Rabo de Peixe

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 Portugal Vila de Rabo de Peixe  
—  Freguesia  —
Vista parcial do Porto de Rabo de Peixe
Vista parcial do Porto de Rabo de Peixe
Bandeira de Vila de Rabo de Peixe
Bandeira
Brasão de armas de Vila de Rabo de Peixe
Brasão de armas
Localização no concelho de Ribeira Grande
Localização no concelho de Ribeira Grande
Vila de Rabo de Peixe está localizado em: Açores
Vila de Rabo de Peixe
Localização de Vila de Rabo de Peixe nos Açores
37° 48' 37" N 25° 35' 10" O
País  Portugal
Região Flag of the Azores.svg Açores
Concelho RGR1.png Ribeira Grande
 - Tipo Junta de freguesia
Área
 - Total 16,98 km²
População (2011)
 - Total 8 866
    • Densidade 522,1/km2 
Gentílico: rabo-peixenses
Código postal 9600
Orago Senhor Bom Jesus
Correio electrónico geral@jf-rabodepeixe.pt
Sítio http://jf-rabodepeixe.pt/

Rabo de Peixe é uma vila e freguesia portuguesa do concelho da Ribeira Grande, com 16,98 km² de área e 8 866 habitantes (2011). Densidade: 522,1 hab/km². Foi elevada à categoria de vila a 25 de Abril de 2004.

Com uma área geográfica de 16,98 km², onde se inclui o lugar de Santana, a Vila de Rabo de Peixe confronta com o Oceano Atlântico, a Norte, com as freguesias das Calhetas e Pico da Pedra, a Este, com a Ribeira Seca e Santa Bárbara, a Oeste, e com o Livramento (Ponta Delgada) e Cabouco (Lagoa), a Sul.

Vive essencialmente da pesca e da agricultura, havendo indústrias de construção civil e de transformação de peixe como principais empregadores.

História[editar | editar código-fonte]

Não se sabendo ao certo a data ou como teria sido povoada esta localidade, aponta-se que por volta do século XV Rabo de Peixe, conjuntamente com a Ribeira Grande, constituía freguesia.

A 25 de Abril de 2004, Rabo de Peixe foi elevada a Vila, alcançando, assim, uma das suas maiores pretensões.

Esta localidade é assim chamada devido à semelhança que uma das suas pontas de terra tem com uma cauda de peixe, ou como diz Gaspar Frutuoso (cronista açoriano, século XVI), por em tempos ali ter sido encontrado o rabo de um grande peixe desconhecido.

Como nota de curiosidade, registe-se que o lugar de Santana, extensa planície, foi transformado em campo de aviação militar durante a segunda guerra mundial (1939/45), passando, em 1946, para a aeronáutica civil com a instalação do primeiro aeroporto da ilha de São Miguel.

Cultura[editar | editar código-fonte]

Rabo de Peixe é uma vila com fortes raízes na tradição da Ilha de São Miguel, possui uma cultura assente nas suas Festas Tradicionais, no seu Folclore, na sua Música e no seu vasto Património Arquitectónico.

Festas Religiosas[editar | editar código-fonte]

As Festas Religiosas são extremamente valorizadas pela população local, e representativas da cultura desta vila, atraindo inúmeros visitantes não resitentes na localidade. Estas iniciam-se logo no primeiro dia do ano, com a Festa do Senhor Bom Jesus, seu Santo Padroeiro. Tal como em toda a ilha de São Miguel, existe uma devoção especial pelo Divino Espírito Santo, sendo famosos os cortejos e carros alegóricos referentes a estas Festas. A Festa da Bandeiras é uma das mais expressivas manifestações destas comemorações. Esta celebração engloba duas formas, a Bandeira da Beneficência, ou as "Festas da Beneficência" e a Bandeira da Santíssima Trindade, designada pelo povo "Festas da Caridade". Acompanhando estas duas Bandeiras, ocorrem as fomosas "Despensas" e "Bailinhos", duas danças oriundas de Rabo de Peixe.

São seis as coroações em Rabo de Peixe, a de São Sebastião, a de São João, a de São Pedro, a d'Os Inocentes, a da Santíssima Trindade e a do Rosário.

Os impérios só terminam com as chaves de São Pedro que fecham as portas dos folguedos, até ao primeiro Domingo de Outubro, altura do começo da celebração das Festas de Nossa Senhora do Rosário. Essas têm o seu ponto forte no Domingo, com a realização da procissão. Na segunda-feira também se realiza uma procissão que percorre quase todas as ruas de Rabo de Peixe. Há quem diga que a procissão realizada no Domingo é a segunda maior, a seguir à procissão do Senhor Santo Cristo dos Milagres, em Ponta Delgada. Santa Cecília e nossa Senhora da Conceição, padroeiras, das duas filarmónicas de Rabo de Peixe, são outras das festividades desta vila.

Ao longo de todo ano vão se realizando outras procissões, como a procissão de São Sebastião, realizada no penúltimo Domingo do mês de Janeiro, a do Senhor dos Passos (via sacra pública), realizada no terceiro Domingo anterior ao Domingo de Páscoa, a dos Ramos, realizada no Domingo anterior ao Domingo de Páscoa, a do Senhor Morto, realizada na Sexta-Feira Santa à noite, a do Senhor Ressuscitado, realizada no Domingo de Páscoa, a dos Enfermos, realizada no primeiro Domingo após a Páscoa e por fim a procissão de São Pedro Gonçalves, realizada no sexto Domingo a posterior ao Domingo de Páscoa.

Danças Tradicionais[editar | editar código-fonte]

AS Festas alusivas ao Espírito Santo envolvemm algumas danças tradicionais, denominadas "Despensas", diferentes dos restantes "balhos" da ilha. Salientamos o Balho dos "Homens da Terra" e o Balho dos "Homens do Mar", dançados apenas por homens, ao som de castanholas que manejam durante a actuação. No entanto, ao longo da dança as mulheres podem entrar se assim o desejarem, mas, nunca iniciam este típico ritual lado a lado com os homens.

Bandas Filarmónicas[editar | editar código-fonte]

As duas Filarmónicas de Rabo de Peixe têm mais de um século de extistência. A Sociedade Filarmónica Lira do Norte (http://liradonorte.com.sapo.pt), fundada em 1867, cuja padroeira é Santa Cecília, e a Filarmónica Progresso do Norte, fundada em 1888 e tem como padroeira Nossa Senhora da Conceição. Todos os anos, participam nas procissões realizadas em Rabo de Peixe, mas também participam em várias procissões da ilha e até no estrangeiro.

Grupo Folclórico "A Gaivota"[editar | editar código-fonte]

O Grupo Folclórico "A Gaivota", fundado em 1996, da Casa do Povo de Rabo de Peixe, é um grupo que pretende preservar as tradições dos seus antepassados, como o modo como viviam seus avós, as suas cantigas, os seus vestuários e as suas danças. O grupo também actua pela ilha e também pelo estrangeiro.

Grupo de Cantares "Vozes do Mar do Norte"[editar | editar código-fonte]

Este grupo de cantares foi fundado em 2007. Possui 27 elementos, entre vozes, tocadores de viola da terra, acordeões, castanholas, ferrinhos, pandeiro e flautas.

Tem como objectivo promover o gosto pelas melodias populares, muitas delas cantadas pelos seus avós e relembrar outras já esquecidas.

O reportório do Vozes do Mar do Norte inclui temas de várias ilhas dos Açores, como Ilhas de Bruma, Chamateia, Velho Pezinho ou Vapor da Madrugada, bem como canções do continente português e da Madeira, e músicas recuperadas aos antigos espectáculos de variedades que se encenavam naquela Vila.

Clube Naval de Rabo de Peixe[editar | editar código-fonte]

No ano de 2001 é fundado o Clube Naval de Rabo de Peixe, assumindo o papel dinamizador nas mais diversas áreas de recreio náutico.
Finalizando o ano de 2007 a Direção apresenta o projecto de construção da futura sede social, sendo as novas instalações inauguradas um ano depois.
A dificuldade do Clube no acesso ao mar, não foi impeditivo para a profusa atividade do Clube [1] , catalisando mudanças sociais, dinamizando o surf, a vela, a canoagem e o mergulho, fomentando a filiação em Associações e Federações Regionais e Nacionais.[2] [3]
As ações de formação e torneios na modalidade de caça submarina passam a ser organizados pelo Núcleo de Actividades Subaquáticas do Clube Naval de Rabo de Peixe.[4] [5]


Outros
  • Literatura
  • Cine Teatro Mira Mar
  • Grupo de Teatro "Cena J"
Figuras de destaque
  • Bispo D. Paulo José Tavares
  • Ruy Galvão de Carvalho
  • António Tavares Torres (compôs o 1º Hino da Autonomia)
  • António Pedro Costa
  • Sandro G

Cozinha Tradicional[editar | editar código-fonte]

  • Açorda

Ingredientes: Cebola, alhos, batata-doce, feijão vermelho, um pouco de sal, pimenta e cebola curtida.

Preparação: Coloca-se ao lume um tacho de água com alhos, cebola, batatas e o feijão previamente cozido.

Depois, miga-se pão de milho ou de trigo nas tigelas e sobre ele põe-se por cima os ingredientes cozidos. Faz-se acompanhar com as cebolas curtidas e com pimenta.

Ingredientes: Pão de milho e leite.

Preparação: Miga-se o pão de milho numa tigela e por cima é derramado o leite fervido e está pronto a servir.

Ingredientes: Couves, batatas, farinha e sal.

Preparação: Picam-se as couves e cortam-se as batatas. juntam-se de seguida na panela com água a ferver. Quase cozidas, coloca-se dentro do tacho a farinha e deixa-se novamente cozer com o sal incorporado.

Ingredientes: Feijão, couves, batata, manteiga e sal.

Preparação: Coloca-se ao lume um tacho com água e, ao ferver deitam-se couves picadas, batatas, manteiga e um pouco se sal, bem como feijão já previamente cozido, deixando tudo novamente ferver.

Ingredientes: Chicharros, açafroa, colorau, pimenta, batatas, cebola, banha e sal.

Preparação: Leva-se ao lume um tacho onde se refoga a cebola com temperos. Deita-se água e depois de ferver junta-se as batatas às rodelas.

Quando as batatas estiverem quase cozidas, juntam-se os chicharros e deixa-se ferver.

Ingredientes: Alho, óleo, 1 colher de pimenta, meio copo de vinho de cheiro, meia colher de colorau e sal.

Preparação: Refoga-se o alho picado no óleo. Juntam-se a pimenta, o vinho de cheiro, o colorau, o sal e a água. Deixa-se ferver. Depois serve-se por cima de peixe.

  • Cebolada

Ingredientes: Cebolas, banha, açafroa, e colorau.

Preparação: Pica-se a cebola e leva-se à frigideira juntamente com a banha e com restantes temperos, até ficar frita. Depois de pronta, serve-se como óptimo acompanhamento de chicharros.

  • Badofa

Ingredientes: Fígado de vaca, vísceras, carne de cozer, batata, colorau, cebola, banha e uma folha de louro.

Preparação: Corta-se em pedaços o fígado da vaca, bem como a carne de cozer. Refoga-se numa panela e cebola, com banha e colorau e junta-se água. De seguida adiciona-se a carne em pedaços e deixa-se com folhas de louro. No final juntam-se as batatas descascadas e em pedaços, até ficar tudo cozido.

Trata-se de um prato típico das festas do Espírito Santo na freguesia.

  • Papas de Carolo

Ingredientes: 1 quarta de carolo, 1 litro de água, 3 colheres de banha, 2 litros de leite, sal e canela.

Preparação: Põe-se de molho o carolo, depois de bem lavado e junta-se tudo e vai ao lume. Depois de cozido é colocado nos pratos, com a canela polvilhada, servindo-se com o leite morno misturado.

Ingredientes: Farinha de milho, sal e água.

Utensílios: Peneira, tendeira ou equivalente e certã.

Preparação: Escalda-se a farinha com água e sal, depois de peneirada na peneira e amassa-se. De seguida é tendida na tendedeira e colocada na certã.

Ingredientes: 1 kg de farelo apurado, fermento de milho, sal.

Preparação: Amassa-se dá-se a forma de pão e vai ao forno durante cerca de três quartos de hora.

  • Malassadas

Ingredientes: 6 ovos, 1 kg de farinha e fermento.

Preparação: Mistura-se a farinha com os ovos, junta-se o fermento e amassa-se tudo, deixando de seguida levar. Depois de bem levedado deita-se pedaços de massas em forma de argola numa frigideira com banha ou óleo e vai a fritar. Depois tira-se a frigideira e polvilha-se com açúcar.

  • Licor Caseiro

Ingredientes: 1 quartilho de álcool, 750 g de açúcar, essência de baunilha ou morango, etc. e respectiva cor e ainda 1 litro de água Preparação: Deita-se a água ao lume a ferver com açúcar durante cerca de 10 minutos. Depois de frio deita-se o álcool e vai novamente ao lume até ferver. Deixa-se novamente arrefecer e junta-se depois a essência do gosto preferido e a respectiva cor e mistura-se muito bem, podendo ser servido logo se seguida. Quanto mais tempo levar a ser servido, melhor gosto adquire.

Património Arquitectónico[editar | editar código-fonte]

Igreja do Senhor Bom Jesus

A Igreja do Senhor Bom Jesus é um edifício que foi construído no século XVIII. Pensa-se que por volta de 1690 deu-se início à sua construção mas só ficou concluída em 1735 sendo uma igreja de estilo barroco.

Ermida de Nossa Senhora do Rosário

A Ermida de Nossa Senhora do Rosário foi construída no século XVI. Esta ermida foi a principal igreja da freguesia, antes de ser construída a igreja do Senhor Bom Jesus.

Ermida de São Sebastião

A Ermida de São Sebastião foi construída no século XVIII, sendo também de estilo barroco. Nesta ermida encontra-se uma imagem rara de São Tomás de Aquino raros azulejos do século XVIII, retratando São Sebastião em situações de suplício.

Ermida de Nossa Senhora da Conceição

A Ermida de Nossa Senhora da Conceição, construída no século XVII, é um monumento de estilo maneirista. Tem um altar envolto em cento e doze azulejos brancos e azuis do século XVIII. Esta ermida está classificada como património regional dos Açores.

Ermida de Sant’Ana

A Ermida de Sant’Ana apresenta uma estrutura de pequena dimensão, tendo uma fachada de pedra de lavoura vulcânica a ladear todo o seu perímetro.

Ermida de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro

A Ermida de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, construída no século XX, é a mais recente de todas as outras ermidas, tendo sido mandada construir para as romarias.

Educação[editar | editar código-fonte]

Possui uma Escola Básica de 2.º e 3.º Ciclo(Escola Dr. Rui G. Carvalho), e três escolas do 1.º Ciclo e Jardim de Infância(Escola António Tavares Torres, Escola Luísa Constantina e Escola Dom Paulo ), e também a sede da Escola Profissional de Ribeira Grande.

Desporto[editar | editar código-fonte]

  • Aéromodelismo
  • Clube Atlético de Rabo de Peixe
  • Clube Desportivo de Rabo de Peixe
  • Clube K
  • Clube Naval de Rabo de Peixe
  • Clube de Tiro de S.Miguel
  • Associação equestre

Economia[editar | editar código-fonte]

  • Pesca
  • Agricultura
  • Construção Civil
  • Indústria Transformadora

Referências

  1. Atividades do Clube in Expresso das nove, 11 Março 2011. consultado em 22 novembro 2012
  2. [1] Site federação Portuguesa de Surf.
  3. Instituto Português do Desporto e Juventude Listagem de entidades licenciadas. consultado em 22 novembro 2012
  4. Atividades subaquáticasin Correio dos Açores.14 Janeiro 2011, consultado em 22 novembro 2012
  5. 2ºTorneio de caça submarina in RTP/Antena 1 Açores, 14 Janeiro 2011, consultado em 22 Novembro 2012