Questão Militar

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Conflitos na História do Brasil
- Império -
Primeiro Reinado
Guerra da Independência: 1822-1823
Independência da Bahia: 1821-1823
Confederação do Equador: 1824
Guerra contra as Províncias Unidas: 1825-1828
Revolta dos Mercenários: 1828
Período Regencial
Federação do Guanais: 1832
Revolta dos Malês: 1835
Cabanagem: 1835-1840
Farroupilha: 1835-1845
Sabinada: 1837-1838
Balaiada: 1838-1841
Segundo Reinado
Revoltas Liberais: 1842
Revolta Praieira: 1848-1850
Guerra contra Oribe e Rosas: 1851-1852
Ronco da Abelha: 1851-1852
Questão Christie: 1863
Guerra contra Aguirre: 1864
Guerra do Paraguai: 1864-1870
Questão Religiosa: 1872-1875
Revolta dos Muckers: 1874
Revolta do Quebra-Quilos: 1874-1875
Questão Militar: década de 1880


A Questão Militar foi uma sucessão de conflitos entre 1884 e 1887, suscitados pelos embates entre oficiais do Exército Brasileiro e a monarquia, conduzindo a uma grave crise política que culminou com o fortalecimento da campanha republicana. Foi uma das questões que assinalaram a crise do regime imperial no Brasil, conduzindo à proclamação da República em 1889.

O estopim[editar | editar código-fonte]

A causa imediata da Questão Militar foram as declarações do Tenente-coronel Antônio de Sena Madureira (1836-1889), oficial de prestígio que privava da amizade do próprio Imperador, que em 1883 se opôs ao Projeto de Lei de autoria do Visconde de Paranaguá, que obrigava a contribuição ao montepio dos militares. Por sua atitude, Sena Madureira foi punido.A campanha na Guerra do Paraguai criou novas expectativas entre os militares Brasileiros.

O novo incidente[editar | editar código-fonte]

No ano seguinte (1884), Sena Madureira convidou uma das personalidades da luta pelo abolicionismo no Ceará, o jangadeiro Francisco José do Nascimento (o Dragão do Mar, que se recusara a transportar escravos em Fortaleza), a visitar a Escola de Tiro do Rio de Janeiro, da qual era comandante. A homenagem ao abolicionista converteu-se em nova punição para Sena Madureira, desta vez transferido para a Escola Preparatória de Rio Pardo, na província do Rio Grande do Sul.

A proibição de manifestações pela imprensa[editar | editar código-fonte]

Deodoro da Fonseca.

Essa transferência gerou polêmica no meio militar, levando o Ministro da Guerra, Alfredo Chaves, a proibir os militares de travar discussões através da imprensa. O Presidente da Província e Comandante das Armas do Rio Grande do Sul, General Deodoro da Fonseca, recusou-se a cumprir a ordem, e foi chamado de volta à Corte. A proibição, porém, acabou revogada e o Gabinete que a emitiu, censurado pelo Congresso Brasileiro.

O caso do coronel Cunha Matos[editar | editar código-fonte]

Em agosto de 1885, durante investigações em um quartel da Província do Piauí, o Coronel Ernesto Augusto da Cunha Matos descobriu que o comandante era corrupto. Denunciado o fato, Cunha Matos que pertencia ao Partido Liberal, pediu o afastamento daquele oficial, do Partido Conservador. Por essas razões, Cunha Matos foi violentamente criticado no plenário da Câmara dos Deputados e na imprensa, pelo então Deputado Simplício Rezende, do Partido Conservador, que acusou Cunha Matos de conduta covarde durante a Guerra da Tríplice Aliança.

A veemente defesa do Coronel também foi através da imprensa. Como era proibido, Cunha Matos foi punido com dois dias de detenção. Enquanto isso, no Rio Grande do Sul, Sena Madureira também se manifestou, através do periódico republicano A Federação, à época redigido por Júlio de Castilhos, conhecido por suas idéias republicanas.

Júlio de Castilhos, ainda na direção do jornal A Federação, em setembro de 1886, escreveu um artigo intitulado Arbítrio e Inépcia, que denunciava o modo pelo qual a Coroa vinha tratando os militares, sustentando que o Exército Brasileiro era a única instituição que ainda se mantinha impoluta, num ambiente nacional de ruínas.

A adesão da Escola da Praia Vermelha[editar | editar código-fonte]

A sucessão dos acontecimentos envolvendo o Coronel Sena Madureira, o Coronel Cunha Matos e a polêmica veiculada pela imprensa, culminaram com a manifestação dos alunos da Escola Militar da Praia Vermelha, no Rio de Janeiro. Indignados, os cientistas, apelido que lhes era atribuído devido à sua formação, em outubro de 1886, declararam o seu apoio ao então General Deodoro.

Por não discordar com os fatos e com a sua punição, Sena Madureira havia se desligado do Exército. O General Deodoro, por sua vez, foi exonerado e transferido para o Rio de Janeiro. À chegada de ambos à Capital, no dia 26 de janeiro de 1887, foram recepcionados e ovacionados como heróis pelos cadetes da Escola Militar. Ciente de que grande parte do Exército apoiava Deodoro, o governo recuou de sua investida contra os militares e, em meados do mês de maio, D. Pedro II demitiu o Ministro Alfredo Chaves, outorgando o perdão a Sena Madureira, Cunha Matos e Deodoro.

A fundação do Clube Militar e a Questão Servil[editar | editar código-fonte]

Os militares do Exército organizaram-se, a partir de 1887, com a fundação do Clube Militar. Com o agravamento da Questão Servil, os oficiais solicitaram, por intermédio de seu presidente, Deodoro, que o Ministro da Guerra desobrigasse o Exército de caçar escravos fugidos, o que, na prática, já ocorria.

Deodoro e a proclamação da República[editar | editar código-fonte]

Enquanto a insatisfação militar crescia, ganhava força entre a tropa a propaganda Republicana. Finalmente, a 11 de novembro de 1889, em meio a mais uma crise, personalidades civis e militares, entre as quais Rui Barbosa, Benjamin Constant, Aristides Lobo e Quintino Bocaiúva, tentaram convencer Deodoro - figura conservadora e de prestígio - a liderar o movimento contra a monarquia. Relutante a princípio, entre outros motivos por ser amigo do Imperador, Deodoro acabou concordando em, pelo menos, derrubar o Visconde de Ouro Preto, chefe do Gabinete. Desse modo, assumindo o comando da tropa, nas primeiras horas do dia 15 de novembro, Deodoro dirigiu-se ao Ministério da Guerra, onde se reuniam os líderes monarquistas. Todos foram depostos e foi proclamada a República no país.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • As questões Militares
  • Bibliografia da História do Brasil
  • CARVALHO, José M. de. Os Bestializados: o Rio de Janeiro e a República que não foi. Editora Cia. das Letras.
  • CASTRO, Celso. Os Militares e a República. Editora Zahar.
  • SCHULTZ, John. O Exército na Política. São Paulo: Edusp.