Ragtime

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Ragtime
Origens estilísticas Cakewalk, jig, música erudita
Contexto cultural Década de 1890, Estados Unidos
Instrumentos típicos principalmente piano, às vezes banjo, orquestra, banda de metais
Popularidade Década de 1900, década de 1910 e década de 1920
Formas derivadas Stride, novelty piano, honky tonk
Gêneros de fusão
Jazz - boogie woogie - bluegrass

Ragtime (também ragged-time) é um gênero musical norte-americano que teve seu pico de popularidade entre os anos 1897 e 1918. Tal gênero tem tido vários períodos de renascimento, ainda hoje são produzidas composições. O ritmo foi o primeiro gênero musical autentico norte-americano.[1] Começou como música de dança com cunho mais popular, anos antes de ser publicado como partitura popular para piano. Sendo *uma modificação da marcha foi primeiramente escrita na tempos 2/4 ou 4/4 com uma predominância da mão esquerda, em um padrão de notas graves em batidas com tempos diferentes e acordes em números de batidas pares, acompanhando uma melodia sincopada na mão direita. Uma composição nesse estilo é chamada de "rag". Uma rag escrita em 3/4 é uma "valsa ragtime".

Ragtime não é um "tempo" (métrica no mesmo sentido que a métrica marcial é 2/4 e a valsa com métrica 3/4). No entanto, é um gênero musical que usa um efeito que pode ser aplicado à qualquer métrica. A característica que define a música ragtime é um tipo específico de sincopação na qual os acentos melódicos ocorrem entre as batidas métricas. Isso resulta em uma melodia que parece evitar algumas batidas na métrica do acompanhamento, através da ênfase de notas que tanto antecipam ou seguem a batida. A última e (intencional) efeito no ouvinte é de fato acentuar a batida, sendo assim induzindo o ouvinte a vibrar com a música.

Scott Joplin, o compositor/pianista conhecido como o "Rei do Ragtime", chamou o efeito de "estranho e intoxicante". Ele também usou o termo "swing" quando descrevia a maneira de tocar ragtime: "Toque devagar até você pegar o swing...".[2] O nome swing posteriormente veio a ser utilizado a um gênero mais antigo de jazz que se desenvolveu a partir do ragtime. Converter uma peça musical qualquer em uma ragtime através da mudança da métrica da melodia é algo conhecido como "aplicar o rag" a uma música. Músicas originais de ragtime usualmente contêm vários temas distintos, 4 é o número mais comum. De acordo com o New Grove Dictionary of jazz essa forma musical foi originalmente chamada "ragged time" que por elisão se tornou "ragtime".

Contexto histórico[editar | editar código-fonte]

O Ragtime, originário de comunidades musicais afro-Americanas no findar do século XIX, possui elementos dos jigs e de marchas tocados por banda de integrantes negros, comuns em todos os cidades do norte com população de negros.[3] Por volta do início do século XX, o ritmo se tornou amplamente popular em toda a América do Norte e era ouvido e dançado, apresentado e escrito por muitas subculturas diferentes. Como um distinto estilo musical norte-americano o ragtime pode ser considerado uma síntese da sincopação) africana e música clássica européia, entretanto, essa descrição é por demais simplicada.

Joseph Lamb 1916 "The Top Liner Rag", um classic rag.

Algumas composições antigas para piano nesse estilo são intituladas como marchas, "jig" e "rag" foram usadas variavelmente em meados da década de 1890 [4] e o ragtime foi também precedido por seu correlato cakewalk. Em 1895, o animador Ernest Hogan publicou duas das mais antigas partituras de rag, uma delas ("All Coons Look Alike to Me") consequentemente vendeu milhões de cópias.[5] Como colega músico Tom Fletcher disse, Hogan foi o "primeiro a colocar no papel o tipo de ritmo que estava sendo tocado por músicos que não liam partitura."[6] Enquanto o sucesso da canção ajudou à introdução dos ritmos ragtime no país seu uso com insulto racial criou um número de imitações depreciativas das músicas, conhecidas como "coon songs" em razão do seu uso de extremo racismo e imagens com estereótipo de negros. Com o passar do tempo Hogan admitiu vergonha e senso de "traição racial" para a canção enquanto também expressava orgulho através da ajuda em trazer o ragtime para um público mais amplo.[7]

A urgência de um ragtime mais maduro é usualmente datado ser em 1897, o ano em que várias músicas no estilo foram publicadas. Em 1899, "Maple Leaf Rag" de Scott Joplin foi publicado a qual se tornou um grande sucesso e demonstrava mais vigor e sofisticação do que rags antigos. O Ragtime foi uma das principais influências no desenvolvimento inicial de jazz (juntamente com o blues). Alguns artistas, tais como Jelly Roll Morton, estavam presentes e fizeram apresentações tanto nos estilos ragtime e no jazz, durante o período em que os dois gêneros se sobreporam.

O jazz transcendeu amplamente o ragtime no gosto popular no início da década de 1920, entretanto as composições de ragtime continuam até hoje e há sempre um renascimento do interesse popular no ragtime que ocorreu nas décadas de 1950 e 1970. Algumas autoridades consideram o ragtime ser uma forma de música clássica. No apogeu do ragtime predominou a disponibilidade da gravação de discos. Assim como a música clássica, e diferente do jazz, o ragtime clássico era e ainda é primeiramente uma tradição escrita, sendo distribuída em partituras ao invés de gravações ou por imitação de shows ao vivo.

A música ragtime era também distribuída através do rolo de piano para pianolas. Uma tradicional folk ragtime também existiu antes e durante o período clássico do ragtime (um termo cunhado pelo divulgador de Scott Joplin, John Stark), sendo manifestado em grande parte através de grupos de cordas, banjo e clubes de bandolim (houve a eclosão de popularidade durante o início do século XX) e outros.

Uma forma conhecida como novelty piano (ou novelty ragtime) emergiu por o rag tradicional estava perdendo popularidade. Onde o tradicional ragtime dependia de pianistas amadores e venda de partituras, o novelty rag se beneficiou de novos avanços na tecnologia de rolos de piano e gravação fonográfica para que fosse possível um estilo de rag mais complexo, pirotécnico e mais parecido com uma performance.

Um dos mais importantes entre os compositores de novelty rag é Zez Confrey, cujo "Kitten on the Keys" se popularizou o estilo em 1921. Ragtime também serviu como raiz para o estilo stride piano, um estilo mais de piano popular voltado para o improviso nas décadas de 1920 e 1930. Elementos do ragtime foram se encorporando em boa parte da música popular norte-americana do início do século XX. O ragtime também atuou de forma muito dinâmica no desenvolvimento do estilo musical, posteriormente conhecido como "Piedmont blues"; de fato, muito da música tocada por tais artistas do gênero, tais como Reverend Gary Davis, Blind Boy, Elizabeth Cotten e Etta Baker, podem ser referidos como "violão ragtime".[8]

Entretanto, a maioria dos temas ragtime foram escritos para piano, cópias para outros instrumentos e grupos são comuns, nomeadamente estão incluídos os arranjos de Gunther Schuller dos rags de Joplin. Ocasionalmente, ragtime foi originalmente escrito para grupos (particularmente bandas de dança e bandas de instrumentos de sopro), ou como canções. Joplin tinha uma infindável ambição para a síntese dos mundos do ragtime e ópera, para tal fim a ópera Treemonisha foi escrita; mas não foi apresentada quando ele era vivo. Na verdade, a partitura foi esquecida por décadas, sendo redescoberta em 1970; foi apresentada em várias produções desde então.

Uma ópera mais antiga de Joplin, A guest of Honor, foi perdida.

Estilos de Ragtime[editar | editar código-fonte]

As músicas para ragtime vinham em um número de estilos diferentes durante os anos de sua popularidade e apareceram sob variadas nomes descritivos. Está relacionado à diversos estilos musicais precedentes, tem ligações mais fortes com estilos posteriores, e estava associado com o "modismo musical" do período, tais como o foxtrot. Muitos dos termos associados ao ragtime têm definições inexatas e são definidas diferentemente por diversos especialistas, as definições são posteriormente deturpadas em razão dos distribuidores, com frequência rotulam as peças de acordo com o modismo do momento ao invés do verdadeiro estilo da composição.

Há ainda controvérsias sobre o próprio termo "ragtime"; especialistas tais como David Jasen e Trebor Tichenor escolheram excluir canções de ragtime da definição mas incluem novelty piano e stride piano (uma perspectiva moderna), enquanto Edward A. Berlin inclui as canções de ragtime e exclui os termos posteriores (que estão próxims de como o ragtime era visto originalmente). Muitos pianistas de ragtime, Eubie Blake e Mark Birnbaum entre eles, incluíram as canções e mais tarde os estilos como ragtime. Os termos abaixo não devem ser considerados exatos, mas simplesmente uma tentativa de deixar claro o significado geral do conceito.

  • Cakewalk - Uma forma de dança pré-ragtime aproximadamente até 1904. A música tem o propósito de ser representação de uma competição de dança afro-americana na qual o prêmio é um bolo. Muitos rags antigos são cakewalks.
  • Marcha característica - Uma marcha que incorpora toques idiomáticos (tais como sincopação) supostamente característico do ritmo Afro-americano. Muitos rags antigos são marchas características.
  • Two-steps - Uma dança pré-ragtime de forma popular de 1911. Uma grande variedade de rags são two-steps.
  • Low rag - Outra forma de dança associada com o ragtime antigo. Um número modesto de rags são desse estilo.
  • Coon song - Um estilo vocal pré-ragtime popular até em torno de 1901. Uma música com letras cruéis e racistas frequentemente cantadas por cantores com o rosto maquiados de negro. Gradualmente deixou de existir em favor da canção ragtime. Fortemente associado com o ragtime nos seus dias, é uma das razões que deram ao ragtime má reputação.
  • Canção ragtime - A forma vocal do ragtime, mais genérica no tema do que a coon song. Entretanto, essa era a forma musical mais considerada "ragtime" na época. Muitas pessoas hoje preferem colocá-la na categoria de "música popular norte americana". Irving Berlin foi o compositor de maior sucesso comercial nas canções ragtime e sua "Alexander's Ragtime Band" (1911) foi o álbum mais apresentado e gravado desse tipo, porém ela virtualmente não contém sincopação de ragtime. Gene Greene foi um famoso cantor desse estilo.
  • Folk ragtime - Um nome frequentemente usado para descrever o ragtime originário de cidades pequenas ou de melodias do povo. Folk rags quase sempre têm características cromáticas, típicas de compositores que não tiveram estudo formal.
  • Classic rag - Nome usado para descrever o ragtime de Missouri, popularizado por Scott Joplin, James Scott e outros.
  • Fox-trot - Uma dança que começou em 1913. Fox-trots contém um ritmo com notas pontilhadas diferente do ragtime, contudo ,foi incorporado em muitos rags posteriores.
  • Novelty piano - Composição para piano que dá ênfase na velocidade e complexidade, que emergiu depois da Primeira Guerra Mundial. É de quase exclusivo domínio de compositores brancos.
  • Stride piano - Um estilo de piano que emergiu depois da Primeira Guerra Mundial, desenvolvido e dominado por pianistas negros da Costa do Leste (James P. Johnson, Fats Waller e Willie'The Lion' Smith). Juntamente com o novelty piano, ele pode ser considerado um sucessor do ragtime mas não é considerado por todos como ragtime "genuíno". Johnson compôs a música que questionavelmente associava-se à décade de XX (Roaring Twenties), "Charleston". Uma gravação de Johnson aparece sendo tocada no compacto, James P. Johnson: Harlem Stride Piano (Arquivos do Jazz No. 111, EPM, Paris, 1997). A versão gravada de Johnson tem um sabor de ragtime.

Reavivamentos do Ragtime[editar | editar código-fonte]

No início da década de 1940 muitas bandas de jazz começaram a incluir o ragtime no seu repertório e adicionar gravações de ragtime de RPM 78. Músicas antigas escritas para piano tiveram novos arranjos, para instrumentos de jazz por músicos de jazz, o que deu ao estilo um novo som. A gravação mais conhecida desse período é a versão de Pee Wee Hunt do Euday L. Bowman's Twelfth Street Rag. Um reavivamento mais significativo ocorreu na década de 1950. Uma variedade maior de estilos de ragtime do passado se tornaram disponíveis em gravações e novos rags foram compostos, publicados e gravados. Muitos dos rags gravados nesse período são apresentados em um estilo leve novelty, visto como nostalgia, produto de um suposto tempo mais inocente.

Um número de gravações populares tocadas com "pianos preparados," rags tocados em piano com tachas nas teclas e instrumentos deliberadamente um tanto desafinados, supostamente para tornar o som do piano em um velho estilo do piano do honky tonk (estilo de bar musical). Três eventos trouxeram a tona diferentes tipos de reavivamentos do ragtime na década de 1970. Primeiro, o pianista Joshua Rifkin revelou uma compilação de trabalhos de Scott Joplin na gravadora Nonesuch Records, a qual foi nomeada ao Grammy na categoria de "Melhor performance clássica - Instrumento solo sem Orquestra"[9] em 1971. Essa gravação reintroduziu a música de Joplin ao público na maneira que o compositor tinha desejado, não de forma estereotipada nostálgica mas séria, música respeitável.

Segundo, a New York Public University lançou um livro de 2 volumes da Coletânea das composições de Scott Joplin(Collected Works of Scott Joplin), que renovou o interesse entre os músicos e preparou novas encenações da ópera Treemonisha. Finalmente, com o lançamento do filme The Sting em 1973, que teve a trilha sonora adaptada por Marvin Hamlisch das músicas de Joplin, o ragtime foi trazido para uma grande audiência. A retribuição de Marvin Hamlisch do rag de Joplin, ano de 1902 - The Entertainer, foi o top hit no ano de 1974. Em 1998, uma adaptação do romance histórico de E.L. Doctorow, Ragtime (romance) foi produzido na Broadway. Tendo músicas de Stephen Flaherty e letras de Lynn Ahren, o show apresentou vários rags tanto como outras canções e gêneros musicais.

Em tempos modernos, músicos mais jovens novamente começam a encontrar o ragtime e incorporá-lo em seus repertórios. Tais artistas incluem The Kitchen Syncopators, Inkwell Rhythm Makers, The Gallus Brothers e o não tão jovem Baby Gramps.

Compositores para Ragtime[editar | editar código-fonte]

O compositores de ragtime mais famosos por certo foram Scott Joplin, Joseph Lamb e James Scott. Eles são, juntamente com Scott, reconhecidos como os três mais sofisticados compositores de ragtime. Alguns classificam Artie Matthews pertencente desse distinto grupo. Outros notáveis compositores de ragtime incluem May Aufderheide, Eubie Blake, George Botsford, Zez Confrey, Ben Harney, Charles L. Johnson, Luckey Roberts, Paul Sarebresole, Wilbur Sweatman e Tom Turpin.

Entre os compositores modernos de ragtime estão o William Bolcom, William Albright, David Thomas Roberts, Frank French, Trebor Tichenor, Mark Birnbaum, Reginald R. Robinson e Tom Brier.

Citações[editar | editar código-fonte]

"Há um grande número de pessoas de cor que tem vergonha do cake-walk, mas eu acho que eles deveriam ter orgulho disso. Na minha opinião as pessoas de cor desse país tem feito 4 coisas que refutam a avançada teoria, várias vezes mencionada, que eles são uma raça absolutamente inferior, que eles tem originalidade e concepção artística, e ainda, o poder de criar o que pode influenciar e encantar universalmente.

O primeiro desses dois são as estórias de Uncle Remus, reunidas por Joe Chandler Harris e as Jubilee songs, no qual os Fisk Jubilee Singers fizeram público músicos de habilidade, tanto nos Estados Unidos e na Europa, ouvintes.

Os outros 2 são música de ragtime e cakewalk. Ninguém que viaja pode questionar a influência de conquista mundial que a música exerceu e acho que não seria exagero dizer que na Europa os Estados Unidos é conhecido melhor através do ragtime do que por qualquer outra coisa que foi produzida em uma geração. Em Paris eles a chamam de música americana."

James Weldon Johnson: The Autobiography of an Ex-Colored Man, 1912.

Trechos musicais[editar | editar código-fonte]

"The Wagon" ragtime da livraria do Congresso Americano Gordon Collection; um ragtime antigo cantado por Ben Harney em Philadelphia, Pennsylvania no ano de 1925

Ver também[editar | editar código-fonte]

  • Berlin, E.A.. Ragtime: a musical and cultural history.
  • Blesh, R., and Janis, H.. They all played ragtime, 4th ed..
  • De_Stefano, Gildo, Ragtime, Jazz & dintorni, Sugarco Ediciones, Milano 2007 ISBN 978-88-7198-532-9
  • Jasen, D.A., and Tichenor, T.J.. Rags and ragtime.
  • Schafer, W.J., and Riedel, J.. The art of ragtime: form and meaning of an original black American art.

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. King of Ragtime by Edward A.Berlin, Oxford University Press, 1994, ISBN 0-19-510108-1, page vi.
  2. "School of Ragtime"(1908) in SCOTT JOPLIN Collected Piano Works, Edited by Vera Brodsky Lawrence, The New York Public Library, 1971, ISBN 0-87104-242-8, page 284.
  3. van der Merwe 1989, p.63
  4. ibid
  5. Ragging It: Getting Ragtime into History (and Some History into Ragtime) by Loring White, iUniverse, 2005. xiv, 419 pp. ISBN 0-595-34042-3, page 99
  6. Ragging It: Getting Ragtime into History (and Some History into Ragtime) by Loring White, iUniverse, 2005. xiv, 419 pp. ISBN 0-595-34042-3, page 100
  7. Dvorak to Duke Ellington: A Conductor Explores America's Music and Its African American Roots by Maurice Peress, Oxford University Press, 2003, page 39
  8. Bastin, Bruce. "Truckin' My Blues Away: East Coast Piedmont Styles." Nothing But the Blues: The Music and the Musicians. Ed. Lawrence Cohn. New York: Abbeville Press, 1993.
  9. Past Winner Database, "1971 14th Grammy Awards." Accessed Feb. 19, 2007.
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Ligações externas[editar | editar código-fonte]