Quinta-Feira Negra

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Uma multidão à porta da Bolsa de Nova Iorque.

Quinta-Feira Negra (24 de outubro de 1929), também conhecido como Grande Quebra e Quebra do Mercado de Ações de 1929, foi o crash do mercado de ações mais devastador na história dos Estados Unidos, levando em consideração a extensão e a duração das suas consequências.[1] O crash marcou o início de 12 anos da Grande Depressão, que afetou todos os países ocidentais industrializados.[2]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Os "Loucos Anos 20"[editar | editar código-fonte]

Após a Primeira Guerra Mundial, os países da Europa estavam em ruínas, enquanto que os Estados Unidos tinham grande prosperidade, por causa da produção e exportação de grande quantidade durante a guerra.[3] Com o aumento da produção, os Estados Unidos, durante a década de 20, tinham crescimento e prosperidade suficientes para dominar outros mercados, como na América Latina. Era o chamado "Loucos Anos 20". O consumo havia aumentado, a indústria criava o tempo todo bens de consumo, boates e clubes viviam cheios e o cinema tornava-se uma grande diversão. Com essa prosperidade, as ações eram valorizadas.[4]

Índice Dow Jones durante a crise

Crise de 1929[editar | editar código-fonte]

Em setembro de 1929, o índice Dow Jones, que avalia o mercado, registrou o pico máximo e o mercado começava a sentir que uma queda poderia se aproximar. Com isso, o volume dos negócios havia diminuído, até a situação ficar insustentável. Começava a crise de 1929. Os acionistas colocavam suas ações a venda e como havia poucos compradores, os preços das ações caíram. Por falta de recursos, empresas demitiam seus funcionários, que ficavam sem emprego. Bancos e fábricas faliam e os efeitos da crise se espalharam pelo mundo.[5]

A crise ocorreu, por causa da quebra da bolsa e também por outros dois motivos:[4]

  • Superprodução agrícola: Havia sido formado um excedente de produção agrícola nos Estados Unidos, porque não encontrava nenhum comprador, seja dentro ou fora do país;
  • Diminuição do consumo: As indústrias cresciam, mas o poder aquisitivo da população não. Ou seja, aumentava as ofertas e diminuía os compradores, fazendo várias indústrias falirem;

Quebra da bolsa de Nova York[editar | editar código-fonte]

Pessoas reunidas na frente de um banco, durante o período da Grande Depressão. Esse período foi marcado por repentinas perdas de ações e houve casos de suicídio, após acionistas descobrirem que perderam tudo.

No dia 24 de outubro de 1929, que ficou conhecida como Quinta-Feira Negra, ocorreu o crash (quebra) da bolsa de valores de Nova York.[6] Nesse dia, as bolsas perderam 11% do seu valor em negociações muito fortes. Vários líderes banqueiros da Wall Street se reuniram para encontrar uma solução para o pânico e caos no pregão.[7] O encontro contou com Thomas Lamont, chefe interino do Morgan Bank, Albert Wiggin, chefe do Chase National Bank e Charles E. Mitchell, presidente do National City Bank of New York. Eles escolheram Richard Whitney, vice-presidente da Bolsa, para agir em seu nome. Com os banqueiros e seus recursos financeiros, Whitney colocou uma oferta de compra de um grande bloco de ações na U.S. Steel a um preço bem acima do mercado e muitos investidores de ações quiseram vender rapidamente suas ações. 6.091.870 títulos financeiros foram rapidamente vendidos no mesmo dia, tornando-se o terceiro maior volume de negócios da história da bolsa.[8]

Essa quebra fez com que empresas e bancos fossem a falência e o valor das bolsas caiu muito de um dia para o outro. Essa quebra repercutiu na maior parte dos países capitalistas. Muitas pessoas perderam o emprego, havia pânico entre as pessoas, levando algumas ao suicídio, inclusive 11 especuladores da bolsa.[8] O desemprego aumentou a produção industrial americana ficou reduzida a 54%.[6] O mercado perdeu mais de 30 bilhões de dólares em dois dias.[9]

Os dados do Dow Jones[10]

Data Mudança Variação Número final
28 de outubro de 1929 −38,33 −12,82 260.64
29 de outubro de 1929 −30,57 −11,73 230.07

O mercado continuou a cair, chegando a um número negativo histórico em 13 de novembro de 1929, com 198,60. O mercado se recuperou durante vários meses, atingindo um pico de fechamento secundário de 294,07 em 17 de abril de 1930, antes de embarcar em um outro pico negativo, no entanto esse foi mais forte, quando o Dow fechou em 41,22, o mais baixo do século 20. Não voltaria a se recuperar entre setembro de 1929 até novembro de 1954.[11] [12]

Fundamentos econômicos[editar | editar código-fonte]

O acidente financeiro seguiu uma especulativa que tomou conta no final de 1920, que levou centenas de americanos a investirem pesadamente no mercado de ações. Um número significativo deles foi pedir dinheiro emprestado para comprar mais ações. Em agosto de 1929, os corretores faziam empréstimos pequenos a investidores que estavam comprando ações. Mais de 8,5 bilhões de dólares foram emprestados,[13] mais do que a metade de todo o dinheiro em circulação nos Estados Unidos na época.[9] [14] Os preços das ações estavam subindo e incentivando mais pessoas a investir, as pessoas esperavam que os preços das ações iriam subir ainda mais. As especulações alimentaram a subir ainda mais e criou uma bolha econômica.

As ações subsequentes[editar | editar código-fonte]

Em 1932, a Comissão Pecora foi estabelecida pelo Senado dos Estados Unidos, para estudar as causas do acidente. No ano seguinte, o Congresso dos Estados Unidos aprovou a Lei Glass-Steagall, que tornou obrigatória uma separação entre bancos comerciais, que recebem depósitos e dão empréstimos a bancos de investimento, que emitem e distribuem ações, títulos e outros.

Depois da quebra da bolsa de valores, os mercados acionários ao redor do mundo instituíram medidas para suspender a negociação em caso de quedas rápidas, alegando que as medidas iam impedir o pânico. No entanto, outro acidente aconteceu, sendo conhecido como Segunda-Feira Negra, de 19 de outubro de 1987, quando o Dow Jones Industrial Average caiu 22,6%, foi a pior queda desde 1929.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. "The beginner's guide to stock markets", Times Online. “The most savage bear market of all time was the Wall Street Crash of 1929-1932, in which share prices fell by 89 per cent.”
  2. Brittanica Concise Encyclopedia - Stock Market Crash of 1929. [S.l.: s.n.].
  3. A Crise de 1929. Sua Pesquisa. Página visitada em 10 de janeiro de 2012.
  4. a b Crise de 1929 (Grande Depressão). Info Escola. Página visitada em 10 de janeiro de 2012.
  5. Erro de citação: Tag <ref> inválida; não foi fornecido texto para as refs chamadas GDE
  6. a b A Crise de 1929. Página visitada em 10 de janeiro de 2012.
  7. The Great Depression, por Robert Goldston, páginas 39 e 40
  8. a b Pânico na Bolsa de Nova York. Página visitada em 11 de janeiro de 2011.
  9. a b New York: A Documentary Film PBS
  10. "Dow Jones Industrial Average All-Time Largest One Day Gains and Losses", The Wall Street Journal. Página visitada em May 11, 2011.
  11. "DJIA 1929 to Present", Yahoo! Finance
  12. "U.S. Industrial Stocks Pass 1929 Peak", The Times, November 24, 1954, p. 12.
  13. "Crashes, Bangs & Wallops", Financial Times. Página visitada em 2008-09-30. “At the turn of the 20th century stock market speculation was restricted to professionals, but the 1920s saw millions of "ordinary Americans" investing in the New York Stock Exchange. By August 1929, brokers had lent small investors more than two-thirds of the face value of the stocks they were buying on margin - more than $8.5bn was out on loan.”
  14. Facing the facts: an economic diagnosis. [S.l.: s.n.]. Página visitada em 2008-09-30.