Ptolemeu XII Neos Dionisos

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Busto de Ptolemeu XII em mármore.

Ptolemeu XII Filopator Filometor Neos Dionisos I (ca. 117 a.C.51 a.C.) foi um rei da dinastia ptolemaica que governou o Egipto entre 80 e 58 a.C. e, depois, entre 55 a.C. e 51 a.C. Era conhecido popularmente como "Auleta", o que significa "tocador de aulos" (flauta), devido às suas tendências diletantes, e também como Ptolemeu Nothos (bastardo).

Alguns textos modernos usam uma numeração diferente para os últimos Ptolemeus, e chamam este rei de Ptolemeu XI.[1]

Família[editar | editar código-fonte]

Era filho de Ptolemeu IX Sóter II,[2] e era cognominado Nothos por ser filho ilegítimo de Ptolomeu IX Latiro.[3] De acordo com Pausânias, Berenice era a única filha legítima de Ptolemeu IX Sóter II.[4]

A dinastia ptolemaica vinha de várias disputas fratricidas: seu avô Ptolemeu VIII Evérgeta II fora casado com Cleópatra III, e teve dois filhos, Ptolemeu IX Sóter II e Ptolemeu X Alexandre I, que disputaram o reino.[5] Após a morte de Ptolemeu IX Sóter II, por falta de homens em idade militar no Egito, Ptolemeu XI Alexandre II, filho de Ptolemeu X Alexandre I, que vivia em Roma, foi chamado para reinar.[2] Ptolemeu XI Alexandre II se casou com Cleópatra, que era filha de Ptolemeu IX Sóter e havia sido esposa de seu pai Ptolemeu X Alexandre I, porém, após dezenove dias, a assassinou.[2] Historiadores modernos identificam Cleópatra e Berenice, citadas como filhas de Ptolemeu IX Sóter II, como uma pessoa só, chamando-a de Cleópatra Berenice.[6]

Ptolemeu XI Alexandre II foi em seguida assassinado por um grupo de soldados, sendo sucedido por Ptolemeu XII Neos Dionisos, irmão da recém assassinada Cleópatra.[2] Por temor pela sua segurança, Ptolemeu XII Neos Dionisos fora enviado para a ilha de Cós pela sua avó Cleópatra III em 103 a.C.. No ano de 88 a.C. Ptolemeu foi feito prisioneiro pelo rei Mitrídates VI do Ponto, mas em 80 a.C. já tinha regressado ao Egipto, onde se tornou rei, após o assassínio de Ptolemeu XI.

Reinado[editar | editar código-fonte]

Foi coroado em uma cerimônia em Alexandria, diferente dos demais faraós, coroados em Mênfis; o registro de sua coroação foi preservado na estela funerária do sacerdote Pshereni-ptah, então um jovem de quatorze anos, que o coroou.[1]

Casou com Cleópatra Trifena, tendo os ritos da sua coroação se desenrolado em Alexandria logo no início do seu reinado.[1] Cleópatra Trifena possivelmente era sua irmã, ou poderia ser filha de Ptolemeu Alexandre I.[1]

A sua subida ao trono não seria contudo reconhecida pelo senado romano; em 59 a.C. para solucionar uma situação política instável Ptolemeu teve que pagar 6000 talentos a Júlio César para que este aprovasse uma lei na qual se reconhecia a sua legitimidade a governar o Egipto.

Ptolemeu permitiu que os Romanos se apoderassem da ilha de Chipre, onde governava o seu irmão, Ptolemeu. Esta atitude gerou descontentamento entre os Egípcios, razão pela qual ele teve que partir para Roma em 58 a.C.

Interregno[editar | editar código-fonte]

Em sua ausência, suas filhas Cleópatra VI e Berenice IV tomaram o controlo do Egipto.[2] [Nota 1] Cleópatra VI reinou com Berenice IV por um ano,[2] falecendo no ano seguinte, em 57 a.C., provavelmente por envenenamento por parte da irmã. Berenice IV reinou por mais dois anos, junto com parentes do seu marido.[2] Berenice tornou-se a única governante, tendo casado com um filho do rei Mitrídates VI do Ponto, reino inimigo dos Romanos. Na cidade de Roma Ptolemeu procurou pressionar o senado a enviar tropas ao Egipto para que reconquistasse o poder, mas uma profecia dos Livros Sibilinos condenou a realização da intervenção, tendo Ptolemeu partido para Éfeso na Ásia Menor. Com a ajuda de Gabínio, o governador romano da Síria, ao qual Ptolemeu prometeu 10 000 talentos, o monarca conseguiu ser reinstalado no poder no Egipto em 55 a.C..

Retorno[editar | editar código-fonte]

Quando Ptolemeu XII regressou ao trono, irritado com o que Berenice IV havia feito, ordenou sua execução.[2]

Ptolemeu governou até à sua morte em 51 a.C., tendo nomeado como seus sucessores os seus filhos Cleópatra VII e Ptolemeu XIII Filopator.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas e referências

Notas

  1. Alguns historiadores modernos sugerem que Porfírio possa ter errado, e esta Cleópatra Trifena, "filha" de Ptolemeu Auletes, seria na verdade idêntica a Cleópatra Trifena, esposa de Auletes, e a mãe de Berenice IV. Ver E. R. Bevan, The House of Ptolemy.

Referências

  1. a b c d E. R. Bevan, The House of Ptolemy, Chapter XII, Berenice III, Ptolemy X Alexander II, Ptolemy XI Auletes [em linha]
  2. a b c d e f g h Eusébio de Cesareia, Crônica, 60, Sobre os que governaram o Egito e a cidade de Alexandria após Alexandre da Macedônia. Dos escritos de Porfírio
  3. Juniano Justino, Epítome de Pompeu Trogo, Histórias Filípicas, Prólogo do Livro XXXIX [em linha]
  4. Pausânias (geógrafo), Descrição da Grécia, 1.9.3
  5. Eusébio de Cesareia, Crônica, 59, Sobre os que governaram o Egito e a cidade de Alexandria após Alexandre da Macedônia. Dos escritos de Porfírio
  6. William Smith, Dictionary of Greek and Roman Biography and Mythology [em linha]

Árvore genealógica (incompleta) baseada em Eusébio:

 
 
 
Ptolemeu VIII Evérgeta II
 
 
 
 
Cleópatra III
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ptolemeu IX Sóter II
 
 
 
 
Ptolemeu X Alexandre I
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ptolemeu XII Neos Dionisos
 
 
 
Cleópatra
 
Ptolemeu XI Alexandre II


Precedido por
Ptolemeu XI Alexandre II
Faraó
80 a.C. - 58 a.C.
Sucedido por
Cleópatra VI e Berenice IV
Precedido por
Cleópatra VI e Berenice IV
Faraó
55 a.C. - 51 a.C.
Sucedido por
Cleópatra VII
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