Prússia

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Preußen
Prússia

Reino

Teutonmedvflag.png
1525 – 1947
Flag Brasão
Bandeira Brasão
Lema nacional
Em latim: Suum cuique
"A cada um o que é seu"
Localização de Prússia
Prússia (em azul) no seu auge, como líder do estado do Império alemão
Continente Europa
País Alemanha, Bélgica, Dinamarca, Lituânia, Polónia, República Checa e Rússia.
Capital Königsberg, depois Berlim
Língua oficial Alemão
Religião Catolicismo
Governo Monarquia democrática
Duque1
 • 1525-1568 Alberto I (primeiro)
 • 1688-1701 Frederico III (último)
Rei1
 • 1701-1713 Frederico I (primeiro)
 • 1888-1918 Guilherme II (último)
Período histórico Idade Moderna - História contemporânea
 • Abril de 1525 Ducado da Prússia
 • 27 de Agosto de 1618 União com a Marca de Brandemburgo
 • 18 de Janeiro de 1701 Reino da Prússia
 • 9 de Novembro de 1918 Estado Livre da Prússia
 • 30 de Janeiro de 1934 Abolição (de facto)
 • 25 de Fevereiro de 1947 Abolição (de jure)
 • 1947 Dissolução
Área
 • 1939 297,007 km2
População
 • 1939 est. 41,915,040 
     Dens. pop. 0,1/km²
Moeda Táler (até 1871)
marco alemão (após 1871)
Precedido por
Sucedido por
Teutonmedvflag.png Estado da Ordem Teutónica
Renânia do Norte-Vestfália Flag of North Rhine-Westphalia (state).svg
Baixa Saxônia Flag of Lower Saxony.svg
Hesse Flag of Hesse (state).svg
Renânia-Palatinado Flag of Rhineland-Palatinate.svg
Schleswig-Holstein Flag of Schleswig-Holstein (state).svg
Sarre Flag of Saarland.svg
Brandemburgo Flag of Brandenburg.svg
Saxônia-Anhalt Flag of Saxony-Anhalt (state).svg
Berlim Flag of Berlin.svg
1) Os chefes de Estado listados aqui são o primeiro e o último a deter cada um dos títulos ao longo do tempo.
2) A posição de Ministerpräsident foi introduzida em 1792, durante o Reino da Prússia - os primeiros-ministros mostrados aqui são os chefes da República Prussiana.

A Prússia (em prussiano antigo Prūsa, em alemão Preußen, em polaco Prusy, em lituano Prūsai e em latim Borussia) foi, no contexto histórico mais recente, um Estado que surgiu a partir da Prússia Oriental e que, ao longo de séculos, exerceu forte influência sobre a história da Alemanha e da Europa. A última capital da Prússia foi Berlim e os dois soberanos foram a Ordem dos Cavaleiros Teutônicos e a Casa von Hohenzollern.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

O termo Prússia teve diversos significados ao longo da história:

A Prússia, como Estado, foi abolida de facto pelos nazistas em 1934 e de jure pelos Aliados em 1947. A partir de então, o uso do termo é relacionado aos contextos históricos, geográficos e culturais.

O nome Prússia é derivado dos antigos prussianos, um povo báltico aparentado com os lituanos. A Ducado da Prússia (um feudo na Prússia Oriental, controlado pela Ordem Teutônica e vassalo do rei polonês, resultante de uma guerra entre a Ordem e a Polônia) manteve-se como uma dependência do Reino da Polônia até 1660. A Prússia Real (uma província polonesa na Prússia Ocidental, resultante da Guerra dos Treze Anos contra a Ordem Teutônica) continuou a integrar a Polônia até 1772. Com o recrudescimento do nacionalismo cultural alemão entre o final do século XVIII e o princípio do XIX, a maioria dos prussianos de língua alemã passou a considerar-se parte da nação germânica, professando as chamadas virtudes prussianas: organização perfeita, sacrifício, o Estado de direito, obediência à autoridade e militarismo. A partir do século XVIII, a Prússia expandiu-se e veio a dominar o norte da Alemanha política e economicamente, bem como em termos populacionais, e constituiu o cerne da Confederação da Alemanha do Norte, criada em 1867 e transformada em 1871 no Império Alemão.

Em português, registram-se também as formas Brússia ou Brúsia (alt. a Prússia) e brússios ou brúsios (alt. a prussianos). O gentílico mais utilizado hoje para a Prússia é prussiano. O dicionário Aurélio registra o termo prussiano antigo, língua extinta pertencente ao grupo báltico, do ramo balto-eslavo.

História remota[editar | editar código-fonte]

A Prússia dentro do Império Alemão, 1871-1918.
Mapa da Ducado da Prússia (feudo em território polonês subordinado à Ordem Teutônica e da Prússia Real sob domínio do Rei da Polônia.

Em 1226, Conrado da Mazóvia convidou a Ordem dos Cavaleiros Teutônicos, à época instalados na Transilvânia, a conquistar as tribos prussianas nas suas fronteiras. Ao longo de sessenta anos de lutas contra os prussianos, os cavaleiros criaram um Estado semi-independente que passou a controlar o que viria a chamar-se Prússia, bem como o que são hoje a Estônia, a Letônia, a Lituânia e a parte setentrional da Polônia.

A Guerra dos Treze Anos (1454-1466) foi um marco na história do Estado e teve início quando a Confederação Prussiana, uma coligação de cidades hanseáticas da região mais ocidental da Prússia, rebelou-se contra a Ordem Teutónica e recorreu à protecção do rei polonês Casimiro IV Jaquelão. A partir de 1466, essa derrota militar forçou-os a reconhecer a soberania do rei da Polônia e do Lituânia e a Prússia foi dividida em dois estados: a Prússia Real, um território subordinado ao reino da Polônia e a Ducado da Prússia, esta subordinada à Ordem Teutônica, na região ao leste. Em 1525, o Grão-Mestre da Ordem converteu-se ao Luteranismo e transformou a parte dos territórios sujeitos aos cavaleiros no primeiro Estado protestante.

Mapa da atual Alemanha que são totalmente, ou na maior parte, situada dentro das antigas fronteiras da Alemanha Imperial e do Reino da Prússia.

O território do Ducado limitava-se, na época, a uma área a leste da foz do rio Vístula, próxima à atual fronteira entre a Polônia e o enclave russo de Kaliningrado. Em 1618, herdou o Ducado o Eleitor João Segismundo de Brandemburgo, da família Hohenzollern, governando-o desde Berlim juntamente com o território de Brandemburgo. Para os Hohenzollern, o recém-adquirido Estado era de grande importância, pois não pertencia ao Sacro Império Romano-Germânico. O novo Estado, que passou a ser conhecido como Brandemburgo-Prússia, embora estivesse dividido em duas porções separadas por território polonês, saiu paulatinamente da órbita do Reino da Polônia. Sob Frederico Guilherme, chamado "o Grande Eleitor", a Prússia recebeu diversos territórios, como Magdeburgo e os enclaves a oeste do Reno.

O Reino da Prússia[editar | editar código-fonte]

Perdas territoriais da Alemanha, entre 1919 e 1945, após o Tratado de Versalhes e as Conferências de Teerã, Yalta e Potsdam
Expansão de Brandemburgo-Prússia.

Em 1701, Brandemburgo-Prússia tornou-se o Reino da Prússia, sob Frederico I, com a permissão do Sacro Imperador Romano Leopoldo I da Germânia e do Eleitor Saxão Augusto, o Forte, rei da Polônia. Mais tarde, com Frederico II (Frederico, o Grande), a Prússia tomou à Áustria a província da Silésia, derrotando-a na Guerra dos Sete Anos, concluída em 1763. A Prússia emergiu do conflito como a potência dominante no leste da Alemanha, acrescentando territórios em outras áreas germânicas por meio de casamentos e herança, inclusive a Pomerânia e a costa do Mar Báltico (ver: Partições da Polônia)

Durante este período estabeleceu-se a grande máquina militar prussiana e uma eficiente burocracia estatal, instituições que viriam a formar as bases do Estado alemão até 1945. A Prússia expandiu-se em direção ao leste durante o colapso da monarquia polonesa, entre 1772 e 1795, chegando até mesmo a Varsóvia.

Frederico Guilherme II levou a Prússia à guerra contra a França revolucionária em 1792, mas foi derrotado em Valmy e viu-se forçado a ceder seus territórios ocidentais para os franceses. Frederico Guilherme III reiniciou o conflito, mas o desastre sofrido em Jena fez com que se retirasse da guerra, após ceder ainda mais território com o Tratado de Tilsit.

Expansão da Prússia (1807-1871).

Em 1813, a Prússia repudiou o tratado e voltou à guerra contra a França napoleônica. Como recompensa, o Congresso de Viena de 1815 devolveu-lhe os seus territórios perdidos e entregou-lhe toda a Renânia e a Vestfália, além de outras áreas. Estas regiões ocidentais viriam a ser de importância vital, pois incluíam o vale do Ruhr, centro da promissora industrialização alemã, em especial as indústrias de armamento. Os ganhos territoriais dobraram a população governada pela Prússia, que saiu das guerras napoleônicas como a potência hegemônica inconteste da Alemanha, sobrepujando a sua rival, a Áustria, que havia desistido da coroa imperial em 1806. Em troca, a Prússia retirou-se de áreas da Polônia central de modo a permitir que o Congresso de Viena criasse um Reino da Polônia vinculado à Rússia.

A primeira metade do século XIX assistiu a um embate prolongado na Alemanha entre as forças do liberalismo, que queriam uma Alemanha federal unida sob uma constituição democrática, e as forças do conservadorismo, que desejavam mantê-la como um conjunto de fracos Estados independentes e palco da competição entre Prússia e Áustria. Em 1848, os liberais e os hegelianos de esquerda tiveram a sua chance quando revoluções eclodiram através da Europa. Um preocupado Frederico Guilherme IV concordou em convocar uma Assembléia Nacional e outorgar uma constituição. Mas quando o Parlamento de Frankfurt ofereceu-lhe a coroa de uma Alemanha unificada, Frederico Guilherme recusou-a, ao argumento de que assembléias revolucionárias não estariam habilitadas a conceder títulos de realeza. A Prússia obteve uma constituição semi-democrática, mas o poder das classes proprietárias de terras (os Junkers) permanecia incólume, especialmente no leste.

A Prússia Imperial[editar | editar código-fonte]

Em 1862, o Rei Guilherme I nomeou Otto von Bismarck, um junker, Primeiro-Ministro da Prússia. Bismarck estava decidido a derrotar tanto os liberais como os conservadores, por meio da criação de uma Alemanha unida e forte, mas sob o controle da classe dominante e da burocracia prussianas. Logrou seus objetivos com três guerras sucessivas, com a Dinamarca em 1864 (Guerra dos Ducados), que deu à Prússia o Schleswig-Holstein, com a Áustria em 1866 (Guerra Austro-Prussiana), que lhe trouxe Hanôver e a maioria dos territórios setentrionais alemães que haviam tomado o partido austríaco, e com a França em 1870 (Guerra Franco-Prussiana), que forçou Mecklemburgo, Baviera, Baden, Württemberg e Saxônia a aceitar a incorporação a um Império Alemão unificado (com a exclusão da Áustria), cujo Imperador (Kaiser) seria o próprio Guilherme.

A Prússia continuou a existir como a mais poderosa província do Império Alemão. Derrotada na Primeira Guerra Mundial, a República de Weimar viu-se forçada a abrir mão de territórios prussianos a leste, de maneira a permitir a reconstituição da Polônia. A Prússia Oriental permaneceu sob controle alemão, mais uma vez separada do restante do país pelo Corredor Polonês. Mesmo assim, a Prússia ainda representava 60% do território alemão. Em 1934, o governo nazista cancelou a autonomia dos estados alemães, embora de iure o estado prussiano continuasse a existir até o final da Segunda Guerra Mundial.

Com a ocupação soviética, todos os territórios alemães a leste da linha Oder-Neisse, inclusive a Silésia, a Pomerânia, Brandemburgo Oriental e a Prússia Oriental, foram entregues à Polônia (o terço setentrional da Prússia Oriental, que incluía Königsberg, hoje Kaliningrado, passou à União Soviética). Algo como dez milhões de alemães foram mortos, fugiram ou foram expulsos daqueles territórios. Este êxodo e a nacionalização da terra pelo governo comunista da Alemanha Oriental destruíram os Junkers como classe social e poder político. A Prússia foi formalmente abolida em 1947 por uma proclamação das quatro potências de ocupação. Na zona soviética, os territórios prussianos foram reorganizados nos estados de Brandemburgo e Saxônia-Anhalt; parte da Pomerânia passou ao estado de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental. Nas zonas ocidentais de ocupação, os territórios prussianos foram partilhados entre a Renânia do Norte-Vestfália, a Baixa Saxônia, o Hessen, a Renânia-Palatinado e o Schleswig-Holstein.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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