Maria de Saxe-Coburgo-Gota

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Maria da Romênia
Rainha da Romênia
Governo
Consorte Fernando I da Romênia
Casa Real Saxe-Coburgo-Gota
Vida
Nascimento 29 de outubro de 1875
Kent, Inglaterra
Morte 18 de julho de 1938 (62 anos)
Sinaia, Romênia
Filhos Carlos II
Isabel
Maria
Nicolau
Ileana
Mircea
Pai Alfredo de Saxe-Coburgo-Gota
Mãe Maria Alexandrovna da Rússia

Maria Alexandra Vitória de Saxe-Coburgo-Gota CI DStJ VA ARRC (29 de outubro de 187518 de julho de 1938), nascida princesa Maria de Edimburgo e mais tarde rainha Maria da Romênia, foi um membro da família real britânica que se tornou a rainha consorte de Fernando I da Romênia.

Índice

[editar] Primeiros Anos

Nasceu no dia 29 de Outubro de 1875 em Eastwell Park, Kent, a segunda filha mais velha do Príncipe Alfredo, Duque de Edimburgo, e da Grã-duquesa Maria Alexandrovna da Rússia. O seu pai era o segundo filho mais velho da Rainha Vitória e do Príncipe Alberto de Saxe-Coburgo-Gota. A sua mãe era a única filha mulher sobrevivente do czar Alexandre II da Rússia e da Princesa Maria Alexandrovna de Hesse. Foi baptizada na Capela Privada do Castelo de Windsor a 15 de Dezembro de 1875 e os seus padrinhos foram a Imperatriz e o czarevich da Rússia, a Duquesa de Saxe-Coburgo-Gota, a Princesa de Gales e o Duque de Connaught. Como o seu pai estava na Marinha Real Britânica, ela passou parte da sua infância no estrangeiro, principalmente em Malta.

[editar] Casamento

Na sua juventude, Maria era considerada um bom partido para qualquer membro da realeza europeia. O seu primo direito, o Príncipe Jorge de Gales, mais tarde Jorge V do Reino Unido, apaixonou-se por ela e pediu-a em casamento. Tanto o pai de Maria como o pai de Jorge aprovaram o casamento, mas a mãe de Maria detestava a família real britânica e estava interessada em ver a sua filha casada com alguém fora do país.

A Princesa Maria casou-se com o Príncipe Fernando da Roménia, um sobrinho do rei Carlos I, em Sigmaringen, na Alemanha, a 10 de Janeiro de 1893. A noiva tinha 17 anos e o noivo era dez anos mais velho. (O pai de Maria apenas se tornou Duque de Saxe-Coburgo-Gota alguns meses mais tarde). O casamento, que originou três filhas e três filhos, não era feliz. A correspondência que ela manteve com a sua confidente americana, Loie Fuller, revela o "desagrado, que cresceu até asco" que Maria sentia pelo seu marido.

Os dois filhos mais novos do casal, Ileana e Mircea, nasceram depois de Maria conhecer o seu amante de longa data, Barbu Ştirbey. Os historiadores acreditam na generalidade que Ştirbey era o pai do Príncipe Mircea que tinha olhos castanhos ao contrário de Maria e Fernando. A paternidade de Ileana é incerta, assim como a de Maria, a sua segunda filha (conhecida por Mignon), a futura rainha da Jugoslávia. A paternidade de Fernando em relação aos seus outros três filhos, Carlos, Nicolau e Isabel nunca foi questionada.

[editar] Caso com Cantacuzene

Maria nos seus primeiros anos na Roménia.

Em 1897, enquanto era ainda Princesa Real, Maria iniciou um romance com o Tenente Zizi Cantacuzene. O caso e escândalo que dele resultou tornou-se bastante conhecido e foi rapidamente terminado pelo rei Carlos I. Contudo, no Outono de 1897, no pico alto do escândalo, Maria ficou grávida. Depois de fugir com a sua mãe para Coburgo, Maria deu à luz misteriosamente uma criança que desvaneceu da história. Foi sugerido que a criança ou nasceu morta ou foi rapidamente dada para a adopção. Qualquer que seja a verdade, "a história desta criança misteriosa de Maria da Roménia foi um segredo" que ela levou para a campa.

[editar] Nascimento de Maria, Futura Rainha da Jugoslávia

Em 1899 Maria, grávida de Mignon, implorou ao rei Carlos I que a deixasse dar à luz em Coburgo, onde o seu pai era Duque. Após a recusa em atender a este pedido, Maria declarou "na sua cara" que a criança que esperava era de facto do Grão-duque Boris Vladimirovich da Rússia. Um rei horrorizado cedeu ao pedido e Maria deu à luz a sua filha, também chamada Maria, no ambiente calmo de Coburgo. Depois disto, quer por bondade ou simplesmente para evitar criticas à dinastia, o marido de Maria reconheceu oficialmente Maria como sua filha.

[editar] Nascimento do Príncipe Nicolau

O quarto filho e segundo rapaz de Maria, o Príncipe Nicolau, nasceu em Agosto de 1903. A presença de Pauline Astor, a irmã de Walforf Astor, juntamente com o médico da família Astor durante o parto espalhou especulações sobre se o pai da criança seria um dos Astor e não Fernando. Tal como no caso de Mignon, Fernando aceitou a criança e, ao crescer, Nicolau parecia-se mais com os seus familiares Hohenzollern do que com os Astor.

[editar] Rainha e Rainha-mãe

Maria como Rainha da Roménia

Em 1914, Carlos I morreu e Fernando subiu ao trono da Roménia. A Princesa Real Maria passou então a ser designada por Sua Majestade a Rainha da Roménia. Devido à Primeira Guerra Mundial eles não foram coroados antes de 1922.

Maria tinha-se tornado numa patriota romena e a sua influência no país era grande. A.L. Easterman escreveu que o rei Fernando era "um homem calmo e descontraído sem qualquer personalidade visível. Não era ele, mas Maria quem governava a Roménia." Dá crédito às simpatias de Maria pelos Aliados como sendo "a maior influência para levar o seu país para o lado deles" durante a guerra.

Durante a guerra ela voluntariou-se para ser enfermeira da Cruz Vermelha para assim poder ajudar os doentes e os feridos, escrevendo um livro sobre a experiência chamado "O Meu País" com o objectivo de ganhar fundos para a Cruz Vermelha, mas esta não foi a sua única contribuição para o conflito. Com metade do país ocupada pelo exercito alemão, ela e um grupo de conselheiros militares elaboraram um plano no qual o exercito romeno, em vez de se retirar para a Rússia, escolheria um triângulo no país onde pudessem lutar. Durante uma carta a Loïe Fuller, ela deu início à série de acontecimentos que trouxeram um empréstimo americano à Roménia, providenciando os fundos necessários para dar marcha ao plano. Por sorte, a jovem da Embaixada Americana que entregou a carta a Fuller era uma antiga pupila de Newton D. Baker, na altura a prestar serviço como Secretário de Guerra dos Estados Unidos. Fuller e a jovem viajaram de Paris a Washington e conseguiram uma audiência com Baker que, juntamente com o secretário americano das finanças, Carter Glass, conseguiu o empréstimo.

Quando a guerra acabou, as Grandes Potências decidiram tratar dos seus problemas na Conferência de Paris. O objectivo da Roménia era recuperar os territórios habitados por romenos na área do recém-extinto Império Austro-Húngaro, unificando assim todos os falantes de romeno num único estado. Os diplomatas romenos na Conferência procuraram obter apoio por parte dos Aliados para a união da Bessarabia, Bukovina e Transilvânia com a Roménia, já proclamada em 1918. Com a delegação romena a perder terreno nas negociações, o Primeiro-ministro Ionel Bratianu pediu que a rainha viajasse até França. Maria declarou uma das suas celebres afirmações: "A Roménia precisa de uma face e eu serei essa face", calculando de forma astuta que a impressa internacional estava cansada de negociações cansativas e não conseguiria resistir ao charme de uma visita real. A chegada da chamada Rainha Soldado foi uma sensação para a imprensa internacional e ela defendeu apaixonadamente que as potências ocidentais deviam honrar a sua dívida para com a Roménia (que tinha sofrido uma taxa de mortalidade na guerra bastante mais superior do que a Grã-bretanha, a França ou os Estados Unidos). Nos bastidores, ela encantava e tiranizava alternadamente os líderes dos Aliados no sentido de apoiarem a causa romena. O resultado da sua intervenção carismática foi o comprimento de todas as promessas de pré-guerra, ou seja, o aumento de 60% na expansão do território romeno.

O filho de Maria, o Príncipe-herdeiro Carlos (mais tarde rei Carlos II da Roménia) nunca foi muito chegado ao seu pai, Fernando e, quando Carlos se tornou adulto, esse antagonismo tornou-se numa "fenda aberta", mas mesmo assim havia uma "ligação profunda de afecto e respeito" entre Carlos e a sua mãe Maria. Contudo a sua relação começou a deteriorar-se. O conflito inicial veio devido às objecções de Carlos em relação à relação de Maria com o Príncipe Ştirbey. Esta zanga piorou quando Maria tentou arrastar Carlos para um casamento dinástico em vez de o deixar escolher a noiva que quisesse. Durante o exílio de Carlos em Paris, Loïe Fuller tinha ficado amigo de Carlos e da sua amante Magda Lupescu, mas eles desconheciam a ligação deste com Maria. Inicialmente, Fuller favoreceu a causa do casal junto de Maria, mas mais tarde conspirou com ela sem sucesso para os separar. Eventualmente, quando Carlos se tornou rei e não procurou a ajuda da mãe, a sua separação tornou-se completa.

Após a morte do seu marido em 1927, a rainha Maria permaneceu na Roménia a escrever livros e as suas memórias, "A História da Minha Vida". Morreu no Castelo de Peleş a 18 de Julho de 1938 e foi enterrada junto do marido no Mosteiro de Curtea de Arges. Por vontade sua, o seu coração foi mantido num claustro no Palácio de Balchick que ela tinha mandado construir. Em 1940, quando Balchik e o resto de Dobrudja do sul foram devolvidos à Bulgária nos termos do Tratado de Craiova, o coração da Rainha Maria foi transferido para o Castelo de Bran. Esta tinha sido a sua principal residência no início do século XX e os objectos com os quais ela se rodeava (mobília tradicional e tapeçarias, por exemplo) podem ainda ser visitados nos dias de hoje. Muitos dos seus outros objectos pessoais podem ser vistos no Museu de Maryhill, a antiga residência de Samuel Hill, um empresário ferroviário com quem Maria correspondeu por muito da sua vida. O famoso museu, que fica no Estado de Washington nos Estados Unidos, no lado norte do Rio Columbia, expõe muitas das jóias de Maria, incluindo a sua coroa.

[editar] Ancestrais

[editar] Obras

  • The Lily of Life, Crinul Vieţii, 1912
  • The Dreamer of dreams, Visătorul de vise, 1912
  • Ilderim, 1915
  • Patru anotimpuri, 1915
  • Povestea unei inimi, 1915
  • Why? A Story of Great Longing, Povestea unui dor nestins, 1915
  • The Stealers of Night, 1916, Londra
  • Regina cea rea, 1918
  • The Story of Naughty Kildeen, Povestea neastâmpăratei Kildeen, 1917
  • O poveste de la Sfântul Munte, 1917
  • My country, Ţara mea, 1921
  • Minola, 1918
  • Gânduri şi icoane din timpul războiului, Sibiu, 1919
  • Peeping Pansy, Londra, 1920
  • The Queen s of Romania Fairy Book, Cartea de basme a reginei României, 1923
  • The Voice on the Mountain, Glasul de pe munte, 1923
  • The Lost Princess, Londra, 1924
  • Înainte şi după războiu, 1925
  • The Magic Doll of Romania, New York, 1929
  • Lulaloo, 1929
  • Casele mele de vis, 1930
  • Copila cu ochi albaştri, 1930
  • Crowned Queens, Regine încoronate, 1930
  • Stella Maris, 1933
  • The Story of My Life, Povestea vieţii mele, 1934, ed. A II. A, Ed. Eminescu 1991
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