Projeto Daedalus

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Desenho da espaçonave do Projeto Daedalus.

O Projeto DaedalusPB, ou Projecto DédaloPE foi um estudo conduzido entre 1973 e 1978 pela Sociedade Interplanetária Britânica com intuito de projetar uma espaçonave interestelar com tecnologia da época ou disponível em poucos anos capaz de alcançar o seu destino no período de uma geração humana1 . Uma missão não tripulada de 50 anos foi planejada. O objetivo seria alcançar a Estrela de Barnard a cerca de 5.9 anos-luz qual creditava-se abrigar ao menos um planeta, no entanto evidências posteriores não corroboraram a presença de um sistema planetário. Ademais seria uma missão científica não tripulada e deveria ter a flexibilidade de explorar também outras estrelas num determinado raio de ação. Cerca de uma dúzia de cientistas e engenheiros liderados por Alan Bond trabalharam no projeto determinando a propulsão por um foguete de fusão.

Conceito[editar | editar código-fonte]

A espaçonave do Projeto Daedalus seria construída na órbita da terra com uma massa inicial de 54.000 toneladas sendo destas 50.000 toneladas de combustível em dois estágios propulsores e quinhentas toneladas de carga útil científica. O primeiro estágio impulsionaria a espaçonave, durante dois anos, até 7,1% da velocidade da luz sendo então descartado e entrando em funcionamento o segundo estágio. Este funcionaria por cerca de um ano e nove meses adicionando empuxo até aproximadamente 12% da velocidade da luz (35 975 095 metros por segundo ou 129 510 343 km/h) quando então seria desligado para um cruzeiro de 46 anos. Devido aos grandes extremos de temperatura qual seriam expostos (quase zero absoluto até 1.600°C) a cúpula do exaustor e estruturas de suporte seriam feitas de berílio que mantém sua resistência mesmo em situações criogênicas.

As velocidades propostas pelo Projeto Daedalus estão muito além da capacidade dos foguetes químicos e até mesmo da propulsão de pulso nuclear proposta pelo Projeto Orion.

O conceito do foguete de fusão utilizado pelo Projeto Daedalus utilizaria cápsulas com uma mixtura de deutério/hélio-3 cuja a fusão se daria numa camara de reação por confinamento inercial através de raios de elétrons. As cápsulas seriam detonadas à cadência de 250 por segundo e o plasma resultante seria direcionado por um bocal magnético. Decorrente da escassez de hélio-3 na terra, este teria que ser extraído de Júpiter por sondas robotizadas que flutuariam sobre a sua atmosfera num grande balão de "ar" quente. A extração de hélio-3 da atmosfera jupteriana demoraria vinte anos.

O segundo estágio da espaçonave carregaria dois telescópios óticos de cinco metros de diâmetro e dois radiotelescópios de vinte metros de diâmetro cada. Aproximadamente 25 anos depois da partida os telescópios começariam a examinar os arredores da estrela de Barnard para descobrir mais sobre prováveis planetas. As informações coletadas nesta primeira fase seriam transmitidas à terra pela cúpula de quarenta metros do exaustor, as informações analisadas definiriam os alvos da pesquisa. Como a espaçonave não desaceleraria ao aproximar-se do sistema de Barnard ela lançaria dezoito mini sondas com motores iônicos movidos pela energia elétrica gerada em reatores nucleares. Estas sondas teriam câmeras, espectômetros e outros equipamentos para análise. Estas sondas passariam por seus alvos ainda a 12% da velocidade da luz e transmitiriam os dados coletados à espaçonave mãe do Projeto Daedalus só então esta retransmitiria os dados à base na terra.

O compartimento de carga da espaçonave transportaria as mini sondas, telescópios, e outros equipamentos de comunicação e pesquisa protegidos por um disco de berílio com sete milímetros de espessura e pesando cerca de cinqüenta toneladas. O berílio é também preferível nessas atribuições por causa da sua leveza e alto ponto de evaporação. Para evitar colisões enquanto a espaçonave passasse nas intermediações do sistema, pequenas sondas-inseto seriam ejetadas as quais emitiriam uma nuvem de partículas duzentos quilômetros à frente do veículo principal. Em caso de falhas ou mau funcionamento a espaçonave também contaria com uma certa quantidade de robos autônomos, "Os conservadores", capazes de reparar pequenos danos ou mal funcionamentos de forma autônoma.

Especificações[editar | editar código-fonte]

  • Comprimento total: 190 metros
  • Massa propelente para o primeiro estágio: 46.000 toneladas
  • Massa propelente para o segundo estágio: 4.000 toneladas
  • Massa do primeiro estágio (sem o combustível): 1.690 toneladas
  • Massa do segundo estágio (sem o combustível): 980 toneladas
  • Tempo de funcionamento do primeiro estágio: 2,05 anos
  • Tempo de funcionamento do segundo estágio: 1,76 ano
  • Empuxo do primeiro estágio: 7.540.000 Newtons
  • Empuxo do segundo estágio: 663.000 Newtons
  • Velocidade de exaustão (plasma) do propulsor: 10 000 000 m/s
  • Carga útil: 450 toneladas

Variantes[editar | editar código-fonte]

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Uma análise de engenharia de uma variação do Projeto Daedalus sobre uma sonda auto-replicante foi publicado em 1980 por Robert Freitas. O design não-replicante foi modificado para incluir todos os subsistemas necessários para a auto-replicação, utilizando a sonda para entregar uma fábrica "semente" com uma massa de cerca de 443 toneladas num local distante, tendo a fábrica de sementes de se reproduzir fabricando cópias de si mesmo para aumentar a sua capacidade de produção industrial total e, em seguida, usando o complexo industrial automatizado para construir mais sondas cada uma com uma única semente fábrica a bordo num período medio de pode atingir 1.000 anos. Cada REPRO teria uma massa de mais de 10 milhões de toneladas, a maior parte seria do combustível necessário para acelerar até aos 12% da velocidade da luz e posteriormente desacelerar até ao sistema alvo.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Project Daedalus Study Group: A. Bond et al., Project Daedalus – The Final Report on the BIS Starship Study, JBIS Interstellar Studies, Supplement 1978

Ligações externas[editar | editar código-fonte]