Quintiães

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Freguesia de Quintiães
Portugal Quintiães  
—  freguesia portuguesa extinta  —
Panorâmica de Quintiães
Panorâmica de Quintiães
Brasão de armas de Quintiães
Brasão de armas
Quintiães está localizado em: Portugal Continental
Quintiães
Localização de Quintiães em Portugal Continental
41° 36' 50" N 8° 39' 31" O
Concelho primitivo Barcelos
Concelho (s) atual (is) Barcelos
Freguesia (s) atual (is) Quintiães e Aguiar
Extinção 28 de janeiro de 2013
Área
 - Total 3,92 km²
População (2011)
 - Total 644
    • Densidade 164,3/km2 

Quintiães foi uma freguesia portuguesa do concelho de Barcelos, com 3,92 km² de área[1] e 644 habitantes (2011)[2] . Densidade: 164,3 hab/km².

Foi extinta em 2013, no âmbito de uma reforma administrativa nacional, tendo sido agregada à freguesia de Aguiar, para formar uma nova freguesia denominada União das Freguesias de Quintiães e Aguiar da qual é sede.[3]

Quintiães situa-se a 12 Quilómetros a norte de Barcelos. É uma localidade com um forte percurso histórico onde se destacaram grandes personalidades a nível nacional e internacional. É de destacar geograficamente uma vasta zona panorâmica, onde é possível contemplar várias freguesias do concelho de Barcelos.

O nome da povoação vem de um termo visigótico significando "Villa" quinta de Quintila, hipocorisma de um nome pessoal de filiação germânica ou visigótica.

Demografia[editar | editar código-fonte]

         Evolução da População desde 1864 até 2011                 Evolução dos Grupos Etários (2001 e 2011)                   

Evolução da  População  1864 / 2011; Variação da População  1864 / 2011; A População em 2001; A População em 2011;

Heráldica[editar | editar código-fonte]

O Brasão é constituído por uma árvore, do qual realça a floresta dominante no povoado; a roda do moinho de água (Azenha) faz evocação a indústria moleira do passado e as sete cruzes, lembram os sete castelos nacionais, simbolizam as sete capelas das principais devoções religiosas da comunidade.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Situada na bacia orográfica do rio Neiva, tem uma rica zona florestal montanhosa, do qual nascem dois rios, no lado sul nasce um ribeiro no "penedo da risca", passa por Friofe e Santa Marinha e no lado Norte nasce o Ribeiro de Sarnados que nasce em Bustelo, o ribeiro do lado sul é mais caudaloso, quanto ao ribeiro de Sarnados é muito menos caudaloso e no verão pode chegar a secar.

A floresta é constituída maioritariamente por eucaliptos, pinheiros Bravos,e minoritariamente por Sobreiro, Carvalho e Castanheiros.A floresta primitiva era maioritariamente composta pelas árvores que agora estão em minoria, de facto o eucalipto assumiu uma presença omnipresente na floresta de Quintiães e é de facto uma árvore invasiva, alterando significativamente a biodiversidade da zona.Existem arbustos de pequeno porte, como a mimosa e giesta.Quanto as plantas rasteiras, temos os fetos, o mato e a silva.

A fauna e a sua biodiversidade esta ameaçada devido a exploração excessiva do homem nos recursos da zona, é de destacar: porco-espinho,lebre, raposa e esquilo-vermelho.

Existem repteis, como a lagartixa-ibérica, lagartos, e algumas cobras do Norte de Portugal, que são venenosas, mas não acostumam atacar os seres humanos, excepto se se sentir ameaçada.

Aves: corvo, gaio, pintassilgo e aves de rapina.

A floresta de Quintiães sofreu em Junho de 2006;um forte incêndio que afectou a maior parte da floresta da povoação, sendo que a esta recupera pouco a pouco do desastre ecológico.

Toponímia de Quintiães[editar | editar código-fonte]

Lugares (21); Agrela; Amaral, Barra; Besteiros; Cabana; Cachada; Carreira Cova; Colaço; Eira Vedra; Friofe; Gândara; Igreja; Maceiro; Moinho Vedro; Monte; Outeiro; Pedregal; Pousada; Rodo; Santa Marinha e Silveiros.Muito recentemente os lugares foram substituídos por ruas: Rua da Cabana, Rua do Outeiro, Rua do Monte,Rua dos Artesãos e etc.

Vista panorâmica de Quintiães,fotografia tirada no inverno.
Vista panorâmica de Quintiães,fotografia tirada no inicio da Primavera .
Moinho de Rodízio no ribeiro de Sarnados.

História[editar | editar código-fonte]

Os vestígios arqueológicos encontrados em Quintiães indica que a localidade já era habitada na idade do ferro, mesmo muito antes da colonização romana. Com a colonização romana os habitantes do lugares castrejos (castro)como o de Santa Marinha terão descido para o vale do rio Neiva pela imposição da cultura romana. Parte do castro de Santa Marinha, sobretudo a muralha, serviu para a construção da actual capela.

No fim do Império Romano do ocidente e o começo da Idade Média, o território da freguesia estava dividida em duas paroquias, a de Friofe e a de Quintiães. A palavra Friofe vem do termo germânico Fredulfi, que significa "Vila", a paroquia de Friofe ficava numa planície no alto do monte, a uma determinada altura a população terá desistido de morar em essa zona porque ouve um decréscimo populacional o que causou a incapacidade de poder sustentar o tributo ao pároco, segundo uma lei visigótica, onde residissem 10 servos estes poderiam ter um pároco.

A palavra Quintiães aparece nas inquirições de 1220 e 1258, o termo parecia significar terras de uma quinta ou varias quintas de nobres, hoje em dia existem vestígios de varias quintas que "retalhavam" o povoado cada uma com muitas terras de cultivo.

As quintas que actualmente existem na localidade são: Casa dos Assentos, Casa da Cabana , Quinta de Faria , Casa de Fate e Casa das Fontainhas ,sendo o proprietário de esta ultima, nos princípios da sua fundação, um clérigo.

Na Idade Média alta a família Barbosa de linhagem nobre e proveniente de Espanha, assentaram senhorio na Torre de Aborim, freguesia de Aborim, mas na realidade partilhavam a sua vida religiosa e social em Quintiães, tendo ajudado a construção de uma capela de estilo gótico na Igreja actual.

A Igreja de Quintiães em tempos primitivos se situaria não muito longe da actual. Na casa do Assento foram encontradas pedras baptismais e pedras romanas durante o principio do século passado.

Os donos das terras de cultivo pagavam um foro ao Convento de Carvoeiro, existem ainda recibos do século XIX do pagamento do tributo ao convento de Carvoeiro.

No século XIX é construída a linha do Minho passando o traçado dentro da localidade e a estação mais próxima seria na freguesia de Aborim (Estação de Tamel), projectando definitivamente a povoação ao progresso económico-social e consequentemente o bem estar.

Até em princípios do século passado chegou a existir populações em zonas muito altas do monte da Barra, é de destacar a casa da Penancha hoje em ruínas acentuadas, a casa tem vestígios etnológicos da lavoura primitiva.

Etnologia[editar | editar código-fonte]

A Etnologia em Quintiães, encontra-se em declínio como qualquer aldeia do litoral , a tradicional cultura campestre sofreu mutações, devido aos avanços tecnológicos e a globalização.Assim que os acessos melhoraram e o poder de compra permitiu a compra de um veículo próprio, os habitantes deixaram de trabalhar exclusivamente na agricultura para trabalhar em fabricas, sobretudo as mulheres, que passaram de uma fase de "Mulher da Casa" para o mundo da emancipação.

Continua ainda a existir uma economia de subsistência mas mais enfraquecida, os preços baixos dos alimentos tornou obsoleto o cultivo próprio.

Antigamente produziam-se os utensílios diários, a roupa, ferramentas e etc, só existindo a troca ou a venda de produtos na feira semanal na sede do concelho (Barcelos), distante a uns 13 quilómetros, sendo percorridos na maioria das vezes a pé. O comboio, embora já operacional nos fins do século XIX, a viagem para Barcelos ainda era muito dispendiosa durante as década de 40 e 50 do século passado.

Alem das quintas existentes em Quintiães que se dedicavam exclusivamente à lavoura, empregando jornaleiros, existiam os pequenos proprietários que possuíam terras e uma casa razoavelmente digna de habitar construída maioritariamente em pedra, abundante no povoado, sendo o piso de soalho (madeira)e o telhado revestido de telha portuguesa. Os vestuários eram produzidos com fios de linho, em teares manuais, o vestuário produzido incluía mantas, calças, camisas e etc.As camisolas eram de lá. O linho era cultivado intensivamente e proporcionava bons lençóis no verão, eram de facto muito frescos.

O cultivo da terra era bastante duro e rudimentar, incluía como utensílios a "enxada", e algumas ferramentas manuais para cortar raízes alem de também se usar raramente a pá, mas a grande parte destes utensílios já eram feitos em ferro fundido ou até aço.O arado para lavrar a terra era puxado sempre por uma junta de bois, e o transporte das colheitas eram feitas em carros de puxados também por bois. Nas terras de cultivo com grande área e boa exposição solar, eram cultivados: o milho, centeio, feijões e outros mais. Perto da moradia existia a terra chamada "Horta", onde se cultivavam hortaliças.

O milho era moído em moinhos de água, sendo na maioria das vezes devido ao desnível do caudal, utilizado o método de azenha, a água do ribeiro era guiada num caleiro onde fazia rodar uma roda vertical, a água caia nos copos, que pela altura da queda e o peso fazia andar a roda, sendo esta roda ligada a uma engrenagem onde depois ligava finalmente a mó. Existiam situações em que era necessário construir um moinho de rodízio, a água do ribeiro era "injectada" contra as pás que esta por sua vez estava ligada directamente a , esta girava a mesma velocidade angular da roda.O milho moído então servia como farinha para produzir o pão típico do Minho, a Broa.

O vinho produzido é o vinho verde, um vinho mais amargo que o vinho maduro, as vides eram tratadas e cuidadas por cima de "Esteios", a uva recolhida era moída num sistema de dois rolos que giravam manualmente em sentido oposto , a uva então moída é depositada num recipiente de madeira em grandes dimensões (dorna), era depois prensada numa prensa manual para extrair o resto do sumo, que depois este sumo era armazenado em toneis para "fermentar", os toneis eram armazenados na "Loje" a zona mais fresca da casa, onde também se armazenava a carne salgada e toucinho normalmente de porco .

A maioria das pessoas não tinham instrução liceal ou universitária e a grande parte das vezes nem sabiam ler e escrever, sendo a escola primária mais próxima na década de 50 do século passado perto de Gandara-Neiva que distava aproximadamente 3 quilómetros percorridos na maioria das vezes a pé, por caminhos íngremes e pedregosos.

Azenhas e Moinhos em Quintiães[editar | editar código-fonte]

No Ribeiro de Santa Marinha[editar | editar código-fonte]

Moinho situado ao fundo das terras de Friofe, com roda caneleira interior. Desconhece-se o proprietário;

Moinho situado à entrada da mata de Faria, hoje muito destruído, cujo proprietário também ignoramos;

Moinho situado ao meio da mata de Faria, com roda caneleira exterior. Há pessoas que se recordam de o ver trabalhar;

Moinho ou azenha da Casa das Mendanhas, com roda caneleira exterior. Já só existe ruínas. Era de uso familiar;

Azenha do Dr. Félix Machado, Com roda copeira exterior.

Encontra-se em bom estado de conservação; Azenha de Joaquim Afonso, o "Felicio", com roda copeira exterior. Também se encontra em bom estado de conservação.

Moinho de Rodizio no ribeiro de Santa Marinha.

No ribeiro de Sarnados[editar | editar código-fonte]

Moinho de Teresa Fernandes do Vale, da Barra, no Lugar de Sarnados. Tinha roda interior de rodízio e caleira ou cubo de água em pedra ou madeira;

Azenha, junto a fonte de Sarnados, entre as duas poças. Propriedade dos irmãos António e Rosa Marques Coutinho. Esta em ruína acentuada e o reservatório recentemente construído veio a degradar mais a azenha;

Moinho de Manuel da Barra, trinta metros abaixo da azenha anterior. Era de Rodízio e com utilização familiar, esta recuperado;

Azenha dos Lazeiras, de uso particular e público mediante maquia. A roda copeira exterior era grande, de uns quatro ou cinco metros de diâmetro. Pertencia a Joaquim Sousa de Jesus e Esposa Isabel Marques Coutinho, cujo filho Alípio Coutinho emigrante na Argentina dotou esta azenha de um motor de combustão interna, suprindo de este modo a falta de água no verão, encontra-se em razoável estado de conservação;

Azenha da Cabana cem metros abaixo da anterior. Foi alugada e explorada por Joaquim Lazeira que vivia da moagem a tempo inteiro. Este moleiro administrava quatro azenhas: duas arrendadas a casa da Cabana e duas dele próprio. Chamavam-lhe azenha do tinta, do Sousa, a de cima e a do meio; Azenha dos Sousas, da casa da Fontainha. Tinha roda copeira de grande diâmetro e copos muito densos. Esta em ruínas;

Azenha do Madanelo ou Cabana, para uso particular; Azenha da Casa de Fate, que é a ultima,a roda exterior era de diâmetro reduzido e de copos grandes, mas com engrenagem especial na roda de carrinho;

Moinho de Joaquim Felix Machado e esposa Rosa, alimentado com água de Sarnados. Foi vendido a casa de Fontesecas. Situava-se no Lugar da Barra ou Monte;

Moinho de Joaquim Lazeira, no Lugar do Monte. Era de tracção animal. Geralmente um burro. A roda que o burro, ou a junta de bois, movia era enorme diâmetro, de tal maneira que uma só volta do animal, por engrenagem, produzia trinta e seis rotações da mó.

Património[editar | editar código-fonte]

Capela de São Frutuoso.

Padroeira e Festividades[editar | editar código-fonte]

Dia da Padroeira N. Sra. da Expectação ou N. Sra. do Ó (18/12) e festas de S. Sebastião (20/1), S. Frutuoso (16/4), S. S. Sacramento ou Corpo de Deus (Junho), Sta. Marinha (18/7), Sto. António e N. Sra. do Rosário (7/10).

Locais de Interesse Turístico[editar | editar código-fonte]

Casa dos Assentos (T.E.R.), da Agrela, da Cabana, da Fontainha e de Faria e Miradouros do lugar de Cachada e da Capela de Santa Marinha (de onde se pode avistar as cidades de Barcelos, Ponte de Lima e Viana do Castelo).

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Referências

  1. Instituto Geográfico Português, Carta Administrativa Oficial de Portugal (CAOP), versão 2012.1
  2. População residente, segundo a dimensão dos lugares, população isolada, embarcada, corpo diplomático e sexo, por idade (ano a ano) (em português) Instituto Nacional de Estatística. Página visitada em 6 de Março de 2014. Cópia arquivada em 4 de Dezembro de 2013. "Informação no separador "Q601_Norte""
  3. Diário da República, 1.ª Série, n.º 19, Lei n.º 11-A/2013 de 28 de janeiro (Reorganização administrativa do território das freguesias). Acedido a 2 de fevereiro de 2013.