Protovestiário

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Imperador Aleixo V Ducas, um dos protovestiários.

Protovestiário[1] (em grego: πρωτοβεστιάριος; transl.: protovestiarios , "Primeiro Vestiarios") foi uma alta posição na corte bizantina, originalmente reservada para eunucos.[2] No final do período bizantino (séculos XII-XV), denotava o oficial sênior das finanças, e também foi adotado pelos estados sérvios medievais. Através da derivação deste título, originou o título ocidental vestarário.[3]

Império Bizantino[editar | editar código-fonte]

O título foi primeiramente atestado em 412 como conde das vestes sagradas (comes sacrae vestis), um oficial encarregado do "guarda-roupa sagrado" dos imperadores bizantinos (em latim: sacra vestis), vindo sob o prepósito do cubículo sagrado. Em grego, o termo usado foi vestiário privado (em grego: οἰκειακόν βεστιάριον; transl.: oikeiakon vestiarion , lit. "guarda-roupa privado"), e por este nome permaneceu conhecido a partir do século VII. Como tal, o ofício foi distinguido do vestiário imperial (vestiarion basilikon), o departamento financeiro do império que foi confiado a um funcionário do Estado, o cartulário do vestiário.[4] O guarda-roupa privado também incluía parte do tesouro privado do imperador bizantino, e foi controlado por uma extensa equipe.[5]

Consequentemente, os detentores deste ofício ficaram em segundo lugar na hierarquia cortesã bizantina, apenas abaixo do paracoimomeno, sendo eles auxiliares deste último. Nos séculos IX-XI, protovestiários foram nomeados como generais e embaixadores. No século XI, o título elevou-se ainda mais em importância, eclipsando o curopalata;[6] transformou-se em um título honorário, e começou a ser dado a não-eunucos, incluindo membros da família imperial.[7] Como tal, o título sobreviveu até o período paleólogo, e seus titulares incluíam altos ministros e futuros imperadores bizantinos.[2]

O equivalente feminino foi protovestiária (em grego: πρωτοβεστιαρία), a chefe dos funcionários da imperatriz bizantina. Protovestiários também são atestados entre os cidadãos privados, casos em que mais de uma vez o título refere-se a seus chefes dos servos ou tesoureiros.[2]

Na Sérvia[editar | editar código-fonte]

O título foi também adotado nos estados sérvios medievais como protovestijar (em sérvio: протовестијар/протовистијар; arcaico: протовистіар[8] ) e também implicou responsabilidades fiscais, sendo o equivalente a um "ministro de finanças".[9] De acordo com o estudioso John V. A. Fine, "O chefe financeiro responsável pela tesouraria do Estado e sua renda foi o protovestijar. Esta posição foi regularmente ostentada por um comerciante de Kotor que entendia gestão financeira e contabilidade. Ambos protovestijars e logotet eram usados como diplomatas, de modo que os protovestijars eram particularmente enviados para o Ocidente, pois como cidadãos de Kotor sabiam italiano e latim."[10]

O título foi mencionado durante o reinado do rei Estêvão Uroch I (r. 1243–1276).[11] Estêvão IV Duchan (r. 1331–1355), quando coroado imperador, nomeou komornik Nikola Buća de Kotor como protovestijar.[9] [12] O poder do protovestijar é melhor testemunhado pelo provérbio derivado de Nikola Buća: "Car da – al Buća ne da" ("O imperador dá, mas Buća não").[13] A família Buća produziu vários protovestijars, incluindo o sobrinho de Nikola, Trifun Mihajlov Buća (fl. 1357), um das pessoas mais importantes de seu tempo, que serviu ao sucessor de Duchan, Estêvão Uroch V (r. 1355–1371).[14]

Tivartko I (Ban da Bósnia 1353-1377; rei 1377-1391) acrescentou em sua corte os títulos logotet e protovestijar com base no modelo sérvio após coroar-se rei. O primeiro protovestijar de Tivartko foi um habitante de Ragusa, kapedan Ratko, elevado em 1378.[15] Balša II (Senhor de Zeta 1378-1385) acrescentou o ofício a sua corte depois de tomar Dirráquio na primavera de 1385, nomeando Filipe Bareli.[16]

Protovestiários notáveis[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Macedo 1964, p. 1200
  2. a b c Kazhdan 1991, p. 1749
  3. Lunt 1950, p. 3
  4. Haldon 1997, p. 181
  5. Bury 1911, p. 125
  6. Gibbon 1860, p. 242
  7. Holmes 2005, p. 85
  8. Blagojević 2001, p. 119
  9. a b Novaković 1966, p. 148
  10. Fine 1994, p. 313-314
  11. Ćirković 1999, p. 596
  12. Fine 1994, p. 651
  13. Vizantološki 2004, p. 389–390
  14. Kalezić 1970, p. 130
  15. Ćorović 1923, p. 42
  16. Ćuk 1986, p. 164

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Blagojević, Miloš. Državna uprava u srpskim srednjovekovnim zemljama. [S.l.: s.n.], 2001.
  • Bury, John B.. The Imperial Administrative System of the Ninth Century: With a Revised Text of the Kletorologion of Philotheos. Londres: Oxford University Press, 1911.
  • Ćirković, Sima. Лексикон српског средњег века. [S.l.: s.n.], 1999.
  • Ćorović, Vladimir. Luka Vukalović i hercegovački ustanci od 1852-1962. [S.l.]: Srpska kraljevska akademija nauka i umetnosti, 1923. vol. 45-47.
  • Ćuk, Ruža. Serbia and Venice in the 13th and the 14th century. [S.l.]: Prosveta, 1986.
  • Gibbon, Edward. The History of the Decline and Fall of the Roman Empire. Nova Iorque: New York: Harper & Brothers, 1860.
  • Fine, John Van Antwerp. The Late Medieval Balkans: A Critical Survey from the Late Twelfth Century to the Ottoman Conquest. [S.l.]: Michigan University Press, 1994. ISBN 978-0-472-08260-5.
  • Kazhdan, Alexander Petrovich. The Oxford Dictionary of Byzantium. Nova Iorque e Oxford: Oxford University Press, 1991. ISBN 0-19-504652-8.
  • Lunt, William. Papal Revenues in the Middle Ages. [S.l.]: Columbia University Press, 1950. vol. 2.
  • Macedo, Walmírio. Vocabulário ortográfico oficial: de acôrdo com a nova nomenclatura gramatical. [S.l.]: Biblioteca Universal Popular, 1964.
  • Haldon, John F.. Byzantium in the Seventh Century: The Transformation of a Culture. Cambridge: Cambridge University Press, 1997. ISBN 978-0-521-31917-1.
  • Holmes, Catherine. Basil II and the Governance of Empire (976–1025). [S.l.]: Oxford University Press, 2005. ISBN 978-0-19-927968-5.
  • Kalezić, Danilo. Kotor. [S.l.]: Grafički zavod Hrvatske, 1970.
  • Novaković, Stojan. Iz srpske istorije. [S.l.: s.n.], 1966.