Rami

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Boehmeria nivea 1.jpg

Classificação científica
Reino: Plantae
Clado: angiospérmicas
Clado: eudicotiledóneas
Clado: rosídeas
Ordem: Urticales
Família: Urticaceae
Género: Boehmeria
Espécie: B. nivea
Nome binomial
Boehmeria nivea
(L.) Gaudich.

O rami (Boehmeria nivea) é uma planta da família Urticaceae, nativa da Ásia Oriental. Trata-se de uma planta herbácea perene que cresce a alturas de até 1 a 2,5 metros;[1] as folhas têm forma de coração, com 7 a 15 cm de comprimento e 6 a 12 cm de largura, e brancas na sua face inferior devido a numerosos "pelos", o que lhe dá uma aparência prateada; porém, ao contrário das urtigas, os pelos não são urticantes. O rami verdadeiro (erva da China ou rami branco) é a variedade cultivada na China. Conhece-se um segundo tipo, conhecido como rami verde que se crê ser originário da península Malaia. Este tipo possui folhas menores, verdes na face inferior, e parece ser melhor adaptado a condições tropicais[1] . Foi introduzida no Brasil em 1939, no sul do estado de São Paulo.

Usos[editar | editar código-fonte]

É uma planta têxtil, mas que foi descoberta como uma extraordinária forrageira, principalmente por sua riqueza em proteínas.

Existe um grande número de variedades de rami mas a mais indicada para a alimentação de animais é a "murakami", por ser precoce, de alta produtividade e de folhas grandes e carnudas. Seu teor de proteínas é de 24% nas folhas e de 13% nos caules, o que significa um teor de 20%, superior à proteína existente na alfafa.

Propagação e cultivo[editar | editar código-fonte]

Produção mundial de rami

Embora produza sementes, o rami é multiplicado por rizomas ("raízes") que apresentam gemas, das quais nascem os caules, que são eretos, com folhas denteadas, verdes na parte de cima e branco-prateado no inferior. Pode atingir 2,5 a 3m de altura e 0,15m de diâmetro, Produz flores verdes-brancas, masculinas e femininas, no mesmo caule, seguindo-se a elas a produção de sementes.

Para o plantio, devem ser utilizados rizomas de plantas de mais de dois anos de idade e cortados em pedaços de 10 a 15 cm. São necessárias 20.000 mudas para cada ha. Um quilo de rizomas produz de 40 a 50 pedaços para o plantio. Para plantar um hectare de rami, são necessários 14 sacos de 30 quilos de rizomas. O terreno deve ser arado e destocado.

Depois, em linhas paralelas distanciadas de 40 a 50 cm, deve ser feito um sulco de 20 cm de profundidade, no qual são colocadas mudas a intervalos de 10 cm umas das outras. Quinze a vinte dias após o plantio, começam a brotar as primeiras plantas. O primeiro corte é dado, em geral, entre os 90 a 120 dias do plantio e os seguintes, a cada 30 ou 60 dias, dependendo da qualidade da terra, da época do ano, das chuvas, etc. Devemos chamar a atenção para o fato de que o rami deve ser cortado bem rente ao chão e que as falhas do plantio devem ser replantadas o mais cedo possível, 2 a 3 semanas após o nascimento das primeiras plantas.

Geralmente é colhido entre 2 a 3 vezes ao ano, mas em boas condiçoes pode chegar a 6 colheitas..[2]

O Brasil começou a sua produção na década de 1930 atingindo o pico em 1971. Desde então, a produção vem decaindo como resultado da competição com outras culturas como a soja e outras fibras sintéticas.[1]

Características Físicas[editar | editar código-fonte]

  • Alongamento (%):1,8 a 2,3
  • Recuperação (%): 6
  • Grau de Polimerização: 2150 a 5800
  • Densidade (g/cm): 1,5
  • Se destaca por sua grande aplicação em tecidos para vestuário e para artigos de decoração.
  • A fibra não encolhe, não alarga e não desbota com o tempo.
  • Absorve água com muita rapidez e aumenta sua resistência em cerca de 25% quando molhado.
  • Tem aspecto leve e fresco, capaz de absorver a transpiração corporal.
  • Não larga fiapos e apresenta alta resistência.[3]

Uma cultura em extinção[editar | editar código-fonte]

O rami é uma cultura permanente com duração de cerca de 20 anos. No entanto, uma lavoura média produz cerca de 9 anos, contando a partir do segundo ano, com máximos rendimentos entre as idades de 3 a 5 anos, depois dos quais entra em processo de rendimentos decrescentes.

Podem ser feitos até 4 cortes anuais. A colheita é realizada em 2 ou 3 semanas, após este período as fibras perdem o teor de qualidade. A qualidade e o rendimento da fibra, por sua vez, dependem do corte, da variedade da planta e de fatores climáticos.

A fibra do rami, pertencente à família das fibras longas, tem em média 150 a 200 milímetros de comprimento, a exemplo do linho, juta, sisal e cânhamo. Apresenta alta resistência, sendo considerada três vezes superior a do cânhamo, quatro vezes a do linho e oito vezes a do algodão.

O processo de beneficiamento é constituído da descorticargem e da desgoma. A primeira etapa é feita ainda no campo, através de máquinas desfibradoras ou descorticadoras, sendo as mais utilizadas conhecidas como "periquitos", que separam as cascas das hastes. Já a desgomagem é feita nas indústrias via processos químicos.

Em termos de processo produtivo, esta cultura apresenta baixo padrão tecnológico, sendo bastante intensiva no uso de mão-de-obra, da qual exige muito esforço físico. Além disso, a máquina periquito utilizada na sua descorticagem é perigosa e ineficiente, redundando na alta incidência de acidentes de trabalho.

Produtores[editar | editar código-fonte]

A China lidera a produção de rami e exporta-o principalmente para o Japão e Europa. Outros produtores incluem o próprio Japão, Taiwan, Filipinas e Brasil.[4] Somente uma pequena porcentagem de rami produzido está disponível no mercado internacional. Japão, Alemanha, França e o Reino Unido são os principais importadores, o restante é usado de maneira local.[2]

Utilização[editar | editar código-fonte]

O rami pode ser utilizado em diversos segmentos: fabricação de tecidos, cordas e barbantes, como também pode gerar a celulose para a produção de papel moeda, devido à sua resistência. Além disso, pode ser empregada, como reforço interno, na fabricação de mangueiras, pneus, fios de pára-quedas, etc.

Tecidos[editar | editar código-fonte]

O rami é mais abrasivo que o linho, de forma que seus tecidos são mais ásperos e menos agradáveis ao uso, embora essas características possam ser bastante minimizadas através de processos de acabamento e/ou misturas com algumas fibras sintéticas.

Apesar dessas características, os tecidos são facilmente laváveis, apresentando grande vantagem na retenção de corantes quando comparados a qualquer outra fibra vegetal. Além disso, seu emprego é extremamente adequado nos países de clima quente, como o Brasil.

Os tecidos de rami têm boa aceitação no mercado, podendo ser considerados como um produto substituto muito próximo do linho, sendo de menor qualidade, mas com a vantagem de ser relativamente mais barato.

Em geral é vendido ao consumidor final como se fôsse linho ou com o nome de "linho rami", pois dificilmente as pessoas comuns conseguem distinguir o rami do linho, seja sob a forma de roupa pronta ou de tecido para ser confeccionado.

Referências

  1. a b c Ramie: Old Fiber - New Image
  2. a b Swicofil
  3. Kadolph SJ, Langford AL. Textiles (9th ed.). Upper Saddle River, NJ: Prentice Hall; 2001. ISBN 0-13-025443-6
  4. Britannica Online

Ligações externas[editar | editar código-fonte]