Quinto Hortênsio Hórtalo

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Quinto Hortênsio Hórtalo (em latim Quintus Hortensius Hortalus; 114 a.C.50 a.C.) foi um político e cônsul romano, além de um célebre orador e letrado. Ele foi cônsul junto de Quinto Cecílio Metelo, cognominado Metelo Cretense, no 3o ano da 177a olimpíada.[1]

Com dezanove anos realizou o seu primeiro discurso ante um tribunal, impressionando com o seu estilo. Foi contratado por Nicomedes, da rei da Bitínia, um dos aliados orientais da República Romana, ao qual o seu irmão arrebatara o trono. Graças a este caso, cresceu enormemente a sua reputação como letrado.

Era genro de Catulo César ao estar casado com Lutácia, por causa do qual estava muito vinculado com os senadores conservadores, os optimates.

Quando Sula alcançou a ditadura decretou que o Senado devia tomar o controle dos tribunais, para o qual ordenou que os jurados fossem constituídos unicamente por senadores. A constituição de Sula diminuiu notavelmente a reputação de Hórtalo, pois alguns acreditavam que devia o seu sucesso ao dictator. Nesta época muitos dos seus clientes eram administradores provinciais que eram acusados de corrupção, os quais quase sempre resultavam absoltos por causa da parcialidade dos tribunais.[2]

Durante a Guerra Social desempenhou-se como militar. Como político obteria o questorado (81 a.C.), o edilato (75 a.C.), o pretorado (72 a.C.), e finalmente o consulado (69 a.C.) com Cecílio Metelo Crético. Um ano antes enfrentou-se nos tribunais a Cícero pelo caso de Caio Verres, sendo derrotado e cedendo o controle dos mesmos ao prometedor letrado.

Em 63 a.C. Cícero e Hortênsio começaram a aceitar os mesmos casos.[3] Quando Pompeu retornou à capital após derrotar Mitrídates (61 a.C.), Hortênsio diminuiu as suas aparições públicas reduzindo-as unicamente aos tribunais Em 50 a.C. evitou que Ápio Cláudio Pulcro - ao qual Públio Cornélio Dolabela acusou de traição - fosse encarcerado. Esse mesmo ano faleceu em Roma.

Todos os discursos de Hortênsio perderam-se. Cícero escreveu que a sua oratória continuava a tradição asiática, uma classe muito vistosa de retórica. Dotado de uma enorme memória,[4] era capaz de lembrar todo o que tinha dito o seu oponente. As suas ações eram premeditadas, e o jeito de vestir a toga era similar ao dos atores dramáticos do momento.[5] Cícero escreveu que tinha uma voz melodiosa que modulava com enorme habilidade.

Homem de enorme riqueza, acabou esbanjando-a na compra de vilas, parques e custosos entretenimentos. Um dos epicuristas mais representativos da sua época, era um célebre comprador de vinho e obras artísticas. Escreveu um tratado de oratória, poemas eróticos,[6] e os Annales, que lhe deram uma reputação como historiador.[7] [8]

A sua única descendente, Hortênsia, foi também uma célebre oradora.[9]

Referências

  1. Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas, Livro XIV, 1.2
  2. Div. em Caecil. 7.
  3. Entre estes casos encontramos as defesas de Caio Rabírio, Lúcio Licínio Murena, Públio Cornélio Sula ou Tito Ânio Papiano Milão
  4. Cícero, Bruto, 88, 95.
  5. Macróbio, Sat. iii. 13. 4.
  6. Ovídio, Tristia, ii. 441.
  7. Vell. Pat. ii. 16. 3.
  8. Ver também Cícero, Dião Cássio xxxviii. 16, xxxix. 37; Plínio, o Velho, Nat. Hist. ix. 8i, x. 23, xiv. 17, xxxv. 40; Varrão, De re rustica iii. 13. 17.
  9. Quint. Instit. i. 1. 6; Valério Máximo viii. 3. 3.


Precedido por:
Cneu Pompeu Magno e Marco Licínio Crasso
Cônsul da República Romana
69 a.C. junto a Quinto Cecílio Metelo Crético
Sucedido por:
Lúcio Cecílio Metelo e Quinto Márcio Rex