Colocação pronominal

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Na língua portuguesa, os termos da oração se dispõem, geralmente, na ordem direta, isto é, na sequência: sujeito + verbo + objeto indireto ou sujeito + verbo + predicativo. Quando há alteração nessa disposição, dizemos que a colocação dos termos está na ordem direta ou inversa. Colocação é o modo como se dispõem os termos que compõem uma oração.[1]

Posições clíticas de pronomes oblíquos átonos[editar | editar código-fonte]

Próclise, ênclise e mesóclise são fenômenos do português que se caracterizam pelo fato de nenhuma palavra ocorrer entre os pronomes oblíquos átonos e o verbo. São três as posições relativas do pronome em relação ao verbo:

1. Próclise pronome + adverbio + verbo
Exemplos:
…me observou…
…me observa…
…me observará…
…me observaria…
…me observando…
2. Ênclise verbo + pronome
Exemplos:
…observou-me…
…observa-me…
3. Mesóclise início do verbo + pronome + terminação verbal
Exemplos:
…observar-me-á…
…observar-me-ia…

Todas as conjugações verbais permitem próclise e, com exceção do particípio e dos tempos futuro [fará, dirá, verá] e futuro do pretérito [faria, diria, veria], permitem também ênclise. Somente os tempos futuro do presente e futuro do pretérito (português brasileiro) ou condicional (português europeu) permitem mesóclise.

Formas Verbais e Posições Clíticas Permitidas
Particípio Futuro Fut. do Pretérito Demais Formas
Próclise permite permite permite permite
Ênclise não permite não permite não permite permite
Mesóclise não permite permite permite não permite

O português falado no Brasil é diferente do falado em Portugal quanto às preferências por posições clíticas. No português brasileiro vernáculo, a próclise é absoluta, independentemente da posição do grupo/sintagma/locução verbal (pronome e verbo) na oração. No entanto, no português brasileiro padrão (usado em ocasiões formais, como na redação de documentos oficiais), o uso da próclise observa as mesmas regras gramaticais do português de Portugal. Em Portugal, dependendo da posição do grupo verbal na oração, opta-se ou não pela próclise.

Português brasileiro vernáculo
Me diz quem tem razão.
Te vi na rua.
Português de Portugal - Português brasileiro padrão
Diz-me quem tem razão.
Vi-te na rua.

As gramáticas normativas condenam o uso brasileiro de próclise e esse uso é ensinado no colégio como sendo proibido na escrita. Portanto, exceto quando a escrita simula a fala (mensagens instantâneas e de celular, por exemplo), as posições clíticas da escrita no Brasil são as mesmas do português falado em Portugal.

Português brasileiro vernáculo
  1. sempre se usa próclise
Português de Portugal e Português brasileiro padrão
  1. nunca se usa próclise no início do período
  2. nunca se usa próclise após pausa/vírgula
  3. usa-se sempre próclise após atratores
Lista de Atratores
  1. Advérbio
  2. Conjunção
  3. Palavra negativa
  4. Pronome indefinido
  5. Pronome interrogativo
  6. Pronome relativo

Próclise[editar | editar código-fonte]

Em gramática, denomina-se próclise a colocação dos pronomes oblíquos átonos antes do verbo.

Proibição[editar | editar código-fonte]

  • Não deve ser usada no início de oração ou período
Ex.: *Se faz justiça com as próprias mãos naquele lugar.
Correção: Faz-se justiça com as próprias mãos naquele lugar.
  • Note que uma oração pode iniciar-se a meio de uma frase, por exemplo, depois de uma vírgula.
Ex.: *Naquele lugar, se faz justiça com as próprias mãos.
Correção: Naquele lugar, faz-se justiça com as próprias mãos.
  • Nos infinitivos há uma tendência à ênclise, mas também é possível a próclise. A ênclise só é mesmo rigor quando o pronome tem a forma o (principalmente no feminino a) e o infinitivo vem regido da preposição a.
Ex.: Se soubesse, não continuaria a lê-lo.

Existem determinadas palavras da língua que são consideradas "atratores" dos pronomes pessoais oblíquos átonos pois, nos enunciados em que elas ocorrem, esses pronomes devem ficar em posição proclítica com relação ao verbo que complementam.

Uso[editar | editar código-fonte]

A próclise é obrigatória quando há antes do verbo:

Ex.: Não se deve jogar lixo no rio.
Ex.: O funcionário que me atendeu (...)
Ex.: Alguém me perguntou as horas.
Ex.: Quem me busca a esta hora tardia?
Por que te assustas cada vez?
Como a julgariam os pais se conhecessem sua vida?
  • conjunção subordinativa, mesmo que oculta na oração subordinada.
Ex.: Quero que te cuides.
Que desejas te mande do Rio? (conjunção oculta)
Ex.: Ela descuidadamente se machucou.
Ex.: Isso me traz muita felicidade.
  • orações iniciadas por palavras exclamativas, bem como nas orações que exprimem desejo (optativas)
Ex.: Que o vento te leve meus recados de saudade.
Que Deus o abençoe!
Bons olhos o vejam!

Se o verbo estiver no infinitivo impessoal e ocorrer uma dessas palavras antes do verbo, o uso da próclise ou da ênclise será facultativo.

Ainda ocorre a próclise em:

Ex.: O pai pediu que o filho se afastasse. (substantiva objetiva direta)

Caso facultativo[editar | editar código-fonte]

Após pronomes pessoais do caso reto não se deve usar a próclise ou até mesmo depois de sujeito explicíto.[2]

Ênclise[editar | editar código-fonte]

Em gramática, denomina-se ênclise a colocação dos pronomes oblíquos átonos depois do verbo.

É usada principalmente nos casos:

  1. Quando o verbo inicia a oração (a não ser sob licença poética, não se devem iniciar orações com pronomes oblíquos);
  2. Quando o verbo está no imperativo afirmativo;
  3. Quando o verbo está no infinitivo impessoal;
  4. Quando o verbo está no gerúndio (sem a preposição em)

Não deve ser usada quando o verbo está no futuro do presente ou no futuro do pretérito. Neste caso utiliza‐se a mesóclise.

Os pronomes oblíquos átonos o, a, os, as assumem as formas lo, la, los, las quando estão ligados a verbos terminados em r, s ou z. Nesse caso, o verbo perde sua última letra e a nova forma deverá ser re-acentuada de acordo com as regras de acentuação da língua. Por exemplo:

  • "tirar-a" torna-se "tirá-la";
  • "faz-os" torna-se "fá-los";
  • "comes-o" torna-se "come-lo" (não há mudança de acentuação);
  • "Vou comer-o" torna-se "vou comê-lo".

No caso de verbos terminados em m, õe ou ão, ou seja, sons nasais, os pronomes o, a, os, as assumem as formas no, na, nos, nas, e o verbo é mantido inalterado. Por exemplo:

  • "peguem-os" torna-se "peguem-nos";
  • "põe-as" torna-se "põe-nas".

No português brasileiro vernáculo (mas não no padrão), o pronome reto substitui o oblíquo — por exemplo: "peguem eles!".

Mesóclise[editar | editar código-fonte]

Denomina-se mesóclise ou tmese a colocação do pronome oblíquo átono no meio do verbo.

Utiliza-se quando o verbo está no futuro do presente ou no futuro do pretérito do indicativo e não há, antes do verbo, palavra que justifique o uso da próclise.

Ex.: Tê-lo-ia perguntado, se o tivesse visto na ocasião.

A construção da mesóclise é possível graças à origem do futuro sintético (formado por apenas uma palavra): o futuro analítico, que no latim era formado pelo verbo principal no infinitivo e pelo verbo habere (haver) no presente. Sendo o futuro analítico uma forma composta, era possível colocar o pronome entre os dois verbos. Com a evolução da língua, o verbo auxiliar foi assimilado como desinência do verbo principal, mas manteve-se a possibilidade de deixar o pronome em posição mesoclítica. Ou seja:

  • Ter hei ⇒ terei
  • Ter hás ⇒ terás
  • Ter há ⇒ terá
  • Ter hemos ⇒ teremos
  • Ter heis ⇒ tereis
  • Ter hão ⇒ terão

Referências

  1. Português Linguagens - 9º ano. Atual Editora. Página 260. Por: William Roberto Cereja e Thereza Cochar Magalhães.
  2. Gramática Online, BR, http://www.gramaticaonline.com.br/gramaticaonline.asp?menu=1&cod=43 .

Ligações externas[editar | editar código-fonte]