Psicopata

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Psicopatia e/ou sociopatia (como também é conhecida) é a designação atribuída para um indivíduo portador de uma desordem de personalidade, caracterizada em parte por um comportamento antissocial, diminuição da capacidade de empatia/remorso e baixo controle comportamental ou, por outro, pela pertença de uma atitude de dominância desmedida.

Na Classificação Internacional de Doenças, este transtorno é denominado por Transtorno de Personalidade Dissocial (Código: F60.2).[1] Na população em geral, as taxas dos transtornos de personalidade podem variar de 0,5% a 3%, subindo para 45-66% entre presidiários.[2]

Transtorno de personalidade caracterizado pelo sentimento de desprezo por obrigações sociais ou falta de empatia para com os outros. Há um desvio considerável entre o comportamento e as normas sociais estabelecidas. O comportamento não é facilmente modificado pelas experiências adversas, inclusive pelas punições. Existe uma baixa tolerância à frustração e um baixo limiar de descarga da agressividade, inclusive da violência. Existe uma tendência a culpar os outros ou a fornecer racionalizações plausíveis para explicar um comportamento que leva o sujeito a entrar em conflito com a sociedade.[1]

Embora popularmente a psicopatia seja conhecida como tal, ou como "sociopatia", cientificamente, a doença é denominada como sinônimo do diagnóstico do transtorno de personalidade antissocial.

A psicopatia parece estar relacionada a algumas importantes disfunções cerebrais, sendo importante considerar que um só único fator não é totalmente esclarecedor para causar o distúrbio; parece haver uma junção de componentes. Embora alguns indivíduos com psicopatia mais branda não tenham tido um histórico traumático, o transtorno - principalmente nos casos mais graves, tais como sádicos e serial killers - parece estar associado à mistura de três principais fatores: disfunções cerebrais/biológicas ou traumas neurológicos, predisposição genética e traumas sócio psicológicos na infância (ex, abuso emocional, sexual, físico, negligência, violência, conflitos e separação dos pais etc.). Todo indivíduo antissocial possui, no mínimo, um desses componentes no histórico de sua vida. Entretanto, nem toda pessoa que sofreu algum tipo de abuso ou perda na infância tornar-se-á um psicopata sem ter uma certa influência genética ou distúrbio cerebral; assim como é inadmissível afirmar que todo indivíduo com pré disposição genética se tornará psicopata apenas por essa característica. Portanto, a junção dos três fatores torna-se essencial; há de se considerar desde a genética, traumas psicológicos e disfunções no cérebro (especialmente no lobo frontal e sistema límbico).

O psicólogo português Armindo Freitas-Magalhães é o autor do projeto científico pioneiro "Psicopatia e Emoções em Portugal" (2010)[3] com o objectivo de compreender os processos cerebrais envolvidos nas reações neuropsicofisiológicas da expressão facial da emoção, conhecer a razão pela qual o padrão de emocionalidade negativa é recorrente na psicopatia, se há diferenças de género e idade e procurar os motivos orgânicos e ambientais envolvidos e estabelecer um padrão que permita o tratamento e a profilaxia do crime. Para verificar e analisar o cérebro dos psicopatas e a relação correspondente à expressão facial, será utilizada a imagiologia de ressonância magnética funcional (fMRI), a psicometria neurofuncional e as plataformas informáticas que estimulam os sistemas cerebrais, particularmente o límbico.

De maneira geral, nos homens, o transtorno tende a ser mais evidente antes dos 15 anos de idade, e nas mulheres pode passar despercebido por muito tempo, principalmente porque as mulheres psicopatas parecem ser mais discretas e menos impulsivas que os homens [4] , e por se tratar de um transtorno de personalidade, o distúrbio tem eclosão evidente no final da adolescência ou começo da idade adulta, por volta dos 18 anos e geralmente acompanha por toda a vida.

Diagnóstico DSM-IV-TR[editar | editar código-fonte]

Critérios diagnósticos pelo DSM-IV-TR para transtorno de personalidade antissocial (F60.2/301.7) [5] :

  • A. Um padrão pervasivo de desrespeito e violação aos direitos dos outros, que ocorre desde os 15 anos, como indicado por pelo menos três dos seguintes critérios:
    • 1.Fracasso em conformar-se às normas sociais com relação a comportamentos legais, indicado pela execução repetida de atos que constituem motivo de detenção;
    • 2.Impulsividade ou fracasso em fazer planos para o futuro;
    • 3.Irritabilidade e agressividade, indicadas por repetidas lutas corporais ou agressões físicas; porém, paradoxalmente, têm fama e geralmente agem de forma bem comportada.
    • 4.Desrespeito irresponsável pela segurança própria ou alheia;
    • 5.Irresponsabilidade consistente, indicada por um repetido fracasso em manter um comportamento laboral consistente ou honrar obrigações financeiras;
    • 6.Ausência de remorso, indicada por indiferença ou racionalização por ter ferido, maltratado ou roubado outra pessoa.
    • 7. Comportamento sexual exacerbado e inadequado, via de regra com vários parceiros, sem nenhuma ligação afetiva;
    • 8. Agressividade contra animais domésticos;
    • 9. Desrespeito e desprezo por ambientes familiares;
  • B. O indivíduo tem no mínimo 18 anos de idade.
  • C. Existem evidências de Transtorno de Conduta com início antes dos 15 anos de idade.
  • D. A ocorrência do comportamento antissocial não se dá exclusivamente durante o curso de Esquizofrenia ou Episódio Maníaco.

Vale dizer que, embora tecnicamente o psicopata seja sinônimo do transtorno de personalidade antissocial, nem sempre os psicopatas (principalmente os mais comuns) apresentam todos esses critérios. Pelo contrário, conseguem manipular e mentir tão bem, que não raro todo psiquiatra ou médico certamente já consultou um indivíduo psicopata sem identifica-lo.

História[editar | editar código-fonte]

Em obras francesas do século XX, o termo psicopata passou a ser utilizado como sinônimo de psicótico. Alguns estudos psicológicos mais recentes apontam para a controvérsia; segundo alguns autores, os indivíduos psicopatas são perversos, mesmo que os indícios nosológicos tenham tendência a mostrar que os chamados psicopatas possa ser personalidades psicóticas de tipo limítrofe (entre a neurose e a psicose).

Graus de psicopatia[editar | editar código-fonte]

O psicopata é difícil de ser identificado prontamente pois geralmente não demonstra todos os sintomas descritos (DSM) de uma vez só. Pode ser uma pessoa comum que convive diariamente com as demais. Quando cometem algum tipo de ato inaceitável ou violento, frequentemente as pessoas ao seu redor ficam surpresas e têm dificuldade em acreditar nesses relatos. Entretanto, em contraste com tais características, um ponto muito comum entre todos os psicopatas é o ambiente intra familiar marcado por diversos e extensos conflitos; todo psicopata tem um histórico de ambiente familiar conturbado, permeado por constantes discussões e brigas [carece de fontes?].

Psicopata comunitário ou de grau leve[editar | editar código-fonte]

A maioria dos indivíduos psicopatas correspondem a aqueles de grau leve, por isso, geralmente não satisfazem totalmente todos os critérios do DSM do transtorno de personalidade antissocial. Nesse grupo predominam as mulheres. São os indivíduos psicopatas mais comuns, tendem a exibir poucos critérios e são aqueles que dificilmente chegam a violência física extrema; entretanto, são as mais difíceis de serem diagnosticadas porque tendem a se passar despercebidas no ambiente social, caracterizando o indivíduo "psicopata comunitário". Geralmente, possuem inteligência acima da média, mas pessoas frias, racionais, mentirosas, não se importam com os sentimentos alheios e são pessoas ditas dissimuladas na sua intimidade: Escondem tais características a todo momento, de forma que pouquíssimas pessoas consigam perceber, são muito manipuladoras. Muitas vezes estão ao lado de todos e ninguém consegue perceber isto. Elas podem ser desde um(a) falso(a) colega oportunista que vive se fazendo de vítima, até trapaceiros(as), parasitas sociais, políticos, empresários(as) e religiosos(as). Esse psicopata raramente vai para a cadeia, mas quando esses indivíduos - por algum motivo ilícito - vão para a prisão, são tidos como presos "exemplares" pelo seu bom comportamento: são muito bem vistos(as), comportados(as), não arranjam confusões e dissimulam uma aparência de inocentes coitadinhos(as), a ponto que outros presos e seguranças não consigam acreditar que aquela pessoa tão calma pôde cometer alguma atrocidade. Exatamente por isso, enganam tão facilmente a todos, fazendo com que diminuam o tempo de pena na cadeia. Do ponto de vista infantil, esses indivíduos podem ou não ter traumas significantes que possam ter sido considerados agravantes do transtorno mas, de forma geral, tiveram uma educação aparentemente normal. Comumente foram crianças com grande charme superficial, encantavam facilmente adultos pela sua aparência de docilidade e espontaneidade, entretanto, já apresentavam traços de frieza, insensibilidade, e intolerância à frustração - que podem ser evidentes em condutas como maltratar coleguinhas, animais, mentir etc.

Psicopata antissocial ou de grau moderado a grave[editar | editar código-fonte]

Já o indivíduo psicopata de grau moderado a grave corresponde àqueles que satisfazem quase ou todos os critérios do DSM (Manual de diagnóstico e estatística das perturbações mentais)do transtorno de personalidade antissocial e são os psicopatas deliberadamente antissociais. Esses psicopatas têm uma alta tendência a se enquadrarem por exemplo, na categoria serial killers. A maioria apresenta as mesmas características do psicopata comunitário, entretanto apresentam condutas extremas que os colocam contra à sociedade em geral fazendo com que sejam mais facilmente inseridos no meio carcerário. São menos frequentes, entretanto, uma vez que satisfazem quase ou todos os critérios para a personalidade antissocial, eles são aqueles que estão mais facilmente vulneráveis a delitos graves e chocantes. Eles geralmente são agressivos, impulsivos, frios, sádicos, mentirosos, não possuem empatia e são mais facilmente associados a psicopatas autores de grandes atos de violência física ou assassinos e serial killers, entretanto, escondem tais características de forma que socialmente são vistos como pessoas normais, cujos verdadeiros instintos ninguém é capaz de desconfiar. Os de grau moderado geralmente estão mais infiltrados no meio das drogas, álcool, jogo compulsivo, direção imprudente, vadiagem e promiscuidade e vandalismo, além de grandes golpes e graves estelionatos. Os que apresentam um grau muito grave, frequentemente são assassinos sádicos, ou seja, obtêm prazer ao ver o sofrimento de outra pessoa e são indivíduos excessivamente problemáticos, do ponto de vista emocional. Em contraste a essas características, de modo semelhante ao psicopata comunitário, podem apresentar-se como uma pessoa normal perante os outros e a sociedade, contudo, escondem uma personalidade muito mais sombria - esta ocasionalmente visível para familiares, por exemplo, onde o ambiente é marcado por discussões frequentes. Totalmente frios, sem remorso e ausentes de sentimentos carinhosos para com outros seres humanos, esses indivíduos não conseguem conter por muito tempo seus impulsos sádicos - embora saibam perfeitamente que seu comportamento é inapto e totalmente repudiado pela sociedade. É comum nessas pessoas, um histórico de doenças neuropsiquiátricas como depressão, déficit de atenção, transtornos de ansiedade ou outros distúrbios de personalidade, além de um persistente sentimento de vazio existencial e tédio, o que os faz buscarem constantes estímulos - inconstantes, enjoam de tudo facilmente, por isso sempre procuram algo novo e diferente para fazerem; mas possuem dificuldade em terminar o que começam. Na infância, esses indivíduos geralmente sofreram algum tipo de trauma significante o que pode ser considerado agravante da psicopatia. Normalmente foram crianças mais reservadas ou introvertidas, mas que, por vezes, apresentavam traços de transtorno de conduta.

Sintomas[editar | editar código-fonte]

Mesmo que não demonstrem socialmente, a característica principal da psicopatia é um forte traço narcisista enraizado na personalidade. São pessoas intimamente megalomaníacas (se acham superiores às outras pessoas), imprevisíveis, sem escrúpulos, excessivamente egoístas e egocêntricas. São charmosas e manipuladoras e podem dizer isso com o maior orgulho. Essa característica narcisista é mais acentuada do que os próprios portadores do transtorno de personalidade narcisista. Embora estes últimos com frequência demonstrem, de primeira, a todos o seu narcisismo, os psicopatas, a princípio nunca demonstram; entretanto, suas atitudes são típicas de alguém cujo "amor-próprio" é elevado. Podem ser pessoas excessivamente opiniáticas, autossuficientes ou vaidosas. Por isso, a principal característica de quem carrega o distúrbio consigo é ter os seus próprios interesses sempre em primeiro lugar, o tempo todo. Como são muito individualistas, essas pessoas precisam se sentir estimuladas todo o tempo, e não se importam com as pessoas que estão ao redor. Por isso são exageradas: comem demais, praticam sexo demais, dormem demais, folgam demais, não tem responsabilidade e quando trabalham, é só para conseguir dinheiro e poder. Mesmo assim, enjoam facilmente e tendem a abandonar o emprego por puro tédio e monotonia. São pessoas capazes de se integrar a qualquer grupo, mas não permanecem por muito tempo, devido ao seu egoísmo e por não aceitarem qualquer tipo de regras. Só o que elas querem é o que interessa. É só para elas, o outro só serve como meio para obter ou fazer uso delas. Aparentemente elas apresentam transtornos como impulsividade, teimosia, dificuldades em seguir regras, são geralmente questionadoras e não aceitam qualquer resposta como verdade, o que as torna rebeldes por natureza. É bom que se diga que a psicopatia não é uma doença mental, é um estado da mente de algumas pessoas que nascem assim e assim morrerão. Não existe nenhum tratamento totalmente eficaz, nem psiquiátrico nem medicamentoso para tratar da psicopatia.

Embora a psicopatia seja popularmente associada a pessoas violentas, com aparência insana - ou seja, facilmente identificáveis -, tal associação é comumente errônea, porque diferente do que as pessoas acreditam; psicopatas, em sua maioria, não são assassinos. Assim como nem todos os assassinos são psicopatas. Pelo contrário, foram identificadas na população mundial cerca de 4% (3% homens; 1% mulheres) de pessoas com esse distúrbio. No entanto diversos estudos recentes sugerem que a porcentagem para as mulheres possa ser maior que a dos homens devido a forma leve e discreta que o distúrbio se manifesta dificultando o diagnóstico, entretanto, dentre as 4% das pessoas no mundo apenas 1% dessas pessoas podem chegar a cometer assassinatos e delitos graves. Sendo assim, são muito difíceis de serem diagnosticadas e reconhecidas, pois são pessoas muito dissimuladas, com comportamento duplo (por ex, socialmente são vistas como "exemplares" comportadas, quando na realidade escondem um comportamento contrário: são verdadeiras "destruidoras").

Quase em todos os casos os criminosos seriais têm trabalhos efetivos e se comportam neles de forma responsável, podem ser pontuais e cumpridores, obtendo dos chefes o reconhecimento e boas referências. Alguns trabalham por conta própria, outros até têm um bom passado familiar e se dedicam a tarefas recreativas, hobbys, colecionam objetos artísticos, possuem refinados gostos culturais ou realizam ações de beneficência na comunidade, em atitude paradoxal com suas tendências delituosas.

Psicopatas normalmente vivem por ocultar suas intenções debaixo de uma aparência sedutora ou de amabilidade e cortesia. Mesmo aparentando um comportamento dócil e intenções de proteger certas pessoas, por trás disso, tal dissimulação esconde uma pessoa fria, calculista e falsa, caracterizando um indivíduo excessivamente manipulador. São cínicos e, apesar de fingir com maestria não conseguem amar no seu intimo, não conseguem manter um relacionamento leal e duradouro por anos, sobretudo por sua incapacidade de tolerar rotina e monotonia. Psicopatas dificilmente se apegam a alguém, detestam relacionamentos que invadam sua privacidade e intimidade, e quando os têm, não duram por muito tempo. Traem facilmente a fidelidade do parceiro, uma vez que não sentem empatia nem culpa.

A psicopatia é um transtorno mental sério que tem vários níveis de severidade. Estes níveis compreendem desde o grau leve, moderado e grave. A mulheres ditas psicopatas têm tendência a terem um grau leve e moderado, raramente são inclusas no grau grave. Este último é mais frequente nos homens o que por sua vez facilita o diagnóstico.

Uma característica muito comum em indivíduos com o transtorno é a intolerância a frustrações - este talvez o único motivo que os façam chorar de verdade -, o que frequentemente os faz adotarem comportamentos e ações extremas para conseguirem o que querem. Como são pessoas com ausência de emoções importantes, elas necessitam sempre de estímulos. Não admitem ser contrariadas, nem receberem um não de algo que elas realmente queiram. Elas "precisam" conseguir o que querem. Isso faz com que elas geralmente não desistam enquanto não conseguem algum objetivo que exclua o tédio de suas vidas; assim adotam atitudes extremas e/ou infantis, mas muito bem elaboradas: não importa o meio, o que realmente importa é o fim ("Os fins justificam os meios"). É por isso que, muitas vezes, comportamentos de assassinos seriais são totalmente vistos como sem lógica aos olhos de pessoas "comuns" por estas serem incapazes de compreender o verdadeiro mérito que levou a tal ato. Essa relutância em aceitar frustrações e a ideia insuportável de não conseguir o que querem, frequentemente as faz autoras de ações exageradas que uma pessoa normal comumente nem se quer pensaria na hipótese criminosa, tais como furtos, sequestros e, no extremo, assassinatos. É o caso da psicopata manipuladora que renegada por um homem, insiste na sedução e, após obter êxito, dirige-se as autoridades alegando tentativa de estupro por parte de seu parceiro e também vitima. Ou, ainda, o exemplo do assassino serial que após término de um relacionamento, passa a sequestrar e assassinar todas as mulheres com as mesmas características físicas da sua ex-namorada. Na realidade, são pessoas excessivamente rancorosas e vingativas. Provavelmente odeiam a sociedade porque um dia foram odiados por ela - ou ao menos imaginaram ser. Esses comportamentos, aos olhos de outras pessoas, são notavelmente sem lógica e motivo, entretanto, para o psicopata, nada o impede de passar por cima de outras pessoas para conseguirem o que querem. A frieza excessiva aliada ao sadismo, por vezes, as fazem cometerem tais crimes hediondos, muitas vezes com pitadas de rancor e vingança, o que as traz literalmente grande diversão. Elas nunca hesitarão em derrubar, trapacear, para conseguirem algo com isso (muitas vezes por puro prazer). O que para uma pessoa saudável é totalmente inadmissível; para uma pessoa psicopata, o que, de fato, importa é o seu objetivo, e não o meio que ela irá usar para conseguir isto.

Psicopatas são pessoas que vivem a oscilar entre um comportamento dominador e ao mesmo tempo um comportamento onde são as pobres vítimas. São excessivamente manipuladores e controladores. O lema de uma pessoa psicopata é sempre "controlar para não ser controlada". Pessoas assim, não se importam verdadeiramente com os sentimentos alheios sendo que suas ações insensíveis geralmente são destinadas para o proveito próprio (como a riqueza material) ou até mesmo por pura diversão de ver os outros sofrerem.

As pessoas psicopatas que aplicam golpes a fim de obterem algum ganho material com isto, geralmente são psicopatas de grau leve a moderado, consideradas psicopatas comunitárias. Enquanto isso, aqueles que cometem alguma violência física cruel sem nenhum motivo lógico ou por puro prazer de ver o sofrimento alheio, são tidas como psicopatas de grau mais grave e, geralmente, são naturalmente sádicas - totalmente insensíveis, se divertem com o sofrimento alheio.

Essas pessoas, dependendo do grau da psicopatia, deixam marcas por onde passam, desde marcas sentimentais a marcas financeiras. Elas são literalmente antissociais no sentido de não seguir regras sociais tidas como normais, fingem amar tudo e todos, mas na prática parecem não se importar, são hostis à sociedade, demonstrando uma conduta que lhes trazem conflitos frequentes com o meio em que vivem. Podem ser contrárias às regras, rebeldes, não temem castigos na infância, afrontam os pais e irmãos, mas não os amigos, são agressivas na intimidade e apresentam um comportamento em que suas ações são destinadas a desafiar às pessoas em sua volta, mesmo negando, por isso são frequentemente irritantes e pouco toleráveis. Psicopatas não são capazes de manterem um vínculo afetivo por muito tempo e muito menos se apegar emocionalmente a alguém, apesar de simularem tal condição com perfeição. São pessoas egoístas, insensíveis, frias e que buscam apenas prazer, embora possam fingir o contrário quando acham necessário. Elas podem sentir frustração, rancor, ódio, inveja e outra qualquer emoção negativa, entretanto, é comum esquecerem dos sentimentos positivos (ternura, carinho, consideração, altruísmo etc.), não ao menos com as outras pessoas. São capazes de amar, mas não amam da mesma forma que as outras pessoas; na realidade, o que predomina nas pessoas sociopatas é um grande sentimento de posse - este frequentemente exibido.

Psicopatas são pessoas inteligentes, facilmente se disfarçam de ingênuas, santas ou inocentes para conseguirem o que querem. Essas pessoas têm uma grande habilidade em adquirir simpatia e carisma das pessoas por quais se interessam e, por isso, induzem com rapidez os outros a fazerem coisas que na realidade "não" tinham intenção. São árduas manipuladores. São chantagistas, por vezes, mudam totalmente de um mau comportamento para uma conduta exemplar, a fim de disfarçar sua índole e conseguirem o que querem. Elas podem usar da mentira mas não admitem que esta mesma seja usada para com elas. O lema é "eu posso fazer, mas você não". Além disso, uma característica típica que as diferencia de pessoas mentirosas que mentem para receber atenção ou admiração, é que a mentira das psicopatas é dificilmente descoberta. São tão calculistas que conseguem mentir olhando nos olhos, chorando para obter credulidade como vitimas, sem remorso ou arrependimento, e suas mentiras raramente são descobertas porque são muito bem planejadas. São pessoas muito preocupadas consigo próprias, irresponsáveis e imediatistas. Tais características geralmente são muito mais atribuídas as mulheres psicopatas do que aos homens. Entretanto, esses detalhes também se assemelham nos homens psicopatas.

Emoções superficiais e teatralidade[editar | editar código-fonte]

Sociopatas em geral têm emoções rasas, podendo demonstrar amizade e consideração facilmente para conseguirem conquistar a confiança de determinadas pessoas, contudo, tais emoções são superficiais e breves porque não são verdadeiras.

As pessoas psicopatas não tem sentimentos sólidos para com outras pessoas; entretanto, parece que desde criança - apesar desse vazio sentimental - eles conseguem "imitar" as emoções das outras pessoas (embora não as sintam de verdade) a fim de conseguirem um ideal. Por exemplo, elas podem não sentir altruísmo, entretanto, aprendem a imitar esse altruísmo, usando-o para algum benefício. Por isso, suas emoções podem ser passageiras, porque apenas copiam as emoções, mas não as têm. Por exemplo, uma psicopata pode mostrar-se excessivamente triste porque magoou um colega, entretanto, em pouco tempo tal emoção parece subitamente desaparecer, como se nada tivesse acontecido. Assim são suas emoções, geralmente aparecem e desaparecem de forma súbita.

Sua vida inteira é vivida de forma teatral e dramática, onde a pessoa psicopata é sempre a "vítima" ou "coitadinha" e os outros são os vilões maldosos, que merecem punição. Elas tentam sempre a convencer suas vítimas de que elas próprias estão tendo algum tipo de sofrimento, perseguição, assim, acarretam na outra pessoa um sentimento de comoção, dó ou pena - uma das principais armas dos psicopatas. São também irresponsáveis: tendem a fugir de suas responsabilidades profissionais e a característica mais marcante é jogar a culpa em outras pessoas, por isso fazem de tudo para convencer as pessoas acreditarem de que toda a culpa do universo é do outro e não de si mesmo. Essa irresponsabilidade ainda é notada quando marcam um compromisso e, sem mais nem menos, cancelam em última hora, sem se importar com suas consequências para outras pessoas. Psicopatas têm imensas habilidades em inverter os papéis das situações, onde uma pessoa é apontada como vilão e elas as vítimas. Um bom critério para identificar vilão e vítima é observar o passado dos indivíduos envolvidos. O psicopata possui histórico recorrente de problemas de relacionamentos passados, enquanto a verdadeira vítima, na maioria dos casos possui problemas apenas com o psicopata.

Frieza e ausência de sentimentos[editar | editar código-fonte]

Apesar de não demonstrar, psicopatas são pessoas insensíveis, frias e com ausência de sentimentos genuínos para com outras pessoas. Elas parecem não sentir emoções calorosas entre os humanos, tais como o amor, compaixão e altruísmo. São intimamente pessoas frias, que não sentem amor, carinho e ternura, às vezes até mesmo com pessoas próximas, tais como familiares. Por mais que algumas pessoas acreditem inocentemente que um dia o psicopata poderá sentir algum tipo de sentimento altruísta, lamentavelmente ainda não se pode afirmar hipóteses do gênero. São pessoas que sempre priorizam seus interesses sem nenhum tipo de sentimento verdadeiramente solidário para com os outros, apenas para si mesmo. Não amam, não sentem dó, não são humildes, nem generosos, muito menos carinhosos e afáveis. Esses indivíduos não sentem afeto verdadeiro por outros seres humanos; portanto, jamais sentirão do mesmo modo que pessoas "normais" sentem. Talvez nunca tenham sentido, contudo, aprenderam a imitá-las. Aprenderam a imitar a forma como duas pessoas se amam, se compreendem. Aprenderam a imitar o altruísmo, o carinho e a generosidade ao observarem e copiarem tais demonstrações vindas de outras pessoas, mas nunca advindas de si próprio. Por isso, demonstram superficialmente seus sentimentos e emoções, pois na realidade não passam cópias e imitações de sentimentos. Quando demonstram sentimentos bons é mais uma forma de manipular para conseguir algo com isso. Raramente dizem "eu te amo", ou então, mais frequentemente, quando dizem, fazem para disfarce. Dizem que amam, mas suas ações e comportamentos verdadeiros demonstram o contrário. Na realidade, elas frequentemente tratam as pessoas como "coisas" ou "objetos" a fim de obter algo vantajoso para si. Exatamente por isso, a pessoa sociopata oscila entre períodos em que causa sofrimento às pessoas, e períodos em que demonstra muito afeto e consideração. Quando uma pessoas sociopata realiza um ato solidário impera a hipocrisia. Ou esta disfarçando ou certamente esta cedendo para obter algo mais vantajoso para si mesma.

Psicopatas são pessoas, acima de tudo, frias e insensíveis. Frias emocionalmente de tal forma que nada as faz se comoverem por algum tipo de dor ou sofrimento alheio. Via de regra, não demonstram qualquer tipo de afeto, amor ou carinho por outra pessoa, inclusive seus próprios familiares. Só o demonstram para conseguir algo. Não vão se importar se feriram ou não alguém, muito menos vão se chocar por algum acontecimento doloroso a outrem. Pelo contrário. Podem ver, ouvir e até mesmo cometer inúmeras violências sentimentais ou físicas sem ter a capacidade de sentir algum tipo de emoção com isso; qualquer tipo de sofrimento para outra pessoa, para eles, é simplesmente "desprezivel". É exatamente por esta razão que muitos psicopatas assassinos são popularmente descritos como "sangue frio", sem emoção. Compaixão, dó, pena e altruísmo são palavras totalmente ausentes na área emocional do psicopata. Do ponto de vista emocional, nada os choca, nada os faz chorar verdadeiramente por dó, tristeza ou compaixão em ver uma outra pessoa sofrer, seja da pior forma possível. É o caso do indivíduo que perde um irmão e apenas diz calmamente "que pena" e, pouco tempo depois, volta a fazer o que estava a fazer antes. São pessoas excessivamente insensíveis.

Nota-se nessas pessoas uma falta de sentimentos considerados receosos, tais como o medo, nojo e remorso. Na maioria das pessoas, essas emoções quando são confrontadas têm por definição impedir um aproximamento daquilo que causa o receio, ou se arrepender de alguma ação feita. No caso dos psicopatas, eles parecem sentir pouco, ou até mesmo serem ausentes de tais emoções. Consequentemente, o medo, pânico e remorso são pouco sentidos, ou inexistentes em psicopatas. Via de regra, o psicopata de grau leve é capaz de sentir emoções receosas, entretanto, o psicopata considerado grave frequentemente é completamente ausente dessas emoções. O indivíduo antissocial também não teme porque não tem as emoções normais de um ser humano. Diante, por exemplo, questões ilegais em que estão envolvidos, eles assistem tais processos de forma indiferente, como se não estivessem envolvidos. Em geral, a impulsividade em busca de novos estímulos somada à ausência do medo e do remorso, os levam ao exibicionismo e a cometerem atitudes antissociais.

O psicopata é visivelmente uma pessoa com uma grande falta de empatia, por isso apresenta um estilo de interação sadomasoquista. Geralmente ela é a que induz ao sofrimento, e o outro é o que recebe o sofrimento, embora o contrário também possa acontecer, pois o psicopata da mesma forma que não se preocupa com os outros, também não se preocupa muito consigo mesmo. É importante notar que, sendo uma das principais características da psicopatia, apesar disso tudo, o psicopata raramente demonstra sentir remorso ou culpa pelo o que faz. São pessoas que não sentem culpa ou sentem muito pouco, o que não faz com que impeçam-nos a evitar atitudes que causem sofrimento. Após cometer sofrimento a outras pessoas, eles podem se mostrar indiferentes, poucos preocupados com o ocorrido, ou então até rirem ou se orgulharem disto. Em alguns casos, teatralizam o arrependimento e o sentimento de remorso, chorando e alegando sentir culpa, entretanto, isso não passa de mero drama que subitamente desaparece após algum tempo.

Muito mais razão que emoção[editar | editar código-fonte]

Sociopatas, via de regra, são pessoas que tendem a racionalidade exaltando sua emotividade. Pessoas assim, não conseguem experimentar - não, ao menos, da mesma forma que as pessoas "normais" - sentimentos como amor, carinho e afabilidade, por isso em seu intimo são distantes emocionalmente nas suas relações. Apesar de serem muito impulsivas - tomam decisões ao sabor do momento; quando querem algo, não conseguem dizer "não" a si próprio; não pensam nas consequências das suas ações, são pessoas muito levadas pela sua própria razão acreditando agir por emoção. Por terem um cérebro muito mais racional que emocional, elas não se comovem facilmente. Não se comovem com a dor e sentimento alheio, mas fingem comoção e tendem a planejar tudo de forma fria e calculista. Intuição como amor a filiação e fé são formas de fingimento para esses indivíduos, por isso, não raramente são pessoas céticas, desapegadas a coisas não-materiais. Porém existem os indivíduos capazes de fingir com maestria comportamentos tidos como exemplo de ética social, são capazes de fingir crenças, fé e determinados hábitos para se infiltrarem em grupos sociais ou religiosos a fim de ocultar sua verdadeira personalidade. Principalmente em aspectos religiosos. Os psicopatas estudam as crenças dos grupos que se aproximam e são capazes de citar passagens e mandamentos bíblicos em público fingindo crer nas palavras replicadas, mas sempre a fim de fingir ser uma boa pessoa para conquistar a confiança dos seus próximos. Não de forma incomum são capazes de utilizar e distorcer palavras em nome de uma crença religiosa para justificar seus atos ou manipular outros fiéis a realizarem o que desejam.

Quando detectam que outras pessoas começam a notar seus desvios de personalidade são extremamente hábeis em fingir comportamentos exemplares, alterando e adaptando seus desvios de conduta para que não sejam descobertos. Ao notarem que sua personalidade foi descoberta é comum que saiam de cena, mudem de residência e procurem estabelecer novos vínculos sociais com pessoas distantes que desconheçam seu comportamento patológico, mantendo pouco ou nenhum vínculo com seu passado. Se atém a coisas simplórias e momentâneas da vida. O que querem está em constante mudança. A satisfação interior lhes é inacessível. Por isso, a necessidade exacerbada de estímulos sensoriais, uma vez que, sua ideia de prazer parte de fatores externos. Carecem de amadurecimento interno, levando a uma baixa valorização daquilo que se é conquistado.

Como são pessoas que fazem o possível e o impossível para realizar seus desejos, nem que para isso tenha que mentir, manipular, furtar ou até mesmo apelar para atos de violência, quando questionadas sob tais comportamentos, elas tendem a falar racionalmente, não emocionalmente, uma vez que são indivíduos que não conseguem sentir emoções verdadeiras. Em suas justificativas são teatrais, caso julguem necessário utilizam o choro e narram os acontecimentos colocando-se no papel de vítima. Essa sua principal característica.

Atualmente, através de inúmeras pesquisas neuropsiquiátricas, o psicopata é visto - através de ressonância magnética, por exemplo - como um indivíduo muito mais racional que emocional. Isso porque os especialistas concluem que o cérebro desses indivíduos responde de forma diferente da maioria das pessoas consideradas "normais". Por exemplo, os psicopatas têm pouca pena ou culpa, duas emoções essenciais para a cooperação social. Por outro lado, seus cérebros ativam mais intensamente os circuitos cerebrais relacionados ao raciocínio lógico e o desejo de vingança. Essas alterações nas áreas das emoções fazem com que sejam inteligentes, perigosos, irritadiços, agressivos, estabeleçam relações amorosas conturbadas, mintam e manipulem com facilidade, não sintam empatia, e muito menos se arrependam por tudo isso.

É comum, entre psicopatas, uma explicação racional a respeito do que é certo ou errado, entretanto, por mais que saibam isso, eles não conseguem sentir tais sentimentos de certo e errado. E é exatamente isto que faria com que muitos evitassem cometer crueldades; pois eles pensam e sabem do errado, mas não conseguem senti-lo. É esse sentir que faria com que o meio emocional (ex.: pena) interviesse em seus atos. Um assassino sádico até sabe que o que está a fazer é errado; entretanto, por ter um cérebro essencialmente racional, seu emocional é tão prejudicado que não consegue fazer com que suas emoções o impeçam de cometer um assassinato cruel. É também por isso que possuem uma personalidade naturalmente dissimulada. Eles nunca vão demonstrar à sociedade, descaradamente, como são, de fato. Eles sabem que seu comportamento e sua personalidade são inadmissíveis e vistos como macabros aos olhos de todos. Sabem perfeitamente que possuem ideias, atitudes e comportamentos errados. Por isso, buscam mostrar às pessoas a todo instante uma outra personalidade: uma superficial que é exibida a todos de forma "certa", mostrada de um jeito pelo qual todos aceitam, enquanto escondem sua verdadeira índole, porque sabem que não serão tolerados se exibirem sua face real. Sabem do errado, porém, não são capazes de evitar o errado.

Encanto superficial e sedução[editar | editar código-fonte]

Nem todas as pessoas psicopatas são encantadoras ou sedutoras, mas uma boa parte dessas pessoas apesar de serem contra todos que se opõe aos seus interesses, à primeira vista podem demonstrar grande simpatia e encanto com os outros. É geralmente assim que elas conseguem se aproximar de quem as interessa, sem fazê-las desconfiar de que possuem outras intenções. Pessoas que utilizam do encanto ou sedução para conquistarem outras causas são denominadas manipuladoras. Indivíduos psicopatas são árduos manipuladores; facilmente conseguem influenciar as outras pessoas porque possuem ótima lábia, estupendo conhecimento e fingem respeito e admiração por aquilo que o outro gostará de ouvir ou ver. Especialmente as mulheres psicopatas possuem grande habilidade na sedução utilizando-se da exposição corporal, gestos, olhares, movimentos sensuais e contato físico realizado unicamente com o intuito de atrair vitimas que tenham algo do seu desejo. Nota-se que tais atos costumam ser seguidos de insinuações de sucesso sexual. O sexo é usado como moeda de troca. Os interesses do parceiro(a) serão atendidos desde que seus interesses também sejam atendidos. É diferente de situações onde predomina o prazer livre de interesses motivado por amor ou paixão. É adequado notar também que, apesar de serem persuasivas, são pessoas céticas e desconfiadas que dificilmente são influenciadas ou seduzidas. Elas são sempre as influenciadoras, mas raramente são as influenciadas, portanto fingem estarem apaixonadas para que suas vítimas não percebam suas verdadeiras intenções.

De maneira geral, a pessoa psicopata na maioria das vezes pode ser simpática, engraçada, interessante e sedutora socialmente a fim de conseguir a simpatia das outras pessoas por quais se interessam.

Dependendo da vítima, na maioria das vezes, o sociopata pode usar-se da sedução, especialmente se for uma mulher psicopata que, por exemplo, pode seduzir um homem mais facilmente e depois obter o que dele a interessa. Nesses casos, muitas psicopatas podem assemelhar-se aos os portadores do transtorno de personalidade histriônica, por exibirem uma aparência física atraente e/ou comportamento sedutor.

Indivíduos com personalidade antissocial não se importam em passar por cima de tudo e todos para alcançar seus objetivos. Manipulam facilmente as pessoas, mentem e enganam e não se importam com isso. Ao mesmo tempo, a todo instante buscam exibir aparência nada sugestionável de psicopatia: podem ser simpáticos, educados e comportados, entretanto, diante da menor contrariedade ou ameaça, se tornam irritáveis. Esta característica muitas vezes é disfarçada socialmente, entretanto, é comumente percebida no ambiente intrafamiliar. Podem ser tidos como explosivos, agressivos ou estressados, entrando facilmente em discussões e brigas com a família, principalmente seus pais na época da adolescência. Sendo assim, não se importam em terem ferido emocionalmente (ou fisicamente) seus familiares, nem consideram pedir desculpas sinceras; agem como se nada tivesse acontecido, porém se questionados sobre sua ausência de remorso, podem desculpar-se e agir a fim de ludibriar e enganar a quem os observa. Quando isso ocorre e resolvem reconhecer seu comportamento agressivo, mais uma vez, tudo não passa de dissimulação. São pessoas peritas em inversão de papéis: seu ato teatral é sempre baseado em vítima e vilão, em que, obviamente, a vítima é sempre ela. Vivem a fazer papel de vítima ou coitadinhas, invertendo os papéis em que as outras pessoas são sempre as vilãs. Eles geralmente culpam ou acusam seus familiares ou parceiros por seu comportamento agressivo (por ex, em uma discussão sempre dizem que foi fulano que começou, nunca ela), nunca admitem um erro intimamente, querem ter sempre a razão de tudo e tentam fazer o possível para com que o outro se sinta o culpado. De uma forma ou de outra, esses indivíduos têm notáveis tendências em estimular sentimentos de dó, compaixão e pena nas outras pessoas. Como é perceptível, a maioria dos psicopatas não mata, mas é capaz, porém, de arrebentar facilmente com o emocional e até mesmo o financeiro das pessoas com que se relaciona.

Em contraste, com outros indivíduos, são pessoas apaixonáveis e encantadoras. Conquistam e seduzem facilmente as pessoas por quais obtêm interesse, tanto que raramente os outros desconfiam de estar se relacionando com uma pessoa antissocial que não segue regras da sociedade, pois muitos psicopatas camuflam tal comportamento sob uma aparência "angelical". Isso faz com que frequentemente despertem nas outras pessoas, pensamentos como "É impossível fulano(a) estar fazendo isso, ele(a) não é uma pessoa ruim, com essa cara de anjinho(a)", ou ainda "Não consigo acreditar como fulano(a) foi capaz de enganar tanta gente, ele(a) sempre foi tão comportado(a), um amor de pessoa!" por exemplo. Muitas vezes, quando os familiares relatam para conhecidos, os comportamentos anormais de seus filhos, as outras pessoas têm uma imagem anteriormente tão boa e ingênua do indivíduo, que ficam perplexas e não conseguem acreditar em tais relatos. Isso quando não ocorre dos próprios pais não perceberem que seus filhos são portadores desse transtorno. E naturalmente é dessa confiança que psicopatas precisam para se aproveitar. Os maiores enganados por psicopatas costumam ser seus cônjuges, familiares e amigos próximos desprovidos de maior capacidade de observação comportamental seduzidos por algum comportamento exemplar que o psicopata tenha realizado.

Irritabilidade e intolerância às frustrações[editar | editar código-fonte]

Apesar de socialmente demonstrarem serem "santos(as)", muitas vezes o ambiente familiar é muito diferente dessa falsa demonstração para a sociedade. Não raro, os indivíduos portadores da psicopatia são irritantes, agressivos e problemáticos sob o teto do seu lar. Possuem baixa tolerância para frustrações, portanto, contrariedades mínimas como problemas financeiros já podem ser motivos para agressividade, discussões acaloradas e ofensas pejorativas a fim de machucar sentimentalmente. Por terem um baixo limiar de descarga de agressão, eles facilmente perdem a calma por qualquer coisa, se estressam rapidamente por qualquer contrariedade ou confronto, agindo de forma pueril ou extrema quando não conseguem o que querem.

Essa intolerância às frustrações os faz pessoas rancorosas, vingativas e incapazes de aceitar obstáculos comuns do cotidiano. Frequentemente acumulam ódio por algo ou alguém, não suportam perderem, detestam não conseguir o que querem e podem cometer atitudes extremas por conta disso. As frustrações inadmissíveis é que são as únicas fontes capazes de um indivíduo psicopata chorar de verdade. Fora as suas próprias frustrações, choram apenas por mera falsidade ou teatro.

Quando tentam uma empreitada e se deparam com uma pessoa portadora de habilidade suficiente para notar sua verdadeira personalidade sem se deixar manipular, estipulam esta pessoa como possível ameaça. É comum elegerem tal indivíduo como seu rival ou inimigo. A partir deste momento responsabilizam e acusam este indivíduo por todos os fracassos que ocorrem em sua vida. São capazes de manipular conhecidos em comum para criar complôs e fazer acusações indiscriminadamente. Prejudicam, mentem, distorcem, tentam fazer as pessoas próximas se afastarem do seu "suposto" inimigo. Socialmente fingem indiferença, mas intimamente a pessoa passa ao rol das mais importantes. Psicopatas não suportam a possibilidade de ausência de controle das situações e não toleram pessoas que tenham controle sobre seus interesses. Sua individualidade e intimidade é intocável.

Eles também podem ser tidos como aquelas pessoas que vivem a desafiar as autoridades da casa, tais como os pais, avós, etc. O ambiente familiar, dependendo de cada psicopata, pode ser marcado desde discussões leves até violência física para com os membros que moram na casa. Muitas vezes, o lar doméstico desses indivíduos é marcado também pelas outras diversas característica psicopáticas, tais como egoísmo, mentiras, manipulação etc. Da mesma forma com as outras pessoas, eles não se importam com os sentimentos dos seus familiares, são frios e não sentem culpa por nada que fazem. Eles tendem a se aproveitarem da situação familiar para tirarem benefícios para si próprios, como por exemplo a herança da família.

Em suma, são na realidade, indivíduos irritadiços, agressivos, impulsivos, sádicos, interesseiros, egoístas, sedutores, frios e excessivamente manipuladores: enquanto maltratam as pessoas mais íntimas que se importam com ele, o indivíduo demonstra profundo ódio, rancor e indiferença a quem detém poder sobre si; fora desse ambiente familiar conturbado, se mostram totalmente o oposto: pessoas queridas, alegres, amorosas e do bem.

Mentiras e comportamento fantasioso[editar | editar código-fonte]

Psicopatas usam a mentira como uma ferramenta para seus objetivos. Exatamente por isso, não usam a mentira da mesma forma que as outras pessoas usam e sim usam-na como ferramenta de trabalho. São tão racionais que planejam muito bem suas mentiras, a ponto de que conseguem mentir olhando nos olhos e demonstrando atitudes calmas e típicas de quem está falando a mais brilhante verdade, quando na realidade, não passam de grandes mentiras. Tais mentiras muitas vezes são caracterizadas por histórias muito bem detalhadas e minuciosas, a ponto que as outras pessoas nem se quer desconfiam de que tudo não passa de um teatro, por isso, raramente suas mentiras são descobertas. Entretanto, quando isto acontece, eles podem negar até a morte que tudo não passa de uma farsa, mesmo que tudo e todos provem o contrário. Também podem mostrar-se totalmente indiferentes à descoberta, ou admitem, mas inventam alguma desculpa encobrindo a outra mentira. Quando tais descobertas implicam em rejeição social é comum o afastamento do psicopata em relação a quem os identificou, implicando em mudança de residência para um local distante e iniciando um novo círculo social com pessoas que desconhecem seu comportamento patológico.

Psicopatas também apresentam um comportamento fantasioso que frequentemente muda. São tidos como camaleões sociais, porque estão em constante mudanças socialmente. Eles geralmente mudam de comportamento conforme a pessoa, mais especificamente, conforme o que a pessoa quer. Então, é comum terem diversos comportamentos diferentes com diferentes pessoas. Isso também ocorre porque são indivíduos que levam uma vida dupla: socialmente são vistos como os ingênuos inocentes, quando na verdade escondem um lado obscuro.

Em geral, todas as pessoas têm por si uma característica de camaleão social, afinal, ninguém consegue ser totalmente constante e igual com todos ao mesmo tempo. Todos são diferentes, por exemplo, com seus amigos e com seus familiares. Contudo, o psicopata apresenta uma característica muito forte: uma forma de "dissociação" de personalidade, isto é, como se tivessem uma fina camada de verniz. Isto ocorre porque o antissocial desenvolve uma personalidade para convívio social, para conseguirem se infiltrarem e misturar-se com os outros seres. Ou seja, na realidade, eles demonstram para a sociedade uma personalidade fantasiosa, pois na realidade, escondem um temperamento totalmente oposto ao que demonstram socialmente. No caso do psicopata, esse disfarce social é totalmente excessivo e extremo da real personalidade - enquanto podem ser típicos exemplares socialmente, com família, filhos e trabalho normal, na realidade, são pessoas extremamente doentes.

Seu verniz é tão perfeito que, quando cometem algum tipo de crueldade, as pessoas na prisão confiam nele e em seu comportamento, sem entender como aquela pessoa tão educada e solícita, calma e comportada, possa ter cometido crimes tão numerosos e violentos.[6]

Vazio existencial e tendência ao tédio[editar | editar código-fonte]

Psicopatas são pessoas excessivamente sensíveis ao tédio, monotonia e tudo o que for relativo à "constância". Necessitam constantemente de estímulos, pois são ausentes de emoções reais. Pessoas assim ficam entediadas e deprimidas muito facilmente, não suportam monotonia e rotina, e estão em busca constante por estímulos e excitações que lhe ofereçam perigo para se livrarem do tédio. Por isso, enjoam facilmente de tudo e todos. Então, seus relacionamentos, empregos, preferências e objetivos estão em constante mudança, em alguns momentos parecem indivíduos bipolares. Enjoam muito fácil das coisas.

Precisam sempre de novidades a fim de que não caiam na monotonia. Assim, seus relacionamentos não são duradouros, (Máx 2 anos) eles não param em um emprego fixo, seus objetivos perdem a graça muito fácil, seus gostos são instáveis etc. Psicopatas geralmente podem começar um determinado projeto de forma empolgada e excitante, contudo, não conseguem terminá-lo porque de repente parecem ter enjoado. Também pode acontecer que anseiam em excesso por algo, todavia, quando conseguem, não querem mais. Portanto, para eles, a empolgação para as coisas da vida têm uma duração muito curta. Logo, se são pessoas que não toleram tédio e rotina, consequentemente também são intoleráveis às regras e normas.

Egoísmo e egocentrismo[editar | editar código-fonte]

Como psicopatas são seres incapazes de sentir sentimentos calorosos por outros seres humanos - tais como o amor, altruísmo, generosidade, humildade e pena - eles não conseguem amar outras pessoas; não ao menos da mesma forma que a maioria das pessoas consegue. Na realidade, nos psicopatas o que predomina é um grande sentimento de posse e utilização do próximo aos seus interesses. Apesar do ciúme e possessividade andarem lado a lado, o ciúme geralmente é normal e - até certo ponto - necessário numa relação, mas o ciúme doentio é fruto de uma baixa auto estima e insegurança. Do outro lado, a possessividade - diferente do ciúme doentio visto como sinal de insegurança - é um sentimento egoísta e que geralmente não está relacionado a uma insegurança e sim a uma personalidade egoísta que não sabe diferenciar objeto de pessoa, tratando, assim, pessoas como meros objetos criados para atender aos seus interesses, pois enquanto o ciúme pode ser visto como um sentimento para com pessoas; a possessividade está muito mais relacionada a objetos, "ter apenas para si tal objeto" por puro egoísmo. É por isso que no psicopata o que predomina é a possessividade. Como eles são exímios egocêntricos e não sentem nada, eles não têm a insegurança típica de quem ama, mas sim um sentimento de posse, na qual a outra pessoa é vista como um objeto que é apenas dele e não deve ser dividido de forma alguma. Às vezes, quando eles demonstram afeto por alguém, ou é pura dissimulação ou um grande sentimento de possessividade por tal pessoa, o que faz frequentemente, a princípio, acreditarem que estão apaixonados, quando na verdade, não sentem nada mais que posse por tal pessoa. Sentimentos de amor seguem a mesma linha. Veneram e expressam sentimentos de amor quando o questionamento da ausência desse tipo de sentimento implica prejuízo aos seus interesses. Além disso, tendem sempre a inventar desculpas de sua possessividade (por ex, "é porque eu te amo", "tenho medo de perdê-lo (a)" ou ainda "é porque tenho ciúme de você"). O egoísmo desses indivíduos é tanto que por mais possessivos que sejam, não aceitam esta regra aplicada para o outro. Por exemplo, eles podem ser possessivos com os outros, mas os outros não podem ser com eles.

Como o antissocial é egoísta e ausente de sentimentos bons para com outros, eles frequentemente também exibem possessividade não somente num relacionamento íntimo, mas também em todos aspectos de sua vida. Eles tratam como meros objetos seus familiares, seu cônjuge, seus amigos, seus pertences. Não toleram serem ignorados e, se todos são tratados como objetos, portanto, a possessividade também estará presente. "Dividir" e "generosidade" são vocábulos inexistentes na personalidade dos psicopatas. Não suportam "dividir" nada nem ninguém. Seus amigos não podem ser amigos de mais ninguém, a não ser dele; seus pertences não são de ninguém, só deles; o dinheiro é apenas dele e não será dividido com mais ninguém; a atenção e admiração não será de ninguém, apenas deles. De forma geral é dessa forma que a vida de um psicopata é baseada, porém, quando demonstram o contrário: generosidade, não passa de mera falsidade. Eles geralmente demonstram comportamento contrário ao egoísmo (por ex, o psicopata que resolve emprestar dinheiro para um familiar necessitado) para disfarçarem socialmente ou conseguirem algo com isto.

Essa possessividade geralmente gera no psicopata um outro sentimento: a inveja. Por isso, são frequentes invejosos embora possam não demonstrar isso claramente. Pelo contrário, são eles que se fazem de genuínos, que não invejam nada nem ninguém, ou que apenas sentem uma "inveja boa". Enquanto isso, desejam mal às outras pessoas que conquistaram algum determinado ideal pela qual o psicopata também anseia; e às escondidas articulam planos para arruinar tais conquistas. Isso porque querem tudo apenas para si e se veem como donos do universo; o mundo é visto, por eles, como ao redor de seu próprio umbigo (egocentrismo exacerbado).

Para psicopatas, eles são quem merecem uma conquista e não os outros; os outros são sempre os que recebem mais e eles não recebem nada (por ex, um psicopata ao ver que um colega de trabalho recebeu uma oferta especial no emprego, ele tende a pensar que é ele que merece essa proposta e não seu colega). Por isso, são os reis de estratégias que visam conseguir a qualquer custo o que querem, mesmo que isto acarrete em prejuízos para outras pessoas.

Incorrigibilidade e ausência de remorso[editar | editar código-fonte]

Uma característica notavelmente exclusiva nos psicopatas é a capacidade de resistir a punições e castigos. Psicopata não aprende com os erros, pelo contrário, vai continuar cometendo os mesmos erros, ferindo ou não outras pessoas. Desde criança, por exemplo, esses indivíduos demonstram inflexibilidade e teimosia no comportamento após punições dos pais; eles não são afetados ou mudam seu comportamento com os castigos, continuam a agir da mesma forma sempre. Quando castigado, o psicopata tende a repensar modos de agir novamente o mesmo comportamento, mas o faz para adaptar suas estratégias e evitar ser punido novamente. A frase comumente ouvida "com a vida você vai aprender…" raramente funciona com um psicopata. Mesmo se isso ocorrer, com certeza ele irá mudar de comportamento apenas porque tal acarretou em prejuízos para si próprio, não levando em conta o prejuízo causado a outras pessoas.

Obviamente, são indivíduos notavelmente hábeis e sem remorsos e sentimentos de culpa. Podem sentir remorso ou culpa por algo que fizeram - mas dura pouco. Os psicopatas com um grau mais leve podem até terem algum nível de tais emoções, entretanto, isso não é o suficiente para que pausem seus impulsos de suas ações. Remorso é emoção que, via de regra, vem do cérebro, assim como todos os sentimentos e pensamentos. Quando o cérebro está condicionado a um comportamento ou com algum tipo de prejuízo nessas áreas emocionais, a capacidade de sentir emoções também fica prejudicada. Nos psicopatas, o remorso e compaixão - que são essenciais para a cooperação nas relações entre os seres humanos - estão quase ou totalmente ausentes, assim como os sentimentos de ternura, pena e sensibilidade.

Psicopatia feminina[editar | editar código-fonte]

A maioria das mulheres tende a apresentar um grau leve ou moderado da psicopatia, sendo que mulheres psicopatas com um alto grau da doença são raras. Porém, existem e são as denominadas serial killers, tais como grandes assassinas da história mundial, como Elizabeth Bathory, Aileen Wuornos e Marie Noe.

As psicopatas com um nível moderado a grave de psicopatia podem, no início da adolescência, ter um acentuado crescimento dos sintomas do distúrbio nessa fase, além de sintomas como um humor deprimido e irritadiço, abusar do álcool e/ou drogas, obter comportamentos autodestrutivos como auto mutilação, tentativas de suicídio fracassadas, abusos de medicamentos, ambiente familiar conturbado, instabilidade emocional e, não raro, aparecimento de sintomas histéricos (conversivos). Aliás, é muito mais frequente nas mulheres psicopatas ocorrer a psicopatia juntamente com características conversivas, como por exemplo, paralisias, dores de cabeça constantes, náuseas, vômitos, afonia, dores constantes pelo corpo sem motivos plausíveis etc. o que mostra que essas mulheres além da psicopatia, possuem traços histéricos em sua personalidade, o que as faz reprimir seus problemas psicológicos e transformando-os em problema físico.

Na melhor das hipóteses, as mulheres psicopatas geralmente foram crianças introvertidas e tinham um profundo sentimento de isolamento. Embora não seja regra, a maioria das mulheres psicopatas possuem um histórico cuja infância foi permeada por algum tipo de conflito familiar (abusos, negligência, divórcio dos pais, alcoolismo parental, etc.), além de constantes conturbações escolares, tal como deboches por coleguinhas de escola, seja pela timidez ou por apresentarem algum tipo de transtorno de conduta: ao tempo que foram crianças que sofriam deboches, entretanto, também cometiam algum tipo de crueldade - embora nem sempre os adultos conseguissem perceber, pois, via de regra, psicopatas desde tenra idade manipulam todos ao redor de forma que raramente são descobertos.

Mulheres psicopatas não gostam de ser contrariadas e, assim como os homens sociopatas, elas podem demonstrar frieza, agressividade ou insensibilidade sem que isso acarrete em culpa, arrependimento ou remorso. Elas têm necessidade em demonstrar grande poder, destaque social, ou controle sob certas pessoas ou situações. São controladoras, persuasivas, influenciadoras, promíscuas e muito sedutoras. Elas podem exibir além de um comportamento sedutor, comportamentos sexuais perversos, tais como sadomasoquismo, e outros fetiches perversos. Normalmente tem um histórico de relacionamentos breves, que duram pouco, numerosos casos superficiais ou então mantém vários casos com relativa longevidade ao mesmo tempo. Elas são mulheres infiéis, que facilmente traem o cônjuge diante de oportunidades que possam atender seus interesses como, por exemplo, relacionar-se com chefes de trabalho.

É muito comum estabelecerem relacionamentos estáveis apenas por puro interesse material, tais como homens que lhes proporcionem algum nível de infraestrutura sócio-econômica que possa servir aos seus objetivos particulares. Para a psicopata, o sexo, a sedução e a orientação sexual são apenas mais uma moeda de troca como forma de manipulação, um de seus melhores utensílios para atingir seus desejos, pois obtém prazer de todas as maneiras que lhe convém.

Nas mulheres com traços psicopáticos, parece haver predominância de sintomas do subtipo de psicopatia denominado por Millon de "psicopata dissimulado". Segundo Millon, tais psicopatas possuem características de falta de confiança nos outros, impulsividade, simpatia superficial e sociabilidade para com os outros mas constante mau humor, agressividade e ressentimento para com a família e pessoas próximas. Esse tipo de psicopatia pode ser relativamente parecido como uma mistura do transtorno de personalidade borderline e o transtorno de personalidade histriônica. São pessoas que aparentam tendências a chamar atenção para si e com um comportamento significantemente sedutor ou sensual. Neste caso, essas psicopatas são socialmente sedutoras mas ocultam por trás da sedução e sociabilidade um péssimo comportamento com pessoas mais próximas. A busca pela excitação, aventura e estímulo é invariavelmente alto, com tendências a sentir-se facilmente entediada, com grande intolerância à monotonia, regras e rotina. Exatamente por isso, essas pessoas costumam exibir entusiasmo de curta duração pelas coisas da vida, tais como relacionamentos, empregos, objetivos e gostos. Elas se entediam e enjoam facilmente das coisas, começam um projeto mas nunca terminam. Pessoas assim têm comportamentos imaturos de contínua busca de sensações e perigo, e fazem de tudo o que for necessário nas suas relações para conseguirem o que querem dos outros. Tendem a elaborar situações fantasiosas que não acontecem na realidade para tentar obter alguma informação útil. São incapazes de demonstrar gratidão e quando fazem serve apenas como meio para evitar julgamentos sociais. Quando não conseguem o que querem ou são contrariadas ou pressionadas, podem balancear entre uma explosão agressiva ou uma vingança calculista.

De modo geral, as mulheres psicopatas apresentam praticamente os mesmos sintomas do homem psicopata, entretanto, praticam suas crueldades de forma menos violenta que o homem, o que faz com que raramente sejam descobertas.

Psicopatia x Sociopatia[editar | editar código-fonte]

Existem infinitas dúvidas referente às diferenças entre o termo "psicopatia" e "sociopatia". O fato é que, atualmente, ambos termos se referem ao indivíduo com transtorno de personalidade antissocial. Para alguns especialistas, como Robert Hare, a diferença entre a psicopatia e a sociopatia consiste basicamente na origem do transtorno. Assim como sociólogos, especialistas de crimes e alguns psicólogos acreditam que o distúrbio, quando originado a partir do próprio meio social, é denominado como sociopatia. Por exemplo, aquele indivíduo que "aprendeu" a cometer atitudes antissociais no próprio meio em que vivia, tal como um ambiente com baixo nível socioeconômico e pais violentos. Já o psicopata consiste na combinação de fatores como biológicos, genéticos e socioambiental. Por exemplo, o indivíduo que aparentemente "nasce" psicopata, independente de ter vivido num ambiente com baixo nível socioeconômico.

Para outros especialistas, a psicopatia e a sociopatia são duas manifestações diferentes do transtorno de personalidade antissocial. Tais raciocínios acreditam que os psicopatas nascem com características básicas como impulsividade e ausência de medo, o que faz com que busquem condutas de riscos e perigo, terminando muitas vezes em atitudes antissociais, uma vez que são incapazes de se estabelecerem corretamente nas normas sociais. Já o sociopata, nesta visão, apresenta um temperamento um pouco mais "normal" que os psicopatas.

Em suma, referente ao termo, essas duas variantes da personalidade antissocial tem como causa uma interação variada entre fatores genéticos/biológicos e fatores ambientais, mas a psicopatia tende para fatores genéticos, enquanto que a sociopatia, para o lado socioambiental.

Teoria[editar | editar código-fonte]

Segundo a teoria pela qual uma pessoa psicopata é uma pessoa perversa, supõe-se que nesta classe de doença, o doente é um sujeito que se mantém a par da realidade, mas que carece de Superego. Isto faz com que a pessoa psicopata possa cometer atos criminosos sem sentir culpa.

A noção, cada vez mais reforçada de que as personalidades psicopatas são quase-psicóticas, enquadra-as dentro das estruturas de personalidades borderline (importante ressaltar que a estrutura borderline é diferente do transtorno de personalidade borderline). Não obstante, as pessoas psicopatas têm condutas criminais sem nenhum sentimento de culpa, mantendo plena consciência dos seus crimes ou das suas intenções criminais.

A natureza do superego, enquanto introjeção das regras sociais e as formas de conduta que são apreendidas e interiorizadas pelos indivíduos no processo de socialização tem sido revisto a partir de várias concepções psicossociais em especial as noções de self de Mead e as concepções de desvio - outsiders de Goffman e Parker as denominadas teorias sociológicas da psicologia social

Assassino em série (serial killer)[editar | editar código-fonte]

Uma personalidade psicopata não se restringe ao assassino em série. Um psicopata pode ser uma pessoa simpática e de expressões sensatas que, não obstante, não vacila ao cometer um crime quando lhe convém e, tal como explicado acima, fá-lo-á sem sentir culpa pela sua ação.

O contexto social em que é interpretado o ato agressivo forma o criminoso ou o justiceiro social, o policial autorizado a cometer crimes (soldado mandado). Contudo na agressividade psicopatológica dos denominados sociopatas há sempre de se identificar as pulsões sádicas que caracterizam o instinto de morte da espécie humana.

Apesar do ainda controverso tema da existência do instinto agressivo em nossa espécie, pelo menos entre as teorias psicanalíticas não há dúvidas sobre a natureza da compulsão à repetição e características sádicas de suas manifestações descritas por Freud no célebre ensaio: Além do princípio do prazer, 1921.

Tratamento[editar | editar código-fonte]

As formas mais comuns de medicamentos utilizados em pacientes de transtornos de personalidade são os neurolépticos, antidepressivos, lítio, benzodiazepínicos, anticonvulsivantes e psicoestimulantes. Porém tratamentos medicamentosos revelaram ser ineficazes no tratamento de psicopatia, porém poucos estudos foram realizados adequadamente [7] . Mesmo com poucos testes, sais de lítio são usados frequentemente no tratamento de pacientes psicopatas, pois podem levar a uma redução nos comportamentos impulsivos, explosivos e na instabilidade emocional. Seus principais efeitos colaterais são sedação, tremores e problemas motores.[8]

Há indicativos de que a terapia cognitivo-comportamental possa ser um método eficaz no tratamento de transtornos de personalidade antissocial.[9] A American Psychiatric Association considera a terapia analítico-comportamental como o tratamento de regulacão afetiva mais eficaz e empiricamente suportado para transtornos de personalidade.[10]

Psicoterapias com pacientes com personalidade violenta em liberdade condicional reduziram os índices de reincidência para 20 e 33% comparado com 40 a 52% dos grupos controles. Os autores concluem que a personalidade dos pacientes não mudou, porém eles aprenderam a controlar melhor seus impulsos e pensarem mais nas consequências de seus atos.[11] [12] [13] [14]

Características resumidas e curiosidades[editar | editar código-fonte]

  • Psicopatia é sinônimo de antissocial, de pessoas que não seguem as leis e nem as regras ditadas pela sociedade e, através de seus atos, provocam danos à mesma;
  • Para cada 25 pessoas, 1 ao menos exibe traços psicopáticos, mas a amostragem é imprecisa;
  • Podem ter uma autoestima ou visão de si próprios elevada;
  • Frequentemente são pessoas autossuficientes e vaidosas;
  • Muitas vezes exibem um encanto superficial, são sedutoras e conquistam facilmente as outras pessoas;
  • Frequentemente são bastante volúveis e inconstantes;
  • Não possuem empatia, tendem a ser insensíveis, cínicas e a desprezar os sentimentos e direitos alheios;
  • Possuem dificuldade em manter relacionamentos duradouros, embora consigam estabelecer um novo facilmente;
  • Mentem frequentemente de forma tão realista que raramente outras pessoas descobrem ou desconfiam;
  • É comum a necessidade de ter autoridade: são pessoas que necessitam estar sempre no comando ou poder, detestam serem comandados ou submissos;
  • Frequentemente possuem tendências sadomasoquistas;
  • São extremamente manipuladoras, manipulam pessoas, ambientes, fatos e circunstâncias a seu favor;
  • Não possuem sentimentos de culpa ou arrependimento;
  • Geralmente são pessoas frias, raramente demonstram algum tipo de afetividade e quando demonstram, costumam ser superficiais;
  • Podem ser inconstantes, detestar rotina e monotonia e enjoar fácil de tudo;
  • Não possuem empatia: não entendem o que é estar no lugar do outro;
  • São excessivamente racionais e calculistas, tem dificuldade em pensar emocionalmente e age mais racionalmente acreditando agir por suas emoções;
  • Geralmente céticas ou desconfiadas em demasia, e por isso mais persuasivas;
  • Frequentemente irresponsáveis: tendem a jogar a culpa sempre nos outros, não se responsabilizando pelas próprias condutas, tendo mania de perseguição e arranjando sempre algo ou alguém como culpado;
  • Possuem necessidade de estimulação constante, assim como sensibilidade ao tédio e um vazio existencial;
  • Falta de metas a longo prazo ou mudanças constantes de metas;
  • São impulsivas em relação à agressividade, violência e impulsos sádicos;
  • Tendem a ser infiéis e seus relacionamentos íntimos geralmente não são duradouros;
  • Podem possuir vida dupla: socialmente sendo pessoas exemplares, mas com pessoas no convívio intimo se mostrarem totalmente diferentes;
  • Costumam ser irritadiças e podem atacar fisicamente por impulso num momento de raiva;
  • Quase sempre dão mais valor ao material do que ao sentimental e sempre dizem o oposto, inclusive podem ser oportunistas obcecadas por melhores condições de vida;
  • Bastante críticas em relação à moralidade e à ética. Para elas, "regras foram feitas para serem quebradas" e "os fins justificam os meios";
  • Possuem mudanças súbitas de temperamento;
  • Frequentemente, psicopatas se dão bem em entrevistas de empregos, manipulam as pessoas e conquistam a confiança de todos facilmente no ambiente de trabalho;
  • Geralmente acham que estão certas e que seu estilo de vida é o mais correto e adequado.
  • Em casos graves podem não reagir com aversão a comportamentos condenados socialmente, como homicídios, por exemplo.
  • Quando colocadas sob pressão, como por exemplo, a morte de algum parente, choram por sentir a perda do auxilio que a pessoa lhe prestou e poderia prestar;
  • Frieza emocional (sadismo), capacidade de fingir extremamente bem, vontade de enganar as pessoas e ausência de remorso. É a receita ideal para um assassinato cometido por um psicopata;
  • Expressa pouco ou nenhum amor, afetividade, carinho etc. É capaz de grandes e admiráveis declarações, mas tem como hábito não dar atenção a filhos, pais, parentes, cônjuge ou amantes.
  • Geralmente são pessoas com sorrisos fáceis, amáveis quando lhe convêm e absolutamente frias quando julgam necessário;
  • A frieza ao agir faz com que as pessoas psicopatas provavelmente não se arrependam dos erros que cometem, assim as pessoas podem desenvolver gosto pela sensação de perigo. Acredita-se que o distúrbio que estimula o comportamento sádico do psicopata resulte de um desvio neurológico, capaz de induzir principalmente ao homicídio;
  • Pode utilizar-se da sedução para conseguir o que quer dos outros;
  • Sua capacidade de parecer uma pessoa boazinha, educada e inofensiva costuma ser bastante convincente. É comum que os outros não desconfiem de se tratar de um (a) psicopata.

Os psicopatas e o poder[editar | editar código-fonte]

Pelo fato de gostarem da sensação de poder, serem muito persuasivos e não medirem esforços para atingir seus objetivos, as pessoas psicopatas ascendem muito rápido em suas profissões; por isso é comum que esses indivíduos ocupem importantes cargos ligados a mídia, televisão, música ou política.

Por não sentirem remorso, nem compaixão, os indivíduos com personalidade antissocial não se importam se seus atos irão prejudicar um determinado grupo de pessoas ou até mesmo uma nação.

Código Penal[editar | editar código-fonte]

Do ponto de vista penal existe o dilema, amplamente discutido, sobre se uma personalidade doente é imputável, especialmente se é de origem psicótica. Mesmo que se trate de uma personalidade doente (exemplos: pessoas sádicas, violadoras, etc.) há tendência para sustentar que há uma punição correspondente, dado que, mesmo doente, a pessoa mantém consciência dos seus atos e pode evitar cometê-los.

O direito penal usa como formas de classificar a capacidade mental do agente: entendimento por parte do agente se o ato que ele cometeu é ilegal e se mesmo sabendo que é ilegal, consegue se autodeterminar, ou seja, consegue não cometer o ato.

Os psicopatas, no entanto, muitas vezes conseguem entender que seus atos são errados, porém não conseguem se autodeterminar com relação ao seu entendimento, ocasionando com isso os crimes bárbaros, podendo os psicopatas tornarem-se assassinos em série.

Referências

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Ver também[editar | editar código-fonte]

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