Processo Face Oculta

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

O Processo Face Oculta foi um processo judicial que terminou com a leitura da sentença em setembro de 2014. A fase de instrução foi da responsabilidade da Polícia Judiciária de Aveiro e do DIAP da Comarca do Baixo Vouga (Aveiro), Portugal. Foi primeiramente noticiado em Outubro de 2009.

Esteve em investigação o grupo económico de Manuel Godinho. Envolveu lavagem de dinheiro, corrupção política e evasão fiscal.

Durante as 188 sessões do julgamento, que começou a 8 de novembro de 2011, no tribunal de Aveiro, foram ouvidas mais de 350 pessoas entre arguidos, testemunhas, peritos e consultores.

Em fevereiro de 2010, o caso volta a torna por conta de novas denúncias e depoimentos dos acusados, que envolvem desde grupos económicos até o anterior governo de José Sócrates.

Arguidos[editar | editar código-fonte]

Foram a julgamento as 34 pessoas e duas empresas acusadas pelo Ministério Público.[1]

Todos os arguidos foram condenados.[2]

Entro os condenados encontram-se:

  • Manuel Godinho, empresário e dono de 11 empresas.[3] Considerado culpado dos crimes de associação criminosa (1), corrupção activa para acto ilícito (16), corrupção activa no sector privado (5), tráfico de influências (8), furto qualificado (4) e burla qualificada (5). Foi punido com 17 anos e meio de prisão.
  • Armando Vara, ex-secretário de Estado e ex-ministro PS, ex-administrador da CGD, vice-presidente do Millennium BCP, de onde suspendeu o seu mandato em consequência deste processo[4] . Culpado de três crimes de tráfico de influências. Foi condenado a 5 anos de prisão efectiva
  • Rui Pedro Soares, ex-administrador da PT.
  • José Penedos, presidente da REN, ex-secretário de Estado da Defesa e da Energia, ex-administrador da EDP e da Galp.[5] Condenado por um crime de tráfico de influências a cinco anos de prisão efetiva.[6]
  • Paulo Penedos, advogado, ex-dirigente do PS e filho de José Penedos, que segundo o Ministério Público usou a influência do pai "no sentido de favorecimento das empresas de Manuel Godinho".[3] Condenado por um crime de tráfico de influências a quatro anos de prisão efetiva
  • Lopes Barreira, empresário da Consulgal, fundador da Fundação para a Prevenção da Segurança Rodoviária criada por Vara. Condenado a 3 anos e 9 meses de prisão, com pena suspensa, por crimes de tráfico de influência.
  • Domingos Paiva Nunes, administrador multi-milionário da EDP Imobiliária e Participações (tendo pedido entretanto a suspensão de mandato[7] ) e primo de José Sócrates. Condenado a 5 anos de prisão por crimes de corrupção passiva para acto ilícito, corrupção activa no sector privado e participação económica em negócio.
  • António Paulo Costa, director de Relações Institucionais da Galp, gestor da área PS dessa empresa. Condenado a 2 anos e 10 meses de prisão, com pena suspensa, por crimes de tráfico de influências e corrupção passiva no sector privado
  • José Chocolate Contradanças, administrador da IDD – Indústria de Desmilitarização da Defesa (grupo Empordef), ex-administrador do Porto de Sines. (Ex-administrador da IDD – Indústria Militar). Condenado a 1 ano e seis meses de prisão, com pena suspensa por crime de corrupção passiva para acto ilícito

Empresas sob investigação[editar | editar código-fonte]

Estiveram sob investigação as seguintes empresas:[8]

Denúncias contra José Sócrates[editar | editar código-fonte]

No dia 5 de fevereiro de 2010, o semanário Sol revelou que a existência de "indícios muito fortes" do envolvimento do primeiro-ministro Sócrates no negócio da compra da TVI pela Portugal Telecom,[9] para condicionar a informação da estação de Queluz, assim como afastar Manuela Moura Guedes e José Eduardo Moniz. Nos extractos do despacho do juiz de Aveiro, que foram a fonte da notícia, constam transcrições de escutas telefónicas envolvendo Armando Vara, então administrador do BCP, Paulo Penedos, assessor da PT, e Rui Pedro Soares, administrador executivo da PT. [3]

No dia 6 de fevereiro, o Correio da Manhã revelou que primeiro-ministro José Sócrates e o consultor do BCP Armando Vara tinham planos para "condicionar e constranger" a actuação do Presidente da República (utilizando, para tal, interesses do genro), Cavaco Silva, a controlar os meios de comunicação social e usar verbas de empresas públicas em benefício do PS. O objectivo último dos dirigentes socialistas seria, ante a probabilidade de perda da maioria absoluta, provocar eleições antecipadas em 2011. Este facto foi detectado pelos magistrados do caso "Face Oculta", segundo o jornal. As escutas revelaram ainda referências insultuosas ao Presidente da República e à líder do PSD. Também o jornal "i" refere que Cavaco Silva se prepara para recolher informações sobre o caso. O Presidente da República poderá chamar o Procurador-Geral da República e o presidente do Supremo Tribunal de Justiça ao Palácio de Belém. [4]

Cavaco e Sócrates recusaram-se a fazer declarações das denúncias. [5] [6] [7] [8] [9] [10]

Outras reportagens: [11] [12] [13] [14] [15] [16] [17] [18] [19] [20] [21]

Investigação[editar | editar código-fonte]

  • Em 8 de fevereiro foi divulgado que a TMN destruiu, por iniciativa própria, dados considerados relevantes pelas autoridades judiciárias que investigaram o caso Face Oculta relativos a tráfego telefónico de Armando Vara, de Rui Pedro Soares, de Mário Lino e de Paulo Penedos.[10]
  • Em 2011-07-18 uma fonte judicial informou que o julgamento do processo Face Oculta irá começar no quatro trimestre deste ano no Tribunal de Aveiro[11] Armando Vara irá a julgamento responder por três acusações de tráfico de influências, José Penedos é acusado de corrupção e participação económica em negócio e o seu filho Paulo Penedos irá responder pelo crime de tráfico de influências.

Julgamento[editar | editar código-fonte]

No total, o Ministério Público pediu penas de prisão efetivas para 16 arguidos, admitindo a aplicação de penas suspensas para os restantes.

Apenas dez dos 36 arguidos aceitaram depor perante o coletivo de juízes (Armando Vara, José Penedos, Paulo Penedos, António Paulo Costa, José António Contradanças, Namércio Cunha, Fernando Santos, Vítor Batista, José Magano Rodrigues e Silva Correia). Todos os restantes, incluindo o sucateiro Manuel Godinho, remeteram-se ao silêncio.

Acórdão[editar | editar código-fonte]

O acórdão do caso Face Oculta tem 2871 páginas e foi lido no dia 5 de setembro de 2014.

Deu como provados factos criminais relativos aos arguidos Armando Vara e José Penedos.

Manuel Godinho foi condenado a 17 anos e 6 meses de prisão[12] , e Armando Vara a 5 anos de prisão efetiva[13] .

Não houve uma única absolvição, sendo todos os arguidos condenados.[14]

O Tribunal condenou a penas de prisão todos os arguidos do processo, mas apenas 11 irão cumprir penas de prisão efetiva, incluindo o ex-ministro Armando Vara e o ex-presidente da REN José Penedos.

Referências

Ícone de esboço Este artigo sobre Portugal é um esboço relacionado ao Projeto Portugal. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.