Radioamadorismo

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Uma estação de radioamadorismo
Antena quad para radioamadorismo para banda 2m
Radioamador em sua estação

O radioamadorismo, ou Serviço de Amador é um hobby científico praticado em quase todos os países do mundo por pessoas habilitadas e licenciadas por autoridades, para a intercomunicação e estudos técnicos sem motivo de lucro. Assim como outros hobbies, o radioamadorismo possui legislação nacional e internacional que regulamenta as condições de uso e as frequências de rádio destinadas à atividade, e que obrigatoriamente deve ser seguida pelos seus praticantes, chamados de radioamadores.

História[editar | editar código-fonte]

É possível afirmar que o radioamadorismo começou juntamente com as primeiras emissões de rádio no final do Século XIX. Como ainda não existiam fábricas de rádios até então, mas a curiosidade na comunicação à distância era crescente, diversas pessoas começaram a montar seus próprios equipamentos e antenas de forma caseira a título de experimentos e deu-se então o início desse hobby que tornou-se conhecido mundialmente.

Em 2 de janeiro de 1909 nasce nos Estados Unidos o Junior Wireless Club [1] , considerado o primeiro "rádio clube" mundial (que depois foi renomeado para Radio Club of America), a aglutinar os interessados na atividade radioamadorística. [2] Com o crescimento de atividades nas frequências de rádio, o senado norte-americano publica em 13 de agosto de 1912 o Radio Act, [3] a primeira lei que regulamenta as comunicações de rádio no país. Nesta lei, além da regulamentação das comunicações de rádio, também são minimamente regulamentadas as estações experimentais, concedendo licenças provisórias para estações engajadas na condução de experimentos para o desenvolvimento da ciência da rádio comunicação. No mesmo ano, Irving Vermilya, 1ZE, torna-se o primeiro radioamador licenciado nos Estados Unidos. [2]

Na mesma época o radioamadorismo nascia no Brasil, sendo Lívio Moreira, SB-3IG (e depois BZ-1M) reconhecido no mesmo ano como o primeiro radioamador brasileiro. [4] No rastro dele, começam a surgir diversos radioamadores pelos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Pernambuco e Pará.

Até 1924 o radioamadorismo no Brasil não era regulamentado pelo governo, fato que ocorreu em 5 de novembro de 1924 quando foi publicado no Diário Oficial da União o Decreto 16.657 que approva o regulamento dos serviços de radiotelegraphia e radio telephonia [5] e somente revogado em 15 de fevereiro de 1991. [6] A data de 5 de novembro foi escolhida para a comemoração do Dia do Radioamador pela LABRE em gratidão ao decreto que regulamentou o radioamadorismo no Brasil.

Modalidades de comunicação[editar | editar código-fonte]

São diversas as modalidades de transmissões no radioamadorismo, dentre elas: telegrafia ou CW, AM, SSB-USB/LSB, FM, FSK para os modos digitais: SSTV, RTTY, Packet (Acesso via internet+software+radio), operação via satélite.

QRP[editar | editar código-fonte]

O termo QRP tem sua origem no código Q internacional e significa "Posso diminuir a potência?". No meio radioamadorístico, QRP significa operações com potência RMS de saída do estágio final de RF inferior a 5 Watts (37dBm). Praticantes da arte do QRP muitas vezes constroem e operam seus próprios equipamentos de rádio.

Devido a baixa potência, a modulação mais comum usada por radioamadores entusiastas do QRP é o CW (Código Morse); porém, as operações QRP não estão limitadas ao CW. Qualquer tipo de modulação, analógica ou digital, que permita contatos com potências inferiores a 5 Watts pode ser usado em operações QRP. A popularidade do CW tem origem históricas e pelo fato dele ser um modo que pode ser obtido usando circuitos eletrônicos de relativa simplicidade.

No Brasil não é diferente, existem muitos praticantes e amantes do QRP. Muitos deles são adeptos a comunicação a longa distancia e a competição. Concursos nacionais e internacionais tem a participação dos amantes desta modalidade, e para troca de informações técnicas existe um grupos de discussão sobre o assunto. Um deles está encontra-se aqui.

Um dos mais completos sites que trata de competições no meio radioamadorístico é o SM3CER Contest Service nele você encontra o calendário atualizado das competições em todo mundo, juntamente com suas regras, onde você poderá pesquisar se a competição tem a modalidade QRP, muitas destas competições são puramente QRP, ou seja somente para rádios de baixa potencia.

Existe ainda a possibilidade da montagem de seu próprio equipamento QRP, são muitos os sites a qual incentivam esta prática como é o caso do Radioamador Miguel Angelo Bartié, PY2OHH, no site a qual ele é mantenedor, você poderá encontrar esquemas e dicas.

Hoje em dia pelo desafio, muitos são os fabricantes que ainda investem nesta modalidade, como é o caso da Yaesu, Ten Tec, Elecraft e outros, facilitando principalmente aos operadores já que recursos de filtragem melhoram a recepção, além disto o equipamente QRP, já que o consumo de energia é pequeno, é o preferido para quem gosta de acampamentos de final de semana, férias, já que desempenho melhora muito no campo aberto ou mesmo a beira do mar.

Em reconhecimento da popularidade do QRP, o ARRL (American Radio Relay League) incentiva esta modalidade disponibilizando um prêmio para os Radioamadores, que têm contato com pelo menos 100 entidades DXCC, utilizando 5W saída ou menos. Contatos feitos a qualquer momento no passado contarão, e os cartões de confirmação (QSLs) não são obrigatórios[7] .

Satélites Artificiais Amadores[editar | editar código-fonte]

Existem também aqueles radioamadores que se dedicam a operação de satélites artificiais amadores, construídos e operados por radioamadores dentro do serviço de comunicação espacial. O primeiro satélite amador foi o OSCAR-1, lançado em 12 de Dezembro de 1961 nos EUA. A AMSAT é a organização internacional que coordena o desenvolvimento, construção e preparativos para os lançamentos deste satélites. Outras organizações filiadas existem ao redor do mundo como a AMSAT-DL (Alemanha) e a JAMSAT (Japão).

Outros[editar | editar código-fonte]

Existem no mundo muitos tipos de radioamadores, aqueles que procuram ter uma estação de radiocomunicação com intuito de adquirir conhecimento em diversos ramos da ciência, pois, para se ter uma estação de rádio é necessário dominar diversos ramos do conhecimento tecnológico e científico, alguns são: a eletricidade, comunicação, a eletrônica, a mecânica, incluindo a matemática e a física em modo geral, para os aficcionados em comunicados a longa distância, chamados de DX, destacam-se o conhecimento da meteorologia, da astronomia, além de conhecimentos de geografia, dentre outros ramos do conhecimento. Muitos profissionais das mais diversas áreas nasceram a partir de estudos feitos no radioamadorismo.

A oportunidade de se comunicar com outros colegas radioamadores de todas as partes do mundo por meio de uma estação de rádio traz benefícios por permitir a integração entre pessoas de diversas culturas e países.

O principal objetivo do radioamador é o aprimoramento de sua estação de rádio através da melhoria constante de seus equipamentos e antenas, o radioamador utiliza as ondas de rádio como meio de propagação de seus comunicados, bem como o estudo da propagação de ondas no espaço, a reflexão ionosférica, reflexão lunar, estudos do espectro de radiofreqüência em geral, aspectos geográficos em radiocomunicação.

Distribuídos por todo o mundo, até 2004 havia mais de 3 milhões, sendo 50% nos Estados Unidos da América. Os radioamadores desempenham um serviço que a legislação internacional define como sendo de auto-aprendizagem, intercomunicações e pesquisas técnicas, realizadas por pessoas devidamente autorizadas, que se interessam pela radiotécnica com objetivos estritamente pessoais, sem fins lucrativos.

Contribuições dos radioamadores[editar | editar código-fonte]

No mundo, o radioamadorismo foi responsável pelo avanço de muitas tecnologias. Os radioamadores desenvolveram a base da radiocomunicação desde seu início, se não fossem as técnicas desenvolvidas pelos radioamadores a internet, por exemplo, não existiria, ou demoraria muito mais para ser desenvolvida. Outros avanços que ocorreram graças ao radioamadorismo foram na área da radiocomunicação, como a telefonia celular, o radar, o sistema de transmissão de dados via microondas e até mesmo o sistema de fornos de microondas.

Os sistemas de telefonia celular partem do mesmo princípio das estações repetidoras que são utilizadas pelos radioamadores, este sistema trabalha em duas frequências diferentes (600 kHz para a faixa de 2 metros), uma para recepção e outra para a transmissão, só que as estações que fazem esta função na faixa de radioamador utilizam uma freqüência por vez (sistema simplex) ao passo que as destinadas à telefonia celular utilizam duas ao mesmo tempo (sistema duplex ou full-duplex), uma para quem fala e outra para quem escuta. Obviamente que hoje as famosas ERBs (Estação Radio Base) de telefonia celular utilizam um sistema muito mais evoluído que o descrito, porém a essência do funcionamento é o mesmo.

Legislação[editar | editar código-fonte]

O Radioamador é a pessoa habilitada pelos órgãos competentes a operar uma estação de rádio, nas freqüências delimitadas pelos órgãos governamentais competentes para tal, no Brasil está a cargo da Anatel - Agência Nacional de Telecomunicações, seguindo padrões mundias da UIT (União Internacional de Telecomunicações). Em tais frequências não é permitida a operação para fins comerciais ou desviada para qualquer outra finalidade.

Repetidoras[editar | editar código-fonte]

Uma repetidora consiste de um sistema eletrônico que recebe sinais fracos e ou de baixa altitude e retransmite de um local, geralmente mais alto, e com mais potência. Desta forma o sinal pode cobrir distâncias maiores sem perder a qualidade.

O termo repetidora se origina da telegrafia e se refere a um sistema eletro-mecânico usado para regenerar sinais telegráficos. O uso deste termo também é válido na comunicação telefônica e de dados.[8]

Radioamadores famosos[editar | editar código-fonte]

"Silent Key" é um eufemismo utilizado pelos Radioamadores e significa "falecido". Existem ainda outras gírias que se referem a "falecido" no radioamadorismo, como "Desligou o Rádio", "Fechou a Estação" ou "Apagou os Filamentos".

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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