Praia da Vitória

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Praia da Vitória
Brasão de Praia da Vitória Bandeira de Praia da Vitória
Brasão Bandeira
Localização de Praia da Vitória
Gentílico Praiense
Área 162,29 km2
População 21 035 hab. (2011)
Densidade populacional 129,61 hab./km2
N.º de freguesias 11
Presidente da
Câmara Municipal
Roberto Monteiro (PS)
Fundação do município 1480
Região Autónoma Região Autónoma dos Açores
Ilha Ilha Terceira
Antigo Distrito Angra do Heroísmo
Orago Santa Cruz
Feriado municipal 11 de agosto
Código postal 9760-851
Site oficial http://www.cmpv.pt
Municípios de Portugal Flag of Portugal.svg

Praia da Vitória é uma cidade e Concelho localizada na parte leste da ilha Terceira, no grupo central do arquipélago dos Açores.

Na Região Autónoma dos Açores, a cidade conta com cerca de 6 600 habitantes. É sede de um município com 162,29 km² de área e 21 035 habitantes (2011), subdividido em 11 freguesias. O município, um dos dois da ilha, é limitado a sul e oeste pelo município de Angra do Heroísmo e pelo oceano Atlântico a norte e a leste.

História[editar | editar código-fonte]

Câmara Municipal de Praia da Vitória.
Batalha da baía da Praia.

Instalados definitivamente os primeiros povoadores na ilha Terceira, passou Jácome de Bruges, primeiro capitão do donatário da ilha, ao lugar da Praia, onde fixou a sua residência, juntamente com seu lugar-tenente Diogo de Teive. A Praia constituiu-se assim na sede da capitania da Terceira entre 1456 e 1474, ano em que a ilha foi dividida em duas capitanias, pelo desaparecimento do donatário, ficando a capitania da Praia a cargo de Álvaro Martins Homem.

A região desenvolveu-se com rapidez, graças à cultura do pastel e do trigo. Desse modo, a Praia foi elevada a Vila, sede de Concelho, em 1480, ainda ao tempo de Álvaro Martins Homem.

No último quartel do século XVI, Gaspar Frutuoso assim descreve a vila:

"(...) e logo está a vila da Praia, nobre e sumptuosa e de bons edificios, edificados por muito bom modo, cercada de boa muralha, com os seus fortes e baluartes toda em redondo, povoada de nobres e antigos moradores, como uma das mais antigas povoações da ilha, rodeada de fermosas e ricas quintas de nobres e grandiosos fidalgos, com uma freguesia e sumptuosa igreja de três naves, com a capela-mor de abóbada e portais e pilares bem lavrados de pedra mármore, toda cercada de capelas de grandes morgados (...) sua invocação principal é de Santa Cruz (...)."
"(...) onde há casa de Misericórdia e hospital, com duas igrejas, uma do hospital do Espírito Santo e outra de Nossa Senhora, com uma nave pelo meio (...); e um fermoso mosteiro de S. Francisco em que continuamente residem dez ou doze religiosos, onde há muitas capelas de morgados semelhantes aos acima ditos; três mosteiros de freiras, o mais principal dos quais é de Jesus (...), de quarenta freiras de véu preto e os dois, um de Nossa Senhora da Luz e outro das Chagas, da obediência e da observância de S. Francisco, em que há menos religiosas." (FRUTUOSO, Gaspar. Saudades da Terra (Livro VI). Cap. I, p. 15.)

No contexto da Dinastia Filipina, aqui se travou a batalha da Salga (1581). Foi na Praia que o pretendente ao trono de Portugal, D. António Prior do Crato, foi aclamado rei aquando do seu desembarque nesta localidade em 1582. Posteriormente, no contexto da Restauração da Independência Portuguesa, foi na Praia que se deu a aclamação de João VI de Portugal, quando da chegada de Francisco Ornelas da Câmara à Terceira.

Baía da Praia da Vitória, parte da Praia Grande.
Baía da Praia da Vitória.
Baía da Praia da Vitória.
Baía da Praia da Vitória.

A povoação foi arrasada pelo grande terramoto de 1614, tendo o mar tragado as que lhe ficavam mais próximas. Durante o século XVII foi reconstruída, continuando presa de diversos abalos sísmicos menores.

No decorrer da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834), aqui se travou ainda a batalha da baía da Praia (11 de Agosto de 1829), quando frustrou a tentativa de desembarque de uma esquadra de tropas miguelistas. Esta vitória levou a que, por carta régia de 12 de Janeiro de 1837, como reconhecimento, lhe fossem outorgados os títulos de "Mui Notável" e "da Vitória" pela soberana.

A sua importância económica permaneceu, apesar do grande terramoto de 15 de Junho de 1841 (a chamada "Caída da Praia") que a destruiu parcialmente. A sua reconstrução, a partir dos meados do século XIX deveu-se à iniciativa do Conselheiro José Silvestre Ribeiro. O padre Jerónimo Emiliano de Andrade, que viveu em meados do século XIX, refere:

"Apenas o viajante sai da freguesia do Cabo da Praia tem logo à vista a magnífica e majestosa Vila da Praia da Vitória, que lhe fica a uma distância de pouco mais de um quarto de légua. (...)"

A vila foi elevado à categoria de cidade a 20 de Junho de 1981, tendo se designado Vila da Praia da Vitória até 1983.

Na segunda metade do século XX foi construído no lugar das Lajes um aérodromo de grandes dimensões, o Aeroporto das Lajes. A essa importante obra juntou-se, mais recentemente, o Porto Oceânico da Praia da Vitória, com um molhe com 1400 metros de extensão, também de grande importância para a economia regional. Junto ao porto oceânico localiza-se o principal centro industrial da ilha.

Relevo e vegetação[editar | editar código-fonte]

O relevo do Concelho é marcado pela planície do Ramo Grande, que no passado constitui-se no celeiro da ilha e hoje quase totalmente ocupada pelo aeroporto das Lajes, pelo maciço vulcânico da serra do Labaçal, no qual se destaca o pico Agudo (833 metros), pela serra do Cume e pela serra de Santiago.

A linha de costa é bastante acentuada, predominando as arribas e as zonas de calhau. A baía da Praia da Vitória abriga um extenso areal, o único da ilha e o mais extenso do arquipélago.

Rua de Jesus, Praia da Vitória.

A paisagem do Concelho encontra-se quase que totalmente explorada pelo Homem, seja pela agricultura, seja pela pecuária. A área florestal está ocupada por várias espécies, destacando-se a criptoméria, o eucalipto, a acácia e o pinheiro.

Nas reservas naturais do Pico Alto e do Biscoito da Ferraria, encontram-se preservados restos da flora endémica da ilha, como o cedro-do-mato ("Juniperus brevifolia, Antoine"), a urze ("Erica azorica, Hochst", o pau-branco ("Picconia azorica") e o folhado ("Viburnum treleasei").

Clima[editar | editar código-fonte]

O clima é semelhante do ao arquipélago, húmido e temperado marítimo. A temperatura média anual ronda os 17,6oC, sendo Fevereiro o mês mais frio (14,3oC) e Agosto o mais quente (20oC).


Arquitetura e urbanismo[editar | editar código-fonte]

A cidade está situada à beira-mar, numa grande planície rodeada por um lado pela Serra do Facho, que lhe apresenta uma perspectiva de terrenos em declive cobertos de verde, e pela extensa praia em forma de meia-lua. A protegê-la ainda dos ventos dominantes eleva-se a Serra do Cume, que forma o Complexo desmantelado da Serra do Cume.

O centro histórico da cidade conserva casas seculares, com curiosos trabalhos em cantaria e belas janelas e varandas, bem como um interessante património arquitectónico. Entre as principais edificações destacam-se:

Na freguesia do Cabo da Praia destaca-se o Forte de Santa Catarina.

Praça Francisco Ornelas da Câmara[editar | editar código-fonte]

Esta praça é dedicada a Francisco Ornelas da Câmara, político açoriano da época da Restauração da Independência Portuguesa e líder da campanha militar que conduziu à submissão da Fortaleza de São João Baptista da Ilha Terceira (1641-1642).

A praça inclui uma estátua da autoria de Abraam Abohobot inaugurada no dia do 1.º centenário da Batalha da Praia da Vitória, combate naval ferido no dia 11 de agosto de 1829, na baía da então Vila da Praia, em que forças Miguelistas se opunham contra as forças dos absolutistas de D. Pedro I do Brasil, IV de Portugal.

Este monumento procura homenagear os heróis desta batalha e foi mandada erguer pelo praiense António Ázera, que foi presidente da Comissão Administrativa da Câmara Municipal da Praia da Vitória.

Personalidades[editar | editar código-fonte]

Aqui nasceu um dos mais notáveis escritores portugueses, Vitorino Nemésio, autor de obras como "Mau Tempo no Canal", "Festa Redonda", e "Paço do Milhafre", entre outras.

População e povoações[editar | editar código-fonte]

Vista parcial de Praia da Vitória.
Parte do casario de Praia da Vitória.
População do concelho de Praia da Vitória (1849 – 2011)
1849 1900 1930 1960 1981 1991 2001 2004 2011
15394 15516 15888 28236 20762 20436 20252 20342 21035

As freguesias de Praia da Vitória são as seguintes:

Ver também[editar | editar código-fonte]

Património natural[editar | editar código-fonte]

Património edificado[editar | editar código-fonte]

Arquitetura civil[editar | editar código-fonte]

Estádio Municipal de Praia da Vitória, Terceira

Arquitetura eclesiástica[editar | editar código-fonte]

Arquitetura militar[editar | editar código-fonte]

Monumentos e fontanários[editar | editar código-fonte]

Monumento aos Homens do Mar
Fontanário

Logradouros[editar | editar código-fonte]

Cronologia[editar | editar código-fonte]


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