Primeira Guerra do Schleswig

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A Primeira Guerra do Schleswig ou do Eslésvico[1] (Schleswig-Holsteinischer Krieg, em alemão; Slesvig-holsteinska kriget, em sueco), também chamada Guerra dos Três Anos (Treårskrigen, em dinamarquês), foi o primeiro dos conflitos militares no sul da Dinamarca e no norte da Alemanha provocados pela Questão dos Ducados, uma disputa pelo controle dos ducados do Schleswig e do Holstein.

A Questão dos Ducados[editar | editar código-fonte]

O Schleswig era um ducado soberano (i.e., formalmente independente), de maioria dinamarquesa, vinculado à coroa da Dinamarca por uma União Pessoal e por laços feudais. Já o Holstein era um ducado soberano, de maioria alemã, que integrara o Sacro Império Romano-Germânico (e, de 1815 a 1864, a Liga Alemã), mas ligado à Dinamarca por uma União Pessoal desde o século XV. Em outras palavras, o rei da Dinamarca era o duque do Schleswig e do Holstein, territórios governados na prática pelos dinamarqueses. O chamado Tratado de Ribe (1460) dispunha que os dois ducados não poderiam ser separados.

A extinção da linhagem real masculina da Dinamarca, com a morte do rei Frederico VII, criou para os dinamarqueses o problema de como manter o seu controle sobre o Schleswig-Holstein, cobiçado por advogados da unificação Alemã (as regras sucessórias dos ducados - que adotavam a lei sálica - diferiam das dinamarquesas em caso de inexistência de herdeiro varão).

Em seguida à agitação causada pelas Revoluções de 1848 (e com a questão sucessória dos ducados em mente), Frederico promulgou uma constituição democrática comum à Dinamarca e ao Schleswig, provocando um movimento separatista nos ducados, apoiado pela Prússia, que levou à eclosão da Primeira Guerra do Schleswig.

A guerra[editar | editar código-fonte]

Em março de 1848, a grande maioria alemã do Schleswig-Holstein rebelou-se contra a Dinamarca e buscou a independência frente a esta última, para associá-los à Confederação Germânica. Uma intervenção militar do Reino da Prússia em favor da revolta expulsou dos ducados as tropas dinamarquesas.

A guerra, que durou de 1848 a 1851, terminou quando as grandes potências europeias pressionaram a Prússia a aceitar o Protocolo de Londres de 1852. Nos termos deste acordo de paz, a Confederação Germânica devolvia o Schleswig-Holstein à Dinamarca. Em troca, num acordo com a Prússia, a Dinamarca comprometeu-se a não criar laços adicionais com o Schleswig mais fortes do que os deste último com o Holstein.

O resultado da guerra, portanto, não foi conclusivo e um novo conflito estalou em 1864, a Segunda Guerra do Schleswig, também chamada Guerra dos Ducados.

Referências

  1. Fernandes, Ivo Xavier. Topónimos e Gentílicos. Porto: Editora Educação Nacional, Lda., 1941. vol. I.