Mato Grosso. Tupi–Guarani. Provavelmente um subgrupo dos Apiaká.
Yanomami 300 Amazonas
  1. Alto Rio Marauiá
  2. Entre o Rio Demini e o Rio Catrimani
Yanomami.
  1. Dentro da Terra Indígena Yanomami
  2. Comunidades isoladas; provavelmente fora da Terra Indígena Yanomami, mas no entanto, dentro do Parque Nacional do Rio Branco.
nome desconhecido em torno de 100 indivíduos Entre o Alto Rio Amapari e o Alto Rio Oiapoque, no Amapá. Família linguística não especificada. De acordo com os Wayãpi do sul, trata-se de um grupo que se separou antigamente deles. Segundo os Wayãpi do norte, o grupo é um dos seus antigos inimigos: os Tapüiy.
nome desconhecido (Isolados do Jandiatuba) 300 Entre o Alto Rio Jandiatuba e o Rio Itacuaí, no Amazonas. Talvez um grupo Katukina.
nome desconhecido (Isolados do São José) 300 Igarapé São José, tributário do Rio Itacuaí, no Amazonas. Parece ser um grupo distinto da mesma etnia dos Isolados do Jandiatuba.
nome desconhecido número desconhecido de indivíduos Igarapé Recreio, Alto Rio Juruá, município de Mâncio Lima, Acre. Família linguística: Talvez a família Pano.
nome desconhecido (Isolados do Igarapé Tueré) número desconhecido de indivíduos Igarapé Tueré, tributário do Rio Itacaiúnas, no Pará. Língua: Talvez do tronco Tupi
nome desconhecido (Isolados do Arama e Inauini) em torno de 100 indivíduos Sul do Rio Inauini, Bacia do Rio Purus, Amazonas.
nome desconhecido (Isolados do Igarapé Umari) número desconhecido de indivíduos Igarapé Umari, tributário do Rio Ituxi, no Amazonas.
nome desconhecido (Isolados da Serra do Taquaral) número desconhecido de indivíduos Serra do Taquaral, nascente do Rio Branco, Rondônia.

De acordo com a listagem acima, os estados brasileiros que possuem povos isolados (já conhecidos) são os seguintes: Amazonas (16 povos), Pará (8 povos), Rondônia (7 povos), Mato Grosso (3 povos), Acre (2 povos), Amapá (1 povo), Maranhão (1 povo), Roraima (1 povo), Tocantins (1 povo), Goiás (1 povo) e Minas Gerais (1 povo). Há de se considerar que alguns grupos (ou até mesmo povos inteiros) podem atravessar as divisas de estado e as fronteiras internacionais do Brasil.

Galeria[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Commons
O Commons possui imagens e outros ficheiros sobre Povos isolados