Ranchos
Os ranchos eram agremiações carnavalescas típicas da cidade do Rio de Janeiro, no final do século XIX e na primeira metade do século XX.
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[editar] Introdução
Os ranchos tinham grande influência dos folguedos negros - como os Cucumbis e Congos, possivelmente trazidos pelos escravos de origem Banto, sudanesa - e das tradições musicais populares portuguesas, muito difundidas nas camadas mais desassistidas da população carioca.
O desfile de um Rancho Carnavalesco pode ser descrito como um cortejo, com a presença de um Rei e uma Rainha, ao som de uma marcha-rancho, acompanhado por instrumentos de sopro e corda, ritmo mais pausado que o samba. Não eram usados instrumentos de percussão. Havia os mestres, um de Harmonia, um de Canto e um de Sala, responsável pela coreografia.
Os Ranchos desfilavam com porta-estandarte e mestre-sala que tinham que dançar e ficar atentos a qualquer movimento. A enorme rivalidade entre os ranchos podia causar numa situação humilhante, que era a de ter seu estandarte roubado por um componente de um rancho rival. Naquele tempo o mestre-sala desfilava armado de navalha para proteger o pavilhão de sua agremiação. Com as devidas adaptações, o casal responsável pela guarda do pavilhão do grupo também estará presente nos desfiles das escolas de samba.
[editar] História
A historiografia tradicional do carnaval carioca afirma que os ranchos do Rio de Janeiro descendem dos ranchos de Folia de reis baianos, que saíam normalmente no Dia de Reis. Hilário Jovino Ferreira, em depoimento tardio, afirmou que foi ele quem criou o primeiro rancho carnavalesco no Rio de Janeiro, o Reis de Ouro, após participar do rancho Dois de Ouro, situado no Beco João Inácio. Ainda de acordo com seu depoimento, havia registro de alguns ranchos nesse estilo no Rio de Janeiro anteriormente.
Esta versão, entretanto, deve ser relativizada pois muitos pesquisadores relatam a presença de ranchos nas festas populares (incluindo carnavais) da cidade décadas antes da fundação do Reis de Ouro. Referindo-se aos chamados "ranchos de cucumbys", Mello Moraes Filho afirma que os ranchos existiram no Rio em 1830. Martha Abreu, por sua vez, afirma que os ranchos já existiam no Rio de Janeiro no início do século XIX. Escrevendo em meados do século XIX, Manuel Antônio de Almeida descreve um "um grande rancho chamado das baianas, que caminhava adiante" de uma procissão no centro da cidade. O pesquisador Brasil Gerson, por sua vez, considera que o primeiro rancho carnavalesco teria sido o Rancho das Sereias, surgido no começo da República, na Pedra do Sal, na Prainha. A variedade de informações aponta para uma origem incerta para os ranchos. O que se pode afirmar é que nos primeiros anos do século XX, os ranchos se tornaram a grande atração do carnaval carioca, principalmente após o primeiro desfile do Ameno Resedá que estabeleceria o formato da brincadeira carnavalesca, apresentando desfiles descritos como verdadeira óperas populares.
Em 1894, o Reis de Ouro foi recebido no Palácio do Itamaraty pelo Marechal Floriano Peixoto. Em 1911, o Marechal Hermes da Fonseca convidou o Ameno Resedá para visita ao Palácio Guanabara. O ano de 1911 também foi marcado pelo primeiro desfile competitivo oficial, organizado pelo Jornal do Brasil.
Em 21 de fevereiro de 1919 foi criada a Liga Metropolitana Carnavalesca, pelos ranchos, contando como membros fundadores: Ameno Resedá, Flor do Abacate, Miséria e Fome, Unidos da Aliança, Arrepiados, Cangaceiros do Caju, Jasmin de Ouro, Lírio do Amor, Cravina, Estopa e Deusa da Folia.
Com o crescimento das escolas de samba, os ranchos foram desaparecendo. No final dos anos 50 estavam em total declínio. O último desfile de ranchos aconteceu no ano de 1980, no Rio de Janeiro, e foi vencido pelo Decididos de Quintino [1].
Em 8 de outubro de 2000, foi criado em Copacabana o rancho Flor do Sereno, com as cores azul, verde e prata, a partir de uma tentativa de estudiosos de reviverem esta tradição aparentemente perdida. Ainda há dúvidas entre especialistas se o Flor do Sereno poderia se configurar como um rancho legítimo, uma vez que não apresenta todos os elementos dos ranchos antigos, e já que foi criado de forma artificial, a partir de uma manifestação popular já extinta há vinte anos [2].
[editar] Sobre alguns Concursos de Ranchos
- Flor do Abacate - "Reinado da Turquia"
- Ameno Resedá - "Corte celestial"
- Ameno Resedá (campeão)
- Corbeille de Flores - "Sonho de Dulcinéia"
- Flor do Abacate - "Corte dos Doges"
- Recreio das Flores - "Aída" (campeão)
- Os Arrepiados - "Jardim do amor"
- Mimosas Cravinas - "Os Lusíadas" (melhor enredo, originalidade e completo desempenho)
- Gualemadas - "Aladdin e a lâmpada maravilhosa"
- Recreio das Flores - "Inferno de Dante" (campeão)
- Jardim dos Amores - "Jardim dos beatos"
- Reinado de Siva - "Lei Áurea"
- Flor do Abacate - "O Anel de Nibelungen"
- Gualemadas - "As Profecias de Eliseu"
- Caprichosos da Estopa (melhor harmonia)
- Os Gravatas - "As passagens da vida"
- Recreio das Flores - "Paraíso de Dante" (campeão)
- Cruzeiro do Sul - "Homenagem ao centenário do Brasil"
- Reinado de Siva - "Jardins Suspensos da Babilônia"
- Gualemadas - "Carlos Magno e os Doze Pares de França" (melhor arte e originalidade)
- Caprichosos da Estopa - "A Cidade do passado e a Corte da Macumba" (melhor estandarte)
- Os Gravatas - "As quatro estações do ano"
- Ameno Resedá - "Lenda encantada" (campeão)
- Cruzeiro do Sul - "Carnaval de Nero"
- Caprichosos da Estopa - "Desembarque dos Argonautas na Ilha de Lemnos" (melhor evolução)
- Os Gravatas - "O Reino de Júpiter"
- 1º Flor do Abacate - "Salomão e a Rainha de Sabá"
- 3º Ameno Resedá - "Hino Nacional"
Outros enredos:
- Os Arrepiados - "Últimos Dias de Pompéia"
- Caprichosos da Estopa - "Mi-Carême"
- Cruzeiro do Sul - "Fonte Castalia"
- Miséria e Fome - "Lohengrin"
- Estrelas do Paraíso - "Walkírias"
- Os Gravatas - "Apoteose ao sol" (melhor harmonia)
- Ameno Resedá - "Jupira" (menção honrosa)
- Caprichosos da Estopa - "O cerco e a tomada de Calais" (melhor evolução)
- Os Gravatas - "Nero contemplando o incêndio de Roma" (melhor harmonia)
- Os Gravatas - "A lágrima" (menção honrosa)
- Caprichosos da Estopa - "Dionísio" (campeão)
- Flor do Abacate - "Orgia latina"
- Caprichosos da Estopa - "Nos festins e orgias da encantadora Salomé" (campeão)
- Flor do Abacate (campeão)
- Os Arrepiados - "Ordem e progresso"
- Flor do Abacate - "Átila e os Hunos" (campeão)
- Deixa Falar - "O Paraíso de Dante"
- 1º Flor do Abacate - "A tomada de Babilônia pelos persas"
- 2º Flor da Lira (Bangu) - "Napoleão Bonaparte em campanha no Egito em 1798"
- Prêmio Melhor Harmonia: Os Arrepiados
- Prêmio Melhor Enredo: Grêmio Carnavalesco Rouxinol
- Prêmio Melhor Evolução: Lyrio Club de Botafogo
- Prêmio Originalidade: Destemidos da Caverna
- Prêmio Melhor Estandarte: Parasitas de Ramos
Outros enredos:
- Grêmio Carnavalesco Rouxinol - "Ourasi"
- Parasitas de Ramos - "Os deuses subolímpicos"
- Lyrio Club de Botafogo - "Tabu, lenda japonesa. A grande Chechiana"
- Aborrecidos do Realengo - "Amor de toureiro"
- Elite Club do Realengo - "Condessa de Segur Blondina"
- Destemidos da Caverna - "A epopéia dos bandeirantes"
- Os Arrepiados - "Sobre rosas"
- Deixa Falar - "A Primavera e a Revolução de Outubro"
- Miséria e Fome - "Os doze Césares"
- Recreio das Flores (campeão)
- União das Flores - "No país das pedras verdes"
- União das Flores (campeão)
- União das Flores - "Capitão Corcoran" (campeão)
- Turunas de Monte Alegre (campeão)
1940 Apenas três ranchos desfilam:
- Inocentes do Catumbi
- Turunas de Monte Alegre (campeão)
- Aliança de Quintino
- Turunas de Monte Alegre (campeão)
- Turunas de Monte Alegre (campeão)
1943/1944/1945 Sociedades, ranchos e blocos não desfilaram devido à Segunda Guerra Mundial.
- Turunas de Monte Alegre (campeão)
- Turunas de Monte Alegre (campeão)
- Embaixadores do Sossego (campeão)
- União dos Caçadores - "Arte - incomparável sabedoria de nossa raça"
1963 Desfilaram na Avenida Presidente Vargas[1]
- Recreio da Saúde - "Epopéia dos Poetas"
- Unidos do Morro do Pinto
- Índios do Leme
- Unidos do Cunha
- Tomara que chova
- Decididos de Quintino (campeão)
- Aliados de Quintino
- Azulões da Torre
1968 Segundo a imprensa da época, esta já era uma tradição que por falta de apoio oficial, já estava morrendo, desfilaram na Avenida Presidente Vargas os seguintes ranchos: [2]
- União dos Caçadores
- Tomara que Chova
- Decididos de Quintino
- Ameno Resedá
- Índios do Leme
- Unidos do Morro do Pinto
- Recreio da Saúde - "Exaltação ao Teatro do Brasil"
- Aliados de Quintino
1969 Desfilaram na Avenida Presidente Vargas [3]
- Recreio da Saúde
- União dos Caçadores - "Amor de Carnaval" (campeão)
- Unidos do Cunha
- Aliados de Quintino
- Decididos de Quintino
- Azulões da Torre
- Unidos do Morro do Pinto
- Índios do Leme
- União dos Caçadores - "Homenagem a Benjamim de Oliveira"
1977 Desfilaram na Avenida Rio Branco
- Império de São Cristóvão
- Decididos de Quintino
- Azulões da Torre
- Unidos do Cunha
- Índios do Leme
- Lira de Vila Isabel
- Aliados de Quintino
- Recreio da Saúde
- União dos Caçadores
- Parasitas de Ramos
- Aliados de Quintino (campeão)
- 1° Aliados de Quintino
- 2° Império de São Cristóvão
- 3° Recreio da Saúde
- Decididos de Quintino (campeão)
[editar] Bibliografia
- GONÇALVES, Renata de Sá. Os Ranchos pedem passagem. Rio de Janeiro, PPGSA/IFCS/UFRJ, 2003.
- FERNANDES, Nélson da Nóbrega. Escolas de Samba: Sujeitos Celebrantes e Objetos Celebrados. Rio de Janeiro, Coleção Memória Carioca, vol. 3, 2001.
- EFEGÊ, Jota. Ameno Resedá: o rancho que foi escola. Rio de Janeiro, Letras e Artes, 1965.
- EFEGÊ, Jota. Figuras e coisas do Carnaval Carioca. Rio de Janeiro, Funarte, 1985.
- ABREU, Martha. O império do divino: festas religiosas e cultura popular no Rio de Janeiro, 1830-1900. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999.
- ALMEIDA, Manuel Antônio de. Memórias de um sargento de milícias. Rio de Janeiro, Expressão e Cultura, 2001.
- GERSON, Brasil. História das ruas do Rio: e de sua lembrança na história política do Brasil. Rio de Janeiro: Lacerda Editores, 2000.
- MORAES FILHO, Mello. Festas e tradições populares do Brazil. Rio de Janeiro: Fauchon e Cia., 1895.