Preservação

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
National Institute of Standards and Technology preservando a Declaração de Independência dos EUA em 1951
Livros deteriorados na biblioteca do Merton College, Oxford.

Preservação é uma política adotada nas empresas para a conservação dos documentos e vem das áreas de Arquivologia, da biblioteconomia e museologia preocupado com a manutenção ou a restauração do acesso a artefatos, documentos e registros através do estudo, diagnóstico, tratamento e prevenção de danos e da deterioração.[1] Existem diversas definições sobre o processo de preservação, alguns desses conceitos se assemelham com os conceitos de conservação e restauração, porém, existem diferenças. Para Cassares (2000, p. 12) a preservação "é um conjunto de medidas e estratégias de ordem administrativa, política e operacional que contribuem direta ou indiretamente para a preservação da integridade dos materiais"[2] . A conservação se refere ao tratamento e reparo de itens individuais sob a ação de degradação lenta ou à restauração de sua usabilidade.[3] O termo conservação é as vezes usado de forma indiferente com relação ao termo preservação, particularmente fora da literatura profissional.[4]

História[editar | editar código-fonte]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Apesar de a preservação, enquanto profissão formal desempenhada em bibliotecas e arquivos, datar do século XX, sua filosofia e prática tem raízes em tradições mais antigas.[5] Em biblioteconomia, a preservação é tratada como um processo intencional e ativo, em oposição ao sentido passivo que a preservação adquire em outros campos como a paleontologia ou a arqueologia. A sobrevivência desses itens é uma obra do acaso, na perspectiva da ciência da informação, enquanto a sua preservação após a descoberta é objeto de atividade intencional.

O registro humano de dados humanos pode ser traçado até o boom da arte rupestre no paleolítico superior, uns 32 ou 40 mil anos atrás. Antecedentes mais diretos são os sistemas de escrita que se desenvolveram no quarto milênio a.C.. Registros escritos e práticas de compartilhamento de informação, juntamente com a tradição oral, sustêm e transmitem informação de um grupo para outro. Esse nível de preservação tem sido suplementado ao longo do último século com a prática profissional de preservação e conservação do legado cultural das comunidades.

  1. Tradição oral ou cultura oral, a transmissão de informação de uma geração à outra sem um sistema de escrita.
  2. Práticas de antiquários, inclusive práticas escribas, práticas de sepultamento, as bibliotecas Pérgamo, Alexandria e outros arquivos antigos.
  3. Práticas medievais, inclusive o scriptorium e as coleções de relíquias
  4. Renascimento e a concepção em mudança de artistas e obras arte
  5. Iluminismo e os enciclopedistas
  6. O imperativo preservacionista do romantismo

Acontecimentos significativos[editar | editar código-fonte]

  • 1933: William Barrow introduz a desacidificação do papel quando publica um paper sobre o problema do papel ácido. em estudos posteriores, Barrow testou papéis de livros americanos feitos entre 1900 e 1949 e descobriu que depois de quarenta anos os livros tinham perdido em média 96 por cento da sua resistência original; depois de menos de 10 anos, eles já perdiam 64 por cento. Barrow determinou que essa rápida deterioração não era um resultado direto do uso de celulose, uma vez que o papel-pano do mesmo período também se deteriorava com rapidez, mas devido aos resíduos de ácido sulfúrico da produção tanto do papel de celulose quanto do papel-pano. Métodos de manufatura usados depois de 1870 empregavam ácido sulfúrico para sizing e para esbranquear o papel. Métodos de fabricação de papel mais antigos deixavam o produto final apenas levemente alcalino ou mesmo neutro. Esses papéis tem mantido sua resistência por muito mais tempo, de 3 a 8 séculos, apesar do dióxido de enxofre e outros poluentes do ar.[6] O artigo de Barrow de 1933 sobre o estado frágil do papel de celulose predisse que a duração da "vida de prateleira" desse tipo de papel era de aproximadamente 40 ou 50 anos. Nesse ponto o papel passaria a apresentar sinais de deterioração e ele concluiu pela necessidade de pesquisa de uma nova mídia para escrita e impressão.
  • 1966: A Enchente do Rio Arno em Florença danificou ou destruiu milhões de livros raros e levou ao desenvolvimento de laboratórios de restauração e novas técnicas de conservação. Importante para esse processo foi o conservacionista Peter Waters, que liderou um grupo de voluntários, chamados de "anjos da lama", no esforço de restauração de milhares de livros e manuscritos. Esse evento alertou muitos historiadores, bibliotecários e outros profissionais sobre a importância de se ter um plano de preservação. Muitos consideram essa enchente como um dos piores desastres desde o incêndio na Biblioteca de Alexandria na Roma antiga. Ele levou a um ressurgimento na profissão de conservação e preservação em todo o mundo.

Pessoas importantes na história da preservação[editar | editar código-fonte]

  • William Barrow (1904 – 1967) foi um químico americano e conservador de papel e um pioneiro na conservação de bibliotecas e arquivos. Ele introduziu o método de conservação do papel pela alcalinização.
  • Paul N. Banks (1934 - 2000) foi um conservacionista e chefe do departamento de conservação da Newberry Library de 1964 a 1981, e publicou regularmente sobre encadernação, livros e conservação de papel e problemas relacionados à conservação. Ele desenvolveu e implementou um currículo para a Escola de Biblioteconomia da Universidade Columbia que lidava diretamente com o treinamento em preservação.
  • Pamela Darling, historiadora e escritora, foi Especialista em Conservação para a Association of Research Libraries. Seus trabalhos incluem materiais para judar bibliotecas a estabelecer seus próprios programas de conservação.
  • Carolyn Harris trabalhou como chefe da Divisão de Preservação de Bibliotecas da Universidade Columbia de 1981 até 1987, onde trabalhou próxima a Paul Banks. Publicou extensas pesquisas ao longo de sua carreira, lidando especialmente com desacidificação de massa do papel de celulose.
  • Peter Waters, ex-Chefe de Conservação da Biblioteca do Congresso em Washington, DC, trabalhou nas áreas de recuperação de desastres e prevenção.
  • Nicholson Baker é um romancista americano contemporâneo e autor de Double Fold, uma crítica à destruição de mídia baseada em papel pelas bibliotecas.
  • Patricia Battin, como primeira presidente da Commission on Preservation and Access, trabalhou para organizar uma campanha nacional (nos EUA) tanto pelo uso do papel alcalino pelas gráficas e editoras e um programa nacional de preservação através da microfilmagem.
  • John F. Dean, bibliotecário de preservação e conservação na Universidade Cornell, tem dado contribuições no sentido de melhorar a preservação de livros em países em desenvolvimento. Especificamente, Dean criou tutoriais on-line para a conservação e preservação no sudeste da Ásia e no Iraque.


Translation Latin Alphabet.svg
Este artigo ou secção está a ser traduzido. Ajude e colabore com a tradução.

Questões e tratamento de mídias especíificas[editar | editar código-fonte]

Notas[editar | editar código-fonte]

  1. A Glossary of Archival and Records Terminology Society of American Archivists. Página visitada em 2007-05-11.
  2. CASSARES, Norma Cianflone. Como fazer conservação preventiva em arquivos e bibliotecas. São Paulo: Arquivo do Estado, Imprensa Oficial, 2000. v. 5.
  3. A Glossary of Archival and Records Terminology Society of American Archivists. Página visitada em 2007-05-11.
  4. Preservation of Cultural Artifacts Southern Polytechnic State University. Página visitada em 2007-05-11.
  5. Ritzenthaler, Mary Lynn. Preserving Archives and Manuscripts. Chicago: Society of American Archivists, 1993.
  6. Stevens, Rolland E.. (October 1968). "The Library". The Journal of Higher Education, (), 39 (7): 407-409.

Ver também[editar | editar código-fonte]