Projeto de aprendizagem

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O projeto de aprendizagem é uma pedagogia construtivista que tem como propósito promover aprendizado profundo através de um enfoque baseado em indagações para engajar os alunos com questões e conflitos que sejam ricos, reais e relevantes a suas vidas.

Quando podemos ver que o aluno tem algo a oferecer, vemos que este conhecimento prévio pode e deve interagir com o desconhecido, e assim apropriar-se dos conhecimentos específicos referentes a escola.

O que é[editar | editar código-fonte]

"Um projeto para aprender vai ser gerado pelos conflitos, pelas perturbações nesse sistema de significações, que constituem o conhecimento particular do aprendiz". (Léa Fagundes, Aprendizes do Futuro)

Nos projetos de aprendizagem as dúvidas e interesses do aluno irão gerar o próprio projeto, pois haverá por parte dele interesse em resolver as suas dúvidas.

Definido por Hernández(1998) como "Projetos de Trabalho",os projetos de aprendizagem oportunizam uma maior interação entre professor e aluno,visto que constroi um universo de ações diversificadas que permitem a participação ativa do aluno. Ao longo do trabalho por projetos, o professor desempenha o papel de mediador. Nesse sentido, sua postura de detentor único do saber não existe mais.

Propósito[editar | editar código-fonte]

O aprendizado por projetos é desenhado para ser usado com questões complexas que exijam investigação por parte dos alunos para serem entendidas. Não parece ser válido o uso de Projetos no aprendizado de simples informação fatual ou enciclopédica. Por exemplo, os alunos podem ser solicitados a monitorar a qualidade da água de um rio local para então aprender sobre o ambiente local e outras questões ambientais que o afetam.

O Projeto de Aprendizagem introduz novas formas de ensinar e aprender, além da quebra de paradigmas antigos na forma seqüencial de apresentação dos conteúdos, na classificação dos alunos por séries, fatos estes que serão quebrados totalmente no decorrer do processo, e principalmente, na quebra, de nossas atitudes frente ao conhecimento, fazendo com que este através das inúmeras possibilidades de aquisição de informações (pela temática) possa tornar possível a aquisição/construção do verdadeiro saber, a todos os envolvidos neste processo.

Dessa forma, é possível que o aprendiz desenvolva habilidades e competências a respeito de qualquer temática, utilizando estratégias diferentes de aprendizado, de modo que sua própria forma de aprender seja contemplada ao longo do desenvolvimento do projeto de aprendizagem.

Estrutura[editar | editar código-fonte]

Este é um enfoque para atividades de aula que enfatiza a aprendizagem de longo prazo, interdisciplinar e centrada no aluno. Esta forma de aproximação é geralmente menos estruturada do que as atividades tradicionais, centradas no professor; em uma aula que são utilizados projetos, os alunos precisam freqüentemente organizar seu próprio trabalho e gerenciar seu tempo. Esse estrutura prevê que os alunos colaborem entre si e trabalhem juntos para entender no que estão inseridos. A aprendizagem por projetos também difere de outros enfoques pois enfatiza o trabalho colaborativo e também por se basear na bagagem e recursos dos alunos para representar o que é aprendido.

Metodologia[editar | editar código-fonte]

Os projetos de aprendizagem são desenvolvidos conforme etapas sistemáticas, cada uma delas produzindo conteúdos para serem utilizados pela próxima, de modo que todas elas são interconectadas.

A primeira etapa é a de identificação da questão de investigação. É necessário que os alunos livremente possam expressar questões sem que se preocupem em ser julgados ou inibidos de alguma forma. É a fase onde o aluno expõe problemas que de certa forma instigam-no a caminho da solução.

A segunda etapa é a identificação da relevância das questões levantadas para investigação. Para tal, é necessário que haja uma forma de os alunos avaliarem seus interesses nas questões levantadas e para isto uma votação é necessária. Durante esta etapa, o professor poderá identificar as questões mais relevantes (votadas) e ir fechando as votações, para que outras questões sejam avaliadas. À medida que houver a visibilidade de quais questões estão sendo escolhidas, o professor poderá optar por trabalhar com várias questões de investigação, de modo que abranja todos os alunos e interesses.

Assim que as questões de investigação forem criadas, dentro do espaço do projeto de aprendizagem, os alunos ingressam em sua questão escolhida, tendo acesso a um novo espaço com os recursos para iniciarem sua participação em determinada questão de investigação.

Ao depararem-se com a questão de investigação escolhida, cada aluno precisa realizar um levantamento do que ele sabe sobre aquele assunto e do que ele não sabe. Esta etapa é o registro de dúvidas e certezas que é essencial para que se identifique o conhecimento que será validado e construído dentro do projeto.

O próximo passo dentro do projeto é analisar todo o conteúdo levantado e subtrair semelhanças e tratar particularidades. Deste modo, questões duplicadas são removidas, erros e inconcordâncias são corrigidos e as questões seguem para a etapa de criação de unidade de investigação.

Na fase de criação de unidades de investigação, as dúvidas e certezas de temas semelhantes ou de afinidades são classificados em blocos. Isso facilitará a abordagem das mesmas pelos alunos, seguindo a estratégia de dividir e conquistar. Assim, os alunos integram unidades de investigação para validação das certezas e busca pelas respostas.

Durante a fase de validação e busca pelas respostas, os alunos estarão envolvidos diretamente com informações e artefatos. É uma etapa de grande potencial de construção de conhecimento. Todos os envolvidos em uma unidade de investigação comunicam-se, debatem, escrevem e atualizam informações que validem e respondam às dúvidas e certezas da unidade de investigação. Durante esta etapa, é esperado que surjam novas certezas e novas dúvidas, por isso o inventário é constantemente alterado.

À medida que as unidades de investigação são populadas com conteúdos, o professor vai acompanhando os avanços gerais e individuais dentro de cada microetapa, tendo acesso a conteúdos pessoais de cada aluno, como diários de bordo e páginas individuais, até conteúdos coletivos como páginas colaborativas.

Quando as unidades de investigação estiverem completas, os alunos formulam uma síntese, que é uma descrição para aquela unidade de investigação respondendo às dúvidas levantadas e validando as certezas. O resultado pode ser um mapa conceitual, um texto dissertativo, um vídeo gravado ou quaisquer artefatos que siga a metodologia desejada pelos professores. Este compilado é o fecho daquela unidade de investigação em especial e sintetiza todo o trabalho formulado pelo grupo, sendo disponível para visualização pública pelos demais grupos do projeto ou quem mais for necessário.

Na próxima etapa, os alunos tem acesso à sintese formulada pelos demais grupos e podem contribuir com comentários. Todas as sínteses permanecem disponíveis para os alunos,  que compreenderão em que os demais colegas contribuíram para a resolução da questão de investigação e para o projeto em si.

A parte final compreende em uma síntese que busca unir todas as unidades de investigação e explicitar todos os avanços dentro do projeto, respondendo à questão de investigação. Nesta fase, todos os alunos possuem os mesmos artefatos de construção do conhecimento, tanto o construído por eles, quanto pelos demais colegas. Após a construção da síntese final, os alunos apresentam os resultados para todos os envolvidos e disponibilizam-nos para público, que compreende a etapa final do projeto de aprendizagem.

Elementos[editar | editar código-fonte]

Alguns elementos para uma boa experiência com projetos de aprendizagem incluem:

  • Questões ou conflitos férteis que sejam originais, reais e relevantes para as vidas dos alunos
  • O uso de tecnologia atual (ver Projeto OLPC),
  • Ambiente integrado e propício à realização de projetos de aprendizagem, com suporte à ferramentas específicas para tal finalidade
  • Aprendizagem deve ser centrada no aluno ou promover que esse faça uso deliberado de sua autonomia
  • Colaboração
  • Componentes Multi-Disciplinares
  • Trabalho à longo prazo; não é preciso que o projeto seja realizado em períodos de aula, ou apenas em tempo de aula.
  • Devem ser orientadas aos resultados, com um estudo, apresentação e ação, como resultado da indagação original

Tecnologias digitais no auxílio dos Projetos de Aprendizagem[editar | editar código-fonte]

Nos Projetos auxiliados pela Tecnologia Digital a informática dá uma nova dinâmica a este novo modelo de educação. Ela facilita a interação e a participação ativa dos alunos, uma vez que eles podem elaborar seus Projetos em grupos on-line, ou seja, permanentemente conectados. Seus conteúdos, bem como a sua constante atualização é feita instantaneamente e fica disponível para quem desejar acessar tal matéria. O uso de softwares livres, os ambientes virtuais de aprendizagem,como o Moodle, o Açai,o Teleduc, AProAp, etc, são ferramentas disponíveis neste sentido que possibilitam, facilitam e enriquecem o trabalho de projetos de aprendizagem. Nestes casos a participação é assíncrona, não instantânea.

Considerações[editar | editar código-fonte]

"Temos encontrado que esta inversão de papéis pode ser muito significativa. Quando o aprendiz é desafiado a questionar, quando ele se perturba e necessita pensar para expressar suas dúvidas, quando lhe é permitido formular questões que tenham significação para ele, emergindo de sua história de vida, de seus interesses, seus valores e condições pessoais, passa a desenvolver a competência para formular e equacionar problemas. Quem consegue formular com clareza um problema, a ser resolvido, começa a aprender a definir as direções de sua atividade." (Léa Fagundes, Aprendizes do Futuro)

Isso nos dá uma nova dimensão de ensino, onde o desejo de aprender do aluno é levado em conta, onde o saber do aluno é levado em conta, onde o ser humano aluno é levado em conta. O que ainda falta é sabermos nos movimentar nesse novo saber e conseguir auxiliar este aluno a desenvolver sua inteligência e avançar em sua sabedoria.

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Barron, B. (1998). "Doing with understanding: Lessons from research on problem- and project-based learning." Journal of the Learning Sciences. 7(3&4), 271-311.
  2. Blumenfeld, P.C. et al. (1991). "Motivating project-based learning: sustaining the doing, supporting the learning." Educational Psychologist, 26, 369-398.
  3. Shapiro, B. L. (1994). What Children Bring to Light: A Constructivist Perspective on Children's Learning in Science; New York. Teachers College Press.
  4. Helm, J. H., Katz, L. (2001). Young investigators: The project approach in the early years. New York: Teachers College Press.
  5. Polman, J. L. (2000). Designing project-based science: Connecting learners through guided inquiry. New York: Teachers College Press.
  6. Fagundes, Léa da Cruz, et al. "Projetos de Aprendizagem - uma experiência mediada por ambientes telemáticos." Revista brasileira de informática na educação 14.1 (2006).

Ver também[editar | editar código-fonte]


Ligações externas[editar | editar código-fonte]