Rab (proteína)

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As Rabs constituem uma família de GTPases que, juntamente com outras proteínas, fazem parte do sistema de transporte de vesículas, controlando o ancoramento (docking) das vesículas nas membranas-alvo, ou seja, assegurando que a membrana se aloque no sítio ativo correto através do qual será incorporada. Muitas vesículas transportadoras só se formam se um tipo específico de proteína Rab e SNARE estiverem acopladas a sua membrana, permitindo assim que a vesícula se funda corretamente.

Rabs[editar | editar código-fonte]

As proteínas Rabs constituem um papel importante na especificidade do transporte vesicular. Elas são GTPases monoméricas, das quais são conhecidas mais de 30 variedades, representando então a maior subfamília dessas GTPases. Assim como as SNAREs, cada proteína Rab possui uma distribuição característica nas membranas celulares e todo organelo possui pelo menos um tipo de Rab na sua superfície citosólica. As proteínas Rabs são conhecidas por facilitar e regular o ancoramento (docking) nas vesículas e a combinação entre v-SNARE e t-SNARE, necessária para a fusão entre membranas.

Rabs e GTP[editar | editar código-fonte]

Como todas as outras GTPases, as proteínas Rabs circulam entre a membrana e o citosol. Quando ligadas ao GDP elas se encontram em sua forma inativa no citosol e quando ligadas ao GTP se encontram em sua forma ativa acopladas à membrana. Como as proteínas Rabs se ligam e hidrolisam GTP se considera que o ciclo de hidrólise e ligação do GTP está diretamente ligado ao ancoramento vesicular. Especificamente, uma enzima chamada GDI catalisa a troca do GDP, ligado ao Rab citosólico, por GTP, causando uma mudança conformacional na Rab que permite que ela se ligue a uma proteína de membrana em uma vesícula de transporte. Após a fusão vesicular, o GTP ligado à Rab é então hidrolisado sofrendo novamente uma mudança conformacional e é liberado no citosol para que o ciclo se repita novamente. Portanto, a velocidade de fusão vesicular é controlada pela quantidade absoluta de Rab-GTP, que é regulada por proteínas não identificadas.

Mecanismo[editar | editar código-fonte]

Uma vez em sua forma ligada ao GTP e ancorada em uma membrana lipídica, a proteína Rab se liga a outras proteínas denominadas efetivantes de Rabs (Rab Effectors) que facilitam o processo de ancoramento (docking). De certa maneira, pode-se dizer que a estrutura geral das Rabs contrasta com a dos efetivantes, uma vez que as Rabs possuem estruturas muito similares e os efetivantes possuem estruturas muito diferentes de uma Rab para outra. A fusão vesicular é então limitada à região aonde esse complexo reside, apesar do fato de que as t-SNAREs estão espalhadas uniformemente por toda a membrana. Alguns efetivantes de Rabs são proteínas longas e filamentosas que podem restringir os movimentos de vesículas entre cisternas adjacentes do complexo de Golgi. Outros se ligam as proteínas Rabs na forma ligada ao GTP para prevenir a hidrólise precoce. Outros ainda são proteínas motoras que movem as vesículas através de filamentos de actina ou por microtúbulos até suas membranas-alvo. Apesar das proteínas Rab e seus efetivantes utilizarem mecanismos largamente diferentes, elas possuem uma mesma função. Elas ajudam a concentrar vesículas próximas aos locais onde ocorrerá a fusão e ativam a liberação de proteínas de controle de SNAREs. Dessa maneira, as proteínas Rabs aceleram o processo de combinação de duas SNAREs de membranas diferentes.

Referências[editar | editar código-fonte]

  • Albert, Johnson, Lewis, Raff, Robert, Walter. Molecular Biology of The Cell. 4º ed.
  • Lodish, Berk, Zipursky, S. Lawrence, Matsudaira, Baltimore and Darnell. Molecular Cell Biology. 4º ed.

Ver também[editar | editar código-fonte]