Isabel do Brasil

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D. Isabel Leopoldina de
Bragança e Bourbon

D. Isabel, regente do Império do Brasil (1846 — 1921)

Chefes da Casa Imperial do Brasil
Ordem 1.º Chefe da Casa Imperial
Brasileira
(18911921)
Predecessor D. Pedro II do Brasil
Sucessor D. Pedro Henrique
Cognomes A Redentora
Nascimento 29 de julho de 1846 
em Rio de Janeiro
Morte 14 de Novembro de 1921 (75 anos) 
em Eu
Pai D. Pedro II
Mãe D. Teresa Cristina
Consorte(s) Luís Filipe Gastão de Orléans

Dona Isabel Cristina Leopoldina Augusta Miguela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança e Bourbon (Rio de Janeiro, 29 de julho de 1846Eu, França, 14 de novembro de 1921) foi princesa imperial do Brasil e regente do Império do Brasil por três ocasiões, na qualidade de herdeira de seu pai, o imperador D. Pedro II, e da imperatriz Dona Teresa Cristina. Foi a terceira Chefe de Estado brasileira após sua avó Leopoldina e sua trisavó Dona Maria I. Foi cognominada a Redentora por ter abolido a escravidão no Brasil. Após o casamento com o conde d'Eu, seu nome completo passou a ser Isabel Cristina Leopoldina Augusta Miguela Gabriela Rafaela Gonzaga de Orléans e Bragança.

A princesa Isabel foi também a primeira senadora do Brasil, cargo a que tinha direito como herdeira do trono a partir dos 25 anos de idade, segundo a Constituição do Império do Brasil de 1824.

Com a morte de seu pai, em 1891, tornou-se chefe da Casa Imperial do Brasil e a primeira na linha sucessória ao trono brasileiro, sendo considerada, de jure, Sua Majestade Imperial, Dona Isabel I, Por Graça de Deus, e Unânime Aclamação dos Povos, Imperadora Constitucional e Defensora Perpétua do Brasil.

Índice

[editar] Nascimento e infância

Isabel Cristina nasceu no Palácio de São Cristóvão, e foi a segunda filha dos Imperadores do Brasil.

Batizada na Capela Imperial no dia 15 de novembro de 1846 pelo bispo capelão-mor Conde de Irajá, seu nome foi dado em homenagem à avó materna, a Rainha de Nápoles.Seus padrinhos de batismo foram o Rei Consorte Fernando II de Portugal e sua avó materna a Rainha Isabel de Nápoles. Com a morte precoce de seu irmão D. Afonso, Isabel tornou-se a sucessora de seu pai. Neste mesmo ano de 1847 nasceria em 13 de julho a sua companheira de toda a mocidade, a Princesa Leopoldina.

Em 1848 nasceu o seu segundo irmão varão, o Príncipe D. Pedro Afonso, que morreu dois anos depois. Para herdar o trono do pai restava a princesa de quatro anos de idade, designada doravante como Princesa Imperial. O reconhecimento oficial como sucessora e herdeira do pai teve lugar a 10 de agosto de 1850, quando a Assembléia-Geral, reunida no Paço do Senado às 11 horas da manhã, proclamou-a herdeira do trono, de acordo com os artigos 116 e 117 da Constituição do Império.

A 29 de julho de 1860 completava Dona Isabel 14 anos e, de acordo com o artigo 106 da Constituição Imperial, deveria prestar o juramento de "manter a religião católica apostólica romana, observar a Constituição política da nação brasileira e ser obediente às leis e ao imperador."

A fim de prepará-la para seu papel, começou D. Pedro II a preocupar-se com a formação da futura imperadora. Desde cedo, porém, o Imperador iniciou entendimentos para dar às filhas uma preceptora. Por indicação da tia das princesas, a Princesa D. Francisca, a escolhida foi a Condessa de Barral, filha do diplomata Domingos Borges de Barros, Visconde de Pedra Branca e esposa do nobre francês Conde de Barral, considerada pela maior parte dos autores - inclusive José Murilo de Carvalho, em seu D. Pedro II (Companhia das Letras, 2007) - como o grande amor do imperador seu pai. A Condessa iniciou suas funções em setembro de 1855.

Para a educação de D. Isabel e da sua irmã numerosos mestres foram designados, que elaboraram um severo programa de estudos. Mas sua infância teve momentos de descontração. Em seu diário ela diz: "Petrópolis, residência de verão, residência deliciosa: jardins floridos, canais cortando a cidade... " Ou mais adiante: "Eu fui de Petrópolis a pé até a cascata de Tamarati. A mana andou tão pouco a cavalo." Em São Cristóvão, para amenizar o ambiente carregado de estudos e deveres, pequenas peças teatrais eram levadas à cena, em que as princesas desempenhavam os principais papéis na companhia dos amigos de infância.

Fato pouco comentado é que D. Isabel possuía formação completa em Química [1] e que ela nutria profundo interesse pelas questões ligadas ao desenvolvimento da educação no país, especialmente a educação pública, como fica patente na sua Fala do Trono, enquanto Regente do Império, em 1º de fevereiro de 1877:

"A instrução pública continua a merecer do governo a maior solicitude. Foram criadas no município da corte escolas de segundo grau, e as normais, destinadas a preparar professores para o ensino primário de ambos os sexos,terão de ser brevemente inauguradas. Nas províncias este ramo de serviço apresenta sensível progresso, limitado, porém pela falta de meios de que podem dispor. Se os melhoramentos materiais por elas empreendidas têm recebido vosso auxílio, justificada será qualquer despesa que autorizeis para coadjuvar esse grande elemento de civilização."[2]

[editar] Casamento

Família Imperial - da esquerda para a direita: conde d'Eu, D. Pedro II, D. Teresa Cristina Maria e D. Isabel.

Os preparativos para seu casamento foram iniciados na década de 1860. Por indicação de sua tia, D. Francisca de Bragança (filha de D. Pedro I), Princesa de Joinville na França, vieram ao Brasil dois primos, os príncipes Gastão de Orleães e Luís Augusto de Saxe-Coburgo-Gota, sobrinhos-netos do rei Leopoldo I dos Belgas, sobrinhos de D. Fernando II de Portugal, além de primos-sobrinhos da rainha Victoria e de Albert da Grã-Bretanha.

O imperador havia tratado, através de seus ministros, o casamento da princesa Isabel, herdeira do trono, com o duque Luís Augusto de Saxe-Coburgo-Gota, o segundo filho de Augusto de Saxe-Coburgo-Gota e da princesa Clementina de Orléans; ao mesmo tempo, o primo deste, Luís Filipe Maria Fernando Gastão de Orléans e Saxe-Coburgo-Gota (Louis Phillipe Marie Ferdinand Gaston d'Orléans et Saxe-Cobourg et Gotha), conde d'Eu, foi prometido à princesa Leopoldina.

Quando da chegada dos dois jovens, as princesas perceberam que deveria ocorrer uma troca, pois cada uma delas havia se encantado pelo pretendente da outra, e imediatamente solicitaram aos pais que a troca fosse realizada. Tanto D.Pedro quanto D. Teresa Cristina, favoráveis a que os casamentos fossem motivados não apenas pelas questões dinásticas, mas também pelos afetos - até porque, no seu próprio caso, havia ocorrido um choque inicial - consentiram imediatamente. Em 18 de setembro de 1864 o príncipe Gastão pediu a mão da Princesa Imperial do Brasil. [3]

O casamento teve lugar na Capela Imperial, no Rio de Janeiro, a 15 de outubro de 1864. No mesmo dia os noivos partiram para a lua de mel em Petrópolis, e em 10 de janeiro de 1865 seguiram para a Europa, onde a princesa conheceu os sogros. Gastão, batizado Louis Philippe Marie Ferdinand Gaston, nascera em 1842 e morreu em 1922 em águas brasileiras, a bordo do navio Massilia. Era não só conde d´Eu como príncipe de Bourbon-Orléans, sendo feito depois marechal do exército brasileiro. Era filho de Louis Raphael, Duque de Nemours, por sua vez filho do Rei francês Luís Filipe I.

A Princesa Isabel em 1868, com 22 anos

Gastão assumiria o comando das tropas brasileiras na fase final da Guerra do Paraguai, razão de preocupação para Dona Isabel, e fato que provocou muita oposição em diversos círculos, pois nem sempre foram sábias as decisões militares tomadas.

Finda a guerra o casal fez nova viagem à Europa, para visitar Leopoldina, doente. Leopoldina morreu de tifo em 7 de fevereiro de 1871. No mesmo ano D. Pedro II fez sua primeira viagem à Europa e Dona Isabel assumiu a regência, aos 24 anos. Neste período foi assinada a 28 de setembro a Lei do Ventre Livre.

A ausência de filhos preocupava a todos. A princesa concebeu durante sua viagem à Europa, mas somente no sexto mês de gravidez começou a pensar na dificuldade de retornar ao Brasil para que aqui nascesse o herdeiro. Embarcou de volta dois meses depois e, já no Brasil, nasceu morta uma menina, em 28 de julho de 1874, no Palácio Isabel (atual Palácio Guanabara), batizada in articulo mortis com o nome de Luiza.

Finalmente, em 15 de outubro de 1875, quando comemoravam onze anos de casados, nasceu em Petrópolis o príncipe D. Pedro de Alcântara.

Em 26 de janeiro de 1878 nasceu o segundo filho D. Luís. No mesmo ano o casal foi residir na França. Em 9 de agosto de 1881 lá nasceu o terceiro e último filho, D. Antônio Gastão. No mesmo ano a família voltaria a viver no Brasil.

[editar] Postura política

Liberal, a princesa uniu-se aos partidários da abolição da escravidão. Apoiou jovens políticos e artistas, embora muitos dos chamados abolicionistas estivessem aliados ao incipiente movimento republicano. Financiava a alforria de ex-escravos com seu próprio dinheiro e apoiava a comunidade do Quilombo do Leblon, que cultivava camélias brancas, símbolo do abolicionismo. Chegava mesmo a receber fugitivos em sua residência em Petrópolis:

"A Princesa Isabel também protegia fugitivos em Petrópolis. Temos sobre isso o testemunho insuspeito do grande abolicionista André Rebouças, que tudo registrava em sua caderneta implacável. Só assim podemos saber hoje, com dados precisos, que no dia 4 de maio de 1888, “almoçaram no Palácio Imperial 14 africanos fugidos das Fazendas circunvizinhas de Petrópolis”. E mais: todo o esquema de promoção de fugas e alojamento de escravos foi montado pela própria Princesa Isabel. André Rebouças sabia de tudo porque estava comprometido com o esquema. O proprietário do Hotel Bragança, onde André Rebouças se hospedava, também estava comprometido até o pescoço, chegando a esconder 30 fugitivos em sua fazenda, nos arredores da cidade. O advogado Marcos Fioravanti era outro envolvido, sendo uma espécie de coordenador geral das fugas. Não faltava ao esquema nem mesmo o apoio de importantes damas da corte, como Madame Avelar e Cecília, condessa da Estrela, companheiras fiéis de Isabel e também abolicionistas da gema. Às vésperas da Abolição final, conforme anotou Rebouças, já subiam a mais de mil os fugitivos “acolhidos” e “hospedados” sob os auspícios de Dona Isabel."[4]

Conforme o artigo 46, capítulo 3, título IV, da constituição brasileira de 1824, os Principes da Casa Imperial são Senadores por Direito, e terão assento no Senado, logo que chegarem á idade de vinte e cinco annos. Dessa forma, em 1871, D. Isabel Leopoldina tornou-se a primeira senadora do Brasil. Há que se notar que foi a única a desfrutar desse dispositvo constitucional, haja vista que todos os príncipes do Brasil que a antecederam ou morreram antes dos vinte e cinco anos, ou se casaram com estrangeiros e partiram do país, à exceção de seu pai, que assumiu o Trono aos quatorze anos de idade. Depois dela, a ordem constitucional do Império caiu antes que os príncipes porvir pudessem tornar-se senadores.

Bilhete da Princesa Isabel a seu pai, datado de 13 de maio de 1888:
"Empereur Brésil, Milan.
Acabo sanccionar a lei da extincção da escravidão. Abraço Papae com toda a effusão do meu coração. Muito contentes com suas melhoras. Commungamos hoje por sua intensão.
Isabel"
.

Em 30 de junho de 1887 assumiu a regência do império pela terceira vez, pois seu pai fora obrigado a afastar-se para tratamento de saúde na Europa. A abolição provocava grande oposição entre os fazendeiros escravocratas. Poderosos, esses escravocratas infundiram na opinião pública, através do Parlamento e da imprensa, a idéia de que a abolição da escravidão seria a bancarrota econômica do império, pois as prósperas fazendas de café e açucar do Brasil de então eram todas elas, regadas com o suor do escravo. O negro era contado, medido e pesado e os juristas dos escravocratas criaram a tese jurídica de que o escravo era "propriedade" do senhor de engenho e, portanto, estavam sob amparo da Constituição, que garantia o "direito de propriedade". Eram tensas as relações entre a Regente e o Gabinete ministerial conservador. A Princesa aliava-se ao movimento popular, enquanto o Barão de Cotegipe defendia a manutenção da escravidão. Aproveitando-se da oportunidade oferecida por um incidente de rua, Isabel demitiu o ministério e nomeou o conselheiro João Alfredo, demonstrando determinação política e convicção do que considerava o melhor para o País, pois o Brasil foi a última Nação do ocidente a abolir a escravidão. Na Fala do Trono, de 1888, Isabel dissera com o coração jubiloso: "confio em que não hesitarei de apagar do direito pátrio a única exceção que nele figura..." O Conde D"Eu, marido de Isabel, ainda lhe advertiu: "não assine, Isabel, pode ser o fim da Monarquia." Mas a Princesa estava determinada e respondeu prontamente ao marido: "É agora, ou nunca!" Afinal, a escravidão, que tanto envergonhara a raça humana no Brasil, já durava, em 1888, tres séculos, vitimando 12 milhões de negros africanos. Estava aberto o caminho para a liberdade dos escravos no império.

O Juramento da Princesa impérial Dona Isabel, como regente do Império do Brasil.

Em 13 de maio de 1888, num domingo, aconteceram as últimas votações de um projeto de abolição total. Certa da vitória, a regente desceu de Petrópolis, cidade serrana, para aguardar no Paço Imperial o momento de assinar a Lei Áurea. Usou uma pena de ouro especialmente confeccionada para a ocasião, recebendo a aclamação do povo do Rio de Janeiro. O Jornal da Tarde, de 15 de maio de 1888, noticiou que "o povo que se aglomerava em frente do Paço, ao saber que já estava sancionada a grande Lei, chamou Sua Alteza, que aparecendo à janela, foi saudada por estrepitosos vivas." As galerias do Paço estavam repletas, e sob vivas e aplausos de uma multidão estamada em 10 mil pessoas, Isabel sancionou a Lei aprovada pelo Parlamento do Império. O jornalista mulato José do Patrocínio, aliado da Coroa, invadiu o recinto sem que ninguém conseguisse detê-lo e atirou-se aos pés da Princesa Regente em prantos de gratidão. Isabel dava provas, de que seu reino era, sim, deste mundo, contrariando a ironia do conselheiro Saraiva que afirmara justamente o contrário, zombando do sentimento profundamente cristão de Isabel . A história há de fazer sempre justiça à "Princesa Redentora", título que lhe atribuiu José do Patrocínio, pois ela demonstrou no processo abolicionista firmeza, coragem e, sobretudo, nobre desapego ao cargo, o qual - lhe previniram - haveria de ser dela tomado pela reação inevitável dos altos e egoísticos interesses escravocratas contrariados, tudo conforme relata o livro Dom Pedro II e a Princesa Isabel, da Editora Lorenz, onde consta memorável testemunho do nobre abolicionista Joaquim Nabuco: " No dia em que a Princesa Imperial se decidiu ao seu grande golpe de humanidade, sabia tudo o que arriscava. A raça que ia libertar não tinha para lhe dar senão o seu sangue, e ela não o queria nunca para cimentar o trono de seu filho. A classe proprietária ameaçava passar-se toda para a República, seu pai parecia estar morimbundo em Milão, era provável a mudança de reino durante a crise , e ela não hesitou: uma voz interior disse-lhe que um grande dever tem que ser cumprido, ou um grande sacrifício que ser aceito. Se a Monarquia pudesse sobreviver à abolição, esta seria o apanágio. Se sucumbisse, seria o seu testamento..."

Em 28 de setembro o Papa Leão XIII lhe remeteu a comenda da Rosa de Ouro, como reconhecimento pela Abolição da Escravatura. Essa comenda pontifícia simboliza o reconhecimento do Papa a algum feito notável e que mereça regozijo de toda a Igreja. A Princesa Isabel foi a única personalidade brasileira a receber a Rosa de Ouro. Ou outros dois exemplares foram dedicados à Basílica de Nossa Senhora Aparecida pelos Papas Paulo VI (1965) e Bento XVI (2007).

Mas a elite cafeeira não aceitava a abolição. Cotegipe, ao cumprimentar a princesa, vaticinou: "Vossa Alteza libertou uma raça, mas perdeu o trono". Mas a Princesa não hesitou em responder: "Mil tronos eu tivesse, mil tronos eu daria para libertar os escravos do Brasil"

De pensamento arrojado para sua época, Dona Isabel era partidária de idéias modernas, como o sufrágio feminino e a reforma agrária. Documentos recentemente descobertos revelam que a princesa estudou indenizar os ex-escravos com recursos do Banco Mauá.

[editar] A República e o exílio

Princesa Isabel, 1875.

Pouco mais de um ano depois de testemunhar o júbilo popular com a abolição, Dona Isabel veria a monarquia no Brasil ser extinta. Insuflados pelos radicais positivistas e apoiados pelos fazendeiros, os militares depuseram o gabinete do Visconde de Ouro Preto e instauraram uma ditadura republicana. Dona Isabel seguiu com sua família para o exílio, na madrugada de 17 de novembro de 1889. Lembrando-se da profecia de Cotegipe, declarou: "Mil tronos eu tivesse, mil tronos eu daria para libertar os escravos do Brasil". Os temores expressos na carta de três meses antes se confirmaram antes de que fosse possível legar aos negros libertos sua cota de justiça.

D. Pedro II morreu em Paris, em 5 de dezembro de 1891, e ela passou a ser considerada pelos monarquistas imperadora de jure do Brasil - D. Isabel I.

Apesar da dor do exílio Dona Isabel teve uma velhice tranqüila, instalada no castelo da família em Eu, na Normandia, propriedade de Gastão de Orléans (Castelo d'Eu). Rodeada pelos filhos e netos fez de sua casa uma embaixada informal do Brasil. Recebia brasileiros de passagem, ajudou o jovem Alberto Santos-Dumont quando desenvolvia suas invenções. Passou os últimos anos da vida com dificuldades de locomoção. Em 1920 teve a felicidade de saber que a lei que bania a Família Imperial do Brasil havia sido revogada pelo Presidente Epitácio Pessoa.

Com a saúde frágil, já abalada pela mortes dos dois filhos mais novos, faleceu em 14 de novembro de 1921. Foi sepultada no cemitério local, de onde seria trasladada em 6 de julho de 1953 para um jazigo no Mausoléu Imperial da Catedral de Petrópolis.

Casa da Princesa Isabel em Petrópolis.

Foi organizado em julho de 2006 pelo Museu Imperial, IPHAN e Ministério da Cultura, no Museu Imperial – Rua da Imperatriz, 220 – Petrópolis – Rio de Janeiro - um seminário comemorativo do 160º aniversário da Redentora, intitulado A Princesa das Camélias.

Há questões controversas a seu respeito. Sabe-se que seu pai, por mais que a amasse, não a fez participar da vida política, até tornar-se ela regente por ocasião da primeira viagem do imperador ao estrangeiro. Seu catolicismo intenso fez que alguns temessem que, no poder, ela subordinasse a política a considerações ultramontanas. Diz-se que o próprio marechal Deodoro da Fonseca, que depôs a monaquia, admitia a república para depois da morte de D. Pedro II. Em outras palavras, muitos queriam que D. Pedro II reinasse em paz até o fim da vida, mas não admitiam que houvesse uma Dona Isabel I.

Para os contemporâneos, especialmente os militares e fazendeiros, sua compreensão do próprio papel como governante do país seria inspirada pelo catolicismo ou então ela seria um fantoche nas mãos do marido. Esta postura, machista e preconceituosa, era encampada por grande parte da imprensa:

"Isto leva a imprensa a publicar avaliações sobre a última regência de Isabel, sendo que estas são absolutamente contrastantes em alguns aspectos, dependendo da orientação política dos periódicos, ou totalmente coincidentes apesar dela.

A análise dessas avaliações nos levou a concluir que havia um consenso, ao menos na imprensa, de que o afastamento do Barão de Cotegipe, a escolha de João Alfredo e a abolição se fizeram por ação direta da Princesa, e que, estando D.Pedro II no trono, ela talvez não ocorresse naquela hora e muito menos da forma que foi feita, sem indenização.Isso é o provável motivo que, ao fim de sua regência, levava a imprensa abolicionista a exaltar seu ato e a não abolicionista a culpá-la pela sua insatisfação e pelas conseqüências que dela adviriam. No entanto, apesar ter suas virtudes e qualidades morais muitas vezes exaltadas, todos foram unânimes em considerar Isabel sem condições de governar,permanecendo a imagem de que a uma mulher cabe exercer seu papel exclusivamente na vida privada.Sua religiosidade e a idéia de que ela era facilmente influenciável,em especial por seu marido,também continuavam a aparecer para todos como um problema agravante. Um outro fator que ficava evidente era a debandada da classe agrária em direção ao movimento republicano e a organização deste, cada vez mais eficiente. Quando finda a terceira regência da Princesa, o republicanismo já havia se espalhado."[5]

Em relação às afirmações da imprensa da época, dos primeiros republicanos e da unanimidade da historiografia brasileira, tanto positivista quanto marxista, até bem recentemente, podemos usar como contraponto a argumentação de Rachel Aparecida Bueno da Silva:

"Na verdade, passados mais de 100 anos da Proclamação da República, podemos nos questionar o quanto de ideológico existia nas colocações dos primeiros republicanos, imbuídos que estavam da vontade de consolidar um regime recém inaugurado e prover a devida justificativa teórica para a mudança da forma e do sistema de governo: de monárquico para republicano e de parlamentar para presidencialista."[6]

[editar] Interesses pela Doutrina Espírita

Não obstante, consta de uma carta que Manuel de Araújo Porto-Alegre, o Barão de Santo Ângelo, escreveu a seu amigo e professor dos filhos da princesa, Joaquim Manuel de Macedo, que Sua Alteza, um dia, perguntou-lhe: "quem é meu Espírito protetor?" Manuel de Araújo Porto-Alegre era espírita declarado e se regozijava disso, dedicando-se entusiasticamente à psicografia. A carta do barão de Santo Ângelo, datada de 25 de dezembro de 1865, com doze páginas manuscritas, foi escrita da cidade de Dresda, na Alemanha, e se encontra arquivada no Arquivo Nacional, no Rio de Janeiro. O documento porém nada elucida além de uma curiosidade por parte da princesa imperial. Extremamente religiosa e ligada ao Papa e ao ultramontanismo, colocava-se sempre ao lado da Igreja em diversas ocasiões.

[editar] Representações na cultura

A Princesa Isabel já foi retratada como personagem no cinema e na televisão, interpretada por Ana Lúcia Torre na novela "Memórias de Amor" (1979), Tereza Raquel nas minisséries "Abolição" (1988), e "República" (1989), Miriam Mehler no seriado "Mundo da Lua" (1991), Irene Ravache na novela "Sangue do Meu Sangue" (1995), Rosamaria Murtinho na minissérie "Chiquinha Gonzaga" (1999), e Carolyna Aguiar no especial de fim de ano da TV Globo "O Natal do Menino Imperador" (2008).

Também teve sua efígie impressa nas notas de Cr$ 50 (cinqüenta cruzeiros) de 1949 e nas de Cr$ 200,00 (duzentos cruzeiros) de 1981.

[editar] Descendência

[editar] Referências

  1. FILGUEIRAS, Carlos A. L. - A Química na Educação da Princesa Isabel; Química Nova, Vol. 27, No. 2, 349-355, 2004; disponível on-line in: http://quimicanova.sbq.org.br/qn/qnol/2004/vol27n2/30-AG03120.pdf
  2. FALAS do trono desde 1823 até o ano de 1889. Brasília, D.F.: INL/MEC, 1977, p. 438.
  3. SCHWARCZ,Lilia Moritz, As barbas do Imperador: D. Pedro II, um monarca nos trópicos. São Paulo-SP,Companhia das Letras, 2ª ed., 2003, p. 441
  4. SILVA, Eduardo - As camélias do leblon e a Abolição da Escravatura; disponível em: http://www.casaruibarbosa.gov.br/dados/DOC/artigos/o-z/FCRB_EduardoSilva_Camelias_Leblon_abolicao_escravatura.pdf; pp. 4-5
  5. MESQUITA, Maria Luiza de Carvalho - Quem tem medo do terceiro império ou por que não Isabel?(Simpósio de Política e Cultura da Universidade Severino Sombra – Vassouras), disponível em: http://www.uss.br/web/arquivos/textos_historia/Maria_Luiza_Quem_tem_medo_do_terceiro_imperio_ou_por_que_nao.pdf
  6. SILVA, Rachel Aparecida Bueno - O projeto de construção da nação republicana na visão de Euclides da Cunha(tese de mestrado, UNICAMP, 2004), pp.15-16, disponível em: http://libdigi.unicamp.br/document/?code=vtls000317694


[editar] Ver também

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[editar] Ligações externas

Casa de Bragança
Nascimento: 29 de julho de 1846; Morte: 14 de novembro de 1921
Precedida por
D. Pedro II
como Imperador do Brasil

Chefe da Casa Imperial Brasileira
18911921
Sucedida por
D. Pedro Henrique
Precedida por
D. Pedro Afonso

Princesa Imperial do Brasil
18501891
Sucedida por
D. Pedro de Alcântara
Precedida por
Marquês de Olinda

Regente do Brasil
(1870-1871, 1876-1877 e 1887-1888)
Sucedida por
Nenhum


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Precursores: D. João VI de Portugal | D. Carlota Joaquina
1.ª geração: D. Pedro I | D.Leopoldina de Áustria | D. Amélia de Leuchtenberg
2.ª geração: D. Pedro II | D. Teresa de Duas Sicílias | D. Januária Maria | D. Paula Mariana | D. Francisca Carolina | D. Maria II de Portugal | D. Maria Amélia
3.ª geração: D. Isabel Leopoldina | D. Luís Gastão d'Eu | D. Afonso Pedro | D. Leopoldina Teresa | D. Pedro Afonso

4.ª geração: D. Luísa Vitória | D. Pedro de Alcântara | D. Luís Maria Filipe | D. Antônio Gastão
5.ª geração em diante: Ramo de Vassouras | Ramo de Petrópolis | Ramo de Saxe-Coburgo e Bragança



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