Programa espacial chinês

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

O programa espacial chinês, nome dado ao programa tecnológico de exploração do espaço pela República Popular da China, teve início em 1956, através da cooperação em ciência, tecnologia espacial e desenvolvimento de foguetes do governo comunista da China com a então União Soviética. É um dos programas espaciais de maior expansão na atualidade.

Início[editar | editar código-fonte]

Durante a cordial relação entre as duas nações durante os anos 1950, a União Soviética se engajou num programa de transferência de tecnologia à China, no qual treinaram estudantes chineses a construírem um protótipo de foguete. Em 1956, o cientista Tsien Hsue-Shen propôs e obteve apoio do governo de Mao Tse Tung para um programa pioneiro de mísseis balísticos, do qual se tornou diretor. O plano apresentado, chamado de Plano de Doze Anos para o desenvolvimento de uma tecnologia espacial chinesa, visava o desenvolvimento do projeto de um satélite, a ser colocado em órbita em 1959.[1]

Com o rompimento de relações entre os dois países em 1960, a URSS retirou seu apoio e a transferência de tecnologia, mas a comunidade científica chinesa prosseguiu de maneira independente e lançou seu primeiro foguete em fins daquele ano.

A nave Shenzhou, desenvolvida nos anos 1990 para levar um homem ao espaço é a maior realização do programa espacial chinês.

Com o desenvolvimento do foguete Longa Marcha na década de 1960, baseado em tecnologia soviética, a China colocou em órbita seu primeiro satélite em 1970, chamado Dong Fang Hong I (O Oriente é Vermelho I), tornando-se a quinta nação do mundo - após URSS, EUA, França e Japão - a colocar um satélite na órbita da Terra, o primeiro de uma série de 55 que seriam lançados nas décadas seguintes.

A partir de 1985, o desenvolvimento das séries seguintes de foguetes Longa Marcha permitiu ao país iniciar um programa de lançamentos comerciais ao espaço, tendo, deste então, lançado mais de trinta satélites para países da Ásia e da Europa. Os Estados Unidos sempre se mantiveram resistentes e contrários ao uso de foguetes chineses para lançamento de satélites da indústria americana devido ao medo de transferência tecnológica vital e em 2000 estabeleceu um embargo ao país nesta área.

Organização[editar | editar código-fonte]

A Administração Espacial Nacional da China é o equivalente chinês da NASA, responsável pelos lançamentos e pelo programa espacial do país. Duas outras empresas estatais de tecnologia de ponta fabricam o foguete Longa Marcha e os satélites chineses, mas é interesse do governo torná-las corporações privadas a exemplo das empresas aeroespaciais do oeste.

Quatro bases de lançamento estão em operação no território chinês: os Centros de Lançamentos de Satélite de Jiuquan (de onde partiram as missões tripuladas), Xichang, Taiyuan e Wenchang, todas subordinadas à AENC.

Programa espacial tripulado[editar | editar código-fonte]

A cápsula orbital da missão Shenzhou 5 recuperada após a reentrada na Terra.

O programa teve início em 1968, fundado pelo cientista Tsien Hsue-Shen do Centro de Pesquisa Médica de Vôos Espaciais. O Projeto 714 esperava colocar dois astronautas no espaço em 1973, com a seleção de 19 pilotos para os treinamentos, mas acabou sendo cancelado por falta de fundos em maio de 1972, além de discordância sobre prioridades na política interna da Revolução Cultural.

Em 1992, a nova política do governo deu o sinal verde e produziu fundos para o novo Projeto 921, que se destinava novamente a enviar naves tripuladas ao espaço. O Programa Shenzhou teve quatro primeiros vôos de teste feitos em naves não-tripuladas, entre 1999 e 2002, alguns deles levando cobaias animais e vegetais à órbita terrestre, até a bem sucedida missão Shenzhou 5, que em 15 de outubro de 2003 colocou em órbita o taikonauta Yang Liwei por 21 horas, tornando a China a terceira nação a levar um homem ao espaço, com a missão Shenzhou 6, com dois astronautas, a seguindo em 2005. Quatro novas missões estão programadas para breve, com a utilização de tripulações múltiplas de taikonautas, passeios no espaço e acoplagem de naves.

A República Popular da China inicialmente desenhou suas naves com mecanismos de acoplagem apropriados para a Estação Espacial Internacional e construiu seus centros de lançamento em latitudes próprias para facilitar esta acoplagem. Com o sucesso da Shenzhou 5, os chineses formalmente solicitaram adesão ao programa da ISS mas tiveram a oposição vigorosa dos Estados Unidos a esta pretensão, resultando disso o anúncio pelo governo chinês de sua intenção em construir sua própria estação espacial e de estabelecer programas conjuntos com a Rússia e a União Europeia.

Em setembro de 2006, o chefe da agência espacial russa Anatoli Perminov, anunciou que a China deverá participar do projeto russo de enviar uma sonda a uma das duas luas de Marte, Phobos, com a missão de recolher e trazer de volta à Terra amostras do solo do satélite e também do planeta Marte.

Missões realizadas[editar | editar código-fonte]

Planos futuros[editar | editar código-fonte]

Em dezembro de 2004 o governo chinês anunciou a implementação de seu projeto lunar não-tripulado, que consiste em três fases: a viagem até o satélite e um vôo orbital na Lua, a alunissagem propriamente dita e o retorno da sonda trazendo amostras do solo, com as três fases sendo realizadas entre 2007 e 2020.

Em novembro do ano seguinte, o comando do programa espacial tripulado anunciou seu projeto de construir uma base orbital e de enviar uma missão tripulada à Lua por volta de 2020 e de missões não-tripuladas a Marte entre 2014 e 2033, seguida por uma descida de chineses no planeta entre 2040 e 2060.

Programa espacial não-tripulado[editar | editar código-fonte]

Satélites científicos[editar | editar código-fonte]

Sondas espacias[editar | editar código-fonte]

  • Chang'e 2: foi uma sonda espacial chinesa , lançada em 1 de outubro de 2010,[4] como parte da primeira fase do Programa Chinês de Exploração Lunar. A sonda entrou em órbita lunar a uma altitude de 100km da superfície da Lua. Após cumprir sua objetivo principal , a Chang'e 2 foi redirecionada para o Ponto de Lagrange Terra-Sol L2 ,[5] para testar os sistemas chineses de controle e rastreamento , fazendo da AENC a terceira agência espacial , depois da NASA e ESA , a atingir esse ponto no espaço. Ela entrou nessa órbita no dia 25 de Agosto de 2011 e saiu em abril de 2012 , a sonda deixou a órbita L2 em direção ao asteróide 4179 Toutatis , que foi sobrevoado com sucesso em dezembro de 2012.[6] Este sobrevoo fez da China o quarto país do mundo a explorar diretamente um asteróide , depois dos Estados Unidos , a União Europeia e o Japão.

Objetivos[editar | editar código-fonte]

Curto prazo (até 2020)
  • construir um sistema de observação terrestre de longa duração
  • instalar uma rede independente de satélites de comunicação
  • implementar serviços de lançamentos comerciais
  • estudar no espaço a microgravidade, ciências vitais da vida, desempenho de materiais e astronomia.
  • desenvolver o plano de exploração da Lua.
Longo prazo (pós-2020)
  • aumentar seu conhecimento nas ciências espaciais
  • construir uma estação espacial orbital
  • levar naves tripuladas à Lua
  • construir uma base lunar habitada
  • exploração profunda não-tripulada do Sistema Solar

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Astronautrix Projeto 581
  2. KuaFu - A Sino-Canadian-European Space Weather Mission (em inglês) Imperial College. Visitado em 17 de julho de 2010.
  3. China's 1st moon orbiter enters Earth orbit ChinaView. Visitado em 02/12/2013.
  4. Clark, Stephen. China's second moon probe dispatched from Earth SpaceflightNow. Visitado em 02/12/2013.
  5. Chinese space craft travels 1.7 mn km deep into space TheEconomicTimes. Visitado em 02/12/2013.
  6. Lakdawalla, Emily. Update on yesterday's post about Chang'E 2 going to Toutatis ThePlanetarySociety. Visitado em 02/12/2013.
  7. China launches its first moon rover, the “Jade Rabbit” CBS News (1 de dezembro de 2013). Visitado em 02/12/2013.
  8. Sonda chinesa que leva jipe-robô à Lua pousa com sucesso Folha de S Paulo. Visitado em 14/12/2013.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]