Racialismo

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O racialismo (ou racismo científico) é um neologismo que designa a "teoria científica das raças humanas".

Trata-se da questão de criar um termo bem diferenciado da palavra racismo, permitindo, de acordo com seus promotores, não fazer confusão entre:

  • uma definição arbitrária e eventualmente útil de raças humanas, por um lado;
  • qualquer ideia de conseqüências e eventuais medidas a serem tomadas (superioridade desta ou daquela raça sobre uma outra, de maneira geral ou num campo específico; implicações políticas, a favor ou contra a miscigenação, etc), por outro lado.

As abordagens quanto ao termo são bastante divergentes:

  • alguns consideram o racialismo como um quase-sinônimo de outro vocábulo utilizado no início do século XX: a raciologia, o qual designa a ciência comparativa (antropologia) dedicada ao estudo dos tipos humanos em suas diferentes características hereditárias;
  • outros consideram que se trata de uma doutrina científica sendo utilizada para justificar uma recusa do outro, até certo ponto, um racismo "moderado", desprovido de qualquer ideia de hierarquização das raças ou da ado(p)ção de medidas coercitivas a respeito de outras raças;
  • na literatura anglo-saxônica, a palavra "racialismo" pode ainda ser entendida no sentido de racismo, onde então é empregada de modo intercambiável com "racismo".

O objetivo declarado dos promotores do racialismo é retirar o estudo das raças daquilo que foi, de acordo com eles, um pesado passivo emocional causado por vários séculos de interferência das doutrinas racistas, aplicadas ao meio científico.

Uma expressão contestada[editar | editar código-fonte]

Em 2006, a comunidade científica de biólogos considerou que ninguém poderia, graças ao progresso científico, falar de raças humanas. Com efeito, como disse Albert Jacquard numa declaração assinada por seiscentos cientistas:

"O conceito de raça pode ser definido somente dentro de espécies cujos vários grupos foram isolados uns dos outros por um tempo suficientemente longo para que seu patrimônio genético se diferencie. De onde se conclui que, na espécie humana, esta diferenciação é tão pouco pronunciada que o conceito de raças humanas não é operacional."[1]

Teóricos[editar | editar código-fonte]

Entre os primeiros teóricos das raças, estão Kant e Blumenbach, partidários do monogenismo, Meiners e Sömmering, defensores do poligenismo, Renan ou Arthur de Gobineau e seu Essai sur l'inégalité des races humaines (1853-55). Pierre-André Taguieff estabeleceu a genealogia do racismo pseudo-científico, que se baseava, entre outros, na existência de zoos humanos. Ao tempo das exposições etnográficas, era de fa(c)to bastante comum ver os supostos selvagens em jaulas, lado a lado com macacos.

Hervé Le Bras interessou-se pelas modalidades do racialismo e da raciologia ao tempo de seu trabalho sobre a ideologia demográfica. Entre os homens de ciência ou capazes de aprovar esta ideologia, ele indica Vacher de Lapouge, (darwinista social e socialista), Sir Ronald Fisher (democrata e eugenista negativo) e Paul Rivet, (crente na hierarquia das raças, socialista e vice-presidente da Liga dos direitos do homem).

Referências

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]