Raja-ioga

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A raja-ioga (em sânscrito राज योग, transl. Rāja Yoga, "ioga real" ou "união real") é uma classe da modalidade de ioga cujo foco é o desenvolvimento da mente do observador (rsih), utilizando para tal uma sucessão de etapas como a meditação (Dhyana) e a contemplação (Samadhi). Seu objeto é conhecer a realidade (viveka), alcançar o despertar (moksha)e eventualmente a iluminação (kaivalya).

A raja-ioga foi inicialmente descrita como um caminho óctuplo ou de oito membros1 nos Yoga Sutras de Patanjali sendo parte da tradição Samkhya.2

Etimologia[editar | editar código-fonte]

O Bhagavad Gita3 menciona um conhecimento muito antigo, uma vidyā chamada ioga, transmitido pela linhagem de "rājarṣayah", rāja ṛṣi-, "reis rishi".

O termo raja-ioga é possivelmente um retrônimo, introduzido no século XV no Hatha Yoga Pradipika para distinguir a escola baseada nos Yoga Sutras de Patanjali da mais atual escola de hatha yoga desenvolvida pelo iogue Swatmarama.

Oito Membros[editar | editar código-fonte]

  1. Yama contenção, moderação, auto-controle através de um conjunto de regras ou conduta moral. É composto por cinco regras 4 : Ahimsa, Sathya, Asteya, Brahmacharya e Aparigraha.
  2. Niyama mudanças dos hábitos que possibilitam o controle do comportamento. São cinco Nyamas: Shaucha (pureza interna e externa), Santosha (contentamento), Tapas (austeridade), Svadhyaya (estudo espiritual e prática) e Ishvarapranidhana (auto-entrega a Deus).5
  3. Asana postura física estável, com coluna ereta sustentando de forma alinhada peito, pescoço e cabeça6 . A raja ioga não tem como foco a prática de posturas físicas como outras iogas. A postura nesse ponto é aquela necessária para que o meditador consiga se concentrar no objeto da meditação.
  4. Pranayama equilíbrio da respiração. Na mantra ioga, laia ioga e raja ioga o Pranayama é secundário e não tem importância central para a prática.7 .
  5. Pratyahara abstração dos sentidos, retirada dos sentidos dos seus objetos de percepção. Pela prática apropriada de Pratyahara os sentidos são totalmente controlados. Eles se tornam um veículo obediente, levando o praticante aonde ele desejar. O praticante adquire maestria sobre os sentidos. 8
  6. Dharana concentração uni-direcionada da mente de forma sustentada em um aspecto do objeto de meditação. A intenção é investigar a verdade por traz do objeto de concentração. Mantendo a distinção do objeto e suas propriedades, daquilo que o circunda, conduz a uma clara e vigorosa consciência do objeto.9 . A meditação ocorre com Dharana e Dhyana juntamente.
  7. Dhyana meditação, estabilização do estado uni-direcionado. Quando a mente foi treinada para permanecer em um ponto externo ou interno, ela recebe um poder de fluir ininterruptamente em direção à esse ponto.10
  8. Samadhi estado de consciência tranquila, superconsciente, absorvida. Quando Dhyana se torna capaz de abandonar a parte externa da percepção e permanece meditando, esse estado é chamado Samadhi. 11

A prática dessa modalidade de ioga traz benefícios a mente, às emoções e ao corpo. Sendo que a prática regular, tem como objetivo atingir pleno controle da mente.

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]