Prudente de Morais

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Prudente de Morais
3º presidente do Brasil Brasil
Período de governo 15 de novembro de 1894
a 15 de novembro de 1898
Vice-presidente Manuel Vitorino
Antecessor(a) Floriano Peixoto
Sucessor(a) Campos Sales
Presidente do Senado Federal Brasil
Período de governo 23 de novembro de 1891
a 14 de novembro de 1894
Antecessor(a) Floriano Peixoto
Sucessor(a) Manuel Vitorino
Senador por  São Paulo
Período de governo 15 de novembro de 1890
a 14 de novembro de 1894
1º Presidente de São Paulo
Período de governo 14 de dezembro de 1889
a 18 de outubro de 1890
Antecessor(a) Junta Governativa
Sucessor(a) Jorge Tibiriçá Piratininga
Deputado Geral do Império
por São Paulo
Período de governo 3 de maio de 1885
a 3 de maio de 1887
Vida
Nome completo Prudente José de Morais Barros
Nascimento 4 de outubro de 1841
Itu, São Paulo,  Brasil
Morte 3 de dezembro de 1902 (61 anos)
Piracicaba, São Paulo,
 Brasil
Dados pessoais
Alma mater Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo
Cônjuge Adelaide da Silva Gordo (1866–1902)
Partido Liberal (até 1873)
Republicano Paulista (1873–1893)
Republicano Federal (1893–1902)
Profissão Advogado
Assinatura Assinatura de Prudente de Morais

Prudente José de Morais e Barros[nota 1] (Itu, 4 de outubro de 1841Piracicaba, 3 de dezembro de 1902[1] ) foi um advogado e político brasileiro. Foi presidente do estado de São Paulo (cargo equivalente ao de governador), senador, presidente da Assembleia Nacional Constituinte de 1891, terceiro presidente do Brasil, tendo sido o primeiro político civil a assumir este cargo e o primeiro a fazê-lo por força de eleição direta.[2]

Prudente de Morais representava a ascensão da oligarquia cafeicultora e dos políticos civis ao poder nacional, após um período de domínio do poder executivo por parte dos militares, no qual essa oligarquia mantinha-se dominando apenas o poder Legislativo.[3]

Formação e início da carreira[editar | editar código-fonte]

Na foto a família Prudente, os filhos e o casal, da esquerda para a direita: Prudente de Morais Filho, Maria Amélia, Adelaide (esposa), Paula, Gustavo, Carlota, Maria Teresa, Prudente de Morais (esposo), Antônio e Júlia.

Prudente de Morais nasceu nos arredores da cidade paulista de Itu em 4 de outubro de 1841, sendo descendente dos primeiros colonizadores de São Paulo. Seus pais eram José Marcelino de Barros e Catarina Maria de Morais, fazendeiros. Em 1844,[carece de fontes?] com menos de três anos de idade, Prudente perdeu o pai, assassinado por um escravo quando estava viajando como tropeiro nas proximidades da cidade de São Paulo.[4] Sua mãe casa-se com o viúvo Caetano José Gomes Carneiro. Prudente graduou-se em direito na Universidade de São Paulo em 1863, e, no mesmo ano, transferiu-se para Piracicaba, onde exerceu advocacia durante dois anos. Em 28 de maio de 1866, Prudente casou-se com Adelaide Benvinda na residência dos pais dela em Santos. Após o casamento, fixaram-se em Piracicaba, e na atualidade, a residência onde viveram tornou-se o Museu Histórico e Pedagógico Prudente de Morais.[5] Prudente teve nove filhos com Adelaide, sendo que dois faleceram na menoridade, Teresa e Maria Jovita, falecidas, respectivamente, aos onze e um ano de idade. Além desses nove filhos, Prudente teve um filho fora do casamento na época em que era estudante de direito, este chamava-se José.[6]

No Império, pertenceu ao Partido Liberal (PL), monarquista. Elegeu-se vereador, sendo o mais votado, com 420 votos em 1864, presidindo a Câmara Municipal de Piracicaba. Em 1877, no exercício de vereador, Prudente conseguiu mudar o nome da cidade, que na época chamava-se Vila Nova da Constituição, e passou a denominar-se Piracicaba.[7]

Em 1873, transferiu-se para o Partido Republicano Paulista (PRP), declarando-se republicano, tendência que representou na Assembleia Provincial.

Foi deputado provincial em São Paulo e deputado à Assembleia Geral do Império, defendendo, além da forma republicana de governo, o abolicionismo e o federalismo. Como deputado provincial trabalhou na complexa questão das divisas de São Paulo com Minas Gerais, tema no qual era especialista.

No início da república[editar | editar código-fonte]

Proclamada a república, foi nomeado por Deodoro da Fonseca chefe da junta governativa que governou São Paulo de 16 de novembro a 14 de dezembro de 1889, nomeado em seguida governador, permanecendo no cargo até 18 de outubro de 1890, quando renunciou para assumir uma cadeira no senado.[2]

No governo de São Paulo, reorganizou e modernizou a administração, especialmente o tesouro e o Arquivo do Tesouro, ampliou Força Pública, sendo que a transição para a república em São Paulo, com a nomeação de novos administradores, secretários e intendentes municipais ocorreu em tranquilidade. Reorganizou a Escola Normal, que deu origem à Escola Normal Caetano de Campos.

Chegou a ser vice-presidente do Senado, e presidiu a Assembleia Constituinte de 1890-1891. Elaborada a Constituição, disputou com Deodoro da Fonseca a presidência da república, sendo derrotado.

Prudente de Morais (no centro) preside a Constituinte republicana, óleo de Aurélio de Figueiredo (Museu da República, Rio de Janeiro).

Após a derrota para Deodoro, eleito indiretamente com 129 votos contra 97, Prudente de Morais presidiu o Senado até o fim do seu mandato.

Na presidência da República[editar | editar código-fonte]

Na disputa pela sucessão de Floriano Peixoto, que chegara à presidência devido ao golpe de 23 de novembro de 1891, candidatou-se pelo Partido Republicano Federal (PR Federal), fundado pelo paulista Francisco Glicério em 1893. Vence as eleições presidenciais de 1º de março de 1894 e toma posse no dia 15 de novembro daquele ano[2] , tornando-se o primeiro presidente do Brasil a ser eleito pelo voto direto e o primeiro presidente civil do Brasil. Prudente teve 276.583 votos contra 38.291 de seu principal competidor Afonso Pena, em uma eleição que teve mais 29 políticos que foram votados[3] . Seu vice-presidente foi o médico Manuel Vitorino Pereira[8] A sua eleição marcou a chegada ao poder da oligarquia cafeeira paulista em substituição aos setores militares.[2]

Os quatro anos de governo de Prudente de Morais foram agitados, tanto por problemas político-partidários (a perda do apoio do Partido Republicano Federal) como pela oposição dos setores florianistas e pela continuação, no Rio Grande do Sul, da Revolta Federalista (1893-1895).

Prudente de Morais dedicou todos os seus esforços à pacificação das facções, que tinham em seus extremos os defensores do governo forte de Floriano e os partidários da monarquia. Durante seu governo, abandonou uma a uma as medidas inovadoras de Floriano Peixoto. Essa cautela de Prudente foi necessária, já que os florianistas ainda tinham uma certa força, principalmente no Exército[2] . Além disso, o vice-presidente estava ligado às ideias de Floriano. Prudente de Morais imprime uma direção ao governo que atende mais aos cafeicultores e afasta os militares da política.[3]

Mandato (1894-1898)[editar | editar código-fonte]

Caricatura de Prudente de Morais ilustrando um presidente sempre em apuros, com o mandato pendendo por um fio.

No início do seu governo, conseguiu pacificar a Revolução Federalista no Rio Grande do Sul, assinando a paz com os rebeldes, que receberam anistia.

Enfrentou a questão diplomática envolvendo os ingleses, que acharam por bem, em julho de 1895, tomar posse da Ilha da Trindade, situada a aproximadamente 1.200 quilômetros do litoral do Espírito Santo, sob o pretexto de ali instalar uma estação telegráfica. A França, com incursões abaixo do Rio Oiapoque, invadiu o Amapá a partir de Guiana Francesa, atacando e incendiando alguns povoados próximos à fronteira. O primeiro Presidente civil do Brasil, ao invés de recorrer às armas, preferiu o arbitramento internacional, de Portugal no caso da Ilha da Trindade, e da Suíça no caso do Amapá. As questões diplomáticas foram resolvidas favoravelmente ao Brasil.[3]

Enfrentou, ainda, a revolta da Escola Militar. Fez então valer sua autoridade: fechou a escola e o clube militar.

Prudente de Morais restabeleceu as relações diplomáticas com Portugal, rompidas por Floriano durante a Revolta da Armada, e assinou o Tratado de Amizade, Comércio e Navegação com o Japão, em novembro de 1895, com o objetivo de incitar a vinda de imigrantes japoneses.

Mas pouco tempo depois enfrentaria um movimento rebelde ainda maior: a Guerra de Canudos, no sertão baiano.

Obrigado a submeter-se a uma cirurgia, se afastou do poder entre 10 de novembro de 1896 e 4 de março de 1897, passando o cargo ao vice-presidente, o médico Manuel Vitorino Pereira. Nesta interinidade, Manuel Vitorino transferiu a sede do governo do Palácio Itamaraty para o Palácio do Catete.

Com a vitória dos amotinados de Antônio Conselheiro sobre várias expedições militares, a situação voltou a deteriorar-se. Prudente interrompeu então a convalescença e nomeou ministro da Guerra o general Carlos Machado de Bittencourt, que liderou nova expedição e derrotou os rebeldes.

As divergências internas no PR Federal e a Guerra de Canudos desgastam o governo. Mesmo com a vitória das tropas do governo na guerra, os ânimos não se acalmam. Em 5 de novembro de 1897, durante uma cerimônia militar em que recepcionaria dois batalhões do exército que retornavam de Canudos no Arsenal de Guerra (atual Museu Histórico Nacional), sofreu um atentado contra a sua vida praticado pelo anspeçada Marcellino Bispo de Mello[9] ; escapou ileso, mas o seu ministro da Guerra, Marechal Bittencourt, faleceu defendendo a vida de Prudente. O presidente decretou, então, estado de sítio, para o Distrito Federal (Rio de Janeiro e Niterói) conseguindo assim livrar-se dos oposicionistas mais incômodos.

As dificuldades econômico-financeiras, herdadas da crise do encilhamento, acentuaram-se em sua administração, sobretudo devido aos gastos militares, aumentando as dívidas com os credores estrangeiros.

Com a assessoria de seus ministros da Fazenda, Rodrigues Alves e Bernardino de Campos, negociou com os banqueiros ingleses a consolidação da dívida externa, operação financeira que ficou conhecida como funding loan, base da política executada por Joaquim Murtinho nos quatro anos seguintes.[3]

No plano da política externa, resolveu, favoravelmente, para o Brasil a questão de limites com a Argentina, arbitrada pelo presidente norte-americano Grover Cleveland e na qual se destacou o representante brasileiro, o Barão do Rio Branco.

Ministros de Estado[editar | editar código-fonte]

Prudente de Morais, por Almeida Júnior.
  • Ministério da Justiça e Negócios Interiores:
  • Ministério da Marinha:
  • Ministério da Guerra:
  • Ministério das Relações Exteriores:
  • Ministério da Fazenda:
  • Ministério da Indústria, Viação e Obras Públicas:

Vida após a presidência e homenagens[editar | editar código-fonte]

Prudente de Morais desfrutava de grande popularidade ao fim do mandato, em 15 de novembro de 1898, quando passou o cargo de Presidente da República a Campos Sales e retirou-se para Piracicaba, onde exerceria a advocacia por alguns anos. Faleceu devido a uma tuberculose em 3 ou 13 de dezembro de 1902.[1] Prudente de Morais está enterrado no "Cemitério da Saudade", localizado na cidade de Piracicaba.

É homenageado dando seu nome à cidade de Presidente Prudente (SP), Prudentópolis (PR) e Prudente de Morais (MG).

Galeria[editar | editar código-fonte]

Notas

  1. A grafia original do nome do biografado, Prudente Joze de Moraes e Barros, deve ser atualizada conforme a onomástica estabelecida a partir do Formulário Ortográfico de 1943, por seguir as mesmas regras dos substantivos comuns (Academia Brasileira de Letras — Formulário Ortográfico de 1943). Tal norma foi reafirmada pelos subsequentes Acordos Ortográficos da língua portuguesa (Acordo Ortográfico de 1945 e Acordo Ortográfico de 1990). A norma é optativa para nomes de pessoas em vida, a fim de evitar constrangimentos, mas após seu falecimento torna-se obrigatória para publicações, ainda que se possa utilizar a grafia arcaica no foro privado (Formulário Ortográfico de 1943, IX).

Referências

  1. a b Informações presidenciais - Prudente José de Morais e Barros
  2. a b c d e Prudente José de Morais e Barros - Biografia Centro de Informação de Acervos dos Presidentes da República e Almanaque Abril UOL - Educação. Visitado em 26 de agosto de 2012.
  3. a b c d e Fernando Rebouças (18 de julho de 2008). Prudente de Morais InfoEscola. Visitado em 26 de agosto de 2012.
  4. Árvore genealógica de Prudente. Visitado em 31 de janeiro de 2012.
  5. Prudente de Morais: vida, paixão e morte (1). A Província. Netto, Cecílio Elias. Visitado em 31 de janeiro de 2012.
  6. Testamento de Prudente de Morais é monumento de honradez e dignidade. A Província. Netto, Cecílio Elias. Visitado em 31 de janeiro de 2012.
  7. Museu Histórico e Pedagógico Prudente de Moraes. Piracicaba. Visitado em 31 de janeiro de 2012.
  8. PORTO, Walter Costa, O voto no Brasil, Topbooks, 2002
  9. Atentado contra Prudente de Morais UOL. Visitado em 26 de agosto de 2012.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • ________, Prudente de Morais: O Primeiro Centenário do Seu Nascimento, Editora Revista dos Tribunais, 1942.
  • ________, Prudente de Morais - Parlamentar da Província de São Paulo - 1868-1889, Edição da Assembleia Legislativa de São Paulo, 2004.
  • ________, Biografia de Prudente de Morais, Centenário da primeira constituição promulgada por Prudente de Morais, Academia Piracicaba de Letras, 1991.
  • BARRETO, Amaral Antônio, Prudente de Morais: uma Vida Marcada, Editora I. H. G. S. P., 1971.
  • KOIFMAN, Fábio, Organizador, Presidentes do Brasil, Editora Rio, 2001.
  • PAULA, Assis José Eugênio, Prudente de Morais: Sua Vida e Sua Obra, Editora Gr Sangirard, 1976.
  • ROMANINI, Mauricio Guindani, Prudente de Morais: O precursor da propaganda política no Brasil — Sua trajetória até a presidência da República em 1894, Dissertação (Mestrado em Comunicação Social), Universidade Metodista de São Paulo, São Bernardo do Campo, 2002.
  • SILVA, Gastão Pereira da, Prudente de Morais - o Pacificador, Editora Zélio Valverde, 1946.
  • SILVA, Hélio, Prudente de Morais - 3º presidente do Brasil, Editora Três, 1983.
  • SILVEIRA, Peixoto, A Tormenta Que Prudente de Morais Venceu!, Editora Imesp, 1990.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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