Raimundo Faoro

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Raimundo Faoro Academia Brasileira de Letras
Nome completo Raimundo Faoro
Nascimento 27 de abril de 1925
Vacaria, RS
Morte 15 de maio de 2003 (78 anos)
Rio de Janeiro, RJ
Nacionalidade  Brasileira
Ocupação Jurista, sociólogo, historiador, cientista político e escritor

Raimundo Faoro[1] (Vacaria, 27 de abril de 1925Rio de Janeiro, 15 de maio de 2003) foi um jurista, sociólogo, historiador, cientista político e escritor brasileiro. Foi membro da Academia Brasileira de Letras (ABL) e presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, de 1977 a 1979.

Faoro era filho de Attilio Faoro e Luisa D'Ambros, família de imigrantes italianos originários de Arsiè, província de Belluno[2] .

Formação histórico-social brasileira[editar | editar código-fonte]

Raimundo Faoro é autor de Os donos do poder, obra que aponta o período colonial brasileiro como a origem da corrupção e burocracia no país colonizado por Portugal, então um Estado absolutista. De acordo com o autor, toda a estrutura patrimonialista foi trazida para cá. No entanto, enquanto isso foi superado em outros países, acabou sendo mantido no Brasil, tornando-se a estrutura de nossa economia política.

Nesta sua concepção de Estado patrimonialista, Faoro coloca a propriedade individual como sendo concedida pelo Estado, caracterizando uma "sobrepropriedade" da coroa sobre seus súditos e também este Estado sendo regido por um soberano e seus funcionários. O autor assim nega a existência de um regime propriamente feudal nas origens do Estado brasileiro. O que caracteriza o regime feudal é a existência da vassalagem intermediando soberano e súditos e não de funcionários do estado, como pretende Faoro.

Desenvolvendo seu raciocínio, Faoro conclui que o que se teve no Brasil foi um capitalismo politicamente orientado, conceito este de inspiração weberiana. Negando-se em atribuir um papel hipostasiado à economia com relação à política, Faoro vê em seu país uma forma pré-capitalista. Esta característica pré-capitalista, no entanto, ainda será entendida no interior do pensamento weberiano em que capitalismo é definido como uma aquisição racional de lucros burocraticamente organizada, diferente do capitalismo politicamente orientado em que tal aquisição será direcionada por interesses dos Estado e da sua concorrência com outros estados. Destacando-se da análise da dialética marxista, esta forma de capitalismo não irá inevitavelmente desembocar numa forma de capitalismo mais avançado, mas poderá perpetrar-se na medida em que coexiste com formas racionais de organização da produção.

O capitalismo politicamente orientado atribui ao Estado patrimonial e seus funcionários características de um estamento burocrático, ainda que este impeça a consolidação de uma ordem burguesa propriamente dita no país.

Integrou em 1972 o Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, na condição de representante da OAB. Participou da decisão desse colegiado que por 8 votos a 1 arquivou a denúncia de tortura e morte de Stuart Edgar Angel Jones, seguindo o voto do senador Filinto Müller.

Lorbeerkranz.pngImortal da Academia Brasileira de Letras[editar | editar código-fonte]

Foi o quinto ocupante da cadeira número 6 da ABL ao ser eleito em 23 de novembro de 2000 na sucessão de Barbosa Lima Sobrinho, e recebido pelo acadêmico Evandro Lins e Silva em 17 de setembro de 2002.

Notas

  1. Pela grafia arcaica, Raymundo Faoro.
  2. MOLOSSI, Luis - Raymundo Faoro: un bellunese che ha conosciuto "quelli di potere" in Brasile In: Revista Insieme (pág.), março 2013, nº 171. Curitiba.


Precedido por
Barbosa Lima Sobrinho
Lorbeerkranz.png ABL - quinto acadêmico da cadeira 6
2000 — 2003
Sucedido por
Cícero Sandroni



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