Prédios históricos da UFRGS

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Castelinho.

O conjunto dos Prédios históricos da UFRGS é um importantíssimo grupo de edificações, algumas de dimensões palacianas, da cidade de Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Localizam-se no Campus Central da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, entre as avenidas Oswaldo Aranha e João Pessoa, a rua Luiz Englert e a praça Argentina, exceto por um deles, que está no Campus do Vale, na estrada que leva a Viamão.

Sua construção mantém estreito vínculo com o desenvolvimento urbano e cultural da cidade. Originaram-se como sedes para faculdades ou escolas técnicas independentes, que depois foram agrupadas quando se criou a UFRGS com um campus unificado. A área do atual Campus Central era conhecida antigamente como o Potreiro da Várzea, e os terrenos foram doados pela Intendência Municipal.

Em 1999 foi aprovado um projeto de restauro do complexo pelo Ministério da Cultura, através do Programa Nacional de Apoio à Cultura (PRONAC), recebendo diversas prorrogações a fim de ser completado, e ainda está em andamento em 2007. O conjunto é tombado pelo Estado do RS desde 15 de setembro de 2000, e alguns prédios também fazem parte do patrimônio histórico nacional.

Castelinho[editar | editar código-fonte]

O Instituto Técnico Profissional da Escola de Engenharia, posteriormente chamado de Instituto Parobé, foi criado em 1906, como escola técnico-profissional voltada para filhos de operários e crianças carentes, sendo estabelecido nos prédios do Castelinho e do Château. No Castelinho, erguido entre 1906 e 1908, com projeto do engenheiro Manoel Barbosa Assumpção Itaqui, foram instalados equipamentos e ferramental importados para os laboratórios e oficinas, e prestava diversos seviços para a comunidade. Depois o edifício passou a ser a Biblioteca Central da Escola de Engenharia, e posteriormentre serviu ao curso de Engenharia Nuclear. Foi restaurado entre 2004 e 2006. Atualmente, o prédio abriga o Núcleo para Inovação das Edificações (NORIE), do Curso de Pós-Graduação da Escola de Engenharia. Localiza-se na Praça Argentina, s/n.

Château[editar | editar código-fonte]

Sendo originalmente parte do Instituto Técnico Profissional da Escola de Engenharia, no Château, obra Manoel Barbosa Assumpção Itaqui construída entre 1906 e 1908, ficavam as oficinas de marcenaria, carpintaria, serralheria, e as salas de máquinas, almoxarifado e ambulatório.

Observatório Astronômico.

Em 1928, com a mudança do Parobé para suas novas instalações, esse prédio foi ocupado, sucessivamente, pelo Departamento Comercial, Industrial e Financeiro da Escola de Engenharia, pela Faculdade de Arquitetura e pelo Instituto de Geociências. Sua restauração ocorreu entre 2003 e 2004, e está localizado na Praça Argentina, s/nº.

Observatório Astronômico[editar | editar código-fonte]

O atual Observatório Astronômico, sito à Praça Argentina, s/nº, projetado pelo engenheiro Manoel Barbosa Assumpção Itaqui, nasceu como Instituto Astronômico e Meteorológico em 18 de setembro de 1906, e desde seu surgimento foi um órgão de atuação destacada por suas pesquisas e serviços de astronomia e meteorologia. A construção levou dois anos para ser concluída.

Sua arquitetura é uma verdadeira jóia de estilo Art Nouveau, sendo o mais rico e completo exemplar remanescente na cidade. Na fachada destacam-se a escultura representando Urânia, a musa da Astrononia, a decoração com motivos fito e zoomórficos, a requintada caixilharia em madeira com acabamentos rendilhados, e a cúpula giratória em ferro e madeira do laboratório de observação. Também notável é a pintura mural representando Saturno, o deus do Tempo, realizada no interior do terceiro pavimento. Este prédio, além de receber proteção do estado do Rio Grande do Sul, foi tombado pelo Patrimônio Nacional.

O Observatório Astronômico forma, com o Château e o Castelinho, um conjunto de característiscas formais e ornamentais semelhantes. Apresentam grande riqueza de elementos decorativos nas fachadas, junto com ornamentos de ferro e tijolos de vidro de origem francesa.

Instituto Eletro-Técnico[editar | editar código-fonte]

Instituto Eletro-Técnico.
Instituto Parobé.

O Instituto Eletro-Técnico foi a primeira escola do Brasil voltada à formação de engenheiros mecânicos, engenheiros eletricistas e técnicos montadores, tendo um papel importante na indústria eletrotécnica, que na época de sua construção experimentava uma rápida expansão. Seu equipamento foi importado dos Estados Unidos e da Europa. Seu desenho mostra linhas Art Déco, com um pórtico de esquina com colunas e pilastras duplas pesadas, e estatuária decorativa de Frederico Pellarin, representando a Eletricidade e a Mecânica. Também aqui, como no Castelinho, a vedação de algumas aberturas ainda apresenta painéis em tijolo de vidro tipo pavê de origem francesa.

O responsável pelo projeto foi o engenheiro Manoel Barbosa Assumpção Itaqui, e a construção ocorreu de 1906 a 1910. Em 1951 foi aumentado em um pavimento. Fica na Avenida Oswaldo Aranha, 103.

Instituto Parobé[editar | editar código-fonte]

O Instituto Técnico Profissional Benjamin Constant, depois chamado de Instituto Parobé, criado em 1906, constituiu a mais importante escola técnica do Rio Grande do Sul, formando mestres e contramestres para as áreas da construção mecânica e civil, marcenaria e artes gráficas. Destinava-se também à população de baixa renda e o ensino, gratuito, era em regime de internato. Em iniciativa pioneira, em 1920, foi criada uma Seção Feminina, para preparar condutoras de trabalhos domésticos e rurais.

Entre 1908 e 1928 o Instituto funcionava nos prédios hoje denominados Château e Castelinho e, ainda, em outros pavilhões posteriormente demolidos, mas a expansão de suas atividades obrigou à construção da atual sede do Instituto, que mudou-se para ali em 1928. O projeto é do arquiteto Chrétien Hoogenstraaten, e sua construção levou de 1925 a 1928.

É um dos edifícios mais belos do conjunto, com requintes decorativos e esplêndidas e monumentais proporções. Dentre suas características mais notáveis estão as grandes cúpulas metálicas sobre o bloco central e sobre os blocos das extremidades. Atualmente está em processo de restauro e deve, quando pronto, ser ocupado pela Biblioteca Central da UFRGS. Fica na rua Sarmento Leite, 425.

Escola de Engenharia[editar | editar código-fonte]

Escola de Engenharia.
Antigo Instituto de Química.

Localizada na Praça Argentina, s/nº, com projeto do engenheiro João José Pereira Parobé, foi construído entre 1898 e 1900, sendo aumentado de um pavimento em 1950. Também conhecida como Engenharia Velha, a centenária edificação abriga, atualmente, a Direção, setores administrativos e o Centro Acadêmico.

Projetado seguindo modelos de palacetes renascentistas, com fachadas planas e decoração sóbria, sua construção contou com recursos derivados dos impostos sobre a conservação de passeios públicos. Destaca-se o frontão com o ano de inaugração em numerais romanos encimado por uma estátua, e as delicadas aberturas em arco do segundo piso, emolduradas por pilastras e cornijas.

Instituto de Química[editar | editar código-fonte]

O ensino da Química existe formalmente no estado desde 1897, mas o Curso de Química Industrial da escola de Engenharia foi criado em 1920 para atender à crescente demanda interna de tecnologia, cuja absorção de fontes europeias havia sido bloqueada após a crise generalizada decorrente da I Guerra Mundial.

Primeiramente instalado no Instituto Eletro-Técnico, o curso precisou transferir-se para o Instituto de Química, da rua Luiz Englert, em virtude da expansão de suas atividades. O projeto é de autoria desconhecida, e sua primeira fase de construção se deu entre 1922 e 1924. A inauguração oficial, contudo, só ocorreu em 8 de junho de 1926. Recebeu acréscimos laterais em 1944.

O prédio, em três pavimentos, apresenta no centro da fachada uma galeria aberta protegida por um terraço, configurando um mirante. Essa galeria é valorizada pela presença de colunas toscanas alternadas entre duplas e simples e esculturas femininas que simbolizam a Química. Atualmente, o prédio serve a setores administrativos da Universidade, à Secretaria do Patrimônio Histórico, e também possui algumas salas de aula ainda ativas. Após as obras de restauração será sede do Centro Cultural da UFRGS.

Museu da UFRGS[editar | editar código-fonte]

Museu da UFRGS.
Detalhe da fachada da Faculdade de Direito.

Com projeto também do engenheiro Manoel Barbosa Assumpção Itaqui, levado a cabo em 1910 e sendo ampliado em 1919, o prédio do atual Museu da UFRGS foi concebido para sediar o Laboratório de Resistência dos Materiais da Escola de Engenharia, e desde o início do século XX constituiu-se num órgão de vanguarda na pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias especialmente voltadas para a construção civil.

Entre 1942 e fins dos anos 60 foi ocupado pelo Instituto Tecnológico do Rio Grande do Sul, e depois serviu ao Curso em Tecnologia do Couro, primeiro do gênero na América Latina, e passou a ser conhecido como o Prédio dos Curtumes e Tanantes.

A fachada principal, na avenida Oswaldo Aranha 277, tem uma disposição simétrica, e destaca-se um frontão com duas figuras humanas pintadas representando o Trabalho. Também são interessantes as treliças Polonceau e os arcos abatidos. Originalmente ficava dentro de um terreno cercado de muro e gradil, que desapareceram com a ampliação da avenida em frente. As obras de restauração ocorreram entre 1999 e 2002.

Faculdade de Direito[editar | editar código-fonte]

A Faculdade Livre de Direito de Porto Alegre, criada em de fevereiro de 1900 como a primeira do gênero na região sul do Brasil, foi um dos marcos do ensino humanístico na UFRGS.

A construção de sua sede na Avenida João Pessoa, nº 80, iniciada em 1908, enfrentou diversas dificuldades financeiras, incluindo uma indenização que teve de ser paga ao parque de diversões que havia anteriormente no local. Fundos foram finalmente levantados após realização de quermesses, e foi inaugurada em 15 de julho de 1910 com um grande baile na casa do seu diretor, o Desembargador Manoel André da Rocha.

O projeto original é do arquiteto Hermann Otto Menschen, do escritório de Rudolph Ahrons e os fundos do prédio foram remodelados em 1951. Em 1954 empreendeu-se o restauro das pinturas decorativas das paredes e forros, e dos vitrais. Um outro projeto de restauro foi aprovado em 1991 e mais um, completo, iniciou em 2002 só encerrou em 2005. Este prédio também foi tombado pelo Patrimônio Histórico Nacional.

A construção é uma réplica do Palais du Rhin.[1] Tem um corpo imponente, com volumetria simétrica, mas sua visualização é prejudicada pelo espesso arvoredo defronte. O pórtico monumental tem três vãos em arco e frontão clássico com colunata coríntia e balaustrada. O primeiro piso mostra um revestimento que simula pedras aparelhadas rusticamente, e o segundo nível tem uma decoração mais elegante de frisos, baixos-relevos entre os arcos das aberturas, e uma grande cornija. O saguão de entrada também tem belas proporções e ornamentação, com escadarias de mármore e corrimão em estuque veneziano, pinturas decorativas no teto e paredes, e ainda vitrais representando a Justiça, a Doutrina e a Ciência. O prédio apresenta uma ornamentação rica mas equilibrada, e a cúpula central é adornada com estatuária.

Faculdade de Medicina.

Faculdade de Medicina[editar | editar código-fonte]

Conta a tradição que o terreno para a construção da Faculdade Livre de Medicina, na rua Sarmento Leite 320, foi doado pela Intendência Municipal logo após preces feitas a São José por dona Adelaide, esposa do Dr. Sarmento Leite, professor da Faculdade de Medicina e Farmácia, que recebeu esta incumbência de seu marido em 1911.

Com projeto de Theodor Wiederspahn, um insigne arquiteto teuto-brasileiro ativo em Porto Alegre, autor de diversos dos prédios históricos mais importantes da cidade, as obras iniciaram em 1912 onde era o antigo Circo das Touradas, sendo interrompidas logo após, em 1914, por conta da eclosão da I Guerra Mundial.

Os trabalhos foram retomados em 1919, durando até 1924, com o projeto original muito modificado pelo engenheiro Pedro Paulo Scheunemann (Fernando Corona relata que foi Augusto Sartori), que incluiu um grande volume semicircular na esquina, e substituiu as estátuas que deveriam adornar a platibanda da esquina por jarros ornamentais, depois removidos, e as grandes cúpulas de bronze que deveriam cobrir os blocos em projeção, por telhado comum oculto por uma platibanda e os atuais frontões. Foram realizados acréscimos em 1937 na ala direita, que sofreu novas reformas em 1952, e em 1955 a ala esquerda também foi aumentada, para completar o vasto edifício que hoje vemos, de impressionante presença e decoração rica e variada, que atrai a atenção por seu efeito plástico bastante dinâmico.

De estilo eclético com forte influência neo-barroca, destacam-se na sua fachada o bloco de entrada, como enormes pilastras jônicas, as aberturas com sacada e balaustrada, a cornija saliente com platibanda acima, e o grande frontão profusamente decorado com o brasão da República, volutas e outros arabescos esculpidos. Outros frontões menores coroam os blocos secundários do prédio, que tem diversos volumes em projeção, colunas e revestimento simulando pedras rústicas.

Atualmente (2007) está em obras de restauro. Após terminadas o prédio sediará o Instituto de Artes da UFRGS e a Academia Sul-Rio-Grandense de Medicina.

Rádio da Universidade[editar | editar código-fonte]

Rádio da Universidade.

O prédio da Seção de Meteorologia do Instituto Astronômico e Meteorológico da Escola de Engenharia, na rua Sarmento Leite 426, foi construído entre 1920 e 1921 onde antigamente existia um velódromo. O projeto é de Adolph Alfred Stern.

A partir de 1942, os serviços de meteorologia foram absorvidos pelo Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio, sendo a seção desativada. Em 1960, depois de reformado e adaptado, passou a abrigar os estúdios da Rádio da Universidade. Entre 2001 e 2002 foi totalmente restaurado.

A fachada, de linhas sóbrias e elegantes, tem na entrada uma escadaria de mármore que leva ao segundo piso, com guarda-corpo vazado e trabalho em ferro, e no patamar junto à porta de entrada há uma delicada cobertura de ferro e placas de vidro. Arremata o edifício um pequeno torreão.

Agronomia[editar | editar código-fonte]

À parte do Campus Central, o prédio da Agronomia e Veterinária foi o único construído distante do centro, no Campus do Vale. O curso de Agronomia foi criado em 1898, anexo à Escola de Engenharia, e foi interrompido logo após a formação da sua primeira turma, em 1902. Em 1910 foi reestruturado, sendo reaberto como Instituto de Agronomia e Veterinária, dedicado à formação de engenheiros-agrônomos e médicos-veterinários, bem como de técnicos de nível médio em Agronomia e capatazes rurais.

O complexo incluía instalações modernas e a sede do Instituto, a Estação Experimental de Agronomia, o Posto de Zootecnia e o Patronato Agrícola. Além da formação profissional, o Instituto realizava pesquisa e prestava de serviços a pecuaristas e agricultores.

O projeto do edifício, do engenheiro Manoel Barbosa Assumpção Itaqui, era bastante ousado e original para a época. Sua construção ocorreu entre 1910 e 1913. O núcleo central possui três pavimentos e cada um dos espaços laterais é constituído por um amplo pátio coberto, em forma de arco, e um volume em dois pavimentos. Fica na Avenida Bento Gonçalves, 7712.

Economia[editar | editar código-fonte]

A faculdade de Economia, ao lado da Faculdade de Direito, também possuía um prédio antigo, construído inicialmente para o Ginásio Júlio de Castilhos, projetado por Manuel de Itaqui,[2] porém foi destruído por um incêndio, sendo substituído por um prédio mais moderno.

Referências

  1. "Histórico". Faculdade de Direito da UFRGS.
  2. DOBERSTEIN, Arnoldo Walter. Estatuários, catolicismo e gauchismo. EDIPUCRS, 2002, ISBN 8574302619, ISBN 9788574302614, 372 pp.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]