Profissional da área da saúde
O profissional da área da saúde é uma pessoa que trabalha em uma profissão relacionada às ciências da saúde. Entre os diversos profissionais da área da saúde incluem-se os médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas, profissionais de educação física, serviço social, fonoaudiólogos, dentistas, terapeutas ocupacionais, psicólogos, biomédicos, farmacêuticos, entre outros.
Alguns legisladores consideram desnecessário o reconhecimento atual das profissões de saúde em função do conceito ampliado desta que possuímos hoje abrangendo o seu aspecto bio-psico-social onde são relevantes as contribuições da Biologia, Economia, Direito, Antropologia, Sociologia, Engenharia, Informática, etc, cuja aplicação na área da saúde é descrita com o nome da disciplina associada ao termo "médico(a)", "saúde" , sanitário(a), ou hospitalar como por exemplo a engenharia sanitária e a administração hospitalar aplicações interdisciplinares já reconhecidas e regulamentadas como especialidades por suas categorias profissionais de origem. Contudo mesmo essas recentes aplicações ou especializações profissionais possuem certa especificidade e ética e necessitam dessa categorização para constar e orientar os Planos de Cargos e Salários e organização dos setores de Recursos Humanos da Saúde.
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Especialidades médicas [editar]
De acordo como Starfield1 a ênfase na especialização foi uma característica do Séc. XX. A oftalmologia foi a primeira especialidade médica a ser formalmente organizada seguida por muitas que surgiram como entidades separadas. Ainda segundo essa autora, nos Estados Unidos, em 1973 havia comissões formais de certificação em: Oftalmologia (1917); Otorrinolaringologia (1924); Ginecologia/obstetrícia (1927); Dermatologia (1932); Pediatria (1933); Cirurgia ortopédica (1934); Psiquiatria e Neurologia (1934); Radiologia (1934); [[Proctologia], que tornou-se mais tarde cirurgia do colo e do reto (1935); Urologia (1935); Medicina Interna (1936); Cirurgia (1937); Neurocirurgia (1940); Medicina física (1937); Medicina preventiva e Saúde Pública (1948); Cirurgia torácica (1950).
No Brasil segundo Relatório de pesquisas sobre especialidades médicas2 existia 48 especialidades com programas de residência médica estabelecidos em 1992. Esse relatório chama atenção de que a tividade especializada aumenta o domínio e a competância num determinado campo de atuação mas por outro lado leva cada vez mais à fragmentação do conhecimento e do processo de trabalho em que o profissional está inserido.
Outros Profissionais da Saúde [editar]
Por profissional de saúde poderia se entender as aquisição e prática das habilidades necessárias a recuperação e manutenção da saúde, porém o modo de produção e organização do trabalho nas sociedades exigem essa formalização. O que cocomitantemente reflete a estrutura de classes sociais, as diferenças salárias e hierarquias de comando da sociedade também necessárias à organização do trabalho mas com reflexo negativo no status e auto-estima dos profissionais. Um exemplo nítido de tal distinção são as Ladies-nurses e Werses oriundas respectivamente da burguesia e proletariado com se observou na história da enfermagem (Nurse).3
As principais profissões não médicas ou paramédicas de nível superior, no Brasil, consideradas profissão de saúde já foram referidas, observe-se porém que a forma de atuação e leque de serviços prestados por esses profissionais variam ao longo da história e das definições da política nacional de saúde. Em Portugal por exemplo a Odontologia é uma especialidade médica. Segundo Starfield4 desde a antiguidade que junto com o médico atuam outros profissionais auxiliando ou complementando seu trabalho de prestação de serviço de saúde ressaltando que onde a oferta de médicos era (ou ainda é) pequena profissionais de saúde como enfermeiros e auxiliares os substituíam. A experimentação com os papéis da atenção primária ampliados para estes outros profissionais recebeu impulso pelo movimento dos médicos de pés descalços na China depois da revolução de 1949 e pelo treinamento de enfermeiros e assistentes médicos nos Estados Unidos iniciando nos anos de 1960 e 1970.
A seguinte tabela elaborada por 5 asocia a legislação sobre a regulação do exercício e a criação dos conselhos de profissão:
Legislação sobre a regulação do exercício e a criação dos conselhos de profissão:
| Especialidade | Primeira lei de exercício | Conselhos Federal e Regionais |
|---|---|---|
| Medicina | 1932 | 1957 (*) |
| Farmácia | 1932 | 1960 |
| Odontologia | 1931 | 1964 |
| Serviço Social | 1938 | 1993 (***) |
| Medicina Veterinária | 1968 | 1968 |
| Enfermagem | 1955 (**) | 1973 |
| Psicologia | 1971 | |
| Nutrição | 1967 | 1978 |
| Fisioterapia | 1969 | 1975 (****) |
| Terapia Ocupacional | 1969 | 1975 (****) |
| Biologia | 1979 (*****) | |
| Biomedicina | 1979 | 1979 (*****) |
| Fonoaudiologia | 1981 | 1981 |
| Educação Física | 1998 | 2000 |
(*) A criação do Conselho de Medicina é de 1945, mas só em 1957 é regulamentado de fato.
(**) Existe uma lei que regula a propaganda da enfermagem anterior à norma regulamentadora do exercício da enfermagem, de 1942.
(***) Existe uma lei de que institui um Conselho Nacional de Serviço Social, de 1938. A lei de 1993 muda a denominação de Conselho Federal de Assistente Social para Conselho Federal de Serviço Social.
(****) Os Conselhos Federal e Regionais de Fisioterapia e Terapia Ocupacional são os mesmos.
(*****) Os Conselhos Federal e Regionais de Biologia e Biomedicina foram criados em conjunto em 1979, e desmembrados em 1982.
Profissionais de nível médio [editar]
As profissões de nível médio no Brasil começaram a ser reconhecidas como profissões a partir da Constituição de 1937 com vistas à produção industrial, considera-se o técnico industrial uma das primeiras profissões e modelo para as profissões de nível médio. O Decreto- lei 20.931 de1932 que regulamenta o exercício da medicina, odontologia e veterinária e das profissões de farmacêutico, enfermeiro. Além de parteira, optometristas, práticos de farmácia, massagistas e duchistas (profissionais das casas de banho) cujos aprendizados e habilitação correspondiam ao técnico de nível médio e elementar somente regulamentado a partir de 1937.
Segundo Oliveira6 A questão da formação dos agentes de nível médio e elementar no Brasil, após a Constituição de 1937, só veio ser regulamentada a partir de 1971 através da Reforma do Ensino de 1º e 2º graus consideradas respectivamente como habilitação plena e parcial.
Segundo essa autora, são considerados técnicos de 2º grau:
- Técnico de enfermagem
- Técnico de saneamento
- Técnico de Nutrição e Dietética
- Técnico de Odontologia
- Técnico em Prótese
- Ortoprotésico
- Técnico de laboratório de análises clínicas
- Técnico em Administração Hospitalar
- Técnico em Óptica (Optometrista)
- Técnico em Ortóptica (Ortoptista)
- Técnico em radiologia médica
- Técnico em Higiene Dental
- Técnico em Patologia Clínica e Histologia
- Técnico em Reabilitação
- Técnico de Regulação em Saúde (Vigilância Sanitária; Saúde Suplementar; Urgências)
São considerados técnicos de 1º grau:
- Auxiliar de Enfermagem
- Auxiliar de Administração Hospitalar
- Auxiliar de Documentação Médica
- Secretário de Unidade de Internação
- Auxiliar de Fisioterapia
- Auxiliar de Reabilitação
- Auxiliar de Nutrição e Dietética (Dietista)
- Visitador Sanitário
- Auxiliar de Laboratório
- Auxiliar odontológico
- Auxiliar de Prótese Odontológica
- Auxiliar Técnico de Radiologia/ Tomografia
- Auxiliar de Consultório Dentário
- Auxiliar de Patologia
- Auxiliar de Histologia
- Auxiliar de Farmácia Hospitalar
Ainda de acordo com Oliveira, a formação de auxiliar no nível do Ensino Médio (antigo Segundo Grau) foi autorizada somente para o Auxiliar de Enfermagem (Res. 08/71), hoje Atendente de Enfermagem. A tendência que se seguiu foi a exigência e incentivo (por cursos supletivos) para formação em nível técnico. Atualmente no Brasil a CBO – Classificação Brasileira de Ocupações inclui 38 profissões de saúde sendo apenas 13 de nível superior. A lista profissões credenciadas ao SUS abrange cerca de 70 ou mais profissões, contudo inclui as especialidades médicas.
Incluindo como de nível médio e superior as seguintes ocupações/profissões (algumas ainda não estão regulamentadas como profissão, no Brasil, porém que já possuem CBO) não referidas acima.
- Acupunturista
- Agente Comunitário de Saúde
- Agente de Zoonose
- Agente de Vigilância em Saúde
- Agente de Saúde Publica,
- Atendente de Enfermagem,
- Auxiliar de Banco de Sangue,
- Instrumentador de Cirurgia,
- Instrutor de Ioga
- Operador de Eletrocardiógrafo,
- Operador de Eletroencefalógrafo,
- Obstetriz (Parteira)
- Psicanalista
- Quiropata,
- Técnico de Ortopedia,
- Massagista/ Massoterapeuta
- Terapeuta
- Musicoterapeuta
- Terapeuta em dependência química*
O termo Profissão distingue-se de Ocupação por que para ser considerado Profissão exige-se habilitação em escola regulamentada e credenciamento a conselho fiscalizador.
A profissão de Acupunturista, ainda está em vias de regulamentação enquanto especialidade médica, especialidade de profissões de nível superior e profissão de nível técnico. A profissão de Terapeuta em dependência química ainda está em projeto de Lei (nº 7424/10) na Câmara de Deputados. A Profissão de Musicoterapeuta, apesar de ser uma graduação, também ainda está em vias de regulamentação.
Referências
- ↑ STARFIELD, BARBARA. Atenção primária, equilíbrio entre necessidades de saúde, serviços e tecnologia. Brasília, UNESCO, Ministério da Saúde,2002, p.122.
- ↑ Secretaria Executiva da CNRM. Relatório de pesquisas sobre especialidades médicas no Brasil. NERHUS/FIOCRUZ-CGDRH/SUS/MS – 1992.
- ↑ OLIVEIRA, TELMA D.T. A capacitação para o trabalho dos agentes auxiliares de saúde de nível médio e elementar na Bahia. Ba, UFBA, FAMED, Mestrado em Saúde Comunitária, Dissert. Mestrado, 1988.
- ↑ STARFIELD BARBARA. OC, p. 133.
- ↑ GIRARDI, SABADO N.; FERNANDES JR. HUGO; CARVALHO, CRISTIANA L. A Regulamentação das Profissões de Saúde no Brasil Espaço Saúde v. On Line Volume 2 - número 1 - Dezembro de 2000.
- ↑ OLIVEIRA, TELMA D.T. O.C.