Questorado do exército

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Quaestura exercitus
Questorado do exército
Questorado do(a) Império Bizantino
536–século VII
Capital: Odessos
Governador: Questor do exército
Período : Antiguidade Tardia
 -  Criada por Justiniano I 536
 -  Invasões eslavas e dos ávaros Século VII

O Questorado do exército (em latim: Quaestura exercitus) era uma divisão administrativa peculiar do Império Romano do Oriente que tinha sede em Odessos (atualmente Varna, na Bulgária). Foi criada pelo imperador Justiniano I (r. 527–565) a 6 de maio de 536.[1]

História[editar | editar código-fonte]

Territorialmente, o Questorado do exército integrava as províncias da Mésia Secunda (Moesia II), Cítia Menor, destacadas da Diocese da Trácia e situadas na região do Danúbio, a Cária, que era parte da Diocese da Ásia, e finalmente as províncias insulares do Chipre e do Egeu (as Cíclades), separadas da Diocese do Oriente. Todas elas foram retiradas da jurisdição da prefeitura pretoriana do Oriente e colocadas sob a autoridade de um novo posto oficial, o "questor do exército" (quaestor exercitus). A autoridade deste questor era equivalente à de um mestre dos soldados (magister militum).[2]

Devido às províncias do Danúbio, de importância estratégica vital, se encontrarem em más condições económicas, com a criação do Questorado do exército pretendia-se apoiar o suporte das tropas ali estacionadas.[3] Ao ligar as províncias do Baixo Danúbio com províncias mais ricas, Justiniano conseguiu transportar abastecimentos através do mar Negro. Esta reestruturação territorial aliviava das populações pobres e os campos devastados das províncias do Danúbio do encargo de sustentarem as tropas ali estacionadas. Lamentavelmente, não há registos subsequentes da história do Questorado do exército. Outrossim, uma vez que a posição de questor ainda existia durante meados dos anos 570, isso indica que esta unidade territorial teve algum sucesso.[4] [5]

As províncias do Danúbio associadas ao Questorado do exército acabaram por perecer com as invasões dos Balcãs pelos Eslavos e ávaros no século VII. Porém, foram conservadas algumas fortalezas isoladas no delta do Danúbio e ao longo da costa do mar Negro, as quais eram abastecidas por via marítima, e há provas de que o grande corpo naval dos carabisianos foi inicialmente formado com o que restava do questorado.[6]

Selos de chumbo da Mésia Secunda e da Cítia Menor comprovam a existência do Questorado do exército. Especificamente, treze selos imperiais (nove deles de Justiniano) demonstram que ocorreram comunicações entre oficiais da Cítia Menor e Constantinopla de forma mais ou menos regular.[7]

Notas e referências

  1. Velkov 1977, p. 62: «Em 536 (18 de maio) foi criado um distrito administrativo peculiar. Ele incluía a Mésia Secunda a a Cítia (separadas da Diocese da Trácia), as Cíclades, Cária e Chipre.»
  2. Haldon 1999, p. 68: «Um novo comando territorial, o Questorado do exército, tinha sido introduzido durante o reinado de Justiniano. Era equivalente ao do mestre dos exércitos, colocado sob a autoridade dum oficial intitulado questor (quaestor), com autoridade sobre tropas baseadas na zona fronteiriça do Danúbio (as províncias da Cítia e Mésia II), mas incluindo também a província costeira da Ásia Menor da Cária e as ilhas egeias.»
  3. Mas 2005, p. 120: «Esta infraestrutura possuía flexibilidade e liberdade de ação para se adaptar de acordo com circunstâncias específicas de diferentes artes do império, como é demonstrado pelo estabelecimento do Questorado do exército (questorado do exército) em 536, pelo qual as províncias da Mésia e Cítia no Baixo Danúbio e as províncias asiáticas da Cária, Chipre e ilhas foram separadas da prefeitura pretoriana do oriente e colocadas sob a autoridade de um novo oficial, o questor do exército.»
  4. Mas 2005, p. 120: «As províncias do Danúbio, críticas estrategicamente, mas economicamente pobres, há muito que se debatiam para suportar as tropas nelas estacionadas, um problema que Justiniano procurou resolver ligando-as com as províncias asiáticas mais ricas e mais seguras, que podiam transportar abastecimentos através do mar Negro para o Baixo Danúbio. Apesar das provas sobre a história subsequente deste arranjo serem limitadas, o posto de questor ainda existia em meados da década de 570, sugerindo que ele teve algum sucesso.»
  5. Haldon 1999, p. 68: «O objetivo parece ter sido abastecer por mar as forças da fronteira do Danúbio desde um interior seguro, poupando assim as populações pressionadas e os campos devastados dos distritos fronteiriços onde os exércitos estavam baseados.»
  6. Haldon 1999, p. 74: «Os distritos atribuídos no antigo Questorado do exército estabelecida por Justiniano não sobreviveu às invasões eslavas e ávaras das províncias dos Balcãs (apesar de algumas isoladas no delta do Danúbio e ao longo da costa do mar Negro serem mantidas e abastecidas por via marítima), mas a região egeia manteve-se, como antes, a fonte de homens, navios e recursos para o corpo naval conhecido no final do século VII como as "tropas de navio", ou carabisianos, possivelmente primeiro com base em Rodes, embora também recrutasse os seus soldados no continente.»
  7. Curta 2001, p. 185–186: «Desde que A. H. Jones interpretou o Questorado do exército como uma reforma administrativa desenhada para garantir um abastecimento contínuo de mantimentos para tropas estacionadas na fronteira trácia, académicos têm insistido em que as atribuições do questor eram em primeiro lugar financeiras. Ele era diretamente responsável pelo annona (aprovisionamento) do exército na Mésia Inferior e Cítia Menor. Além disso, selos de chumbo encontrados na região apontam para comunicações com alguma regularidade entre as duas províncias balcânicas incluídas no Questorado do exército e o governo central. Treze selos imperiais, nove deles de Justiniano, demonstram que oficiais na Cítia Menor recebiam cartas do imperador.»

Bibliografia