Programação neurolinguística

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A programação neurolinguística (ou simplesmente PNL) em suma significa: 'como as palavras (linguística) podem atingir a mente (neuro) e produzir uma ação (programação)'. É baseada num conjunto de modelos, estratégias e crenças que seus praticantes utilizam visando uma comunicação positiva e eficiente entre as pessoas e consigo mesmo com o objetivo de conquistar a excelência e o desenvolvimento pessoal e profissional. É baseada na ideia de que a mente, o corpo e a linguagem interagem para criar a percepção que cada indivíduo tem do mundo, e tal percepção pode ser alterada pela aplicação de uma variedade de técnicas. A fonte que embasa tais técnicas, chamada de "modelagem", envolve a reprodução cuidadosa dos comportamentos e crenças daqueles que atingiram o "sucesso".

A programação neurolinguística surgiu na Universidade da Califórnia (EUA) no final dos anos 60 e início dos anos 70 com John Grinder e Richard Bandler. O foco original da PNL foi o estudo dos padrões fundamentais da linguagem e técnicas de três terapeutas renomados e bem-sucedidos Dr. Milton Erickson (hipnoterapia), Fritz Perls (gestalt) e Virginia Satir (terapia familiar sistêmica). Mais tarde, os padrões descobertos foram adaptados visando proporcionar uma capacidade pessoal de se comunicar de forma mais efetiva e também a realização de mudanças.

Apesar de sua popularidade,[1] a PNL continua a causar controvérsia, particularmente para o uso terapêutico, e depois de três décadas de existência, permanece sem comprovação científica. Afirma que a experiência subjetiva humana da mudança jamais se repete, devido à percepção individual, que é um dos fatores que impede a comprovação. A PNL também tem sido criticada por não ter conseguido ainda estabelecer um órgão regulador e certificador que seja amplamente reconhecido a ponto de poder impor um padrão e um código de ética profissional.[2]

História e desenvolvimento[editar | editar código-fonte]

A PNL foi proposta em 1973 como um conjunto de modelos e princípios que descrevem a relação entre a mente (neuro) e a linguagem (linguística - verbal e não verbal) e como a sua interação pode ser organizada (programação) para afectar a mente, o corpo ou o comportamento do indivíduo.

A partir de padrões linguísticos e comportamentais, Richard Bandler e John Grinder construíram modelos mentais que pudessem ser usados por outras pessoas. Os criadores da PNL então aplicaram tais modelos em seu próprio trabalho. Padrões que podem não ter estado disponíveis em quaisquer dos modelos anteriores podem agora ser construídos, a partir da representação formal que os criadores da PNL desenvolveram. Novas técnicas e modelos foram (e vão sendo) desenvolvidos.

Pessoas como Virginia Satir (terapeuta familiar), Milton Erickson (médico psiquiatra e hipnoterapeuta), Gregory Bateson (antropólogo especialista em cibernética) e Fritz Perls (pai da gestalterapia) tiveram resultados extraordinários com muitos dos seus pacientes.[3]

Tecnologia[editar | editar código-fonte]

Apesar de ser assim largamente considerada pelo público, a PNL não é exatamente uma ciência. Mais propriamente é considerada uma metodologia ou uma tecnologia, para enfatizar o fato de que não tem um objeto de estudo independente e, portanto, não é uma ciência no sentido lato do termo. Trata de linguagem, mas não é exatamente uma raiz da Linguística. Fala de sistemas mas não é Cibernética. Fala de comportamento e mudança mas não é só Psicologia. Fala de liderança, gestão, motivação, aprendizagem, mas não é só Administração, Política, Comunicação ou Pedagogia. A PNL se aproveita de conhecimentos de vários campos e os inter-relaciona, em uma espécie de "corte transversal" entre vários assuntos, com um jargão próprio e simplificado visando facilitar seu acesso. Assim como em várias novas metodologias, não há como testar muitas das suas asserções pelo modelo científico atual, principalmente no que diz respeito às percepções subjetivas, que nem sempre são cientificamente explanáveis. Nesse ponto de vista, a PNL é pragmática, se importando mais com os resultados que com o apoio científico. Embora haja resultados relatados, ainda não há uma sistematização consolidada.

Pode-se dizer que a PNL é um corpo de conhecimentos que pretende desenvolver a excelência na experiência subjetiva e no comportamento objetivo do ser humano, buscando aprimorar sua comunicação para facilitar o atingimento de metas de superação.

Nem todos sabem que a PNL advoga puramente a pragmática, importando-se primariamente com a obtenção de resultados. Assim, muitos, erroneamente, acreditam que há apoio a algum pressuposto análogo à "paranormalidade", "pensamento positivo", ou a "forças espirituais", etc. Sendo baseada no pragmatismo, na PNL utilizamos o termo "programação" baseado em uma analogia computacional para a mente humana. Isto é, encara o cérebro como uma espécie de hardware e a mente e os pensamentos como uma espécie de software, numa analogia de que podemos "reprogramar" a mente humana, retirando defeitos, ou seja, erros de programação gerados no passado.

Muitas das técnicas da PNL não são propriamente novidades, sendo que, por exemplo, padrões mentais já haviam sido descobertos e chamados por outros nomes diversos. Mesmo que a palavra "padrão" tenha vários significados para um neurolinguista, um desses significados é o sistemas de crenças e percepções filtradas da realidade (filtros), criadas em um momento do passado e que podem, por mudanças das circunstâncias ou da própria pessoa, se tornarem inapropriadas. Assim, "reprogramar" uma pessoa, pelo ponto de vista da PNL, é ajudá-la a modificar os seus padrões mentais e entender os seus metaprogramas básicos - o que os formaram.

Mundo real e o mundo percebido

Um dos pontos básicos de que a PNL trata diz respeito ao que é chamado diferença entre o mundo real e o mundo percebido. A mente cria modelos da realidade, usando referências dos cinco sentidos. E estes modelos são "filtrados" pela focalização da atenção, de modo que o mesmo estímulo percebido se transforma em comportamentos totalmente diferentes, para várias pessoas. Um esquimó, por exemplo, percebe o gelo e a neve de forma completamente diferente de uma pessoa urbana. Sua experiência da neve é mais rica, com muito mais referências. De certa maneira, ele "vive em outro mundo subjetivo".

Isso é a mente para a PNL - uma construção de experiências perceptivas, em um processamento em várias camadas. Por praticidade, chama de níveis conscientes e inconscientes. Usa o termo porque ajuda em seus processos práticos. Ela juntou vários conceitos e constatações da teoria da comunicação, da linguística, da cibernética, da teoria dos sistemas e da gestalt, da terapia familiar, da hipnose ericksoniana, da neurociência e a partir deles criou alguns pressupostos, uma série de parâmetros para tentar explicar a "caixa preta" da mente humana, e assim tentar entender como mudar o comportamento humano a partir da comunicação interna e externa, que dizem respeito à como o ser humano se comunica "consigo mesmo" e com o mundo exterior a ele.

As práticas de PNL, com os exercícios de mudança, visam alinhar o pensamento lógico e o intuitivo, a dedução e a indução, conectando toda a motivação e emoção que podem estar dispersas no indivíduo, para ficarem à serviço de suas decisões. A PNL utiliza técnicas que poderíamos chamar de meditativas e hipnóticas para estabelecer o que chama de "estados focalizados" e assim tentar fazer com que a pessoa utilize o seu pensamento da melhor maneira possível. Por isso, muitos dos exercícios recorrem a "estados alterados de consciência", ou estados de transe.

Pressupostos[editar | editar código-fonte]

As pressuposições da PNL são princípios sobre os quais se fundamenta sua aplicação. São eles:

  • "As pessoas respondem a sua experiência, não à realidade em si.
  • Ter uma escolha ou opção é melhor do que não ter uma escolha ou opção.
  • As pessoas fazem a melhor escolha que podem no momento.
  • As pessoas funcionam perfeitamente.
  • Todas as ações têm um propósito.
  • Todo comportamento possui intenção positiva.
  • A mente inconsciente contrabalança a consciente; ela não é maliciosa.
  • O significado da comunicação não é simplesmente aquilo que você pretende, mas também a resposta que obtém.
  • Já temos todos os recursos de que necessitamos ou então podemos criá-los.
  • Mente e corpo formam um sistema. São expressões diferentes da mesma pessoa.
  • Processamos todas as informações através de nossos sentidos.
  • Modelar desempenho bem-sucedido leva à excelência.
  • Se quiser compreender, aja."[4]

PNL e terapia[editar | editar código-fonte]

Para a maioria das pessoas, a PNL é uma forma de psicoterapia. E a maioria dos livros de PNL considerados mais "sérios" são, na verdade, de aplicações da PNL na mudança de comportamentos individuais, e, assim, apresentam descrições de resultados terapêuticos. No entanto os praticantes de PNL afirmam que a PNL não é terapia - é aprendizagem.

Por quê? A abordagem psicoterapêutica básica, ensinada nas faculdades, ainda é a clássica "descrição de sintomas - encaixe em um diagnóstico - preceituação de tratamento". Em contrapartida, a PNL seguiu o caminho que poderemos chamar de "Modelagem a partir de Sistemas Eficientes"[5] . Isto é, começou com a investigação do que dava certo, não no que estava errado.

Aquilo que a pessoa já sabe fazer bem

Nesta abordagem é, desde o princípio, posto em foco aquilo que a pessoa já sabe fazer bem, e aquilo que ela pode melhorar. São experimentados modelos novos, mudanças de pontos de vista, sejam cognitivos ou comportamentais (metaposição, ressignificação e remodelagem), e motiva-se o indivíduo - agora encarado como um aluno, e não como um paciente - a experimentar estratégias novas de pensar, sentir e agir (comportamento).

PNL e aprendizagem[editar | editar código-fonte]

A neurolinguística encara o aprendizado de duas formas:

  • o aprendizado pela cópia - a chamada modelagem
  • o aprendizado pela inovação - a chamada ressignificação e reestruturação/reframing.

No primeiro tipo de aprendizado, o indivíduo faz uma conexão com uma pessoa (que é chamada de "modelo") ou uma descrição de pessoa, dotada de uma habilidade, comportamento ou estratégia de sucesso.

Esta conexão é chamada de "link neurológico" e, em essência, é um estado de focalização mental desencadeado pela atenção, interesse, motivação, envolvimento total. Neste estado é descrito que o indivíduo está "neurologicamente aberto ao aprendizado". É um estado chamado "pleno de recursos".

No segundo tipo de aprendizagem, a pessoa faz uma síntese criativa e, utilizando descrições inusitadas advindas de outras áreas do conhecimento, refaz a percepção, modificando os filtros de percepção, as crenças e valores provenientes desta percepção. Um dos mecanismos que usa são as analogias e metáforas e o objetivo é que o significado da experiência seja modificado (ressignificação) ou a estrutura ambiental ou contextual da experiência seja refeita ou, pelo menos, percebida de forma diferente (reestruturação, reposicionamento ou reframing).

PNL e liderança[editar | editar código-fonte]

Objetiva identificar e liberar habilidades de liderança, melhorar a eficácia na comunicação e nos relacionamentos, desenvolver e manter estados de excelência pessoal e abordar o trabalho de grupo com ecologia e visão sistêmica.

PNL e hipnose ericksoniana[editar | editar código-fonte]

A hipnose ericksoniana, assim denominada por ter sido criada pelo Dr. Milton Erickson, fundador da American Society of Clinical Hypnosis, surgiu como modernização da hipnose clássica.

Trata-se de um estado alterado de consciência e percepção, de profundo relaxamento, no qual, segundo Dr. Erickson, o consciente e o inconsciente podem ser focalizados por ficarem mais receptivos à sugestão terapêutica.

Também segundo ele, o trabalho hipnótico facilitaria a descoberta de novas opções na vida e a quebra de padrões de sentimentos e comportamentos indesejáveis


Referências

  1. Grant J. Devilly (2005) Power Therapies and possible threats to the science of psychology and psychiatry Australian and New Zealand Journal of Psychiatry Vol.39 p.437
  2. Schütz, P. A consumer guide through the multiplicity of NLP certification training. Página visitada em dezembro de 2006.
  3. [1]
  4. O'CONNOR, Joseph. Manual de Programação Neurolinguística: PNL. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2003. p. 5-7
  5. "Programação Neurolinguística: Introdução" no Dinâmica Social

Ver também[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • O'CONNOR, Joseph. Manual de programaçao neurolinguistica:PNL: um guia prático para alcançar os resultados que você quer.Rio de Janeiro:Qualitymark, 2003.
  • Coaching com PNL (Em Portugues) (2004) - O'connor, Joseph / Lages, Andrea - Qualitymark
  • Qualidade começa em mim (Em Portugues) (2002) - Chung, Tom - Novo Século
  • ANDREAS, Steve; FAULKNER, Charles (org.).PNL: a nova tecnologia do sucesso.Rio de Janeiro: Elsevier, 1995.
  • ROBBINS, Anthony. Poder sem limites: o caminho do sucesso pessoal pela programação neurolinguística. Rio de Janeiro: BestSeller, 2007.
  • BANDLER, Richard; LA VALLE, John. Engenharia da persuasão. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.
  • BANDLER, Richard. Hora de mudar. Rio de Janeiro: Rocco, 2003.
  • BANDLER, Richard; GRINDER, John. Atravessando: passagens em psicoterapia. São Paulo: Summus, 1984.
  • BANDLER, Richard; GRINDER, John. A estrutura da magia: um livro sobre linguagem e terapia. Rio de janeiro: LTC, 1977.
  • BANDLER, Richard; GRINDER, John. Resignificando: programação neurolinguistica e a transformação do significado. São Paulo: Summus, 1986.
  • BANDLER, Richard. Usando sua mente: as coisas que você não sabe que não sabe: programação neurolinguistica. São Paulo: Summus, 1987.
  • ZAMBON, Rodrigo. Monografia: O metamodelo de linguagem e a identificação de padrões para além da fala. Vitória, 2008
  • ZANINI, Frei Ovídio. Programação mental: higiene mental profunda. Curitiba: Vicentina, 2007.
  • DILTS, Robert. Crenças: caminhos para a saúde e o bem-estar. São Paulo: Summus, 1993.
  • BANDLER, Richard. Get the Life You Want: The Secrets to Quick and Lasting Life Change with Neuro-Linguistic Programming. HCi, 2008.
  • BANDLER, Richard. Richard Bandler's Guide to Trance-formation: How to Harness the Power of Hypnosis to Ignite Effortless and Lasting Change. HCi, 2008.
  • BANDLER, Richard. The Secrets of Being Happy: The Technology of Hope, Health, and Harmony. IM Press, 2011.
  • BANDLER, Richard. Conversations with Richard Bandler: Two NLP Masters Reveal the Secrets to Successful Living. HCI, 2009.