Prevenção do suicídio

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A prevenção do suicídio é um termo usado para as tentativas coletivas de organizações institucionais, psicólogos e pessoas envolvidas com a saúde, para reduzir a incidência de suicídio.[1] [2] [3]

Esses esforços englobam medidas preventivas e pró-ativas nos campos da medicina e da saúde mental, bem como da saúde pública, uma vez que o suicídio não é apenas visto como uma questão de saúde física ou mental.[4] [5]

Indicativos de ideação suicida[editar | editar código-fonte]

Segundo a psicologia, existem vários comportamentos que indicam a possibilidade de ideação suicida. Dentre eles o relato de querer desaparecer, dormir para sempre, ir embora e nunca mais voltar ou mesmo objetivamente o relato do desejo de morrer, mesmo quando falado num tom de brincadeira, devem ser considerados indícios significativos e levados a sério.

Um importante indicativo é o uso abusivo de álcool, especialmente quando o início for precoce, existir um histórico familiar de alcoolismo e houverem eventos disruptivos recentes ou perda de uma relação interpessoal importante. [6] Outro importante indicativo é o uso drogas ilegais. Enquanto pessoas com histórico de abuso de drogas tem mais de 50 vezes mais probabilidade de tentar suicídio do que os que nunca usaram. Mais de 40% dos suicidas tem histórico de abuso de álcool ou outra substância. [7]

Quanto mais comportamentos indicativos mais provável a ideação e necessidade de intervenção. Outros comportamentos associados com tentativas de suicídio e que devem ser tratados como alerta são:

Fatores de risco[editar | editar código-fonte]

Outros fatores importantes que deveriam ser considerados, pois seriam mais comuns entre aqueles que tentam suicídios [13] [12] [14] :

  • Planejar o suicídio;
  • Acesso ao método de suicídio;
  • Tentativas anteriores (as duas semanas após a tentativa é que tem mais risco);
  • Eventos estressores recentes (como perda do emprego, morte de ente querido, desastres naturais, guerras, diagnóstico de doença e divórcio);
  • Idade entre 13 e 19 anos (35% dos adolescentes brasileiros entre 13 e 19 anos tem ideação suicida)[15] ou depois dos 65;
  • Rede de apoio social restrita (poucos amigos e cuidadores).
  • Nível sócio-econômico e nível educacional baixos;
  • Traumas, tais como abuso físico e sexual;
  • Baixa auto-estima e desesperança;
  • Questões de orientação sexual (tais como homossexualidade e transsexuais );
  • Pouco discernimento, falta de controle da impulsividade, e comportamentos auto-destrutivos;
  • Poucos recursos (cognitivos, materiais, funcionais e sociais) para enfrentar problemas;
  • Doença física (como HIV) e dor crônica;
  • Exposição ao suicídio de outras pessoas.

Transtornos psicológicos[editar | editar código-fonte]

Segundo a OMS, diversos transtornos psicológicos estão associados com um maior risco de suicídio, dentre eles[6] [13] :

Em 90-95% dos casos, um paciente que comete suicídio pode ser diagnosticado com algum transtorno psicológico.[16] .

Diagnóstico[editar | editar código-fonte]

O Inventário de Depressão de Beck (BDI) e a Escala de Ideação Suicida de Beck (BSI) pode ser usada para medir a gravidade dessa ideação.[17]

Intervenção em crise[editar | editar código-fonte]

Segundo a psicologia e a psiquiatria, caso seja identificado ideação suicida em alguém algumas das medidas que podem ser tomadas para evitar a conclusão do ato é [18] [19] [12] [20] :

  • Colocar a pessoa em acompanhamento psicológico e psiquiátrico;
  • Mobilizar a rede social de apoio (família, parceiro(a), amigos...);
  • Em casos graves, internação em um Centro de Atenção Psicossocial(CAPS);
  • Fazer um contrato de vida, onde a pessoa se compromete a ligar para pessoas de sua confiança antes de cometer o suicídio;
  • Monitoramento regular;
  • Restringir acesso a álcool e drogas;
  • Retirar acesso aos métodos (como arma de fogo e venenos para animais) do ambiente;
  • Conversar sobre alternativas para solução dos problemas atuais e de como encará-los de uma forma mais saudável.

Família e amigos devem ficar alerta para pessoas com ideação suicida que começaram a usar antidepressivos. Medicação antidepressiva apesar de diminuir a ideação a longo prazo, nos primeiros meses aumenta bastante os riscos, ao melhorar a capacidade do indivíduo de tomar decisões e tomar atitudes, e por isso precisa de acompanhamento constante.[21]

Contenção física pode ser necessária durante uma tentativa. Conseguir conter o momento de crise e o impulso de se matar frequemente é eficaz para prevenir o suicídio temporariamente. A intervenção em crise geralmente é pontual durando de duas a seis sessões. Intervenções preventivas feitas em comunidades teve bom resultados como forma de preparar as pessoas a lidar com crises e fazer um acolhimento mais adequado.[22]

Conseguir conter o momento de crise e o impulso de se matar frequentemente é eficaz para prevenir o suicídio temporariamente. A intervenção em crise geralmente é pontual durando de duas a seis sessões. Estudos apontam que algumas intervenções preventivas feitas em comunidades obtiveram bons resultados como forma de preparar as pessoas a lidar com crises e fazer um acolhimento mais adequado.[23]

Intervenção em crise[editar | editar código-fonte]

Segundo a psicologia e a psiquiatria, caso seja identificado ideação suicida em alguém algumas das medidas que podem ser tomadas para evitar a conclusão do ato é [24] [25] [20] :

  • Colocar a pessoa em acompanhamento psicológico e psiquiátrico;
  • Mobilizar a rede social de apoio (família, parceiro(a), amigos...);
  • Em casos graves, internação em um Centro de Atenção Psicossocial(CAPS);
  • Fazer um contrato de vida, onde a pessoa se compromete a ligar para pessoas de sua confiança antes de cometer o suicídio;
  • Monitoramento regular;
  • Restringir acesso a álcool e drogas;
  • Retirar acesso aos métodos (como arma de fogo e venenos para animais) do ambiente;
  • Conversar sobre alternativas para solução dos problemas atuais e de como encará-los de uma forma mais saudável.

Antidepressivos[editar | editar código-fonte]

Família e amigos devem ficar alerta para pessoas com ideação suicida que começaram a usar antidepressivos. Medicação antidepressiva apesar de diminuir a ideação a longo prazo, nos primeiros meses aumenta bastante os riscos, ao melhorar a capacidade do indivíduo de tomar decisões e tomar atitudes, e por isso precisa de acompanhamento constante.[26]

Contenção física[editar | editar código-fonte]

Contenção física pode ser necessária durante uma tentativa. Conseguir conter o momento de crise e o impulso de se matar frequemente é eficaz para prevenir o suicídio temporariamente. A intervenção em crise geralmente é pontual durando de duas a seis sessões. Intervenções preventivas feitas em comunidades teve bom resultados como forma de preparar as pessoas a lidar com crises e fazer um acolhimento mais adequado.[27]

Caso a pessoa esteja em surto psicótico auto-destrutivo (inclusive no caso de intoxicação por drogas) recomenda-se chamar os bombeiros para contê-la fisicamente. Pessoas sem preparo, mesmo que sejam da família, devem tomar cuidado ao se aproximar de uma pessoa em surto psicótico pelo alto risco de agressão envolvido.

No momento da tentativa[editar | editar código-fonte]

Segundo a OMS, durante a tentativa é recomendado que o conselheiro tome as seguintes medidas[14] [28] :

  • Esteja calmo, assim evita-se deixar a pessoa mais ansiosa ainda;
  • Seja empático. Encoraje a pessoa a abrir-se consigo quanto aos seus problemas e sentimentos;
  • Reconheça o suicídio como uma escolha, mas não como a melhor escolha para resolver seus problemas;
  • Escute atentamente o que a pessoa tem a dizer, intervindo sempre que necessário, e reforce positivamente a necessidade de a pessoa cuidar de si mesma;
  • Mantenha o processo de aconselhamento focado no momento e na situação atual;
  • Evite dar conselhos sobre problemas mais profundos até que a crise diminua;
  • Alerte sobre os riscos de sobreviver independente do método usado, algumas pessoas sobrevivem mesmo a tiros na cabeça[29] e salto de grandes alturas (mesmo depois do décimo andar)[30] , enfatize a dor e sequelas de sobreviver e possível internação em hospital psiquiátrico para impedi-la de cometer de novo;
  • Remova o acesso a meios letais;
  • Ligue para um serviço de saúde para um aconselhamento mais adequado/Peça ajuda a outros profissionais (a intervenção multiprofissional é a melhor estratégia).

Passar tempo conversando com um suicida também ajuda a conter a impulsividade que frequentemente é necessária para a conclusão do ato. Deixar a pessoa dormir permite que ela se recomponha e que seus neurotransmissores se regulem. O conselheiro deve ficar atento para quando ela acordar.[14]

Quando ela estiver mais calma converse novamente com ela sobre a tentativa (é um mito achar que conversar sobre suicídio aumenta as chances de ela cometer de novo). Lembre a pessoa de o quanto todas as pessoas que gostam dela sofrerão se ela morrer, cite alguns exemplos (amigos, mãe, pai,irmãos, avós, primos...) caso conheça, insista até encontrar exemplos adequados. Conversar sobre os problemas que a levaram a desejar a morte e sobre possíveis formas de resolvê-los, tente levar a pessoa a pensar mais a longo prazo e em como seus problemas (quase sempre) tem solução. Ofereça-se para ajudar.[14] [12]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. ROTHSCHILD, Anthony. J. Suicide Risk Assessment. In: ROTHSCHILD, Anthony. Acute care psychia try: Diagnosis and Treatment. Baltimore: Williams and Wilkins, 1997.
  2. HILLARD, James. Emergency management of the suicidal patient. In: WALKER, Ingram. Psychiatric Emergencies. Philadelphia: Lippincott Company, 1983.
  3. SCHMITT, Ricardo (et al). Risco de suicídio: avaliação e manejo. In: SCHMITT, Ricardo (et al). Emergências psiquiátricas. Porto Alegre: Artmed, 2001. vol I.
  4. Maine Suicide Prevention Website
  5. http://www.medterms.com/script/main/art.asp?articlekey=11613
  6. a b c d e f g h PREVENÇÃO DO SUICÍDIO: UM MANUAL PARA MÉDICOS CLÍNICOS GERAIS. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE DEPARTAMENTO DE SAÚDE MENTAL TRANSTORNOS MENTAIS E COMPORTAMENTAIS. Genebra, 2000
  7. D., PhD Frank, Jerome; Levin, Jerome D; S., PhD Piccirilli, Richard; Perrotto, Richard S; Culkin, Joseph (28 Sep 2001). Introduction to chemical dependency counseling. Northvale, NJ: Jason Aronson. pp. 150–152. ISBN 978-0-7657-0289-0.
  8. Miller M, Hemenway D, Rimm E (May 2000). "Cigarettes and suicide: a prospective study of 50,000 men.". American journal of public health 90 (5): 768–73. PMC 1446219.
  9. Iwasaki M, Akechi T, Uchitomi Y, Tsugane S (April 2005). "Cigarette Smoking and Completed Suicide among Middle-aged Men: A Population-based Cohort Study in Japan". Annals of Epidemiology 15 (4): 286–92. [1]
  10. http://www.wrongdiagnosis.com/hd/news/627908.early-bedtime-may-help-stave-off-teen-depression.htm
  11. Brooks-Gunn, J., & Petersen, A. (1991). Studying the emergence of depression and depressive symptoms during adolescence. Journal of Youth And Adolescence, 2(20), 115-119.
  12. a b c d Júlia Camarotti Rodrigues, Marcelo Tavares. (2009) A entrevista clínica no contexto do risco de suicídio.
  13. a b http://boasaude.uol.com.br/realce/emailorprint.cfm?id=16364&type=lib#fatoresderisco
  14. a b c d Prevenção de suicídio
  15. Vivian Roxo Borges & Blanca Susana Guevara Werlang (2006) ESTUDO DE IDEAÇÃO SUICIDA EM ADOLESCENTES DE 13 E 19 ANOS. PSICOLOGIA, SAÚDE & DOENÇAS, 2006, 7 (2), 195-209
  16. Prevenção do comportamento suicida
  17. Cunha, J. A. (2001). Manual da Versão em Português das Escalas Beck. São Paulo, Brasil: Casa do Psicólogo.
  18. C Estellita-Lins, V Oliveira, M CoutinhoAcompanhamento terapêutico: intervenção sobre a depressão e o suicídio. Psychê, 2006, redalyc.uaemex.mx
  19. Elisa Pinto Seminotti, Mariana Esteves Paranhos, Valéria de Oliveira Thiers. Intervenção em crise e suicídio: análise de artigos indexados. Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – Porto Alegre (Brasil) 2006
  20. a b ESTELLITA-LINS, Carlos; OLIVEIRA, Verônica Miranda de e COUTINHO, Maria Fernanda Cruz. Acompanhamento terapêutico: intervenção sobre a depressão e o suicídio. Psyche (Sao Paulo) [online]. 2006, vol.10, n.18 [citado 2011-07-02], pp. 151-166 . Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-11382006000200015&lng=pt&nrm=iso>. ISSN 1415-1138.
  21. http://www.gpuim.ufc.br/ceface2_arquivos/alertas07/n_58_jan_07.pdf
  22. C Estellita-Lins, V Oliveira, M Coutinho. Intervenção em crise e suicídio: análise de artigos indexados. PUC - RS 2006
  23. C Estellita-Lins, V Oliveira, M Coutinho. Intervenção em crise e suicídio: análise de artigos indexados. PUC - RS 2006
  24. C Estellita-Lins, V Oliveira, M CoutinhoAcompanhamento terapêutico: intervenção sobre a depressão e o suicídio. Psychê, 2006, redalyc.uaemex.mx
  25. Elisa Pinto Seminotti, Mariana Esteves Paranhos, Valéria de Oliveira Thiers. Intervenção em crise e suicídio: análise de artigos indexados. Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – Porto Alegre (Brasil) 2006
  26. http://www.gpuim.ufc.br/ceface2_arquivos/alertas07/n_58_jan_07.pdf
  27. C Estellita-Lins, V Oliveira, M Coutinho. Intervenção em crise e suicídio: análise de artigos indexados. PUC - RS 2006
  28. Capuzzi D, Gross D. “I don’t want to live:” The adolescent at risk for suicidal behaviour. In D. Capuzzi & D. Gross (eds.). Youth at risk: A prevention resource for counsellors, teachers and parents. Alexandria, VA: American Counseling Association, 2000, 3rd edition, 319-352. (Em Inglês)
  29. http://noticias.r7.com/sao-paulo/noticias/homem-sobrevive-apos-levar-tiro-na-cabeca-em-sao-vicente-20110625.html
  30. http://veja.abril.com.br/noticia/internacional/mulher-sobrevive-a-queda-do-23o-andar

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Grupos de apoio psicológico