Rafeiro do Alentejo

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Rafeiro do Alentejo
Nome original Rafeiro do Alentejo
Outros nomes Mastim do Alentejo, Mastim Português
País de origem  Portugal
Características
Classificação e padrões
Federação Cinológica Internacional
Grupo 2
Seção 2.2 - Molossóides Tipo Montanha
Estalão ##96 - 26 de maio de 1982
Rafeiro do Alentejo (macho)

O Rafeiro do Alentejo é uma raça antiga, originária da região alentejana, do tipo de cão de guarda de gado. Também é conhecido por "Mastim Português" ou "Mastim do Alentejo".

Aparência[editar | editar código-fonte]

O Rafeiro do Alentejo é uma das maiores raças portuguesas e das mais bonitas. As fêmeas têm entre 64 a 70 cm e os machos vão desde os 66 até aos 74 cm. O peso varia em torno entre os 35 e os 45 kg nas fêmeas e entre os 40 e os 50 kg nos machos.

O Rafeiro do Alentejo é um molosso, de grande porte, forte e com aspecto rústico. A cabeça lembra a de um urso, com uns maxilares fortes e musculosos. O nariz é largo e escuro. Os olhos são escuros e de olhar suave e as orelhas triangulares e pendentes. O pescoço é curto e forte.

O corpo do Rafeiro do Alentejo é mais comprido do que alto. Os membros são musculosos e têm um pelo mais macio. A cauda é comprida e curva na extremidade.

O pêlo desta raça é de preferência de tamanho médio, mas também pode ser curto. Espesso e liso, o pelo distribui-se de forma equalitária pelo corpo. Pode ser visto nas cores preta, lobeira, fulva ou amarela. São permitidas malhas brancas ou nas outras cores aceites. Os padrões raiado, riscado e tigrado também são aceites.

História[editar | editar código-fonte]

O Rafeiro do Alentejo é uma raça antiga da região do Alentejo. Como a maioria dos molossos europeus, acredita-se que tenha descendido dos cães corpulentos do Ribatejo ou do Tibete.

A chegada dos cães à Península Ibérica não é conhecida, pois eles podem ter vindo com alguns nômades na pré-história, ou que tenham sido trazidos pelos romanos quando governou a região milhares de anos atrás. Muitas vezes, é suposto que a raça está relacionada com o Mastim tibetano, mas nenhuma prova disso existe. Talvez no futuro, evidências de DNA vai provar quando os cães chegaram e qual a sua ancestralidade é, mas por agora não há nenhuma prova, apenas lendas, conjecturas e especulações.

O que se sabe é que esta raça tem sido usado para mover os ovinos das montanhas do norte de Portugal para o planalto do Alentejo e de volta para a montanha. Devido às mudanças na agricultura e na pecuária, e da eliminação de predadores de grande porte, a raça deixou de ter uso econômico e começou a declinar. Criadores, no entanto, têm sido capazes de manter a raça viva, embora, em Portugal, ainda é considerada "vulnerável".[1]

Acredita-se que o Rafeiro do Alentejo tenha sido difundida durante a época dos descobrimentos, sobretudo pelos pescadores que visitavam regularmente a Terra Nova. É com base nesta teoria que se defende que o Rafeiro do Alentejo seja um dos antepassados do Cão da Terra Nova, o Newfoundland.

Sabe-se que o nome “Rafeiro do Alentejo” é utilizado desde o fim do século XIX. A designação vem provavelmente da concepção que a população fazia do cão: um cão rafeiro que era comum na região.

Apesar da antiguidade desta linha, o Rafeiro do Alentejo teve de esperar até meados do século XX para se ver livre da classificação de rafeiro. Ironicamente, o nome escolhido para a raça acabou por ser o nome colocado pela população. Em 1940, foi realizado um censo por dois cinófilos, António Cabral e Filipe Romeiras, para tentar determinar o número de Rafeiros do Alentejo existiam na região. Este foi o ponto de partida para a realização do estalão e o reconhcimento da raça pelo FCI que veio em 1967. O Rafeiro do Alentejo é reconhecido pela Fédération Cynologique Internationale, junto com outras raças portuguesas (o Cão da Serra da Estrela e o Cão de Castro Laboreiro), no grupo 2 e seção 2. A "Associação dos Criadores Do Rafeiro do Alentejo" é o clube oficial desta raça em Portugal.[2]

Contudo o reconhecimento da raça não proporcionou a popularidade que se esperava para o Rafeiro do Alentejo. O número de exemplares chegou mesmo a diminuir nas décadas seguintes. O êxodo rural e a desertificação do interior não ajudaram esta raça rústica que no início da década de 80 via os seus exemplares reduzidos ao mínimo desde que começou a ser contabilizado o número de cães desta raça.

Hoje em dia o Rafeiro do Alentejo é um cão popular em Portugal, com registos anuais entre 200 e 500 exemplares, conforme os anos, e é mais frequentemente mantido como companheiro e cão de guarda.

Temperamento[editar | editar código-fonte]

O Rafeiro do Alentejo não é um cão para um dono inexperiente. Sendo um cão de guarda é bastante territorial e agressivo para com estranhos que entram na sua propriedade. Por isso é indispensável que o seu raio de acção esteja bem delimitado e o terreno bem vedado. O ladrar é a primeira forma de defesa do território. A sua voz é grave e audível a grandes distâncias. É um cão de defesa, só atacando perante a percepção de ameaça.

Por ser um excepcional cão de guarda, defende com coragem o terreno e a família, estando especialmente atento durante a noite.

O Rafeiro do Alentejo é um animal calmo, seguro de si com um carácter nobre e digno. Extremamente leal, é especialmente paciente com crianças. Gosta da atenção da família, mas recusa-se a aprender truques sem utilidade no seu trabalho. É bastante eficaz no gasto de energia e tentará ao máximo poupá-la para a sua actividade de guarda. Devido à sua rapidez é também utilizado na caça grossa.

Em casa, é bastante calmo e dócil. A raça amadurece bastante tarde apenas por volta dos quatro anos. Convive com outros animais, desde que estes tenham sido apresentados desde cedo.

O Rafeiro do Alentejo não é um cão de cidade ou apartamento. Devido ao seu grau de inactividade no interior, necessita de um espaço exterior para poder passar parte do dia. Não é um cão que aprecie as rotinas citadinas e gosta de ter um território para guardar.

Saúde[editar | editar código-fonte]

Estima-se que a raça tem a esperança de vida média de 14 anos.

Poucos dados existem para problemas de saúde desta raça. No entanto, tal como na generalidade dos cães de porte grande, a displasia da anca é uma preocupação.[3]

O pelo curto a médio do Rafeiro do Alentejo não exige muita manutenção. Escovagens semanais são suficientes para manter o pelo bem tratado. O Rafeiro do Alentejo muda de pelo duas vezes por ano, necessitando de escovagens mais frequentes nestas alturas para remover os fios caídos.

O banho deve ser dado apenas quando necessário, uma vez que a água e os produtos destroem a camada oleosa de protecção da pele dos cães.

Referências

  1. Associação Dos Criadores Do Rafeiro Do Alentejo (em português). Rafeirodoalentejo.net. "Menos de 5.000 fêmeas é considerada vulnerável, a estimativa é de 1700 Rafeiros do Alentejo, em 2002."
  2. Clubes filiados do Clube Português De Canicultura (em português). Cpc.pt.
  3. Problemas de saúde da raça (em inglês). Scamperingpaws.com.

Atenção que a informação está piratiada..

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


Ícone de esboço Este artigo sobre cães, integrado ao Projeto Cães é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.