Quarta parede

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A quarta parede é uma parede imaginária situada na frente do palco do teatro, através da qual a plateia assiste passiva à ação do mundo encenado. A origem do termo é incerta, mas presume-se que o conceito tenha surgido no século XVIII, com as teorias propugnadas por Diderot, quando este aponta: "Então, caso façais uma composição, ou caso representeis, pensai no espectador apenas como se este não existisse. Imaginai, na borda do teatro, uma enorme parede que vos separe da plateia; representai como se a cortina não se levantasse".[1]

Origem e significado[editar | editar código-fonte]

Especula-se ter surgido no teatro, onde os palcos, geralmente de três paredes, apresentam mais literalmente uma "quarta parede", o termo é usado em outros mídia, como cinema, videogames, televisão e literatura, geralmente para se referir à divisória entre a ficção e a audiência.

A quarta parede é parte da suspensão de descrença entre o trabalho fictício e a plateia. A plateia normalmente aceita passivamente a presença de uma quarta parede sem pensar nela diretamente, fazendo com que uma encenação seja tomada como um evento real a ser assistido. A presença de uma quarta parede é um dos elementos mais bem estabelecidos da ficção e levou alguns artistas a voltarem a sua atenção para ela como efeito dramático. Por exemplo, na peça The Fourth Wall de A.R. Gurney, quatro personagens lidam com a obsessão da dona de casa, Peggy, por uma parede em branco na sua casa, lentamente sendo desenvolvida numa série de clichês teatrais, enquanto toda a mobília e a ação em cena vão cada vez mais se dirigindo à suposta quarta parede.

Derrubando a quarta parede[editar | editar código-fonte]

O ato de derrubar a quarta parede é usado no cinema, no teatro, na televisão e na arte escrita, originado da teoria do teatro épico de Bertolt Brecht, que ele desenvolveu a partir e, curiosamente, para constrastar com a teoria do drama de Constantin Stanislavski. Refere-se a uma personagem dirigindo a sua atenção para a plateia, ou tomando conhecimento de que as personagens e ações não são reais. O efeito causado é que a plateia lembra-se de que está vendo ficção, e isso pode eliminar a supensão de descrença. Muitos artistas usaram esse efeito para incitar a plateia a ver a ficção sob outro ângulo e assisti-la de forma menos passiva. Bertolt Brecht estava ciente que derrubar a quarta parede iria encorajar a plateia a assistir a peça de forma mais critíca, o chamado efeito de alienação.

Derrubar a quarta parede de forma súbita é um recurso bastante usado para um efeito humorístico Non Sense, já que tal efeito é inesperado em ficções narrativas e afins. Alguns acreditam que derrubar a quarta parede causa um distanciamento da suspensão de descrença a ponto de contrastar com o humor de uma história. No entanto, quando usada de forma consistente ao longo da história, é geralmente incorporada ao estado passivo da plateia.

Essa exploração da familiaridade de uma plateia com as convenções da ficção é um elemento chave em muitos trabalhos definidos como pós-modernistas, que descontroem as regras pré-estabelecidas da ficção. A ficção que derruba ou diretamente se refere à quarta parede muitas vezes também usa outros recursos pós-modernistas, como meta-linguagem.

O recurso é muito usado no teatro improvisado, onde a plateia é convidada a interagir com os atores em certos pontos, como para escolher a resolução de um mistério. Nesse caso, os espectadores são tratados como testemunhas da ação em andamento, tornando-se "atores", atravessando a quarta parede.

A quarta parede também é usada como parte da narrativa, quando a personagem descobre que faz parte de uma ficção e 'derruba a quarta parede' para estabelecer um contato com a audiência, em filmes como O Último Grande Herói (Last Action Hero) e O Show de Truman (The Truman Show). Em situações como esta, a 'quarta parede' que a personagem derruba permanece parte da narrativa em si e a parede entre a plateia real e a ficção permanece intacta. Há casos também em que a criatura encontra o criador, como no período em que Grant Morrison escrevia as histórias em quadrinhos do Homem Animal. Histórias como estas não derrubam efetivamente a quarta parede, apenas se referem a esse recurso.

Outro personagem famoso a derrubar a quarta parede é o Mercenário Tagarela da Marvel, o cômico Deadpool.

.Ver também[editar | editar código-fonte]


Referências

  1. BORIE, Monique; ROUGEMONT, Martine de; SCHERER, Jacques. Estética teatral: textos de Platão a Bertolt Brecht, pg. 167. Tradução de Helena Barbas. 2ª edição, Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2004]